Volta às aulas: entre ansiedade, expectativas e oportunidades de recomeço

Momento desperta sentimentos mistos em crianças, pais e professores. O desafio é transformar esse recomeço em oportunidade de vínculos e crescimento

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O retorno às aulas, tão aguardado por uns e temido por outros, é uma ocasião de intensas emoções para crianças, pais e professores. Segundo a psicóloga Viviane Costa Barbosa Campos, doutora em Psicologia e coordenadora do curso de Psicologia da Afya Redenção, a transição pode provocar sentimentos ambivalentes, especialmente nos mais jovens.

“Muitas crianças experimentam ansiedade de separação e até tristeza por deixar o convívio familiar mais intenso que as férias proporcionam”, explica. O medo do novo também pesa: seja uma professora diferente, colegas desconhecidos ou o desafio de um ano escolar mais exigente. Esses sentimentos podem se manifestar em choro, dificuldade para dormir ou até queixas físicas como dor de barriga.

Os adultos também não ficam imunes. Pais costumam sentir alívio com a retomada da rotina, mas carregam certa culpa ao verem os filhos resistindo. Já os professores enfrentam uma mistura de expectativas e estresse. “O início do ano letivo significa criar novos vínculos, organizar planejamentos e lidar com as emoções tanto dos alunos quanto das suas próprias”, afirma Viviane.

A especialista destaca que cada faixa etária reage de forma distinta. Crianças pequenas tendem a depender mais emocionalmente dos adultos, expressando desconforto por meio de comportamentos físicos. Já os adolescentes, em meio às questões identitárias e sociais, podem mascarar inseguranças com desdém ou aparente desinteresse.

Sinais como choro persistente, regressões, alterações de sono e apetite, isolamento ou queixas físicas frequentes merecem atenção especial. “Se esses comportamentos persistirem após duas ou três semanas, é fundamental investigar com mais atenção e, se necessário, buscar apoio psicológico”, orienta.

Para suavizar o momento, Viviane recomenda conversas positivas sobre a escola e os colegas. Pequenos rituais de despedida e a participação da criança na preparação do material e do lanche também transmitem segurança. “Validar o que a criança sente, sem minimizar, é essencial”, reforça.

E quando há resistência? A psicóloga é categórica: não se deve punir nem ridicularizar. “É preciso acolher como legítimo, mas conduzir com firmeza afetiva. Manter a rotina escolar transmite segurança. O diálogo empático e o suporte emocional são fundamentais”, afirma.

Ela lembra que a quebra de rotina nas férias dificulta a readaptação. Famílias que conseguem manter certa regularidade, como horários de sono, tendem a sofrer menos no retorno. “As crianças precisam de previsibilidade. A ausência total de rotina pode tornar o retorno mais desgastante emocionalmente. Equilíbrio é a palavra”, resume.

Além da perspectiva das famílias e professores, Viviane ressalta que o retorno às aulas também é um momento de transição importante para os acadêmicos. Existe a empolgação do reencontro, mas também o surgimento de ansiedades sobre o ritmo de estudos e as responsabilidades que virão. “Na Afya, entendemos que o sucesso acadêmico é indissociável da saúde mental. Não formamos apenas técnicos; formamos pessoas que cuidarão de pessoas, seja na saúde ou na justiça”, destaca.

Para este semestre, a instituição fortaleceu sua rede de proteção para garantir que nenhum aluno se sinta sobrecarregado ou sozinho. O suporte é estruturado para atender às particularidades de cada jornada. Na Medicina e Enfermagem, onde a carga horária e o contato precoce com a dor do outro são intensos, o foco está no suporte emocional para lidar com o estresse e na prevenção do burnout acadêmico. 

No Direito, o trabalho é voltado para a gestão da ansiedade frente à alta demanda de leitura e à pressão por exames de ordem e concursos. Já na Psicologia, o olhar é atento ao desenvolvimento da maturidade emocional necessária para a prática profissional.

O grande diferencial da Afya é o Núcleo de Apoio Psicopedagógico, considerado o coração do acolhimento. Ele oferece escuta ativa, orientação para organização de estudos e apoio psicossocial de forma sigilosa. Além disso, programas de mentoria aproximam alunos e professores, humanizando o processo de aprendizagem.

O objetivo é que, ao retornar ao campus, o acadêmico saiba que tem à disposição ferramentas de resiliência e uma equipe preparada para ampará-lo. “Queremos que ele tenha a tranquilidade de saber que, na Afya, ele é visto integralmente — cuidamos de quem estuda hoje para que tenhamos profissionais humanos e brilhantes amanhã”, conclui Viviane.

(Elizabete Ribeiro/Temple)

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