País pode ter até 16 mil cadáveres não identificados por ano

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Em depoimento à CPI, Luiz Fernando Ferreira, da UFAL, foi categórico:

“Se tomarmos por baixo, 300 mil pessoas podem estar desaparecidas no Brasil”

Foto: Agência Câmara

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O Professor Luiz Fernando Ferreira da Silva com as deputadas Bel Mesquita e Andréia Zito

A CPI que apura o desparecimento de crianças e adolescentes no País constatou que as estatísticas que motivaram a instalação da própria comissão – 50 mil casos – podem ter sido subestimadas. Munido de dados e de provocações polêmicas, o professor doutor da Universidade Federal de Alagoas, Luiz Fernando Ferreira da Silva, prestou depoimento na sessão realizada nesta quinta-feira (22/10), quando criticou a falta de comunicação entre as autoridades brasileiras para desvendar os casos de desaparecimentos.

Durante a audiência pública, Ferreira revelou que o Brasil deve ter até 16 mil cadáveres não identificados e que há uma estimativa, com base em uma comparação com os registros de outras nações – EUA, Inglaterra, Canadá e Austrália –, de que 300 mil brasileiros estejam desaparecidos. O pesquisador afirmou que o banco de dados nacional de DNA de pessoas desaparecidas não é implementado hoje no Brasil por causa de preconceito social.

– Uma vez uma mulher pobre nos procurou com um pedaço de osso que o IML liberou dentro de uma sacola de supermercado para que investigássemos se era o DNA de seu filho. São seres humanos que precisam ser identificados! Através de meios eletrônicos podemos comparar uma amostra de osso no Pará com o DNA de uma família no Rio Grande do Sul. A questão é que, aqui no Brasil, o banco de dados não sai porque é para pobres, para pessoas que não têm recursos! – indigna-se Ferreira.

O chefe do Laboratório de Genética Forense da UFAL revelou que o Banco de Dados está pronto e que o projeto foi enviando à Secretaria Nacional de Segurança Pública há mais de um ano, entretanto, ainda não obteve retorno do órgão. “Temos um planejamento e uma proposta para o Brasil. Ou eles não receberam ou não se interessaram. Eu fico indignado com o descaso do poder público”, reflete o especialista em genética.

Luiz Fernando Ferreira afirmou ainda que não há ações governamentais para buscar ou identificar desaparecidos, e que o Brasil sequer apoia os familiares dos desaparecidos. “Não há buscas, não existe políticas para identificar restos mortais nem apoio às famílias”, reclama.

A presidenta da CPI, a Deputada Bel Mesquita (PMDB/PA), viu no depoimento de Luiz Fernando, uma oportunidade para integrar as diferentes iniciativas tomadas isoladamente em outros estados. “Precisamos fazer uma mesa redonda com todos os envolvidos para acharmos um modelo mais próximo do ideal”, aposta a presidenta da comissão.

Na próxima reunião, marcada para terça-feira (27/10), os parlamentares vão ouvir a delegada do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecida do Paraná, Ana Cláudia Machado.

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