Balanço Fase: COP 30 reposicionou o Brasil como articulador do multilateralismo climático

A Conferência realizada em Belém teve forte presença de movimentos sociais, povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e organizações internacionais

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A COP 30, realizada em Belém, foi marcada pela forte participação social e pela retomada do multilateralismo, segundo avaliação da Fase Solidariedade e Educação. A edição também consolidou o reconhecimento da importância de populações afrodescendentes e quilombolas na agenda climática. Por outro lado, avançou pouco na construção de consensos sobre financiamento climático, adaptação e redução do uso de combustíveis fósseis.

Para a coordenadora da Fase Amazônia, Sara Pereira, esta foi “a COP com maior participação popular da história”, com forte presença de movimentos sociais, povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e organizações internacionais. A Cúpula dos Povos reuniu mais de 70 mil pessoas e apresentou propostas sobre financiamento, justiça climática e proteção territorial.

O coordenador Evanildo Barbosa destaca que a mobilização reafirmou que os territórios não aceitarão ser “zonas de sacrifício” e consolidou a agenda de Cidades e Periferias Vivas, conectando temas como moradia, saneamento, mobilidade e governança climática.

Para Letícia Tura, diretora executiva da Fase, a diversidade dos movimentos envolvidos conferiu caráter histórico à participação social. Ela também aponta como marco a inclusão do debate sobre alimentação saudável, que levou à oferta inédita de alimentação orgânica dentro da conferência — reflexo da força crescente dos movimentos de agroecologia e saúde coletiva.

No campo diplomático, Evanildo avalia que a COP 30 reposicionou o Brasil como articulador do multilateralismo climático, apesar do cenário internacional marcado por tensões políticas e avanço do negacionismo.

Outro ponto considerado histórico foi a inclusão, pela primeira vez, do termo “afrodescendentes” no texto final negociado. O reconhecimento reforça o papel dessas populações no enfrentamento ao racismo ambiental e à crise climática.

Entre os avanços, Sara destaca a decisão de triplicar o financiamento global para adaptação, alcançando US$ 120 bilhões. Permaneceram sem consenso temas centrais como o roteiro para redução de combustíveis fósseis, indicadores globais de adaptação e compromissos mais firmes contra o desmatamento — agendas que o Brasil deverá liderar durante sua presidência da COP, até novembro do ano que vem.

Para a Fase Amazônia, o principal legado da conferência foi ter territorializado o debate climático. A região Norte reafirmou sua capacidade de mobilização e influência. Embora sem avanços estruturais na transição energética, a COP 30 deixou um recado inequívoco: metas mais ambiciosas não podem ser adiadas e a agenda climática precisa considerar os territórios e as populações que neles vivem.

Para ver a análise completa, click no link: https://fase.org.br/pt/noticias/cop30-na-amazonia-avancos-na-participacao-popular-e-desafios-no-financiamento-climatico/

(Texto: Marta Brasil. Foto: Fase)