Mais de 80 mil pessoas, em seis estados brasileiros, estão em uma jornada de melhoria da qualidade de vida e desenvolvimento de autonomia. No Pará, o programa acompanha atualmente cerca de 40 mil pessoas nos municípios de Canaã dos Carajás, Parauapebas, Tucumã, Ourilândia, Curionópolis, Marabá, Breves e Belém. Os resultados são do Juntos Contra a Pobreza, iniciativa articulada pela Vale, que reúne empresas, terceiro setor, poder público e universidades, criada a partir do compromisso assumido pela empresa de contribuir para que 500 mil pessoas superem a pobreza extrema.
O programa mede seu impacto pelo Índice de Pobreza Multidimensional (IPM), que considera, além da renda, privações em educação, saúde, nutrição e infraestrutura. A avaliação independente é feita pela Wise Decisio com o Método Alkire-Foster, desenvolvido pela Iniciativa sobre Pobreza e Desenvolvimento Humano (OPHI) da Universidade de Oxford.
O diagnóstico identifica dificuldades simultâneas e sua intensidade. A partir dos resultados, são definidos planos de ação personalizados, conforme as prioridades de cada família e a realidade do município, com acompanhamento por 24 meses.
“O Juntos Contra a Pobreza parte do olhar para o território e para as famílias. A ideia é entender quais são as barreiras que cada uma enfrenta e, a partir daí, articular diferentes soluções e parceiros. É preciso olhar para a vida das pessoas de forma integral: se as crianças estão na escola, se a família consegue acessar serviços de saúde, se tem uma moradia segura, se existem oportunidades para construir um caminho diferente”, explica Grazielle Parenti, vice-presidente executiva de Sustentabilidade da Vale.
Em dois anos, programa alcança resultados que levariam cerca de uma década
A análise das famílias acompanhadas nos primeiros dois anos do programa mostra resultados expressivos. O levantamento da Wise Decisio abrangeu 8.156 famílias no Brasil, formadas por 29.529 pessoas. Entre essas famílias, o IPM médio teve uma redução de 70%, refletindo avanços no acesso a direitos e condições essenciais de vida.
A estratégia é baseada na atuação em rede. Atualmente, o programa reúne 50 organizações parceiras, entre implementadores, parceiros técnicos e 24 empresas coinvestidoras, que já contribuíram para mobilizar mais de R$ 40 milhões em investimentos sociais.
Entre os coinvestidores estão: Amplo, Ápia, BNDES, CPRT, Della Volpe, EGTC, Enesa, Fundação Banco do Brasil, Fundo Vale, Hatch, Instituto Equatorial, Instituto Sotreq, Logicalis, Makro, Michelin, MIP, Plamont, Plangecon, Priner, U&M, USIMIG, Wabtec Corporation, Wheaton Precious Metals e Wilson Sons.
“O Juntos Contra a Pobreza utilizou o Índice de Pobreza Multidimensional tanto para direcionar o investimento social com mais precisão às necessidades de cada família quanto para reunir diversos parceiros em torno de resultados comuns e mais rápidos. Nossa estimativa é que o programa alcançou em dois anos o que normalmente levaria cerca de dez. É um resultado notável”, explica Jamie Coats, sócio sênior da Wise Decisio.
No Pará, iniciativas ampliam renda, segurança alimentar e autonomia das famílias
Em Curionópolis (PA), um dos projetos integrantes do Juntos Contra a Pobreza é o Jornada Serra Pelada, implementado pelo Instituto Rede Terra, em parceria com o Município de Curionópolis, que busca contribuir para que famílias superem a extrema pobreza. Um exemplo é Luzia Aparecida, de 56 anos, que enfrentava insegurança alimentar grave quando iniciou o acompanhamento. Com o apoio do projeto, implantou um Quintal Produtivo, recebeu um kit de produção e passou a comercializar alimentos por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae).
“A gente não tinha nada, não tinha como vender. Agora posso plantar e vender, uma bênção de Deus. Fico muito feliz, porque acreditaram em nós e nos ajudaram com cesta básica e tudo o que era necessário. Para mim, foi maravilhoso. Com as vendas, não falta mais o pão. É ruim acordar e não ter algo para comer de manhã, nem à noite”, conta Luzia. Além da produção e comercialização de alimentos, ela acessou iniciativas nas áreas de segurança alimentar, saúde, tecnologia assistiva, educação e trabalho, avançando em autonomia e qualidade de vida.
Em Marabá, outra iniciativa é o projeto Redes de Cidadania, realizado pela Cidade Escola Aprendiz, que apoia o desenvolvimento integral de crianças, adolescentes e suas famílias, com foco na equidade racial, de gênero e territorial. A iniciativa articula busca ativa, acompanhamento familiar e mobilização dos territórios, com atenção especial às famílias chefiadas por mulheres.
Entre as participantes está Lucimar da Silva Costa Santos, de 33 anos, que concluiu o curso profissionalizante de Corte e Costura, com duração de três meses, oferecido pelo projeto. Após a formação, recebeu do projeto um kit com tecidos, linhas, agulhas e uma máquina de costura, que possibilitou colocar os conhecimentos em prática, produzindo peças, fantasias e acessórios. “O curso despertou em mim a força do empreendedorismo. Hoje acredito mais em mim e vejo que posso criar novas oportunidades”, diz. A experiência contribuiu para ampliar sua autonomia financeira, autoestima e perspectivas profissionais.
Ao acompanhar os indicadores e contribuir para a redução das barreiras, o Juntos Contra a Pobreza busca apoiar famílias na construção de caminhos para uma vida com mais oportunidades e acesso a direitos. As ações estão presentes em cerca de 20 cidades de seis estados: Maranhão, Pará, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Amazonas e Pernambuco.
(Ascom Vale)