Coluna do Chico Brito

Chico Brito 2Por Chico Brito

“Sete anos de pastor, Jacó servia a Labão, pai de Raquel, morena bela; mas não servia ao pai, servia a ela, que a ela, só, por premio, pretendia.” (Camões)

REALMENTE PODEROSO

Para o bem ou para o mal, João Fontana é hoje o homem mais poderoso do município mais rico do Pará – Parauapebas. Quando Darci Lermen quis aplainar o caminho para financiar as campanhas dos candidatos do PT de Parauapebas, Marabá, e Belém, com os recursos de nosso povo, entendeu que tinha que substituir João Fontana na SEMOB. Aí, Fontana rebelou-se, e disse: daqui não saio, daqui ninguém me tira. E não saiu.

A REAÇÃO

O ameaçado Fontana, então, convocou sete dos dez vereadores e fechou com eles um pacto, um bloco consolidado em torno de compromissos mútuos: eles, de não permitir seu remanejamento daquela secretaria, e ele de dar apoio irrestrito à reeleição dos sete legisladores. Até aí, tudo normal. Resta ver se Fontana e os seus, que agora têm o prefeito refém, vão perceber que eles têm nas mãos uma oportunidade grandiosa e única.

O VELHO ESQUEMA

Para ser mais claro, repasso o que já disse antes: para um prefeito fabricar dinheiro (para caixa 2, por exemplo, ou para qualquer finalidade que seja) ele tem que estar no controle absoluto de duas secretarias: a de Obras que faz as licitações fajutas e endossa as notas frias, e a de finanças, que, em sintonia com a de Obras, “faz o pagamento”. O cheque é endossado pelo sacado (a firma que deu a NF), e o dinheiro está nas mãos. Ou nas cuecas e meias.

MELOU

Foi preparando isso que Ana Júlia determinou a Darci Lermen a relocação dos titulares dessas secretarias, e ele nomeou o estrangeiro Hernandes Margalho (aquele que afirmou que “corrupção é a cultura de Parauapebas) para a SEFIN e colocaria José do Couto (que de obra só entende a que ele deve fazer no banheiro), para a SEMOB. Assim nossa prefeitura estaria pronta para, mais uma vez, ser sangrada, e pagar as campanhas do PT em todo o estado.

SEGUUURA, PEÃO

Mas em política sempre se está sujeito ao imponderável, e após tentativas do prefeito de desqualificar Fontana, de desacreditá-lo através de boatos, para substituí-lo, ele reagiu, e, muito além do que ele mesmo vislumbrava, acabou assumindo o controle total da Câmara. Botou a sela em Darci. Agora, é ter pulso firme. É só segurar a rédea e esporear.

A PREFEITOSA

Com isso, em um primeiro momento, a cidade, hipoteticamente, só ganha por que escapa à sina de continuar sendo o grande cofre de onde forasteiros (e autóctones também), só vêm retirar dinheiro. Basta lembrar que até as últimas eleições de prefeitos de Redenção, Jacundá e Banachi, com quem nada temos a ver, foram financiadas com nosso dinheiro.

EMPAREDADO

Darci, agora, está sem pai nem mãe. Xeque-mate. Curé: ou faz o que os sete vereadores (inclusive a Presidência da Câmara) comandados por João Fontana exigirem, ou vai para o paredão para ter sua carreira política fuzilada e depois, enterrada. Como já ocorreu antes, no mandato de Chico das Cortinas, quando os vereadores extorquiram dele quanto dinheiro quiseram, sob ameaças constantes de cassação.

RESPONSABILIDADE QUE PESA

Com o prefeito refém, cabe a esse grupo fazer uma escolha: conferir à atividade política em Parauapebas o caráter de seriedade e nobreza que até agora não teve ou transformar-se em mais uma gang para continuar a assaltar os cofres públicos espoliando o povo, no estilo de Arruda e Zésarney. João Fontana é hoje o homem mais poderoso do município de Parauapebas. Para o mal ou para o bem. Nós cobraremos. E que nenhuma emenda venha aleijar o soneto.

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