Canaã dos Carajás: a super safra de milho e as deliciosas pamonhas

Produção da iguaria no município está virando tradição cultural que aproxima familiares, vizinhos e amigos

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A produção de milho em Canaã dos Carajás cresce de forma consistente a cada ano e já se consolida como uma das principais atividades agrícolas do município. Esse avanço é resultado de um conjunto de fatores: o solo fértil característico da região, a determinação do homem e da mulher do campo e, sobretudo, o apoio técnico da prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Produção e Desenvolvimento Rural, que atua com a distribuição de insumos, assistência técnica, além de apoio mecanizado no plantio e na colheita.

Tradicionalmente conhecida pelo cultivo de arroz e feijão, a zona rural de Canaã passou por uma transformação produtiva. Hoje, o milho ocupa lugar de destaque, substituindo culturas antigas e alcançando uma produção anual de milhares de toneladas por safra. O município vem se firmando como referência regional na produção do grão, com impacto direto na economia local.

Com a expansão das lavouras, uma tradição cultural vem ganhando força no campo canaense: as pamonhadas. Mais do que um evento gastronômico, elas se tornaram um verdadeiro ritual de confraternização entre familiares, vizinhos e amigos. É uma celebração da colheita, do trabalho coletivo e da alegria de viver no campo.

Nas primeiras horas da manhã, os milhos verdes são colhidos. A partir daí, começa o mutirão: uns descascam, outros limpam as espigas, alguns ralam o milho, enquanto outros preparam a massa, temperada com queijo ou ingredientes variados. Tudo é embalado na própria palha do milho verde e levado ao tacho, sobre o fogo de lenha. Depois, é só esperar e saborear uma pamonha quentinha, recém-saída do fogo — uma verdadeira iguaria da culinária regional.

Neste sábado (31), o jornalista Carlos Magno, autor desta reportagem e profundo conhecedor da zona rural e do desenvolvimento agrícola de Canaã dos Carajás, esteve na região da Vila Ouro Verde, a convite do pioneiro Raimundo Vieira da Silva, conhecido como Raimundo Cabeça de Boi, uma das principais lideranças rurais do município.

Natural do Maranhão, Raimundo Cabeça de Boi chegou à região do antigo Cedere II — hoje Canaã dos Carajás — em 1984, antes mesmo da emancipação do município. Em 1985, conquistou uma área de terra na região da antiga Fazenda Brasília, onde surgiu a chamada Colônia dos Maranhenses. Ele relembra com emoção as dificuldades daquele período: a ausência de estradas, de transporte e de infraestrutura básica. As compras eram feitas no Cedere II e carregadas nas costas por quase 30 quilômetros.

Dos seus sete filhos, quatro nasceram em Canaã dos Carajás. Cabeça de Boi recorda, emocionado, as lutas e conquistas da comunidade ao longo dos anos: a chegada da energia elétrica, a construção de pontes, escolas, recuperação de estradas, campanhas de vacinação e a regularização fundiária. Ele faz questão de destacar que nunca buscou benefícios pessoais, mas sempre lutou pelo bem coletivo da comunidade.

Mesmo vivendo na roça, enfatiza com orgulho que conseguiu dar educação aos filhos, que hoje são todos formados. Ao falar sobre o desenvolvimento rural do município, reconhece o papel fundamental da Prefeitura de Canaã dos Carajás e da Secretaria de Produção e Desenvolvimento Rural, que oferecem apoio quase integral ao produtor. Segundo ele, atualmente o agricultor precisa arcar apenas com a compra dos sacos para embalagem dos grãos.

Graças a esse suporte, a produção de milho deu um salto significativo. Hoje, cerca de 80% do milho consumido no mercado local é produzido em Canaã, reduzindo drasticamente a necessidade de importação de estados como o Mato Grosso, um dos maiores produtores do Brasil.

Cabeça de Boi faz ainda um pedido singelo: a retomada da Festa da Pamonha no município. Segundo ele, houve apenas uma edição, que foi um grande sucesso e uma marcante confraternização entre produtores rurais e famílias, mas que infelizmente não teve continuidade nos anos seguintes.

Ao final, ele ressalta a profunda transformação vivida pela zona rural de Canaã dos Carajás: estradas asfaltadas, pontes de concreto, energia elétrica, assistência técnica e melhores condições de produção — avanços que, segundo ele, são frutos do trabalho dos gestores que passaram pela administração municipal.

Em um reconhecimento especial, Cabeça de Boi destaca a força da mulher canaense, ressaltando o papel fundamental das produtoras rurais que lutam diariamente ao lado de seus maridos no campo. Ele faz uma homenagem emocionada à sua esposa, Francisca da Conceição Vieira, a Dona Tica, sua companheira há 48 anos, exemplo de coragem, determinação, força e verdadeiro esteio da família.

Carlos Magno
Jornalista – DRT/PA 2627

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