Um dos temas mais comentados nas últimas semanas no meio econômico é o erro contábil identificado no Balanço do Grupo Mateus, uma das maiores empresas do varejo brasileiro. A descoberta provocou forte repercussão no mercado financeiro e levantou questionamentos sobre a governança e a transparência da companhia.
O Grupo Mateus, comandado pelo empresário Ilson Mateus — ex-garimpeiro de Serra Pelada, que construiu um império após retornar a Balsas (MA) e abrir um pequeno comércio — sempre foi visto como um caso de ascensão empresarial marcante no Nordeste. Com operações em expansão e ações listadas na Bolsa de Valores, a empresa apresentava sinais de estabilidade financeira.
No entanto, a divulgação de uma discrepância bilionária no estoque surpreendeu o mercado. O balanço informava a existência de R$ 6 bilhões em mercadorias, mas auditorias internas identificaram que o valor real seria de aproximadamente R$ 4,9 bilhões. A diferença de R$ 1,1 bilhão chamou a atenção imediatamente.
A revelação derrubou as ações do Grupo Mateus, que acumulam queda superior a 20% desde que a inconsistência veio à tona.
Economistas e especialistas em mercado de capitais afirmam que o ponto mais crítico do episódio é a falta de transparência. “Um erro contábil dessa magnitude não pode ocorrer em uma empresa do porte do Grupo Mateus. E quando acontece, a confiança dos investidores fica abalada”, analisam.
Além disso, permanece a dúvida sobre quando o problema começou e quais medidas foram adotadas pela companhia desde a identificação da falha. A ausência de respostas claras aprofunda o clima de incerteza.
Agora, o mercado aguarda os desdobramentos e as explicações oficiais da empresa sobre o caso, que já se tornou um dos maiores episódios contábeis envolvendo uma varejista brasileira nos últimos anos. O futuro do gigante maranhense dependerá da capacidade de restaurar a confiança dos investidores e reforçar sua governança corporativa.
Carlos Magno
Jornalista – DRT/PA 2627

