No Pará, falar em chá não remete a grandes plantações de Camellia sinensis, como ocorre em países asiáticos. Aqui, o chá é sinônimo de infusões medicinais e aromáticas, preparadas com folhas, raízes e sementes vendidas nos mercados populares ou colhidas nos quintais. É uma prática que atravessa gerações, guiada pela sabedoria das erveiras e pela confiança que o povo deposita nessas bebidas para aliviar sintomas, fortalecer o corpo e manter o bem-estar.
Essa cultura revela uma conexão profunda com as raízes amazônicas. Cada chá carrega histórias de família, memórias de infância e a força da tradição oral. Mas, além da experiência cotidiana, há também ciência por trás dessas práticas.
Quem explica é Daniella Mota Silva, doutora em Genética e Melhoramento Vegetal e professora na Afya Redenção. Para ela, uma planta medicinal é aquela que contém compostos capazes de produzir efeitos no organismo humano, seja para prevenção, alívio ou tratamento de sintomas e doenças.
Folhas, flores, caules, raízes e sementes concentram substâncias que podem atuar de diferentes formas. Ajudam a reduzir o estresse oxidativo, modulam processos inflamatórios, combatem microrganismos e até influenciam o metabolismo. Em geral, não é um único componente que faz efeito, mas a combinação de vários elementos presentes na planta.
Entre os chás mais populares no Brasil, Daniella destaca a erva-cidreira, conhecida por seu efeito calmante e digestivo; a camomila, que ajuda no sono e tem propriedades anti-inflamatórias; o boldo, tradicional para problemas digestivos, mas que deve ser usado com cautela; o chá-verde, rico em antioxidantes e aliado da saúde cardiovascular; a hortelã, que auxilia na digestão; e a erva-mate, estimulante e muito consumida no Sul e Sudeste.
Apesar dos benefícios, a professora lembra que “natural não significa livre de riscos”. O consumo exagerado pode causar problemas como insônia, ansiedade, taquicardia ou até danos ao fígado, especialmente quando se usam extratos concentrados. Além disso, algumas plantas podem interagir com medicamentos e reduzir sua eficácia. Por isso, grupos como gestantes, crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas precisam de atenção especial e acompanhamento profissional antes de incluir chás na rotina.
A segurança depende de fatores como a forma de preparo, a qualidade da planta e a dose consumida. Infusões leves, feitas em casa, costumam ser mais seguras do que extratos industrializados em alta concentração. É importante observar reações do corpo e interromper o uso se houver sinais de mal-estar.
A ciência tem avançado na comprovação dos efeitos medicinais dos chás. Hoje, técnicas modernas permitem identificar e padronizar os compostos ativos, garantindo mais qualidade e segurança. Estudos clínicos já confirmam benefícios de espécies como o chá-verde e a camomila, embora ainda haja muito a ser pesquisado. A genética e o melhoramento vegetal também desempenham papel importante, ajudando a selecionar plantas com maior potencial terapêutico e menor risco de toxicidade.
O Brasil, com sua biodiversidade, guarda espécies promissoras ainda pouco exploradas, como o barbatimão, com ação antimicrobiana e anti-inflamatória, e plantas aromáticas da Amazônia e do Cerrado que podem se tornar futuras fontes de medicamentos.
Para famílias que desejam incluir chás na rotina, Daniella recomenda começar com espécies bem documentadas, como camomila, erva-cidreira, hortelã, chá-verde e erva-mate, sempre em quantidades moderadas. É fundamental evitar extratos concentrados sem orientação médica, observar possíveis interações com medicamentos e buscar plantas de procedência confiável.
No Pará, preparar um chá é mais que um ato de saúde. É um gesto cultural que une saber popular e conhecimento científico. Entre as bancas de ervas nos mercados e as pesquisas acadêmicas, o chá continua sendo ponte entre tradição e modernidade, cuidando do corpo e da memória coletiva.
Sobre a Afya
A Afya, maior ecossistema de educação e tecnologia em medicina no Brasil, reúne 38 Instituições de Ensino Superior, 33 delas com cursos de Medicina e 25 unidades promovendo pós-graduação e educação continuada em áreas médicas e de saúde em todas as regiões do país. São 3.653 vagas de Medicina aprovadas e 3.543 vagas de medicina em operação, com mais de 24 mil alunos formados nos últimos 25 anos.
Pioneira em práticas digitais para aprendizagem contínua e suporte ao exercício da Medicina, 1 a cada 3 médicos e estudantes de Medicina no país utiliza ao menos uma solução digital do portfólio, como Afya Whitebook, Afya iClinic e Afya Papers.
Primeira empresa de educação médica a abrir capital na Nasdaq em 2019, a Afya recebeu prêmios do jornal Valor Econômico, incluindo “Valor Inovação” (2023) como a mais inovadora do Brasil e “Valor 1000” (2021, 2023, 2024 e 2025) como a melhor empresa de educação. Virgílio Gibbon, CEO da Afya, foi reconhecido como o melhor CEO na área de Educação pelo prêmio “Executivo de Valor” (2023).
Em 2024, a empresa passou a integrar o programa “Liderança com ImPacto”, do Pacto Global da ONU no Brasil, como porta-voz da ODS 3 – Saúde e Bem-Estar. Mais informações em: www.afya.com.br e ir.afya.com.br
(Texto: Elizabete Ribeiro/Temple)