Internet de qualidade é WKVE Liga você ao mundo!
Marabá

Trio que esquartejou mulher e espalhou corpo em lixões vai a júri popular

Crise de ciúme teria motivado o feminicídio que chocou população de Marabá há dois anos

O juiz Alexandre Hiroshi Arakaki publicou sentença de pronúncia contra três homens acusados de participar do bárbaro crime que ceifou a vida de Andréia do Nascimento Brígido no dia 16 de dezembro de 2016.

Andréia do Nascimento

A sentença de pronúncia é uma decisão que não põe fim ao processo: ela apenas decide que existem indícios de um crime doloso contra a vida e que os acusados podem ser os culpados e que, por se tratar de um crime doloso contra a vida, o processo será julgado por um tribunal do júri e não por um juiz sozinho.

Segundo a ação penal oferecida pelo Ministério Público Estadual, Jonair Souza França, Jurivam Souza da Silva e João Batista Ferreira da Silva, vulgo Baixinho ou Pintor tiveram participação ativa no crime macabro. Jonair conviveu maritalmente com a vítima por quinze anos. Inconformado com o término do relacionamento e suspeitando que sua ex-companheira já havia estabelecido novo relacionamento, arquitetou um plano para matá-la.

No dia 5 de dezembro de 2016, Jonair ofereceu R$ 5.000,00 para João Batista dar um fim nela. “Porque eu não quero que ela exista não, se não for minha não vai ser de mais ninguém”, teria dito o ex-companheiro.

Consta, ainda, na peça de acusação, que João Batista contratou Jurivam para ajudá-lo na empreitada, oferecendo o valor de R$ 1.500,00. No dia 16 de dezembro 2016, João Batista marcou um encontro com Andréia, se fazendo passar por uma pessoa de nome Tiago, com o argumento de apresentar umas kitnets que ela desejava alugar. No dia seguinte, João Batista conduziu Andréia ao seu kitnet e, enquanto ela olhava para direção deste, Jurivam a golpeou na cabeça com uma barra de ferro e, no chão, efetuou outro golpe no rosto com uma garrafa de vidro.

Após o ataque, Jurivam disse para João Batista: “vai que eu resolvo aqui, deixa que eu vou pôr na sacola”. João, então, se dirigiu ao local onde a vítima teria deixado estacionada sua motocicleta e foi ao encontro de Paulo Henrique, pessoa com quem já negociava anteriormente a venda desta motocicleta. Jurivam já havia esquartejado o corpo da vítima e colocado os pedaços em três sacolas.

João Batista deu a Jurivam a quantia de R$500,00 e o celular que havia recebido de Jonair, limpou o imóvel que estava sujo de sangue, tentou incinerar a carteira de identidade da vítima e, por volta das 03h00, saiu para ocultar o cadáver. A primeira sacola contendo o crânio da ofendida foi jogada no lixão da folha 11. A segunda sacola jogou no mato, na folha 17 e a terceira sacola deixou no lixão localizado às proximidades da AABB (Associação  Atlética Banco do Brasil).

Constou, assim, a denúncia Jonair Souza França como mandante e Jurivam Souza da Silva e João Batista Ferreira da Silva como executores.

Mesmo antes da citação, João Batista constituiu defensor e apresentou resposta escrita à acusação, alegando erro sobre a ilicitude do fato, sem rol de testemunhas. Da mesma forma, Jonair constituiu defensor e apresentou resposta escrita à acusação, alegando ser primário, de bons antecedentes, indicando testemunhas e juntando documentos.

Veja também:  Justiça interdita prédio de delegacia em Ourilândia e determina reforma

Mas o laudo pericial de exame de corpo de delito constatou ser provável que os restos humanos encontrados e analisados pertenceram a filha de Maria Lopes do Nascimento e irmã de Leandra do Nascimento Brígido. Todos os réus foram devidamente citados pessoalmente. Jurivam apresentou resposta escrita à acusação, por intermédio da Defensoria Pública, arguindo preliminarmente a existência de prova ilícita e a falta de justa causa para o recebimento da denúncia, requerendo diligências e indicando testemunhas.

Na peça vestibular acusatória, o MP afirma que o crime é qualificado em razão da promessa de recompensa, pois o réu Jonair prometeu pagar a João Batista a quantia de R$5.000,00 para realização do homicídio, enquanto João Batista contratou o réu Jurivam pela quantia de R$ 1.500,00 para executar o crime contra Andréia. “Assim, havendo elementos probatório indiciários de tal qualificadora, será analisada pelos jurados. Na inicial acusatória, o Ministério Público tipificou como fútil o motivo do crime em relação apenas ao réu Jonair, afirmando que este réu mandou matar a vítima em razão de ciúmes, por não aceitar o fim do relacionamento que mantinha com Andréia. Essa qualificadora, diante das informações prestadas em juízo pelas testemunhas, bem como as declarações do réu João Batista, será analisada pelos jurados. Consta também na denúncia que o crime está qualificado por ter sido praticado a traição e de emboscada, haja vista que a morte da vítima foi planejada”.

Também consta na denúncia que o crime foi praticado contra a vítima em razão de ela ser do sexo feminino, o que o qualifica como feminicídio. A denúncia descreve que João Batista, depois que Jurivam esquartejou e acondicionou as partes do corpo da vítima em três sacolas, distribuiu tais sacolas pelos lixões da cidade de Marabá, fato confessado em juízo por João Batista, embora este tenha dito haver agido sob coação mediante ameaça com arma de fogo praticada por Jurivam.

Embora tenha declarado a pronúncia dos três réus, ainda não foi marcada data para o julgamento, o que deve acontecer no ano de 2019.

Em abril deste ano, João Batista ainda tentou modificar seus depoimentos anteriores, alegando que havia mentido na delegacia e também perante o juízo. De próprio punho, ele chegou a escrever uma carta ao magistrado, Nela, afirmou que manteve um relacionamento com a vítima quando descobriu “que ela possuía outros relacionamentos”. Afirmou que tudo o que sabe sobre a família dela foi aquilo que ela lhe contou e afirma que nunca teve nenhum contato pessoal com Jonair ou com Julivam. Disse que sofre de distúrbio mental, tendo mentido na delegacia e no fórum “por não ter capacidade de pensar com lógica, necessitando de tratamento psicológico”. Afirma que vem piorando por não estar se tratando e que devido à crença religiosa percebeu que errou no depoimento prestado. “Por isso gostaria de falar novamente com o juiz para falar a verdade”. Por fim, pediu tratamento psicológico.

Mas essa mudança radical não o livrou a pronúncia e agora ele vai sentar no temido banco dos réus.

Ulisses Pompeu – de Marabá

Deixe uma resposta