Anderson Moratório, autonomia partidária e os bastidores da reorganização do PRD em Parauapebas

Novo presidente da legenda no município foi decidido pela Direção Nacional, e substitui comissão cujo mandato venceu em dezembro passado
Presidente da CMP, Vereador Anderson Moratorio

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O vereador Anderson Moratório, atual presidente da Câmara Municipal de Parauapebas (CMP) e agora presidente municipal do PRD, tornou-se o centro de uma disputa política que vai além de cargos e siglas. O que está em jogo é a autonomia partidária, o cumprimento de acordos políticos e o respeito à construção coletiva que sustentou a última eleição municipal.

Nos últimos dias, versões conflitantes têm circulado na cidade, atribuindo a lideranças locais uma suposta “retirada” do PRD das mãos do vice-prefeito Chico das Cortinas. A narrativa, no entanto, não resiste à análise dos fatos.

Decisão nacional, não articulação local

Documentos internos e manifestações oficiais indicam que a reorganização do PRD em Parauapebas foi uma decisão exclusiva da Direção Nacional do partido, não resultado de manobras locais ou disputas pessoais.

Não se tratou de retirar o partido de Chico das Cortinas, mas sim de afastar o PRD da tutela política do prefeito Aurélio Goiano, que passou a utilizar a legenda como instrumento circunstancial de governo, sem respeitar sua autonomia, suas instâncias e seus dirigentes.

O recado da direção nacional foi direto: o PRD não aceita ser usado em períodos eleitorais e descartado no exercício do poder, tampouco admite subordinação a interesses pessoais ou administrativos.

O apoio do PRD e compromissos ignorados

Durante a última eleição municipal, o partido teve papel ativo no projeto que elegeu Aurélio Goiano. Foram investidos recursos do Fundo Partidário em Parauapebas, disponibilizada estrutura, quadros técnicos e militância; e estabelecidos compromissos políticos com as direções estadual e nacional.

Esses compromissos, porém, não foram honrados pelo atual prefeito, em um processo marcado pela omissão política do então presidente Chico das Cortinas e pelo distanciamento deliberado do PRD e de suas lideranças legítimas das decisões estratégicas do governo.

O que ocorreu nos bastidores

Segundo relatos de filiados e dirigentes, o rompimento se deu a partir do abandono do diálogo institucional com o partido; da desvalorização de lideranças que contribuíram decisivamente para a vitória eleitoral e da submissão da legenda a interesses diretos do Executivo. Além da influência política direta e impositiva de Aurélio Goiano e do secretário de Finanças, Glauton Souza, sobre a condução partidária local.

Um precedente que não pode ser ignorado

Há ainda um episódio anterior que ajuda a compreender o atual cenário e que, à época, foi curiosamente tratado como “normal” por Chico das Cortinas.

Durante o período eleitoral, Chico das Cortinas e Aurélio Goiano, por articulação direta de Glauton Souza, promoveram a retirada abrupta da presidência do PRD das mãos de Marluce Santos e do empresário Léo, sem diálogo prévio e sem construção interna.

A decisão causou incômodo em diversos filiados, mas foi relativizada politicamente naquele momento, sob o argumento de estratégia eleitoral. O contraste é evidente: o que antes foi aceito como “ajuste político” passou, agora, a ser apresentado como “traição”, quando a decisão partiu da instância nacional e não do grupo local.

Perseguição política e reflexos na gestão

Outro aspecto que preocupa observadores políticos é a perseguição a servidores técnicos que atuaram na campanha de Aurélio Goiano e que, agora, vêm sendo afastados por retaliação política.

A prática tem impactado áreas sensíveis da administração, especialmente a educação pública, com prejuízos diretos à população de Parauapebas.

Mandato vencido e desinformação

Um ponto frequentemente omitido no debate público é que a Comissão Provisória do PRD já estava com mandato vencido ao final de 2025, o que, por si só, exigia providências administrativas da Direção Nacional.

Portanto, falar em “golpe” ou “traição” revela mais uma estratégia de desinformação do que um argumento político consistente. As manifestações públicas de Chico das Cortinas, inclusive, foram formalmente esvaziadas pela Direção Nacional, que sinalizou a perda de credibilidade da condução anterior.

Anderson Moratório e a reconexão institucional partidária

Diante desse cenário, a Direção Nacional foi clara: ou o PRD seria reorganizado sob uma liderança com autonomia, credibilidade e capacidade de diálogo, ou o partido seguiria outro caminho político local — jamais permanecendo sob controle direto ou qualquer submissão ao Executivo municipal.

Foi nesse contexto que Anderson Moratório, vereador mais bem votado do PRD e liderança consolidada na Câmara, foi legitimamente nomeado presidente municipal do partido, por decisão soberana da instância nacional. A medida tem caráter legal, estatutário, político e institucional, buscando restabelecer a participação interna, o diálogo e o respeito às instâncias partidárias.

Confira a nota em que o partido anuncia a decisão:

Mais que uma disputa partidária

O episódio expõe uma questão maior: a política não se constrói de forma individual, nem se sustenta com descartes sucessivos de aliados e instituições.

O posicionamento do PRD Nacional é oficial, público e institucional. Não há ruptura oportunista, mas reorganização legítima, baseada em estatuto, democracia interna e autonomia partidária.

Anderson Moratório é presidente municipal do PRD por decisão soberana da Direção Nacional. Qualquer versão diferente disso atende mais a disputas de narrativa do que aos fatos.

Parauapebas, mais uma vez, é chamada a refletir sobre maturidade política, respeito institucional e compromisso com a verdade.