Dia Internacional da Mulher: Força feminina em atividades no campo cresce no Pará

Dados da EMATER apontam que nos espaços historicamente masculinos, o atendimento anual chega 50 mil agricultoras.

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Com um atendimento anual de cerca de 50 mil agricultoras em todos os 144 municípios paraenses e um funcionalismo feminino que supera os 30% do quadro total, mesmo dentro de um contexto de cargos e funções historicamente masculinos, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Pará (Emater) comemora este 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, com um número cada vez maior de lideranças internas, na instituição, e também no campo, com a tomada de projetos, programas e políticas públicas que fortalecem a conscientização e equidade entre gêneros.

A diversidade compreendida pela atuação da Emater, de norte a sul do Pará, é de mulheres doutoras, mestras, especialistas e técnicas ouvindo e sendo ouvidas por mulheres indígenas, ribeirinhas, colonas, quilombolas e assentadas.

União

No cotidiano de 16 anos de Emater, a doutora em Manejo Florestal, engenheira florestal, Tangrienne Mener, de 45 anos, desbrava a Amazônia, em caminhos de resistência e preconceitos: “Desde a faculdade, o meio rural é patriarcalizado, sim. Cada mulher que resolve pegar em um livro da área, que herda uma enxada e um trator, puxa para si um tempo incontável de machismo e de ideias equivocadas. Nós somos protagonistas de uma revolução”, afirma.

LUGAR DELAS

Uma das atendidas pela equipe da qual Tangrienne faz parte, o escritório local de Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém (RMB), é a quilombola Vivia Cardoso, 40 anos, do Território do Abacatal, na Estrada Santana do Aurá. A comunidade matriarcal é formada por 128 famílias: 90% delas chefiadas por mulheres.

“Nossa tradição quilombola é mulher na liderança. Isso vem da ancestralidade, do sangue. A força da mulher é um combustível imprescindível da nossa mentalidade. Até as mulheres casadas são as chefes de família: isso quer dizer que gerenciam o dinheiro, são a palavra final na criação dos filhos, vivem com independência emocional e profissional”, minucia a agricultora.

No Abacatal, vejamos, são mulheres à frente de mais de 300 anos de existência e mais de 500 hectares de agricultura familiar, entrecortados pelo igarapé Uriboca.

Os principais produtos são acerola, açaí, banana, farinha d’água, laranja, maniva, plantas medicinais, pupunha e tucupi, com acompanhamento da Emater há mais de três décadas.

Com informações da Emater