Toni Cunha: “A população entendeu que a gente deveria ir ao parlamento”

Em entrevista exclusiva ao Blog do Zé Dudu, o deputado estadual diplomado fala sobre como pretende defender o mandato e acerca de outros assuntos relevantes para o Pará e para Marabá

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Aos 36 anos de idade, após ter chegado ao topo da carreira na Polícia Federal, como delegado Classe Especial, e depois de ter exercido meio mandato de vice-prefeito de Marabá, Antônio Carlos Cunha Sá ou, simplesmente, Toni Cunha, foi diplomado deputado estadual pelo PTB, no último dia 18. Escolhido por 33.498 eleitores, 26.958 (80,48%) destes de Marabá, ele se orgulha de ser um deputado genuinamente marabaense, haja vista que os outros dois eleitos jamais chegariam à Assembleia Legislativa do Estado só com os votos locais.

Em entrevista ao Blog do Zé Dudu o deputado estadual Toni Cunha fala sobre o que o motivou a entrar na vida política, a respeito de como pretende exercer seu mandato, acerca da indicação do colega delegado federal Ualame Machado para a Segurança Pública estadual e em relação a outros assuntos importantes, como carga tributária, o atraso em que vive um Estado rico como o Pará e Lei Kandir.

E, quando indagado sobre as eleições de 2020, para prefeito, ele não diz se será ou não candidato: “Se for chamado para impedir o retrocesso para Marabá, o povo vai decidir e a gente vai estar à disposição”.

Assembleia Legislativa

Toni Cunha disse que espera encontrar uma Assembleia Legislativa renovada, já que, dos 41 parlamentares, 22 são novatos, assim como ele: “A gente espera encontrar um ambiente em que se debatam realmente as questões importantes do nosso Estado, não no sentido de criar obstáculos para o governo. Pelo contrario, no sentido de fiscalizar o governo para ajudá-lo e de contribuir com o que for necessário”, afirma.

Na opinião dele, “já chega dessa história de ser governo por ser, sem nenhum tipo de crítica; e de ser oposição por ser”. “Eu acho que o povo não quer mais isso. A gente quer sim apoiar o que estiver certo e ajudar a consertar o que, porventura, estiver errado”.

Estado do Pará

O deputado diplomado vê o Pará como um Estado poderoso, de um potencial enorme, inigualável do ponto de vista geográfico, já que está muito perto da Europa e dos Estados Unidos. “Temos tudo para progredir, somos um colosso, produzimos energia para o País em grande quantidade com duas grandes hidrelétricas, temos uma mineração das mais potentes do planeta. Contudo, muito pouco fica para o povo do Estado do Pará e essa é uma das nossas principais bandeiras de luta”, define Toni, ponderando, entretanto, que a intenção não é deixar de contribuir para o Brasil, mas querer também que o povo paraense usufrua de uma fatia mais justa dessas riquezas que o Estado produz.

“Nós não precisamos de esmola”

Sobre o fato de o Pará ser um Estado riquíssimo de um povo pobre, Cunha lembra que o Índice de Desenvolvimento de Educação Básica paraense é péssimo, o penúltimo do País, e que tem ainda muita dificuldade no que se refere a saneamento básico.

“Ou seja, questões elementares no que se refere à qualidade de vida do nosso povo. Nós não temos mais como tolerar isso, diante do tanto que produzimos e da nossa importância para a balança comercial brasileira”, desabafa o parlamentar.

Toni afirma que Marabá quer do Pará o que dá para o Pará e que o Pará quer do Brasil o que nós damos ao País. “Nós não precisamos de esmola, nós não precisamos de ajuda. O que a gente quer é justiça e a gente vai ser uma voz nesse sentido, para que essas distorções sejam corrigidas em relação ao povo do Estado do Pará”, promete.

Impostos

Acerca da alta carga tributária do País, sobretudo no Pará, uma das mais altas do Brasil, Toni Cunha acentua que essa questão tem uma parte afeta a tributos estaduais e outra que se refere a tributos federais, que envolvem mais a atuação da União, do Congresso Federal, do Poder Executivo Federal.

Já com relação aos tributos do Estado do Pará, ele diz que às alíquotas locais causam “um incômodo muito grande” e aí precisa haver um debate: “São várias as circunstâncias em toda essa questão e, no que se refere à alíquota do ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadoria e Serviços) da energia precisamos aí fazer alguns temperamentos, exigir compensações da União porque o nosso povo não pode mais pagar uma energia caríssima, que às vezes obriga os mais simples até a passarem fome”, lamenta.

“E qual é uma maneira de resolver isso? Nós precisamos criar uma fórmula que minimize esse impacto e, em consequência, a gente consiga diminuir o preço da energia”, opina.

Lei Kandir

Para Toni Cunha, outra questão que, embora não se refira especificamente à carga tributária, mas envolva questões tributarias, é a desoneração imposta pela Lei Kandir. “Os minérios, por serem exportados do Estado do Pará de maneira primaria, sem verticalização, acabam sendo isentos de recolhimento de ICMS, o principal tributo estadual, fazendo com que boa parte do que seria arrecadado não entre nos cofres púbicos do Estado do Pará. E aí a gente precisa exigir que haja uma compensação mais adequada”, assinala.

De acordo com o deputado, estima-se que em 10 anos o Pará tenha perdido R$ 40 bilhões, dinheiro que poderia mudar a vida do povo paraense em diversos aspectos.

“É preciso incentivar a produção, para isso é preciso também diminuir a carga tributária, mas nós precisamos fazer temperamentos, porque o Estado também precisa arrecadar a fim de distribuir melhor qualidade de vida para o seu povo. E uma das injustiças que a gente sofre é com relação à Lei Kandir, que desonera principalmente as exportações minerais. A gente fica com muito pouco do que seria de compensação por conta da não incidência do ICMS sobre essas exportações”, protesta.

Helder Barbalho

A respeito do governador Helder Barbalho, com quem manteve alguns poucos encontros, Toni diz que eles não se conhecem ainda muito bem, embora tenham estado juntos em algumas situações, mas é de opinião que “pela indicação do secretariado”, está “tendo um sentimento muito positivo”.

“O governador tem diminuído o componente político nas suas indicações, tem demonstrado muita vontade de enfrentar os problemas do Estado e isso a gente vê nas diversas indicações eminentemente técnicas para secretarias que a gente pode dizer que são fundamentais para o bom desempenho do governo”, avalia.

Então, por essa perspectiva, para Toni, não há outra coisa a fazer que não seja dar o voto de confiança e se colocar, primeiramente como cidadãos, depois como paraense no sentido de contribuir para que o governo acerte: “É isso que a gente quer, principalmente o que a gente espera do novo governo. Nada mais do que ele acerte e é o que a gente tem sentido num primeiro momento com a escolha de técnicos para ocupar as principais secretarias do governo do Estado do Pará”.

Ualame Machado

Solicitado a avaliar a indicação do delegado federal Ualame Fialho Machado para cuidar da Segurança Pública do Pará, Toni Cunha diz ser suspeito, “no bom sentido”, para falar do “colega e amigo”.

“Trabalhamos em muitas operações juntos. Quando eu tomei posse em Marabá, o primeiro delegado com quem tive contato foi com ele, que já estava no corpo técnico da Superintendência da Polícia Federal no Pará; e, depois, quando retornei a Marabá para chefiar a Polícia Federal no sudeste do Pará”, lembra o deputado.

Ele atesta ser testemunha da “brilhante carreira do novo secretário” de Segurança Pública e afirma ter “absoluta convicção de que ele vai, junto com sua equipe e, certamente com apoio do governador, conseguir desenvolver um excelente trabalho, diminuindo os índices de violência em todo o Estado do Pará”.

“É um profissional da mais alta confiança, do mais alto gabarito e a gente acredita muito que ele possa, com sua equipe, desenvolver um grande trabalho para diminuir esse sofrimento tão grande que aflige a nossa população do Estado do Pará, que é a violência”, reforça.

A raiz da criminalidade

Porém, ao falar de redução dos índices de criminalidade, Toni Cunha destaca um aspecto muito importante. Diz que a Segurança Pública e o aparato da repressão são fatores extremamente importantes dos quais não se pode abrir mão, pois isso é decisivo, “mas, talvez não seja a solução apartadamente”.

“A gente precisa impedir que o criminoso nasça e a grande maioria dos criminosos no nosso País surge da falta de oportunidades, das dificuldades de sobrevivência, da falta de acesso à educação de qualidade e a emprego e renda. Não que justifique, porque não justifica, mas, é um aspecto extremamente complexo”, analisa.

Para ele, é ilusão achar que o aparato de repressão, sozinho, vai acabar com a violência. “Não vai, mas é peça indispensável para proteger o cidadão de bem enquanto essas evoluções sociais não acontecem”, afirma, acrescentando, entretanto, que é preciso agregar o trabalho da Segurança Pública, com repressão ao crime, mas, “em enorme medida, talvez a parte mais importante, dar melhores condições de vida à população para que só fique aquele delinquente que é inato, que não entrou no mundo do crime por conta das dificuldades de uma pessoa em condições miseráveis de vida”.

Obrigado, Marabá!

Ao ser diplomado e ter sido informado, assim como os demais eleitos, de que não haveria discursos, pois seria muita gente para falar, Toni Cunha, ao receber o Diploma de Deputado Estadual, quebrou o protocolo. Não fez pronunciamento, mas, levantou o diploma e disse, com todo vigor: “Obrigado, Marabá!”.

“Naquele momento, pensei numa forma de homenagear Marabá e a sua população. Agradeço também a votação que tive fora da nossa cidade, mas foi aqui que começou a nossa carreira política, ainda iniciante, e nós fomos contemplados com quase 27 mil votos numa cidade, numa situação de absoluto fracionamento, com 16 candidatos da cidade de Marabá”, explica.

Na opinião dele, ter mais de um terço dos votos, entre todos os candidatos também de Marabá, “é um fator de orgulho muito grande” e faz com que seja “muito agradecido a essa população, que enfrentou esse maior fracionamento da história” e o “elegeu deputado estadual com 33.498 votos, mas quase 27 mil no município”.

“Então, a gente só pode agradecer muito e foi essa a razão de ter quebrado o protocolo e feito aquela homenagem. O que a população de Marabá pode esperar é um deputado absolutamente presente, como sempre fui na cidade, inclusive enquanto vice-prefeito”, responde Toni, quando indagado sobre o que essa população que o elegeu pode esperar dele como deputado.

“Vamos continuar com as mesmas ações que executamos como vice e agora de maneira ampliada, defendendo os interesses da nossa região e do nosso Estado, na capital, cobrando e fiscalizando os serviços públicos também do Estado na nossa região para que o povo tenha melhor qualidade de vida. É o que a população pode esperar e eu só posso pagar essa confiança com muito trabalho, com muita dedicação para gente, ao fim, conseguir melhorar a vida das pessoas”, assegura.

Mundo político

O deputado diplomado contou também como se deu a entrada dele no mundo político. Disse que sempre foi interessado pelos assuntos da política, desde muito jovem. Porém, por gostar muito da profissão de delegado federal, não pensava, num primeiro momento, em ingressar nos espaços da política, mas chegou um momento em que teve de tomar uma decisão.

“Depois de 13 anos de carreira, de muitos trabalhos e de ter chegado ao topo da carreira na Polícia Federal, por ser delegado de Classe Especial, a gente entendeu que precisava também, nesse momento histórico do nosso País, em que as pessoas desconfiam da classe política, precisava tentar dar essa contribuição para mostrar que pode ser diferente, para tentar mudar esse estado de coisas”, destaca.

Não que seja salvador – acentua Toni – porque essa postura salvacionista, geralmente, na opinião dele, “tem desembocado em coisas muito ruins”.

O deputado afirma ser contra o salvacionismo porque isso é impossível, mas diz que é preciso mudar o espaço da política porque ele é extremamente importante: “É ele que muda a raiz dos nossos problemas, é ele que realmente consegue transformar as coisas”.

“Então, nesse momento desse estado de coisas eu falei: ‘Por que não? Será que realmente a população não consegue perceber alguém bem intencionado, de bem, para ocupar esse espaço? Então, eu não vou passar 30 anos apenas pensando nisso, nós vamos oferecer o nosso nome. E aí estamos aqui, deu certo num primeiro momento como vice-prefeito, sendo fundamental para a eleição do atual prefeito [Tião Miranda] e, em seguida, para deputado estadual. E a população de Marabá soube enxergar na gente a mudança e reconhecer o nosso esforço”, enfatiza.

Mandato pela metade

Ao ser indagado se não teme ser criticado por ter deixado pela metade o mandato de vice-prefeito e já se candidatado a deputado, Toni Cunha responde, com segurança, que não.

“Veja bem, eu decidi submeter isso ao crivo popular. E a população, de maneira expressiva, entendeu que a gente deveria ir ao parlamento, justamente para impedir que pessoas não compromissadas ocupassem esse espaço, de repente, ou que Marabá ficasse sem um representante legitimamente marabaense”, argumenta ele.

Toni explica que, quando afirma isso, não quer dizer que não haja outros eleitos que têm ligações com a cidade, mas afirma que “nenhum deles seria eleito apenas com a votação de Marabá”.

“Então, por isso é que a gente diz e reforça isso, que nós somos o candidato eleito genuinamente da cidade de Marabá. Então, a gente precisava ocupar esse espaço, para impedir o crescimento de forças antagônicas aos interesses coletivos e se associar à administração local da região a fim de trazer mais recursos para Marabá, exigir a melhor qualidade de serviços públicos estaduais”, justifica.

Para ele, Marabá só tem a ganhar, além de saber que o prefeito atual gosta muito de trabalhar, não é de se ausentar e não vai fazer grande diferença: “Porque nós vamos continuar, na prática, exercitando as ações que exercitávamos como vice-prefeito. O que vai acontecer agora é que a gente vai ampliar o nosso espectro também para a capital a fim de defender lá os interesses de Marabá, que efetivamente só ganhará com a nossa representação na Assembleia Legislativa”.

2020

Finalmente, indagado se pretende se candidatar a prefeito daqui a dois anos, Toni Cunha diz que 2020 ainda está longe, mas afirma que nunca se pode dizer “não”: “O que eu posso dizer para a população de Marabá é que eu vou estar sempre a serviço de seus interesses. Então, para eventualmente, quem sabe, receber um chamado para não deixar Marabá cair em mãos erradas ou para evitar que interrompa o ciclo de seu desenvolvimento a gente está à disposição”.

No momento, entretanto, ele manifesta a firme vontade de querer exercitar seu mandato, no qual ainda nem foi empossado, e trabalhar bastante. “Se, posteriormente, houver a necessidade e a gente for chamado para impedir o retrocesso para Marabá, o povo vai decidir e a gente vai estar à disposição”, reafirma.

2 comentários em “Toni Cunha: “A população entendeu que a gente deveria ir ao parlamento”

  1. Oliveira Responder

    Pena que ele é é seu prefeito apoiaram o candidato fantoche do pior governador do Estado do Pará dos últimos tempos o corrupto e cassado Tucanalha Jateve.
    Por ser oposição ao nosso governador Hélder , terá pouco produtividade em prol de Marabá.Isto é fato!

    • Eleuterio Gomes Responder

      Caso aconteça isso, Oliveira, o seu governador Helder estará cometendo o mesmo erro que Jatene. Aliás, a mesma burrice. Acho que é hora de desarmar os palanques, em nome do Pará e desta região. Você, ao que parece, ainda não desarmou o seu!

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