“Marabá não deveria ter o menor interesse na construção de eclusa, pois não beneficiaria o município. Caso isso ocorra, corremos o risco de a indústria vertical da soja não se instalar aqui”. Divaldo Santos, empresário.
Não é só de hidrovia com eclusa que vivem os argumentos em defesa do desenvolvimento de Marabá. Na tarde desta terça-feira, 24, durante palestra que apresentou para vereadores e servidores da Câmara Municipal de Marabá, o empresário Divaldo Santos, ex-proprietário da siderúrgica Simara e que está investindo na construção de um porto particular para embarque de grãos, falou durante três horas e opinou, de forma polêmica, que para Marabá, é mais importante que a hidrovia venha sem eclusas e que a verticalização mineral, nos moldes da Alpa, não seria interessante para a cidade.
De acordo com o palestrante, isso tornaria Marabá, necessariamente, um entreposto de soja, criando uma cadeia produtiva em torno do produto. “Marabá não deveria ter o menor interesse em que se construa eclusa, pois não beneficiaria o município. Com esse modelo, as barcaças com produtos vindos do Mato Grosso e Goiás tirariam Marabá da posição de entreposto comercial e indústria vertical da soja não se instalará aqui”.
Divaldo apresentou ainda informações macro de mercado de produção do Brasil e do mundo, afirmando que é necessário que se fomente logística para o escoamento da produção nacional e, nesse cenário, a hidrovia do Tocantins Araguaia seria fundamental. Ele apresentou um estudo que indica que o Brasil, em 2020, será o maior supridor do mercado mundial.
O empresário informou que a produção de soja mundial é dominada por Brasil, Estados Unidos e Argentina, e nessa trilogia o Brasil é quem tem o maior espaço para crescimento. “Nosso país gasta 92 dólares na produção de soja, e nos EUA e Argentina o custo é bem menor. Cerca de 54% da produção nacional de soja advém do Norte e Nordeste, e é exportado pelo porto de Santos, e São Francisco do Souza. O destino da exportação brasileira é prioritariamente para China, que fica com 50% da soja e do milho”, observou.
Divaldo ainda explanou sobre o custo médio dos modais de transportes, enfatizando que a hidrovia é 120% mais barata que a ferrovia e 430% do que a rodovia. “Não tenho medo de dizer que a Baía do Guajará (situada no norte paraense) será o maior entreposto de soja do mundo”.
Por fim, o palestrante disse ser fundamental que Marabá crie uma Agência de Desenvolvimento no município, com suporte e condições de fomentar seu crescimento e atrair investidores.
Em seguida, os vereadores fizeram alguns questionamentos e se posicionaram sobre o tema explorado na reunião. Por sugestão do presidente do Legislativo, a cada pergunta o palestrante respondia em seguida.
A vereadora Irismar Melo advertiu que é preciso que a Agência de Desenvolvimento pense não apenas na questão do crescimento econômica, mas tenha também uma visão macro das necessidades sociais e ambientais. “Marabá já viveu vários ciclos, todos eles de exploração e extrativistas, deixando ônus social para a população”, lamentou a vereadora.
Pedro Correa reconheceu que a CMM está propondo um seminário para debater os grandes empreendimentos em Marabá e opinou que a Associação Comercial de Marabá (ACIM), por muitas vezes deixa aquele poder fora das discussões, e ressalvou que é preciso socializar mais as informações.
O presidente da Câmara, Miguel Gomes, contrapôs a argumentação do palestrante de que a hidrovia sem eclusas é mais interessante para Marabá. “E eu penso na hidrovia Araguaia Tocantins como um todo, gerando desenvolvimento para toda a região, diminuindo a pobreza, que é predominante no sul e sudeste do Estado”, ponderou.
Por Ulisses Pompeu – Correio do Tocantins





