Marabá: Médico desaparece nas águas do Tocantins na noite desta Terça-Feira Gorda

Ele tentou ajudar um amigo a resgatar uma lancha à deriva no rio, mas acabou sendo tragado pelas águas
Arlen Martins Braga

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O início da noite desta Terça-Feira Gorda (17) trouxe apreensão e silêncio às margens do Rio Tocantins, em Marabá. O médico marabaense Arlen Martins Braga desapareceu por volta das 19h, após mergulhar nas águas agitadas do rio ao tentar recuperar uma lancha que se soltou de um flutuante nas proximidades da Praia do Tucunaré.

Arlen estava com amigos em um momento de descontração quando o tempo mudou de forma abrupta. Uma ventania intensa, acompanhada de chuva forte, varreu a cidade e obrigou o grupo a buscar abrigo no flutuante do Marujo, ancorado na região da Praia do Tucunaré. Por precaução, amarraram a lancha à estrutura e passaram para a embarcação maior, considerada mais segura diante das condições adversas.

Mas, em meio à força do vento e da correnteza, a lancha acabou se desprendendo. Em um impulso para evitar que a embarcação fosse levada rio abaixo, o jovem Zé Henrique, que fazia parte do grupo, saltou nas águas. Ao perceber que o rapaz não sabia pilotar a lancha, Arlen não hesitou: pulou também, decidido a ajudá-lo no retorno.

Zé Henrique — filho de Alcileia Tartaglia e enteado do médico Luiz Sérgio — conseguiu alcançar a corda da lancha e subir a bordo. Arlen, no entanto, desapareceu sob as águas turvas do Tocantins.

Em desespero, o jovem começou a ligar para amigos e familiares pedindo socorro e acabou sendo resgatado. A partir daí, teve início uma corrida contra o tempo. O Corpo de Bombeiros mobilizou uma embarcação para as buscas, enquanto amigos da família, entre eles o vereador Pedrinho Corrêa, organizaram grupos que passaram a percorrer as margens do rio na esperança de um reencontro com vida.

Até as 23h, ao menos quatro embarcações — incluindo barqueiros experientes do Tocantins — vasculhavam a área. O cenário, porém, é desafiador. Com as chuvas dos últimos dias, o nível do rio subiu consideravelmente e a correnteza tornou-se ainda mais forte. Os bombeiros mantiveram as buscas até por volta das 22h, retomando os trabalhos ao amanhecer, por volta das 6h.

O comando do Corpo de Bombeiros de Marabá também acionou a central em Belém, solicitando o envio de equipe especializada em buscas subaquáticas, caso haja necessidade de intensificar as operações nesta quarta-feira (18).

Enquanto isso, dezenas de pessoas se reuniram no Porto da Colônia Z-30, no Bairro Santa Rosa, em frente ao ponto onde a lancha estava ancorada durante o vendaval. Em vigília silenciosa, amigos, familiares e conhecidos rezam e aguardam notícias, agarrados à esperança de que Arlen seja encontrado com vida.

Quem é Arlen Braga

Marabaense, Arlen Braga construiu uma trajetória marcada por mudanças e recomeços. Trabalhou na mineradora Vale e, posteriormente, na área administrativa da Prefeitura de Marabá, onde se destacou à frente do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Em um gesto de reinvenção, deixou a estabilidade para cursar Medicina na Bolívia, retornando após a formação.

Hoje, atua como médico regulador no 11º Centro Regional de Saúde da Secretaria de Estado de Saúde (Sespa) e cumpre plantões no Hospital Materno Infantil. Paralelamente, empreende à frente de uma franquia da Chopptime, instalada na entrada do Partage Shopping Marabá, espaço bastante frequentado na cidade.

Arlen já havia sido sócio da lancha envolvida no incidente, mas vendera sua parte a um amigo médico. Naquela noite, teria pedido a embarcação emprestada — e foi justamente na tentativa de recuperá-la que acabou desaparecendo, em um gesto que agora ecoa como símbolo de coragem e solidariedade diante do imprevisto.

(Com informações do Jornal Correio)