Uma perseguição marítima de mais de 5 mil quilômetros, digna de roteiro cinematográfico, terminou nesta quarta-feira (7) no Atlântico Norte. O episódio já é apontado por autoridades como uma das maiores perseguições navais dos últimos tempos.
A história começou em 19 de dezembro, quando o navio-petroleiro Bella I foi interceptado pela Guarda Costeira dos Estados Unidos no mar do Caribe, próximo à costa da Venezuela. A embarcação estava sob sanções dos EUA por transportar clandestinamente petróleo de origem iraniana e venezuelana.
Ao receber ordem de parada, o comandante desobedeceu, desligou os sistemas de rastreamento por satélite e chegou a emitir um pedido de socorro, numa tentativa de despistar as autoridades. Mesmo perseguido, o navio conseguiu desaparecer temporariamente da vigilância americana.
Durante a fuga, o Bella I passou por uma manobra clássica da chamada “frota fantasma”: mudou o nome para Marinera, repintou o casco e passou a ostentar bandeira da Rússia. Ainda assim, em determinado momento, o comandante foi obrigado a religar os equipamentos de navegação para não se perder no oceano — e esse breve sinal foi suficiente para que os EUA retomassem o rastreamento.
Após semanas de buscas e mais 2 mil quilômetros adicionais de perseguição, o Marinera foi finalmente interceptado no Atlântico Norte, em um ponto que, segundo dados do site MarineTraffic, situa-se na zona econômica exclusiva da Islândia.
A abordagem foi cinematográfica: helicópteros da Marinha dos EUA lançaram uma equipe de SEALs diretamente no convés do petroleiro. O comandante e toda a tripulação foram detidos e estão sendo levados para os Estados Unidos, onde responderão judicialmente. O navio também segue escoltado para a costa americana.
Apreensão de dois navios e ofensiva contra a “frota fantasma”
A operação fez parte de uma ação maior. Na mesma manhã, a Guarda Costeira dos EUA apreendeu dois navios-petroleiros em águas internacionais, cumprindo mandados judiciais federais por violação de sanções comerciais.
Segundo a secretária de Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem, as embarcações haviam atracado recentemente ou estavam a caminho da Venezuela. Em publicação nas redes sociais, Noem afirmou: “Este petroleiro vinha tentando fugir da Guarda Costeira há semanas, inclusive mudando de bandeira e pintando um novo nome no casco, numa tentativa desesperada e fracassada de escapar”.
O segundo navio apreendido, o M/T Sophia, foi interceptado nas proximidades do Caribe e, de acordo com o Comando Sul dos EUA, realizava atividades ilícitas em águas internacionais.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, reforçou que o bloqueio ao petróleo venezuelano segue em vigor “em qualquer lugar do mundo”, destacando que os EUA continuarão a agir contra navios que financiem atividades ilegais.
Reações internacionais
De acordo com a Reuters, o governo da Rússia classificou a apreensão do Marinera como violação do direito marítimo internacional, citando a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, que garante liberdade de navegação em alto-mar.
Uma perseguição histórica
Com mudanças de nome, bandeira falsa, desligamento de sistemas e uma captura digna de filme de ação, o caso do Marinera entra para os registros como uma das mais longas e complexas perseguições navais recentes — e tudo indica que essa história ainda renderá novos capítulos.
Carlos Magno, com informações de agências internacionais
Jornalista – DRT/PA 2627