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Brasil

Polícia Federal reúne provas de corrupção contra senadores na Suíça

Relatório final diz que repasses ao MDB do Senado foram intermediadas por empresário

A Polícia Federal rastreou depósitos de US$3 milhões (cerca de R$11,6 milhões) feitos por lobistas a contas bancárias na Suíça, que seriam parte de um acerto de propina com senadores do MDB, entre eles, Jader Barbalho (MDB/PA) e Renan Calheiros (MDB/AL), em troca de contratos na Petrobras. O relatório final da PF nessa investigação traz detalhes sobre a engenharia financeira montada para pagar propina ao MDB e atribui ao senador, potencial candidato à presidência do Senado, o crime de corrupção passiva. Procurados, Renan negou e disse que a acusação será rejeitada pela Justiça; e Jader não retornou as ligações.

A propina passou, diz a PF, por duas contas na Suíça controladas pelo empresário brasileiro Walter Faria, dono do Grupo Petrópolis (fabricante da cerveja Itaipava), que por isso é acusado pela PF de lavagem de dinheiro.

O relatório sigiloso, assinado pelo delegado Thiago Delabary, foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 6 de setembro. No dia 12, o ministro Edson Fachin encaminhou o material à Procuradoria-Geral da República (PGR), que está analisando se apresenta denúncia contra Calheiros e os demais investigados.

Renan, reeleito para o cargo de senador, até agora só foi denunciado uma vez na Lava-Jato — a denúncia, feita pelo ex-PGR Rodrigo Janot, foi rejeitada pelo STF. Também reeleito ao Senado com a maior votação ao cargo no Pará, o senador Jáder Barbalho é investigado no Inquérito nº 4.707 (STF) cuja denúncia é a delação do ex-diretor da Transpetro, Sérgio Machado. Ele afirmou que o Grupo JBS doou R$40 milhões para as eleições de 2014 e o dinheiro foi dividido entre os senadores: Renan Calheiros, Romero Jucá, Eunício de Oliveira, Vital do Rego, Eduardo Braga, Edison Lobão, Valdir Raupp, Dário Berger, Roberto Requião e o próprio Jáder Barbalho. Todos negam as acusações.

Barbalho já responde duas ações: a de nº 0003001-82.2007.4.01.4300- TRF – 1 da Seção Judiciária de Tocantins (AÇÃO CIVIL PÚBLICA Nº 0003001-82.2007.4.01.4300)quem que foi condenado e apelou ao TRF-1 –(Apelação nº 0003001-82.2007.4.01.4300), e é réu na Ação civil pública nº 0034738-94.2001.8.14.0301 – TJ/PA.

O caso dos navios-sonda

Em 2006, Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras, condenado pela Lava-Jato acertou com a Samsung Heavy Industries a aquisição de dois navios-sonda pela petroleira, no valor de US$1,2 bilhão, em troca de propina. Cerveró disse em sua delação que acertou repassar US$6 milhões dessas propinas ao grupo do MDB do Senado: Renan Calheiros, senador Jader Barbalho (PA) e ao ex-ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau.

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A PF também apontou indícios de envolvimento do deputado federal Aníbal Gomes (MDB/CE) no esquema e de seu ex-assessor Luís Carlos Batista Sá. O relatório atribui o crime de corrupção passiva a Renan, Silas, Aníbal e Batista Sá. Em relação a Jader, a PF considerou as provas insuficientes. Todos negam as acusações.

Os repasses de propina foram operados por dois lobistas que admitiram suas participações: Júlio Camargo, um dos primeiros delatores da Lava-Jato, e Jorge Luz, que ainda negocia delação. Luz afirmou à PF que recebia de Batista Sá a indicação das contas na Suíça para onde deveria repassar a propina destinada aos políticos. A PF descobriu que as duas contas pertenciam ao empresário Walter Faria.

Operação dólar-cabo

A PF recebeu do próprio empresário e dos dois lobistas toda a documentação relacionada às transferências de cerca de US$3 milhões às contas na Suíça. Para os investigadores, o dono da cervejaria emprestava as contas para doleiros depositarem recursos em troca de receberem os valores em reais no Brasil — operação conhecida como “dólar-cabo”.

Não há uma prova cabal de que os emedebistas tenham, de fato, recebido o dinheiro. A PF relaciona os extratos bancários com documentos apreendidos na casa de Batista Sá para concluir que os emedebistas foram beneficiados . A PF ressalva, porém, que as provas estão em uma “esfera indiciária”.

Os investigadores encontraram documentos de controle dos pagamentos aos políticos em um HD na casa de Batista Sá — ele, diz a PF, seria o organizador da propina. No HD, havia o comprovante de um dos depósitos na Suíça feito por Jorge Luz e planilhas com siglas, codinomes e valores. A PF conclui que era “um controle sobre a divisão de valores envolvendo três destinatários, em que algumas quantias são comprovadamente coincidentes com operações efetivadas entre contas de Jorge Luz e de Walter Faria”. A PF diz que Renan está na planilha sob a sigla RC, com valor de US$350 mil.

Por Val-André Mutran – Correspondente em Brasília

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