Exportações de madeira do Pará começam 2026 em alta e crescem 106% em janeiro

O resultado representa crescimento em relação a janeiro de 2025, quando o volume exportado somou US$ 11,4 milhões

Continua depois da publicidade

As exportações de madeira do Pará começaram 2026 em alta. De acordo com levantamento da Associação das Indústrias Exportadoras de Madeira do Estado do Pará (Aimex), com base em dados do Comex Stat, do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), o estado exportou, em janeiro, US$ 23,6 milhões em produtos da posição 44 da NCM/SH, que engloba madeira e seus subprodutos.

O resultado representa crescimento de 106,25% em relação a janeiro de 2025, quando o volume exportado somou US$ 11,4 milhões. Em peso, o avanço foi de 3,98%, passando de 22,8 milhões para 23,7 milhões de quilos. O preço médio por tonelada também apresentou recuperação, saindo de US$ 502,39 em janeiro de 2025 para US$ 1.003,48 em janeiro de 2026.

Entre os principais produtos exportados, destaque para a madeira perfilada (pisos, decks, tacos e frisos), que saltou de US$ 4,4 milhões para US$ 16,4 milhões, um crescimento de 271,15%. A madeira simplesmente serrada também registrou aumento expressivo de 60,2% em valor, alcançando US$ 5 milhões.

Por outro lado, a madeira em bruto apresentou retração de 41,05% em valor e 35,89% em peso, enquanto painéis de fibras e compensados também tiveram queda nas exportações.

Estados Unidos lideram compras

Os Estados Unidos se consolidaram como principal destino da madeira paraense, com crescimento de 327,42% nas compras em janeiro de 2026, totalizando US$ 9,2 milhões. O país respondeu por 38,94% de toda a pauta exportadora do estado no período.

Na sequência aparecem Holanda (alta de 245,5%), França (46,72%) e Dinamarca (208,15%). Já a Índia apresentou retração de 35,15% no valor importado.

O mercado europeu, considerado em bloco, registrou crescimento de 108,7% em valor. Países como Portugal (+443,07%), República Tcheca (+334,07%) e Dinamarca (+208,15%) ampliaram significativamente suas aquisições.

Cenário externo influencia desempenho

No cenário nacional, o Pará foi o único entre os principais estados exportadores a apresentar crescimento expressivo. Enquanto as exportações brasileiras de madeira recuaram 16,9% em valor em janeiro de 2026, o Pará mais que dobrou sua receita no período. Estados como Paraná (-35,7%), Santa Catarina (-15,57%) e São Paulo (-29,16%) registraram queda.

Segundo Guilherme Carvalho, consultor técnico da Aimex, o desempenho reflete uma combinação de fatores externos e estratégicos. “O crescimento de mais de 100% em valor demonstra uma recuperação importante do mercado internacional, especialmente nos Estados Unidos e na União Europeia. Observamos um expressivo aumento do valor em relação ao pequeno aumento do volume exportado, ou seja, houve uma valorização dos produtos que está relacionada com a melhora da economia e baixos estoques de madeira nos mercados importadores”, afirmou.

Carvalho também ressaltou que o cenário internacional ainda exige cautela. “Apesar do resultado positivo, permanecem desafios relacionados às incertezas geopolíticas e às exigências regulatórias internacionais, como o Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento. O setor paraense vem se preparando para atender essas demandas, o que pode representar uma vantagem competitiva nos próximos meses”, completou.

Além da madeira in natura e beneficiada, os chamados “outros subprodutos”, como móveis e assentos com armação de madeira, registraram queda de 95,24% em valor, indicando que o avanço das exportações está concentrado nos produtos da posição 44.

O dólar encerrou janeiro cotado a R$ 5,2301, acumulando queda de 3,8% no mês, fator que também influencia a dinâmica das exportações.