Marabá

DTA e Estado dizem que impacto no Derrocamento do Lourenção será pequeno

Marcada pela presença de várias autoridades das esferas federal, estadual, municipal, judiciária, além de Organizações Não Governamentais, uma reunião realizada na manhã desta segunda-feira, dia 11, no auditório do Ministério Público Estadual, em Marabá, mais pareceu uma audiência pública e não faltou bate-boca.

A reunião fora convocada pela promotora do Meio Ambiente, Josélia Leontina de Barros, e seria restrita a representantes de alguns municípios, governo do Estado e mais algumas autoridades, apenas para que a empresa DTA Engenharia apresentasse o projeto básico e tirasse algumas dúvidas das autoridades. Também estiveram presentes os prefeitos e vereadores dos municípios de Tucuruí, Itupiranga, Breu Branco e Nova Ipixuna.

Mas como o governo do Estado havia divulgado a reunião em seu site, com a notícia sendo reposicionada em alguns blogs regionais, houve uma grande procura de representantes de entidades ambientais e políticos, e o auditório do MP ficou pequeno para a grande quantidade de pessoas que compareceu ao evento.

A primeira parte da reunião foi tranquila. Nela, a promotora Josélia Leontina de Barros fez a apresentação do objetivo da reunião, passou a palavra para Pádua Andrade, secretário de Estado de Transportes, que relembrou o esforço do então ministro Helder Barbalho em dar celeridade ao projeto de derrocamento do Pedral do Lourenção, mas houve um freio provocado pelo IBAMA (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis), que exigiu estudo de impacto ambiental abrangente, da ordem de 300 km, entre Marabá e Baião, e não apenas dos 42 que seriam impactados diretamente.

João Acácio Gomes de Oliveira Neto, presidente da DTA Engenharia, fez uma apresentação sucinta do projeto, lembrando desde que iniciou o processo de licitação até a fase atual, de aguardo de liberação das licenças por parte do IBAMA. Tanto a empresa quanto o secretário Pádua Andrade evidenciaram que a dragagem será um processo que causará impactos ambientais bem menores do que o que se tem alardeado. “O derrocamento será um fiozinho dentro no pedral e dentro do Rio Tocantins. Depois que o Ibama liberar para que façamos as audiências públicas, começaremos a fazer as reuniões nos seis municípios de impacto direto e nos indiretos também”.

O presidente da DTA garantiu que a utilização de explosivos para destruir pedras que estão no canal de dragagem obedecerá a normas técnicas internacionais, bem mais rígidas do que as brasileiras. Disse que um equipamento finlandês será trazido para esta região para perfuração e retirada das pedras após a detonação.

Os engenheiros da empresa apresentaram várias informações técnicas sobre o projeto, tanto do ponto de vista estrutural quanto em relação aos impactos ambientais.

A obra está orçada em R$ 520 milhões e a expectativa para o início da execução dos serviços é meados do segundo semestre deste ano. “Esta é uma obra simples, do ponto de vista da engenharia, e que trará enormes benefícios para toda a economia do Pará”, pontuou o presidente da DTA. Ainda de acordo com Acácio, nos estudos apresentados, os danos à flora e à fauna na área das obras serão mínimos, com destaque para a metodologia de explosão dos pedrais, que causará pouco barulho e pouco dano à vida aquática.

XI, DEU POLÊMICA!

A polêmica ficou para a segunda parte do evento, quando a palavra foi franqueada aos participantes. O primeiro que se inscreveu, Jorge Bichara Neto, presidente do Conselho Municipal de Meio Ambiente, protagonizou um episódio polêmico, ao “comprar briga” com o juiz Danilo Fernandes, com promotor de Justiça Arlindo Jorge Cabral Júnior, ambos da Comarca de Itupiranga.

Bichara excedeu-se no tempo usado para questionamentos à empresa DTA e o magistrado foi sugerir que suas perguntas fossem feitas durante as audiências públicas. Mas Jorge não aceitou e começou um bate boca que contaminou boa parte da plateia, a grande maioria ficando ao lado do magistrado. O promotor Arlindo quis intermediar e também foi alvo de discussão com o presidente do COMAM. Por fim, o juiz deixou o recinto visivelmente contrariado e não voltou mais. Outras pessoas fizeram o mesmo e ainda trocaram palavras duras com Jorge Bichara.

A promotora Josélia Leontina, mediadora do encontro, esclareceu que o momento de questionamentos mais específicos será na audiência pública e que a empresa terá a obrigação de responder a todas as perguntas. “Esta é apenas uma reunião de apresentação, não de discussão”, relembrou.

Ulisses Pompeu – de Marabá

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