Reconhecer histórias, respeitar identidades e aprender a enfrentar o racismo no cotidiano. Esse é o convite do II Seminário de Letramento Racial, que será realizado no dia 7 de novembro, às 8h, na Casa da Cultura de Canaã dos Carajás. Com inscrições pela internet, o encontro terá como tema “Estética e identidade: o corpo como território de resistência e ancestralidade”.
A discussão ganha força em um país onde pessoas pretas e pardas representam 55,5% da população, segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No Pará, somente a parcela que se declara parda corresponde a 69,9% dos habitantes, o maior percentual entre os estados brasileiros. Uma presença que precisa ser reconhecida também na valorização das histórias, na garantia de direitos e no respeito às diferentes formas de existir.
Para a professora Flor Pinto, especialista em Relações Étnico-Raciais e Educação e mestranda da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), essa reflexão passa pelo reconhecimento do corpo negro como lugar de história, memória e direitos.
“Dialogar sobre os processos constitutivos da identidade negra e a gente reconhecer os sujeitos na sua pluralidade. O corpo é um território de resistência, um território de ancestralidade, um espaço que carrega história, que carrega memórias. Então, a gente precisa começar a entender esses corpos de maneira racializada.
Não tem como eu querer que nós vivamos em um padrão sem levar em consideração a individualidade de cada um. Compreender o corpo sob essa perspectiva da racialidade é entender o corpo negro como um corpo, como um território de direitos. É reconhecer que cada marca, que cada escolha estética, que cada adorno utilizado, que cada pigmentação da pele é herança. É herança de forças que continuam lutando para estar presente, para estarem vivas e para continuar seguindo nessa sociedade ainda tão desigual.”
O letramento racial ajuda a identificar como o racismo se manifesta nas palavras, nos comportamentos e nas instituições. É um aprendizado que permite rever práticas e construir relações mais respeitosas nas escolas, no trabalho e na comunidade. Reconhecer a diversidade que constitui o Brasil exige também enfrentar as desigualdades que atravessam essa história.
Flor destaca que a construção da identidade envolve pertencimento e uma dimensão coletiva de afirmação da dignidade: “É uma forma também de reafirmar a própria identidade, não apenas como um ato individual, mas como algo coletivo, porque dentro do processo de construção de identidade, não existe a individualidade. Existe uma memória, uma celebração coletiva da dignidade, do direito de existir plenamente”.
“O seminário vem exatamente fazer isso: dialogar com a gente sobre esse olhar. Descolonizar esse olhar e transformar a nossa própria imagem é um ato de retorno da posse de nós mesmos,” resume.
A programação contará com três diálogos. O professor e mestre em Letras Maurício da Silva abordará a identidade e o corpo como território de resistência. Flor Pinto conduzirá a conversa sobre estética e ancestralidade. Já a comunicóloga, ativista e cantora Marta Dias e o músico Ariran Albuquerque discutirão os passos do samba como instrumento de resistência e conduzirão uma roda de samba.
O encontro convida a comunidade a compartilhar experiências e ampliar o olhar sobre a identidade negra, unindo educação, reflexão e expressões culturais afro-brasileiras.
Serviço
- Evento: II Seminário de Letramento Racial
- Tema: Estética e identidade: o corpo como território de resistência e ancestralidade
- Data: 7 de novembro de 2026
- Horário: 8h
- Local: Casa da Cultura de Canaã dos Carajás
- Inscrições no link