Com “horror” de dinheiro, Prefeitura de Parauapebas vê receita crescer 49% em 2021

Enquanto você respira durante 4 segundos, Capital do Minério fatura R$ 340. Em 72 horas, ela ajunta mais dinheiro que 1.460 prefeituras durante ano inteiro. Então, é estribada que fala, né?

Aos números: a administração do prefeito Darci Lermen viu entrar nos cofres exatos R$ 224.082.216,91 em janeiro e R$ 209.355.990,07 em fevereiro. Somando tudo, a Prefeitura de Parauapebas faturou em apenas dois meses R$ 433.438.206,98 líquidos, o equivalente à arrecadação de um ano inteiro da Prefeitura de Castanhal — que governa para uma população do tamanho da de Parauapebas.

As informações foram levantadas com exclusividade pelo Blog do Zé Dudu, que examinou o balanço oficial consolidado do 1º bimestre deste ano pelo governo de Darci. O documento, que trata da execução orçamentária do município, está sendo encaminhado aos órgãos de controle externo a título de prestação de contas em obediência à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

O Blog constatou que a receita líquida de Parauapebas, aquela da qual já são feitas as deduções legais, bateu recorde e superou a arrecadação do 1º bimestre de 2020 em impressionantes 49%. No Brasil, só a receita do vizinho Canaã dos Carajás apresentou crescimento ainda mais violento.

Em tempo: no ano passado, Parauapebas arrecadou R$ 291.698.574,93 nos dois primeiros meses, sendo R$ 156.864.567,20 em janeiro e R$ 134.834.007,73 em fevereiro. No comparativo de janeiro, a receita inchou 49%. Já no comparativo de fevereiro, o aumento verificado pelo Blog do Zé Dudu foi de 55%. O Blog fez análise detalhada dos balanços de 2020 e 2021 para apurar o crescimento real da receita.

Mais de R$ 7 milhões por dia

Enquanto você respira, a Prefeitura de Parauapebas fatura, em média, R$ 340,11. Nos dois primeiros meses deste ano, a administração de Darci Lermen recebeu R$ 7.346.410,29 por dia. A cada três dias, Parauapebas tem fôlego financeiro para sustentar 1.460 municípios brasileiros pelo ano inteiro. São João da Ponta e Santarém Novo aqui no Pará, por exemplo, não conseguem arrecadar em 365 dias o que Parauapebas arrecada em 72 horas, conforme levantou o Blog a partir de dados consolidados por todas as prefeituras do país no Tesouro Nacional.

As principais fontes de arrecadação da prefeitura em dois meses foram a Compensação Financeira pela Exploração Mineral (Cfem), no valor de R$ 200.391.619,97; o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), no valor de R$ 81.232.314,79; o Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), no valor de R$ 46.466.305,23; o Imposto Sobre Serviços (ISS), no valor de R$ 31.932.993,58; e o Fundo de Participação dos Municípios (FPM), no valor de R$ 19.365.176,21.

À exceção do Fundeb e do FPM, que se baseiam em critérios populacionais (de alunos da educação básica e da população total, respectivamente), as demais fontes de renda (Cfem, ICMS e ISS) são em sua maioria garantidas pela atividade da mineradora multinacional Vale no município, direta (como os royalties de mineração) ou indiretamente (como os impostos decorrentes de serviços). Sem a Vale, receita do bimestre de Parauapebas não chegaria a R$ 100 milhões.

Com toda sua pompa e circunstância financeira, a prefeitura local ostentou um incrível e histórico superávit fiscal no bimestre, de exatos R$ 188.933.562,07, resultado excelente para o início do quarto mandato do governo Darci. O superávit acontece quando as receitas superam os gastos com dinheiro público.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Posts relacionados

R$ 1 bilhão nesta segunda: o que Aurélio Goiano fez com tanto dinheiro?

Coisas extraordinárias aconteceram, sim, na gestão de Goiano nestes 168 dias de existência: festival de licitações suspeitas, contratação de empresas forasteiras, inchaço da folha com centenas de puxa-saco, nepotismo escancarado, denúncias nos órgãos de fiscalização e recorde de processos judiciais.

Parauapebas tem pior resultado comercial em uma década

Capital do Minério ficou fora dos dez maiores exportadores em maio e, pela primeira vez na história, foi superada por Marabá, município que mais prospera em 2025 nas estatísticas do Ministério do Desenvolvimento. Canaã nem se fala: deu surra em Parauapebas e é o segundo que mais dá lucro ao Brasil

Aurélio Goiano terá R$ 46 milhões em royalties para gastar este mês

Prefeito de Parauapebas tem usado recursos da Cfem em contratos com empresas forasteiras, a exemplo da Pavifênix, que já recebeu R$ 9,85 milhões pela aplicação de asfalto com qualidade duvidosa e selo “borra de café”. Enquanto isso, prefeitos vizinhos dão exemplo de gestão financeira

R$ 1 bilhão nesta segunda: o que Aurélio Goiano fez com tanto dinheiro?

Coisas extraordinárias aconteceram, sim, na gestão de Goiano nestes 168 dias de existência: festival de licitações suspeitas, contratação de empresas forasteiras, inchaço da folha com centenas de puxa-saco, nepotismo escancarado, denúncias nos órgãos de fiscalização e recorde de processos judiciais.

Parauapebas tem pior resultado comercial em uma década

Capital do Minério ficou fora dos dez maiores exportadores em maio e, pela primeira vez na história, foi superada por Marabá, município que mais prospera em 2025 nas estatísticas do Ministério do Desenvolvimento. Canaã nem se fala: deu surra em Parauapebas e é o segundo que mais dá lucro ao Brasil

Aurélio Goiano terá R$ 46 milhões em royalties para gastar este mês

Prefeito de Parauapebas tem usado recursos da Cfem em contratos com empresas forasteiras, a exemplo da Pavifênix, que já recebeu R$ 9,85 milhões pela aplicação de asfalto com qualidade duvidosa e selo “borra de café”. Enquanto isso, prefeitos vizinhos dão exemplo de gestão financeira