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SUBDESENVOLVIMENTO

Pobreza atinge 4,5 milhões de paraenses, aponta Governo Federal

Nem o rico Parauapebas escapa: pobreza atinge 35% da população local e total de pessoas sobrevivendo com renda inferior a meio salário mínimo daria para erguer cidade de paupérrimos do tamanho de Redenção.

No começo deste mês, o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) atualizou a base de dados do Cadastro Único, instrumento do Governo Federal que objetiva identificar as famílias de baixa renda existentes no país para fins de inclusão em programas de assistência social e redistribuição de renda. Em Parauapebas, os números consolidados impressionam: 70.396 pessoas estão vivendo em lares pobres e, destas, 62.115 passam o mês com menos de meio salário mínimo.

Ao considerar a população estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 2018, o maior produtor de minério de ferro de alto teor do mundo tem 35% de seus habitantes em situação de pobreza. É o suficiente para erguer uma cidade do tamanho de Redenção só de paupérrimos.

A situação é vexatória e crítica, particularmente porque Parauapebas é, hoje, um dos lugares que mais produzem riquezas no Brasil. Este ano, apenas em recursos minerais, já deram saída do município R$15,9 bilhões até outubro. Paralelamente, R$966 milhões já foram arrecadados pela prefeitura local do primeiro dia do ano até esta quarta-feira (7) e até o final da quinzena é provável que a arrecadação total atinja a marca de R$1 bilhão.

As cifras, gigantes e graúdas, apequenam-se nas políticas públicas. A riqueza, que avança e deveria ser um meio em si para combater a pobreza, assiste incólume ao avanço progressivo da periferização e da precarização das condições sociais Parauapebas adentro.

Para se ter ideia da gravidade, em apenas um mês (de agosto para setembro deste ano), o Cadastro Único, que tem atualização periódica, registrou incremento de mil pessoas pobres no estoque de Parauapebas. Nos últimos seis anos, entre setembro de 2012 e setembro de 2018, o número de famílias pobres saltou de 18.500 para 22.100, crescimento de 19,5% quando o ideal teria sido erradicá-la, tirando os cidadãos da iminência de passar fome.

Situação prenunciada

De cada dez novos habitantes que o município ganhou entre 2012 e 2018, um incrementou o pelotão da penúria. Nesse período, por outro lado, a Prefeitura de Parauapebas acumulou receitas da ordem de impressionantes R$6,8 bilhões, o suficiente para garantir por mês R$2.800 a cada um de seus 203 mil habitantes e, portanto, resgatar absolutamente todos da condição de baixa renda.

Esse contrassenso de superprodutor de riqueza e concentrador de mazelas passou a perseguir Parauapebas, com mais vigor, a partir de 2010, após a finalização dos resultados amostrais do censo demográfico com cujos dados o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) elaborou o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM).

Naquele ano, a partir das declarações censitárias colhidas, o Pnud constatou que 34,69% da população parauapebense enquadravam-se na chamada situação de “vulnerável à pobreza”. De lá para cá, com o crescimento desordenado e sem políticas públicas estruturantes e capazes de acompanhar o frenética demográfica, o que era prognóstico se tornou real, inclusive com os mesmos percentuais.

A dois anos de um novo recenseamento demográfico, Parauapebas pode estar vivendo a “década perdida” sem se dar conta: perdida em muito dinheiro e na falência de indicadores sociais básicos conquistados, a duras penas, outrora. O tempo é curto para não passar vergonha internacional na próxima divulgação do Pnud, que é braço brasileiro da Organização das Nações Unidas (ONU).

Mas não está sozinho

Apesar dos pesares, Parauapebas tem a 5ª menos pior situação de pobreza entre os municípios paraenses. Taxas inferiores são verificadas apenas em Ulianópolis (26,5%), Santana do Araguaia (27,1%), São Félix do Xingu (28,4%) e Belém (34,2%). Na capital paraense, aliás, o exército de pessoas pobres chega a 507 mil. É como se duas cidades praticamente do tamanho de Marabá sobrevivessem apenas com meio salário mínimo — ou muito menos — por mês.

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Parauapebas, com taxa de pobreza de 34,7%, Rurópolis (35,3%), Marabá (36,9%), Ipixuna do Pará (37%), Ananindeua (37,2%) e Rondon do Pará (39,1%) são os únicos que se mantém abaixo de 40% de pobreza. Marabá, ainda assim, tem aproximadamente 102 mil baixa renda contabilizados.

No outro extremo, há municípios onde curiosamente são contadas mais pessoas pobres que o total de habitantes. É o caso de Jacareacanga, Senador Porfírio e Prainha, onde a pobreza avança para além de 100% do população. Pode parecer exagero, mas a Demografia ajuda a explicar.

Em Jacareacanga, no Baixo Amazonas, existe demanda judicial com Itaituba para aumento populacional. Muitos moradores do município são estimados como sendo itaitubenses. A população judicial de Jacareacanga (41.487 habitantes) é cinco vezes maior que a população estimada (8.899 habitantes). E como lá são cerca de 13,5 mil pobres, daí a razão de o total de pobres ultrapassar a quantidade de moradores estimada em quase 8,9 mil.

Na região do Xingu, especificamente em Senador José Porfírio, que tem 13,3 mil pobres numa população total de 11,8 mil habitantes, o problema está em falha na estimativa, que não foi sensivelmente capaz de captar as transformações sociodemográficas por que passou — e ainda passa — o município em decorrência das obras de construção da Hidrelétrica de Belo Monte, que sacudiu, além de Senador, os municípios de Altamira e Vitória do Xingu.

Já em Prainha, no Baixo Amazonas, são 30,9 mil pobres, mas 29,9 mil habitantes, e isso se deve ao fato de que, por ser extremamente rural, muitos habitantes são estimados como se fossem de outros municípios com os quais faz limite.

Pobreza avança no sudeste

No sudeste do Pará, Pau D’Arco é o mais pobre, com 89,7% de sua população nessa condição, seguido de São João do Araguaia, com 81,4%, e Palestina do Pará, 80,9%. Já na microrregião de Parauapebas, o município de Água Azul do Norte (40,1%) é o único — além de Parauapebas — que tem menos da metade de sua população em situação de pobreza.

Em Canaã dos Carajás, 57,3% estão nessa condição, mas isso se considerar a estimativa do IBGE, de 36 mil habitantes. Como sabidamente há muito mais moradores extraoficialmente, a taxa de Canaã tende a ser similar à de Parauapebas.

Eldorado do Carajás, por seu turno, tem 62,2% de sua população em situação de pobreza, mas é Curionópolis o verdadeiro líder na microrregião, com taxa que alcança 74,9% da população, a maioria em rincões esquecidos da zona rural. Não é demais lembrar que o próprio distrito de Serra Pelada, um dos lugares de onde já se extraiu mais ouro no mundo, foi considerado num passado não muito distante um dos grandes bolsões de miséria do país.

O Pará tem 4.505.009 pessoas de baixa renda que representam 52,92% de sua população de 8.513.497 habitantes.

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