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Meio Ambiente

Paragominas é um dos lugares onde fronteira agrícola mais avançou no país

Grande produtor de gado e soja, município também perdeu vegetação original de florestas para as queimadas. Seu maior desafio é conseguir produzir commodities agropecuárias com respeito ao meio ambiente.

Um estudo inédito divulgado na manhã desta segunda-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela: 7,5% das florestas do país desapareceram em 17 anos. Na pesquisa “Monitoramento da Cobertura e Uso da Terra do Brasil”, de 32 páginas, o município de Paragominas, no sudeste do Pará, aparece como um dos campeões em expansão da fronteira agrícola.

De acordo com o IBGE, em 2016, as áreas agrícolas apresentaram crescimento de 3% em relação a 2014. A região de Sinop, no norte de Mato Grosso, continua em evidência em relação à expansão agropecuária, mas novas regiões da borda do bioma amazônico ganharam destaque com o aumento da área agrícola, como a porção sudeste de Rondônia, na divisa com o Mato Grosso, e a região de Paragominas. O eixo entre os municípios sul-mato-grossenses de Campo Grande e Cassilândia, mais a região da campanha gaúcha, no Rio Grande do Sul, também apresentaram crescimento significativo.

Entre 2000 e 2016, ocorreu aumento de 40% das áreas destinadas à produção agrícola, com destaque para os períodos de 2000-2010 e 2012-2014.

Além de liderar a expansão da fronteira agrícola no Pará e na borda oriental da Amazônia, Paragominas é, ainda, um dos municípios com área mais alterada pelas queimadas, juntamente com Manaus e Manacapuru, no Amazonas, e Centro Novo do Maranhão, no Maranhão.

Minério, gado e soja

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Um dos municípios mais prósperos do estado, Paragominas concentra, dentro e em seu entorno, parte das principais commodities exportadas pelo Pará: alumínio, boi vivo, carne de gado e soja. Com área de 19.342,254 quilômetros quadrados, dentro da qual praticamente cabe um estado inteiro de Sergipe, o município ostenta a maior produção nacional de minério de alumínio e a maior produção de soja do estado. Só a soja rendeu a produtores locais quase R$ 415 milhões em faturamento no ano passado.

Além disso, Paragominas é o maior produtor paraense de produtos da extração vegetal, com destaque para a retirada de madeiras. Em 2017, esse negócio movimentou R$ 31,9 milhões no município.

O rebanho bovino é de 302 mil cabeças de gado e sua exposição agropecuária, para exibição de animais de corte e raça, está entre as mais badaladas das regiões Norte e Nordeste.

Apesar dos números graúdos no desempenho agropecuário, Paragominas é o terceiro município mais desmatado da Amazônia, no que tange ao total da área de floresta perdida. Até o ano passado, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) contabiliza 8.773,3 quilômetros quadrados de florestas derrubadas, área maior que a do município de Parauapebas. Segundo o Inpe, 45% das florestas originais já foram devastadas em Paragominas, que vive o eterno dilema de produzir e preservar num só casamento.

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