O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, nesta quinta-feira (26), rejeitar o pedido de prorrogação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, responsável por investigar fraudes contra aposentados e pensionistas.
Por maioria de votos, a Corte firmou entendimento de que a prorrogação de CPIs é uma questão interna do Congresso Nacional, não cabendo ao Judiciário interferir, salvo em casos de violação direta da Constituição.
A decisão derruba a liminar concedida anteriormente pelo ministro André Mendonça, que havia autorizado a extensão dos trabalhos da comissão por até 60 dias.
Entenda o caso
O pedido de prorrogação foi apresentado pelo senador Carlos Viana (Podemos-MG) e pelos deputados Alfredo Gaspar (União-AL) e Marcel Van Hattem (Novo-RS).
Os parlamentares alegaram omissão da presidência do Congresso em analisar o requerimento antes do encerramento dos trabalhos, previsto para o próximo sábado (28).
O que decidiu o STF
Prevaleceu o voto do ministro Flávio Dino, que destacou:
- A Constituição garante à minoria parlamentar o direito de criar CPIs;
- Não existe garantia de prorrogação automática dessas comissões;
- Cabe ao Congresso definir o funcionamento e a duração dos trabalhos.
“Prazo certo não se compatibiliza com a ideia de prorrogações indefinidas.”
O ministro também ressaltou que, na ausência de previsão constitucional, qualquer ampliação de prazo deve seguir o Regimento Interno do Congresso, que exige deliberação parlamentar.
Separação de Poderes foi decisiva
A maioria dos ministros acompanhou o entendimento de que a questão deve ser resolvida dentro do Legislativo.
Entre os votos:
- Alexandre de Moraes: afirmou que a prorrogação depende da maioria parlamentar;
- Cristiano Zanin: destacou a necessidade de respeitar a autonomia do Congresso;
- Nunes Marques e Dias Toffoli: reforçaram que o tema é interno do Parlamento;
- Cármen Lúcia: reconheceu a relevância da investigação, mas rejeitou a prorrogação automática;
- Gilmar Mendes: lembrou que atos do Legislativo têm presunção de constitucionalidade;
- Edson Fachin: afirmou que não há direito garantido à prorrogação.
Votos vencidos
Ficaram vencidos:
- André Mendonça (relator): defendeu que a omissão do Congresso viola o direito da minoria;
- Luiz Fux: entendeu que a prorrogação deveria ser garantida como extensão do direito de investigação.
Impacto da decisão
Com o entendimento do STF, a CPMI do INSS deve encerrar seus trabalhos dentro do prazo previsto, salvo decisão expressa do Congresso Nacional.
O julgamento reforça a posição da Corte em defesa da separação entre os Poderes e limita a atuação do Judiciário em decisões internas do Legislativo, mesmo em investigações de grande repercussão.
Carlos Magno
Jornalista DRT/PA 2627
Com informações do STF







