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Enem 2018

Sem novidades em cursos, Parauapebas reduz participação no Enem em 28%

Entre municípios com mais de 200 mil habitantes, capital do minério possui a menor proporção de matrículas em cursos públicos. Há somente meia dúzia de graduações regulares e com ingresso anual em duas federais.

Neste domingo (4), 281.808 candidatos vão fazer o primeiro dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em todo o Pará. Os portões serão abertos às 11 horas do horário local e fechados ao meio-dia. As provas de amanhã são referentes aos conteúdos de linguagens, ciências humanas mais a redação. No dia 11, domingo da semana que vem, serão aplicadas as provas de matemática e ciências da natureza.

Em Parauapebas, o Blog do Zé Dudu levantou que o número de inscritos é o menor dos últimos cinco anos. Este ano, 8.453 candidatos vão prestar o exame em 19 locais de prova espalhados pelo município. É um número 28% menor em relação aos 11.685 inscritos no exame do ano passado.

A baixa na quantidade de inscritos pode ser explicada pela pouca oferta de cursos superiores públicos e gratuitos no município, onde apenas a Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) e o Instituto Federal do Pará (IFPA) ofertam graduações regulares e com ingresso anual. A Ufra oferece cinco cursos (Zootecnia, Agronomia, Engenharia Florestal, Administração e Engenharia de Produção) e o IFPA oferece um curso tecnológico (Automação Industrial). A forma de ingresso nesses cursos é por meio da nota do Enem.

Custo do Enem

O custo inicial estimado do exame neste ano é de R$466,8 milhões e a arrecadação com a taxa de inscrições foi de R$163,4 milhões. Em 2018, foram efetivadas 5,5 milhões de inscrições para o Enem, que dá acesso às universidades federais. Deste total, 1,9 milhão pagou a taxa e 3,5 milhões ficaram isentos da cobrança.

Em Parauapebas, a estimativa de custo do Enem no município é estimado em R$715,6 mil. É que, nas contas do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), cada aluno inscrito no exame tem custo provável de R$84,66. No entanto, o Inep pontua que esse valor pode ser menor, como ocorreu no ano passado, quando a estimativa inicial era de R$87,54 por estudante, mas caiu para R$83,76. O custo final per capita só é possível ser confirmado após a finalização do processo de correção das provas. Em 2017, o MEC gastou R$563,8 milhões com o Enem.

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Pior do Brasil

Entre os 153 municípios do país com mais de 200 mil habitantes, Parauapebas tem a pior situação em oferta de cursos superiores públicos. Atualmente, apenas 6 mil pessoas estão matriculadas em alguma graduação por aqui, segundo o Censo da Educação Superior 2017 divulgado este ano pelo Ministério da Educação. A título de comparação, Marabá, que já alçou ao status de polo universitário, tem duas vezes e meia mais matrículas no ensino superior, sendo quase 5 mil em universidades públicas e em cursos regulares, presenciais.

A situação de Parauapebas se mostra ainda mais crítica quando observado o total de matrículas por categoria administrativa: os cursos em instituições públicas não chegam a abrigar mil alunos, enquanto as particulares dominam com 5 mil graduandos, sendo 4 mil deles em cursos da modalidade a distância. Instituições públicas como a Universidade Federal do Pará (UFPA) e a Universidade do Estado do Pará (Uepa) até estão presentes em Parauapebas, mas sem regularidade — portanto, sem compromisso de se fixar no município — e com cursos em modalidade modular e a distância.

Atualmente, o curso de graduação mais “populoso” de Parauapebas é Engenharia Civil, com quase 600 matrículas, 85% das quais em faculdades particulares.

Há, hoje, cerca de 12 mil estudantes de Parauapebas cursando faculdade em outros municípios — sobretudo Belém, Marabá, Araguaína, Goiânia e Imperatriz — e que geram milhões em receita anualmente lá fora, com consumo de bens e serviços. O batalhão de “fora do ninho” é o dobro do potencial local de gerar matrículas próprias.

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