O Partido Socialista Brasileiro (PSB) vive, no Pará, um dos momentos mais constrangedores e melancólicos de sua história recente. O que deveria ser um projeto de fortalecimento e protagonismo eleitoral para 2026 terminou em um verdadeiro colapso político, marcado por desarticulação, fragilidade e abandono de lideranças.
A deputada federal Andréia Siqueira, que ocupava a presidência estadual do PSB, protagonizou uma passagem relâmpago e, em um movimento que expõe a crise interna da legenda, retornou ao MDB, seu partido de origem. A filiação, registrada na Justiça Eleitoral no município de Tucuruí no dia 2 de abril de 2026, escancara o esvaziamento da sigla a poucos dias do encerramento da janela partidária.
Saída de liderança aprofunda crise
Com a saída de sua principal liderança recente, o PSB mergulha em um cenário de absoluta incerteza. Sem nomes competitivos, sem densidade eleitoral e sem articulação política consistente, o partido corre sério risco de sequer participar de forma relevante da disputa proporcional no Pará em 2026.
Nos bastidores, a avaliação é dura e unânime: faltou comando, sobrou improviso. A incapacidade da nova direção em montar uma chapa competitiva para deputado federal foi determinante para o fracasso.
Projeto desmontado em poucos dias
O resultado foi um efeito dominó que desmontou, em poucos dias, o que levou anos para ser construído.
E é justamente nesse ponto que se evidencia o contraste. O ex-prefeito de Marabá e ex-deputado estadual João Salame havia conduzido, com esforço e visão estratégica, um amplo trabalho de reorganização do PSB no estado.
Durante dois anos, percorreu os municípios paraenses, dialogou com lideranças, estruturou bases e preparou o partido para um projeto ambicioso: eleger ao menos seis deputados estaduais e dois federais.
Todo esse trabalho, porém, foi simplesmente implodido por uma condução política errática e sem compromisso com o futuro da legenda.
Prazo eleitoral consolidou cenário crítico
O prazo final para filiações — encerrado em 4 de abril — apenas consolidou o cenário de terra arrasada. Sem tempo para reação, o PSB ficou imobilizado, assistindo ao esvaziamento de seu próprio projeto.
Há ainda rumores de uma possível reaproximação com grupos políticos específicos, mas, mesmo que isso ocorra, dificilmente produzirá efeitos concretos a curto prazo. O dano já está feito — e é profundo.
Crise vai além do campo eleitoral
Diante desse cenário, a crise do PSB no Pará não é apenas eleitoral, é simbólica. É o retrato de um partido que se afastou de sua essência e de sua história.
Um partido que já teve como referência nomes como Miguel Arraes, símbolo de resistência, coerência e compromisso com o povo, hoje assiste à própria fragilização diante de decisões políticas frágeis e desprovidas de grandeza.
“Com um barulho desses, Miguel Arraes deve estar se revirando no túmulo.”
A declaração é de Clebson Carvalho, antigo filiado do PSB em Canaã dos Carajás, em tom de indignação.
Risco de irrelevância em 2026
O PSB, que já foi protagonista, hoje corre o risco de se tornar irrelevante. E, no ritmo em que caminha, pode chegar a 2026 não como força política — mas como exemplo de como não conduzir um projeto partidário.
Carlos Magno
Jornalista DRT/PA 2627







