Marabá concentra maior número de investigações anticorrupção no Pará

Entre março e outubro do ano passado, GEAC processou 29 pedidos de auxílio em investigações de corrupção em todo o estado
Ministério Público de Marabá lidera o número de solicitações ao grupo especializado em anticorrupção sediado em Belém

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O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) divulgou o Relatório de Atividades 2025 do Grupo de Atuação Especial Anticorrupção (GEAC), documento que apresenta um panorama detalhado das ações de apoio investigativo desenvolvidas ao longo do ano no enfrentamento à corrupção e a crimes conexos em todo o estado.

Vinculado ao Centro Integrado de Investigação (CI), o GEAC atua de forma integrada com promotores e procuradores de Justiça, prestando auxílio técnico e operacional em investigações e ações cíveis e criminais relacionadas à moralidade administrativa e à defesa do patrimônio público.

O documento destaca a mudança para a sede própria do Centro Integrado de Investigação. A transição, ocorrida em 14 de julho de 2025, possibilitou a organização estrutural do GEAC e o desenvolvimento mais sistematizado de suas operações.

Alcance estadual

Entre março e outubro de 2025, período de maior concentração de demandas, o GEAC processou 29 pedidos de auxílio em procedimentos investigativos voltados ao combate à corrupção e crimes correlatos, com atuação em 16 comarcas distintas do Pará. O levantamento evidencia o caráter descentralizado da atuação do grupo, alcançando diferentes regiões do estado.

A comarca de Marabá concentrou o maior número de solicitações, com cinco procedimentos (17% do total), seguida por Ananindeua, com quatro atuações. As investigações apoiadas envolveram, majoritariamente, casos de alta complexidade e relevante impacto financeiro.

O relatório também destaca operações de campo realizadas em 2025. A primeira, registrada sob a Ordem de Missão nº 025/2025-CI, ocorreu no município de Mãe do Rio, nos dias 29 e 30 de setembro, com a participação de dois membros do GEAC e apoio de forças de segurança.

Já a Ordem de Missão nº 036/2025-CI foi deflagrada em Anapu, entre 9 e 12 de dezembro, demandando maior estrutura logística. A operação mobilizou oito integrantes, entre membros do GEAC e assessoria do CI, além do apoio de 13 policiais e bombeiros militares. As ações demonstram a capacidade do grupo em cumprir ordens judiciais complexas, ajustando equipes e recursos à dimensão de cada missão.

Importância institucional

A análise temática dos procedimentos revela que a maior parte das atuações esteve relacionada a fraudes em licitações, contratos administrativos e crimes de corrupção ativa e passiva, presentes em 13 procedimentos. Outros quatro casos envolveram improbidade administrativa e malversação de recursos públicos, enquanto mais quatro apuraram crimes de associação criminosa e lavagem de capitais, geralmente associados a esquemas de fraude em contratações públicas.

Entre as iniciativas institucionais, o relatório destaca o lançamento do Projeto Integração GEAC, inspirado no modelo “Conexão GEPP” do Ministério Público de Minas Gerais.

Ao final do relatório, o MPPA ressalta que, ao longo de 2025, o GEAC consolidou-se como unidade estratégica de apoio investigativo especializado, fundamental para o avanço de apurações complexas envolvendo macrocriminalidade administrativa.

A atuação do grupo permitiu que Promotorias de Justiça em diversas regiões do Estado conduzissem investigações de grande porte com maior robustez técnica.

(Fonte: Correio de Carajás)