Internet de qualidade é WKVE Liga você ao mundo!
Transporte

Rios do Pará são estradas para 4 milhões de passageiros

Essa foi a conclusão de um estudo divulgado nesta terça-feira (23) pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA)

No ano passado, 3,99 milhões de passageiros se movimentaram pelas centenas de rios do Pará, que também abriram caminho para a passagem de 1,51 milhão de toneladas de cargas. Essa é a conclusão de um estudo divulgado nesta terça-feira (23) pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA), e cujos dados são esmiuçados com exclusividade pelo Blog do Zé Dudu.

A segunda edição da pesquisa “Caracterização da Oferta e da Demanda do Transporte Fluvial de Passageiros e Cargas na Região Amazônica” traz o Pará em posição de destaque, com participação de 69,5% na movimentação de pessoas. O levantamento prevê que em 2026 o transporte nos rios paraenses vai arregimentar 10,5 milhões de passageiros, em consonância com o crescimento da produção de riquezas e da abertura de novas fronteiras econômicas que permitam e facilitem a circulação de pessoas e cargas.

Atualmente, o trecho de maior movimentação de pessoas é o percurso de 85 quilômetros entre Belém e Camará, por onde circulam 604 mil passageiros por ano. O trecho entre Belém e Breves movimenta 241 mil, enquanto o circuito entre Icoaraci e Camará, de 70 quilômetros, movimenta 239 mil passageiros. Fora do eixo metropolitano, o trecho de 120 quilômetros entre Santarém e Óbidos, no Baixo Amazonas, faz circular 208 mil passageiros.

Quanto ao fluxo anual de cargas, o levantamento destaca que a linha entre Belém e Portel concentrou 231 mil toneladas, o correspondente a 15,3% de toda a movimentação de carga registrada em 2017. No Baixo Amazonas, a linha entre Santarém e Oriximiná movimenta 92 mil toneladas de cargas.

O estudo identificou 247 embarcações operando em 129 terminais pesquisados. Essas embarcações possuíam idade média de 12 anos e tinham capacidade para 133 passageiros, comprimento de 26 metros, boca de seis metros e calado de aproximadamente um metro. O transporte aquaviário estadual de passageiros emprega quase 1.500 pessoas, entre tripulantes e funcionários de limpeza em suas embarcações. O Pará é o estado que apresentou o maior número absoluto de pessoas ocupadas na prestação desse serviço.

Veja também:  PF deflagra Operação Migrador no Pará, Bahia e Espírito Santo.  

Circulação entre estados

As quatro linhas interestaduais amazônicas mais dinâmicas têm partida ou chegada no Pará. O percurso de 83 quilômetros entre Macapá (AP) e Afuá tem movimentação de 115 mil passageiros por ano. A linha entre Santarém e Manaus (AM) vem em segundo lugar, com 103 mil, sendo seguida pelo trajeto entre Santarém e Santana (AP), com 79 mil, e pelo percurso entre Belém e Santana (AP), com 69 mil passageiros.

No tocante ao transporte de cargas, as linhas Santarém-Manaus, com 156 mil toneladas, e Santana-Belém, com 116 mil, são as mais dinâmicas.

Muitos defeitos a bordo

Os pesquisadores flagraram vários defeitos no modal aquaviário paraense. Os números revelam que nem todas as embarcações possuíam coletes salva-vidas ou boias em quantidade suficiente para todos a bordo, o que sugere que a Agência de Regulação e Controle de Serviços Públicos do Estado do Pará (Arcon-PA) deve atuar fiscalizando empresas e embarcações que prestam o serviço.

O estudo chama atenção para a necessidade de haver maior interação entre os estados amazônicos e a União, no que tange ao transporte hidroviário de passageiros, visto que a grande maioria das linhas está sem controle devido à ausência de fiscalização dos órgãos envolvidos no setor, que por sua vez também sofrem com a falta de recursos e mão de obra para atuar de forma efetiva.
Além disso, segundo os autores da pesquisa, o transporte fluvial de passageiros necessita de segurança, bem como de aprimorar as sinalizações para, consequentemente, garantir transporte adequado nos grandes rios da região.

Deixe uma resposta