A Universidade do Estado do Pará (Uepa) realizou, na manhã desta terça-feira (24), mais uma ação do projeto de extensão “Uepa nas Escolas”, contemplando alunos do 3º ano do Ensino Médio da Escola Estadual de Ensino Médio “O Pequeno Príncipe”, localizada na Folha 32 (prédio 2), área urbana de Marabá, no sudeste paraense. A iniciativa busca aproximar a comunidade acadêmica dos alunos da rede pública, por meio de palestras informativas, apresentação de cursos e incentivo ao ingresso no Ensino Superior.
Airton Pereira, professor da instituição e coordenador do projeto, destacou o papel estratégico do “Uepa nas Escolas” na orientação de jovens sobre o ingresso no Ensino Superior e a infraestrutura da universidade. De acordo com o coordenador, o projeto atua em duas frentes: a visita de comitivas da Uepa às escolas e a recepção de alunos no campi da instituição.

Uma equipe formada por professores, técnicos e alunos vai a escolas de Ensino Médio, especialmente após convites das próprias instituições, para esclarecer dúvidas sobre os processos seletivos. “Nós vamos até as escolas para explicar sobre os cursos que a Uepa oferece, as formas de ingresso e o sistema de cotas. Também divulgamos o Avante, nosso cursinho popular gratuito, voltado especificamente para preparar esses alunos para a universidade”, informou o professor Airton Pereira.
Vivência e infraestrutura
A segunda frente do projeto abre a Uepa para que os estudantes conheçam de perto o ambiente acadêmico. As visitas agendadas incluem passagens por laboratórios e espaços de pesquisa, permitindo que o aluno visualize a futura trajetória profissional. Para viabilizar essa integração, a Uepa oferece suporte logístico.
“Muitas escolas não possuem transporte próprio, por isso tentamos viabilizar nosso micro-ônibus para buscar e devolver os alunos. É fundamental que os professores da escola acompanhem as turmas, pois trata-se de uma atividade pedagógica programada”, frisou o coordenador.
Airton Pereira disse que o projeto já chegou a diversas escolas da região, e manterá um calendário ativo nos próximos meses. Neste bimestre, o projeto já passou pelas escolas estaduais de Ensino Médio Acy Barros e Anísio Teixeira, e Colégio Claretiano. As próximas visitas serão à Escola Liberdade e à Estação Conhecimento.
Repercussão
A estudante Karine Xavier, 18 anos, aluna do 3º ano na Escola O Pequeno Príncipe, destacou a relevância da visita da equipe da Uepa em um momento decisivo da formação. Para ela, o projeto vai além da orientação acadêmica, atuando diretamente na autoestima dos estudantes da rede pública.
Segundo Karine, muitos estudantes se sentem “perdidos” na reta final do Ensino Médio, por isso a presença da Universidade ajuda a desconstruir o preconceito de que alunos de escolas estaduais não teriam capacidade para ingressar no Ensino Superior.
“A Uepa traz as informações que precisamos, e nos mostra que é possível a aprovação. Existe um preconceito de que não temos valor suficiente para uma faculdade. Mas, as instituições públicas provam o contrário, e nos dão a segurança de que o curso dos sonhos está ao nosso alcance”, afirmou a estudante, que pretende seguir a carreira de publicitária.

Inspiração
O Projeto “Uepa nas Escolas” contou com um reforço especial durante a visita à Escola Pequeno Príncipe. O relato de Victor Hugo Yohannes, ex-aluno da instituição, e hoje acadêmico do 5º semestre de Medicina na Uepa.
Para Victor Hugo, retornar ao local onde estudou do 6º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio era um momento de forte emoção e gratidão. Ele destacou que o apoio dos professores da rede pública foi o diferencial para que alcançasse a aprovação no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) com uma média expressiva de 796 pontos, em 2023. Hoje, ele já está entrando no Ciclo Clínico de Medicina.
Representatividade
Além de compartilhar sua trajetória, Victor Hugo ressaltou um dos grandes objetivos sociais do projeto: incentivar o acesso à universidade local por jovens de Marabá. “Observamos que muitas vagas nos cursos da Uepa acabam preenchidas por pessoas de fora. O projeto é fundamental para criar esse contato direto, e mostrar ao aluno da escola pública que a universidade é dele. Queremos ver, cada vez mais, marabaenses ocupando esses espaços”, afirmou o estudante de Medicina.
Além de Victor Hugo, participaram da ação acadêmicos dos cursos de Biomedicina, Licenciatura em Letras-Libras e Medicina, professores e técnicos da instituição.
“Receber o projeto da Universidade do Estado do Pará na Escola O Pequeno Príncipe é mais do que uma ação pontual; é a construção de uma ponte real entre a educação básica e o Ensino Superior. Quando nossos estudantes têm contato direto com a universidade, eles passam a se enxergar nesse espaço, ampliam seus horizontes e começam a transformar sonhos em metas concretas. Essa aproximação é fundamental para democratizar o acesso e fortalecer projetos de vida por meio da educação”, disse Magno Barros, titular da Diretoria Regional de Ensino (DRE).

Quebrar barreiras
O vice-diretor administrativo da Escola O Pequeno Príncipe, Sidnei Silva e Silva, ressaltou que parcerias, como o “Uepa nas Escolas”, são fundamentais para materializar o projeto de vida dos estudantes.
Segundo o gestor, a presença da universidade no ambiente escolar quebra barreiras invisíveis e aproxima o aluno da realidade acadêmica. “Receber a Uepa em nossa escola é uma oportunidade ímpar de mostrar aos nossos jovens que a universidade pública é um espaço que pertence a eles. Projetos assim complementam o trabalho que desenvolvemos em sala de aula, pois trazem informação técnica e, acima de tudo, motivação. Ver um ex-aluno nosso retornando aqui como acadêmico de Medicina é a maior prova de que o ensino público de qualidade, aliado ao esforço e ao apoio institucional, transforma vidas”, reforçou o vice-diretor.
Com 34 anos de funcionamento, a Escola “O Pequeno Príncipe” se destaca por aprovações no Enem e no último Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação), com nota 4.8, e bons resultados no Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) e Sispae (Sistema Paraense de Avaliação Educacional). A gestão da instituição é composta pelo diretor Antônio Luís Silva Soares, Mariana Denise Moura Ferreira (orientadora), Santhiago Paixão Freitas (orientador), Rosângela Silva Santis (coordenadora) e Maria do Socorro dos Santos Castro (coordenadora). São 738 alunos matriculados em 2026, no turno da manhã e à tarde.
(Agência Pará)







