Internet de qualidade é WKVE Liga você ao mundo!
Mercado de Trabalho

Pará tem 416 mil desocupados e 361 mil fazem “bicos” para sobreviver

Estado é o 4º do país em informalidade no setor privado e paga o 4º pior rendimento entre as 27 Unidades da Federação, considerando-se a soma de todos os trabalhos.

Nesta quarta-feira (14), o Pará acordou com 416 mil pessoas desocupadas, um batalhão suficiente para emendar as cidades de Parauapebas e Marabá só com pessoas ociosas, sem trabalho. Essa é a constatação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou na manhã de hoje a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua referente ao terceiro trimestre deste ano. A taxa de desocupação no estado é de 10,9% entre as pessoas com idade potencial de trabalhar, mas a taxa de desemprego — que é diferente de desocupação — é ainda maior por uma razão simples: nem todo mundo que está ocupado está trabalhando formalmente.

O Blog do Zé Dudu vasculhou a Pnad, que não faz recorte em nível de município, e puxou a ficha do Pará. O estado até viu cair sua taxa de desocupação de 11,2% no segundo trimestre deste ano (abril, maio e junho) para 10,9% (julho, agosto e setembro). Mas não foi suficiente para se tornar um lugar de emprego pleno.

Hoje, dos 6,48 milhões de paraenses em idade de trabalhar, 3,41 milhões estão ocupados, 416 mil estão desocupados e 2,66 milhões estão fora da força de trabalho. Há 1,9 milhão de pessoas empregadas, sendo 1,2 milhão no setor privado, 490 mil no setor público e 208 mil trabalhadores domésticos. Existem, ainda, 1,18 milhão de trabalhadores por conta própria, 180 mil pessoas enquadradas no critério de trabalhador auxiliar familiar e 148 mil empregadores.

O estado também concentra 361 mil pessoas trabalhando menos horas do que gostariam, particularmente em ocupações sem formalização, os chamados “bicos”. Quando somados os totais de pessoas desocupadas e as que fazem bico, o Pará aumenta seu volume para 778 mil pessoas nessa condição, o suficiente para lotar três cidades de Santarém e uma Altamira de trabalhadores sem perspectivas.

Para piorar, a informalidade no setor privado no estado atinge níveis galopantes, sendo o Pará o quarto do país em trabalhadores nessa situação. Atualmente, 44,8% dos trabalhadores paraenses da iniciativa privada estão sem carteira assinada. Em números absolutos, são 538 mil pessoas, o suficiente para entupir de informais três cidades do tamanho de Parauapebas.

Em Belém, que tem resultados computados na Pnad, os desocupados somam 109 mil pessoas, o dobro de Goiânia, capital de Goiás, que tem o mesmo tamanho populacional. A situação de desocupação na capital paraense é ainda mais crítica que a média do estado. Lá, 14,4% da população em idade de trabalhar estão desocupados. A título de comparação, em Goiânia a taxa de desocupação é de 6,7%, a segunda menor do país.

Paraense tem 4º pior rendimento

Um trabalhador paraense ganha, em média, R$1.517, considerados todos os trabalhos, segundo o IBGE. É o quarto pior rendimento do Brasil, só não superado por Alagoas (R$1.461), Piauí (R$1.354) e Maranhão (R$1. 322). No outro extremo, trabalhadores do Distrito Federal (R$3.902), São Paulo (R$2.856) e Rio de Janeiro (R$2.545) são os mais bem remunerados.

Essa é, aliás, uma vergonha que o estado passa sozinho porque nem mesmo a capital, Belém, apresenta rendimento tão ruim. Lá, o trabalhador fatura, em média, R$2.497, melhor que a maioria das capitais das regiões Norte e Nordeste e bem próximo à média de Goiânia, R$2.654, uma das mais promissoras do país. No entanto, Belém ainda está distante da realidade de Vitória (R$4.401), Porto Alegre (R$3.996), Brasília (R$3.948) e São Paulo (R$3.746).

Veja também:  Pará movimenta R$ 33,5 bilhões em minérios de janeiro a novembro

Situação na região de Parauapebas

Embora a Pnad não faça levantamentos exclusivos nos municípios do interior paraense, o Blog do Zé Dudu buscou alternativas nos números do IBGE e do Ministério do Trabalho (MTb) para estimar o exército de desempregados na microrregião de Parauapebas, a que mais produz riquezas no estado em 2018. Não muito diferente do restante do Pará, a situação é gritante.

O mercado de trabalho de Parauapebas, Canaã dos Carajás, Curionópolis, Água Azul do Norte e Eldorado do Carajás, assolado em momentos e por fatores distintos esta década, acumula despejo de quase 15 mil pessoas do regime celetista esta década. Parauapebas sozinho viu serem perdidas 10.746 oportunidades com carteira assinada entre janeiro de 2013 e setembro de 2018, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do MTb. Na prática, o município adicionou uma cidade do tamanho de Curionópolis só de desempregados em apenas meia década, trazendo crise, violência e calamidade social. Canaã, no mesmo período, assistiu à baixa de aproximadamente 3.400 trabalhadores.

Lanterna dos afogados na região

Juntos, os cinco municípios acumulam em 2018 cerca de 85.500 desempregados, praticamente 36% de seus 239 mil habitantes. Só em Parauapebas são 43.500. A última taxa de desocupação oficial medida pelo IBGE, no censo de 2010, para este município, por exemplo, contabilizava 38,5%, muito alta para um momento sem crise desencadeada.

Este ano, por exemplo, Parauapebas chegou como o primeiro do Pará em geração de emprego com carteira assinada, segundo o Caged, mas os números se embrenham em ilusão de ótica. Dos cerca de 3,3 mil empregos de saldo, metade provém de uma espécie de permuta. Acontece que a Prefeitura de Parauapebas terceirizou serviços e, por isso, demitiu mais de 1.500 servidores, que foram absorvidos pelas contratadas da terceirização. Isso gerou o chamado falso positivo nos números do Caged, que, por sua natureza, só contabiliza vínculos com registro em carteira e desconsidera os vínculos estatutários, como os que regem a administração pública.

Na prática, Parauapebas tem cerca de 1.500 trabalhadores de fato como saldo positivo no mercado de trabalho, entre janeiro e setembro deste ano, e isso só pode ser confirmado pelos números da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), que é outro cadastro administrativo utilizado pelo MTb e mais abrangente que o Caged. Seja qual parâmetro for, a microrregião e o Pará inteiro carecem de urgentes políticas voltadas à geração de emprego e renda, por meio do adensamento das milhares de cadeias produtivas existentes no estado.

Comentários ( 2 )

  1. SR ROBSON: O SR AINDA ACREDITA EM DUENDES, FADINHAS, GNOMOS, SETE ANÕES, PAPAI NOEL! O DARCI ESTÁ ACABANDO COM A CIDADE, INVENTOU COLOCAR LEDS NA ILUMINAÇÃO PÚBLICA ENQUANTO PACIENTES MORREM A MINGUA E CRIANÇAS ADOECEM NAS PRECÁRIAS ESCOLAS DESSA GESTÃO DO MAL. SÓ MESMO EM UMA CIDADE SEM JUSTIÇA PARA TUDO ISSO ACONTECER E AS AUTORIDADES FICAREM SENTADAS DANDO MILHO AOS POMBOS, SE A GENTE MORASSE EM UM PAIS DECENTE, ESSE DESTRAMBELHADO JÁ TERIA SIDO PRESO NOS RIGORES DA LEI. AGUENTA PARUAPEBAS PORQUE AINDA FALTAM 2 ANOS!!!

Deixe uma resposta