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Desmatamento

Pará perdeu um “Ceará” só de floresta amazônica nos últimos 30 anos

São Félix do Xingu, Paragominas, Altamira e Marabá, fortes zonas agropecuárias do estado, encabeçam listão da crueldade contra a natureza e já engoliram áreas imensas de vegetação nativa.

A situação é chocante: o segundo maior estado da Amazônia brasileira botou no chão 148.399 quilômetros quadrados de vegetação entre 1988 e 2018, de acordo com dados levantados pelo Blog do Zé Dudu nesta terça-feira (27) junto ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Em termos proporcionais, o Pará se desfez de uma área de floresta nativa do tamanho do estado do Ceará, que possui 148.888 quilômetros quadrados.

E mais: dentro dessa área de florestas exterminada no estado caberiam, juntos, a Inglaterra (130,4 mil quilômetros quadrados), a Jamaica (11 mil quilômetros quadrados) e a Palestina (6 mil quilômetros quadrados). O Pará é a Unidade da Federação que, historicamente, mais desmatou a Amazônia, seguido de Mato Grosso, com 144.716 quilômetros de vegetação arrasados. Em ambos, a maior parte da floresta derrubada virou terras improdutivas e pastagens, com pouco retorno econômico de fato.

De acordo com o Inpe, apenas este ano 7.900 quilômetros quadrados em toda a Amazônia foram ao chão. São florestas que dariam para cobrir de verde todo o município de Parauapebas (6.886 quilômetros quadrados) e o de Belém (1.060) juntos.

Na série histórica do desmatamento, o avanço de 2017 para 2018 já é de 17%, o oitavo maior desde 1988, sendo superado apenas pelos períodos de 1994 para 1995 (83%), 2001 para 2002 (43%), 1997 para 1998 (41%), 2015 para 2016 (39%), 2012 para 2013 (35%), 1999 para 2000 (31%) e 2003 para 2004 (24%).

Municípios mais desmatados são do Pará

Estão no Sudeste Paraense os municípios amazônicos mais desmatados no Brasil. Entre os 20 que mais perderam floresta até 2017, ano com dados consolidados, 60% são do Pará e a imensa maioria está na mesorregião. São Félix do Xingu lidera o ranking do desflorestamento, tendo perdido cerca de 18,5 mil quilômetros quadrados de floresta, o equivalente a 22% de suas matas originais. Para se ter ideia da dimensão de floresta perdida em São Félix, é suficiente saber que dentro dessa área caberiam com folga três áreas do tamanho do Distrito Federal, onde se localizam Brasília, capital federal, e as cidades-satélites.

Veja também:  Pará responde por 1 de cada 5 focos de queimada no Brasil em outubro

O segundo mais desmatado do Pará e terceiro na Amazônia brasileira é Paragominas, onde foram perdidos cerca de 8,8 mil quilômetros de vegetação nativa, aproximadamente 45% da área original. Só aí dentro daria para abrigar quase meia dúzia de cidades do tamanho da metrópole São Paulo, a maior do Ocidente e que possui 12,2 milhões de habitantes.

Já Altamira é o terceiro município mais desmatado do Pará e o quarto do país, com cerca de 8,7 mil quilômetros quadrados, quase o mesmo tanto de Marabá, que vem em quarto lugar no Pará e é quinto do Brasil. A área de floresta perdida em ambos seria suficiente para cobrir seis cidades do tamanho do Rio de Janeiro, a quarta mais populosa da América.

Entre 2017 e 2018, dos dez municípios que mais desmataram, cinco são do Pará: Altamira (1.648 quilômetros quadrados, 1º), São Félix do Xingu (1.258, 4º), Pacajá (702, 7º), Novo Progresso (672, 9º) e Novo Repartimento (669, 10º).

Veja a lista dos municípios historicamente mais devastados da Amazônia até 2017.

 

Comentários ( 2 )

    1. Não copiamos matérias de outros sites, as vezes as usamos como referência. A fonte dos dados são sempre inseridas nas matérias. No caso dessa matéria a fonte da pesquisa foi o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Obrigado por comentar!

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