INVASÕES

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A invasão da fazenda São Luís, no último domingo, por 600 agricultores ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), faz parte de uma estratégia da entidade para ocupar outras seis fazendas na região de Canaã de Carajás, Parauapebas e Eldorado dos Carajás. Pelo menos duas mil famílias já foram mobilizadas para as novas invasões. Os fazendeiros ameaçam reagir e começaram a contratar pistoleiros para defender suas terras, alegando que não estariam dispostos a esperar pela “rapidez” das autoridades no cumprimento das liminares de reintegração de posse.
Há mais de 40 mandados numa extensa fila para serem cumpridos pela Polícia Militar, mas parece não haver pressa em retirar os invasores. Na invasão de domingo, a PM foi chamada, apareceu e se limitou a observar a movimentação dos sem-terra. O oficial que apareceu na fazenda “São Luís” disse que a força só agiria no caso de ser acionada pela Justiça.
A fazenda fica localizada à rodovia PA-160, em uma vicinal a 15 quilômetros do Centro de Canaã dos Carajás. De acordo com a PM, desde que a ocupação começou, novos ocupantes chegam a todo momento no local. “Há muita especulação imobiliária na região. Quando esse pessoal fica sabendo que uma terra está sendo ocupada, vem gente de todos os cantos”, disse o tenente-coronel José Monteiro, comandante do 23º Batalhão da Polícia Militar em Parauapebas.
Segundo a PM, os ocupantes são os mesmos que já estiveram na fazenda São Marcos e que tinham sido remanejados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), no assentamento Palmares I . De qualquer maneira, a PM mantém uma tropa de prontidão no caso de vir a ser acionada pelo Poder Judiciário.
O gerente da fazenda já registrou ocorrência sobre a invasão e o advogado do fazendeiro anunciou que ainda ontem ingressaria com liminar para desocupação da área. O MST informou que não pretende se retirar das terras, acrescentando que já pediu ao Incra um levantamento sobre a situação do imóvel para transformá-lo em um “assentamento produtivo”, coisa que hoje, segundo o MST, não acontece na fazenda.