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Brasil

Tucanos apoiarão projetos de Bolsonaro sintonizados com a agenda do partido

O encontro foi no CCBB, em Brasília, no início da noite de quarta-feira (5), onde funciona o gabinete de transição

O deputado federal Nilson Pinto (PSDB/PA) participou ontem, com a cúpula do PSDB na Câmara dos Deputados, de uma reunião da bancada com o presidente eleito, Jair Bolsonaro. O encontro foi no CCBB no início da noite de quarta-feira (5), onde funciona o gabinete de transição. O futuro presidente falou sobre seus planos e pediu apoio para os projetos que apresentará ao Congresso em 2019. “Estamos prontos para apoiar todas as propostas que forem para o bem do País”, disse o deputado paraense.

“A reunião ocorreu em um clima amigável e descontraído. Bolsonaro é nosso companheiro de Câmara dos Deputados há 20 anos e membro titular da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, da qual eu sou presidente. Desejei a ele sucesso no mandato”, revelou o tucano à reportagem do Blog do Zé Dudu.

Bolsonaro deu um abraço em Nilson Pinto e os dois ficaram conversando reservadamente por mais de cinco minutos. O presidente eleito, inclusive, perguntou ao deputado há quanto tempo ele estava na Câmara. O deputado explicou que ia iniciar o sexto mandato. Bolsonaro brincou que estava dois mandatos à frente, pois se elegeu pela primeira vez em 1990 e começou na Câmara na legislatura de 1991. Nilson Pinto se elegeu pela primeira vez em 1998.

Após encontro com presidente eleito, líder do PSDB na Câmara dos Deputados, deputado federal Nilson Leitão (PSDB/MT) reiterou os compromissos da bancada com as reformas urgentes que o País precisa.

Apoio programático

De acordo com Leitão, o PSDB manterá seu compromisso com as grandes reformas necessárias ao desenvolvimento do Brasil. No encontro, o tucano afirmou que o partido apoiará o governo na aprovação de reformas como a da Previdência, tributária e do Estado por considerar essa pauta fundamental ao país.
Nilson afirma ser importante que o presidente use o capital político que terá no início do mandato para colocar as reformas em pauta. O papel fundamental do PSDB nesse processo tem sido reconhecido por membros da equipe de transição e pelo próprio presidente eleito.

Reforma Tributária

A reforma tributária, por exemplo, tem o deputado Luiz Carlos Hauly (PR) como relator. Foi discutida amplamente em todo país, com os mais diversos segmentos. O relatório foi apresentado na semana passada e aguarda votação em comissão especial para seguir para o plenário da Câmara.

O texto, defendido pelo PSDB, busca simplificar o atual sistema, permitindo a unificação de tributos sobre o consumo e, ao mesmo tempo, reduzindo o impacto sobre os mais pobres. Além disso, pretende aumentar gradativamente os impostos sobre a renda e sobre o patrimônio e melhorar a eficácia da arrecadação, com menos burocracia.
O partido defende a aprovação da proposta como forma de impulsionar o desenvolvimento do país e a geração de empregos, já que essa reengenharia tributária, segundo Hauly, vai dificultar a sonegação e melhorar o ambiente de negócios, ampliando salários.

Previdência

No caso da Previdência, o presidente eleito aposta que as mudanças comecem a ser votadas já no primeiro semestre de 2019. Bolsonaro tem defendido que a reforma seja votada em partes para evitar que as alterações acabem não ocorrendo novamente na tentativa de aprovação de mudanças amplas de uma só vez.
O líder do PSDB considera necessário aproveitar pontos que já foram amplamente discutidos nos últimos anos. Um exemplo é a idade mínima para aposentadoria integral, defendida pelo presidente eleito como uma possível questão inicial a ser aprovada.

“Não acredito que seja um fatiamento, mas aprovar aquilo que já foi debatido por anos e que está pronto para ser votado. Não podemos desperdiçar isso. Já aquilo que ainda não está pronto, votamos em um novo momento”, ressaltou.

Nilson acredita que questões como a separação entre previdência e assistência social possam avançar também já no início do novo governo. “É algo que precisa ser separado, segundo o entendimento de todos que discutem a reforma. Tem muita coisa que está na Previdência e que é assistência, que não foi recolhido individualmente pelo beneficiário. É preciso rever a forma e o modelo”, considera.

Na avaliação do tucano, há ainda muitos casos que precisam ser investigados na Previdência para evitar pagamento indevido. De acordo com o líder, Bolsonaro pediu a ajuda dos parlamentares tucanos para aprovar as pautas que o partido também defende. “O PSDB, dessa forma, tem a consciência de que tem o dever de ajudar o Brasil, mas não precisa estar dentro do governo para isso”, afirmou.

Reforma do Estado

O PSDB faz ainda a defesa enfática pela reforma do Estado, com a redução de gastos para manutenção da máquina pública. Nesse sentido, o governo terá o apoio dos tucanos, que, inclusive, são autores de iniciativas como a PEC 431/2018, de autoria do líder e subscrita pela bancada. Ela visa reduzir o número de deputados e senadores para reduzir despesas.
“O governo Bolsonaro vai ter apoio para tudo aquilo que também é agenda tucana, todas as reformas, aquilo que nos une como reforma previdenciária, tributária, pacto federativo, redução da máquina pública”, afirmou o deputado após o encontro.

De acordo com o líder, outros temas como licenciamento ambiental e segurança jurídica, assim como a estruturação de uma Secretaria Nacional do Índio, foram debatidos na reunião e encontram simpatia tanto no partido quanto na equipe do novo governo.

Segundo Leitão, Bolsonaro e o PSDB lutaram nas eleições contra um adversário comum, que era o PT. Agora, é preciso unir forças, torcer pelo sucesso do governo e trabalhar por um Brasil destravado, desburocratizado e sem ideologia nos órgãos públicos, apoiando todas as reformas necessárias.

O líder eleito da bancada tucana para o ano de 2019, deputado Carlos Sampaio (SP), também ressaltou a importância desta atuação em defesa do país. “A reunião foi muito produtiva e fiz questão de dizer ao presidente que ele pode contar comigo para viabilizar todos os projetos e medidas essenciais para fazer o Brasil voltar a crescer. Tenho certeza de que essa união de pessoas de bem representará um novo tempo para o nosso país”, apontou.

Direitos Humanos

Bolsonaro falou aos parlamentares sobre a necessidade de apoio às pautas que possam destravar o país. Além das reformas, o presidente eleito considerou necessário reduzir a burocracia e a morosidade que travaram o desenvolvimento nacional nos últimos anos, especialmente em questões que passam pela obtenção de licenças ambientais e exploração de recursos naturais.

A deputada e senadora eleita Mara Gabrilli (SP) aproveitou o momento para agradecer pela Bolsonaro pela manutenção do Ministério dos Direitos Humanos. Após encontro na semana passada com a parlamentar, o presidente eleito decidiu manter a pasta com status de ministério. “Não consigo imaginar um Brasil se desenvolvendo se não investirmos em políticas sociais para os mais vulneráveis. Se a gente consegue levar desenvolvimento nessa área, é uma forma de acelerar o crescimento do Brasil”, afirmou ela. Bolsonaro chegou a se emocionar com as declarações da tucana sobre como mudou sua percepção a respeito dele após conhecer sua esposa, Michelle Bolsonaro, e atender ao pleito relacionado aos direitos humanos.

O futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, ressaltou as conquistas obtidas pelo país por meio do trabalho do PSDB e fez menção aos embates travados por parlamentares tucanos contra o PT. “Um partido que sempre se preocupou com a cidadania brasileira foi o PSDB. Esse é um momento histórico em que vamos superar divergências e encontrar as convergências. Temos respostas a dar à sociedade”, disse Lorenzoni, que esteve ontem na Liderança do partido na Câmara.

Por Val-André Mutran – Correspondente em Brasília

 

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