Vereador propõe mudar o rumo da história com Parque Industrial em Marabá

"É hora de pararmos de sonhar com o príncipe encantado que vai chegar em seu cavalo branco e deixar todo mundo feliz", diz Márcio do São Félix, referindo-se aos grandes projetos que nunca saíram do papel
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O vereador Antônio Márcio Farias Gonçalves (PSDB), secretário da recém-criada Comissão de Desenvolvimento Socioeconômico, da Câmara Municipal de Marabá (CMM), apresentou em Plenário, esta semana, o Requerimento 46/2021, pelo qual propõe a implantação de um Parque Industrial no município.

Márcio do São Félix, como é mais conhecido, argumenta que é hora de o marabaense deixar de esperar os grandes empreendimentos prometidos e projetados para a cidade, mas que nunca saíram do papel. Situação essa que se repete desde o início da década de 1990.

“É hora de pararmos de sonhar com o príncipe encantado que vai chegar em seu cavalo branco e deixar todo mundo feliz”, diz o vereador em analogia aos personagens dos contos de fadas, que só existem no imaginário popular. Logo, em verdade, nunca se realizam.

“Vamos parar de esperar esses grandes investimentos e investir nas pequenas e médias, que são as que mais criam empregos neste País”, conclama ele, argumentando que, caso o governo municipal, com o apoio do Legislativo, e do governo do Estado, abracem a proposta, será possível sim a criação do parque.

“Desde a década de noventa, a cidade de Marabá passa por etapas com expectativas frustradas sobre a perspectiva da verticalização do minério na região, o que por justiça e merecimento deveria ser uma ação concreta para o município”, lembra o vereador, ao afirmar que a região sempre foi apenas um “almoxarifado” dispondo da matéria prima para fora e nunca foi beneficiado com subsídios para “de fato industrializar a sua própria matéria prima”.

O vereador fez uma breve retrospectiva dos projetos que nunca se realizaram, deixando os marabaenses frustrados: nos anos 1990, o Projeto Salobo prometia ser algo de grande relevância, mas, no decorrer dos anos, não supriu as expectativas de desenvolvimento da região; nos anos 2000, o Projeto Alpa reacendeu a chama da esperança e prometeu que seria ainda maior com a criação do Projeto Aline. Tudo, porém, por vários fatores sucumbiu.

Depois – prossegui o vereador – veio a promessa de efetivação da Hidrovia Araguaia-Tocantins, com a derrocagem do Pedral do Lourenção, que até hoje não aconteceu; também surgiu um projeto de menor porte denominado Alpinha, “nome dado, não se sabe se carinhosamente ou pejorativamente”, mas que também teve como destino o fracasso.

“O último projeto em pauta, lançado em meados de 2019, tinha a parceria de uma empresa asiática junto a uma empresa nacional que prometia laminação de 300 mil toneladas por ano, contando com 300 milhões em investimento. Porém, como sabemos, o projeto não alavancou”, lamenta Márcio do São Félix.

De acordo com ele, diante desse cenário de diversas expectativas frustradas, chega a hora de redirecionar o curso da história, articulando ações efetivas. Por isso, ele propôs: o beneficiamento da área já desapropriada [em que seria erguida a Alpa] para a instalação de um projeto exequível e acessível para gerar emprego e renda à região. “Assim surge a proposta da instalação de um parque industrial, semelhante a projetos já executados em outras cidades como Canaã, Parauapebas e outras cidades da federação”.

Márcio propõe ainda que o projeto seja debatido pelo Executivo e o Legislativo Municipal, o Executivo Estadual, por meio da Codec (Companhia de Desenvolvimento Econômico do Pará), junto com as empresas de grande porte e investimento “que comungam do interesse comum para a verticalização comercial de Marabá, como a Companhia Vale, Equatorial Energia, Buritirama Mineração e Grupo JBS”.

Para esse debate serão convocados também os sindicatos inerentes à pauta e a sociedade civil. E assim seja apresentada como pauta a ser deliberada, o seguinte, conforme a íntegra do projeto:

a)      Aceitação pela CODEC, sem custo, da devolução da área desapropriada pelo Estado do Pará em que seria instalada a ALPA – Aços Laminados do Pará S/A, pondo-se termo à demanda judicial;

b)      Uma vez recebida a referida área pela CODEC, nela seria implantado o Parque Industrial de Marabá, nos moldes do que foi implantado recentemente em Canaã dos Carajás, para atrair a instalação de pequenas e médias empresas;

c)      Construção de um porto, com terminal hidroviário de passageiros, resultante de parceria entre a Vale e a CODEC, para diminuir o fluxo de ônibus na rodovia onde se localizará o Parque Industrial, atendendo à demanda por transporte de operários dos núcleos de São Félix, Nova Marabá, Cidade Nova e Velha Marabá.

A proposta foi elogiada e considerada de suma importância para Marabá e região por vários vereadores, em diversos apartes. 

Por Eleuterio Gomes – de Marabá

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