Internet de qualidade é WKVE Liga você ao mundo!
Pará

Pará é 3º pior estado para ser gerido em 2019, aponta estudo da Macroplan

Em dossiê elaborado pelo Blog, a educação do Pará está tão atrasada que estado chega a ser o que Minas Gerais era dez anos atrás, prejuízo de uma década à formação social.

Nesta quinta-feira (6), está sendo amplamente repercutido o estudo “Desafios da Gestão Estadual (DGE)”, da consultoria Macroplan, de abrangência nacional, que detalha os abacaxis que vão parar no colo de governadores eleitos — e reeleitos também — em 2019. O levantamento gera o Índice de Gestão Estadual (IGE). E como está o Pará? Em antepenúltimo lugar, ou seja, é o 3º pior em gestão.

Tudo isso vem à tona um dia após a pesquisa “Síntese de Indicadores Sociais (SIS)”, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontar que o Pará é o 5º mais pobre do país. As pesquisas da Macroplan e do IBGE não têm relação de autoria ou recorte temporal entre si, embora a consultoria beba da fonte do instituto e embora, também, os números gerais coincidam na situação específica do Pará: o estado está na lanterna do progresso.

Entre o índice de 2017 (com dados de 2016) e o de 2018 (com dados de 2017), o Pará apresentou piora drástica de quatro posições no ranking, cuja nota vai de 0 a 1, e quanto mais próximo de 1 melhor é a avaliação da gestão, compilada por meio de 32 indicadores em dez áreas: educação, capital humano, saúde, segurança, infraestrutura, desenvolvimento econômico, juventude, desenvolvimento social, condições de vida e institucional.

As melhores Unidades da Federação para serem geridas em 2019 são Distrito Federal, com nota 0,668, e São Paulo e Santa Catarina, empatados com 0,637. O Pará, com nota 0,382, só não perde para o Maranhão, com nota 0,381, e Amapá, o lanterninha, com 0,365.

Pará piorou, avalia consultoria

A situação do Pará é crítica, e praticamente tudo o que se constata nos indicadores gerados pela Macroplan foi antecipado aqui, no Blog do Zé Dudu, nos últimos dois meses. O Blog, a propósito, prenunciou, com exclusividade, importantes indicadores que geralmente vêm à tona em fim de ano, em forma de rankings grupais ou índices, quando órgãos e institutos de pesquisa, bem como consultorias de prestigiado know-how, apressam-se para mostrar serviço e fazer o balanço do ano anterior.

Nesta mais nova pesquisa do momento, o estado ostenta a segunda pior educação básica do país, assim como oferece a segunda pior condição de vida a seus habitantes. Em matéria de juventude, infraestrutura e institucional, o Pará é classificado no terceiro pior lugar. A melhor situação do Pará, a de capital humano, coloca-o em 11º pior do Brasil.

O Blog do Zé Dudu leu nesta manhã as 201 páginas da versão completa do estudo, ao qual apenas a Revista Exame teve acesso até o momento, e compilou os principais indicadores do Pará, que em vários quesitos está atrasado em mais de dez anos em relação a outros estados, o que denota a situação de calamidade social público a que se chegou como legado de décadas de administrações que não priorizaram políticas públicas em áreas basilares, bem como a distribuição de renda para redução da miséria, cujos índices, além de galopantes, chegam a ser criminosos.

Educação

Segundo a Macroplan, a segunda pior educação do país, considerando-se um conjunto de fatores como ensinos infantil, fundamental, médio e superior, é do Pará. Os alunos paraenses do ensino básico têm alguns dos piores desempenhos em português e matemática, sempre entre os últimos do Brasil, e as taxa de aprovação e distorção idade-série são sofríveis, as piores das piores. Para se ter ideia da gravidade da educação paraense, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do estado praticamente parou no tempo e se comporta com atraso de uma década em relação ao indicador de estados como Minas Gerais. Em outras palavras, o Ideb paraense é, hoje, o de Minas dez anos atrás.

Capital Humano

A população paraense com 25 anos ou mais tem, em média, 8,2 anos de estudo, de acordo com a Macroplan. Na prática, tem, quando muito, apenas o ensino fundamental completo. Por outro lado, a taxa de analfabetismo é alta, 9%, quando comparada aos estados mais desenvolvidos, como Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo, que detêm 2,6%, 2,7% e 2,9%, respectivamente. O grande contingente de pessoas analfabetas e o enorme batalhão de cidadãos certificados com somente ensino fundamental inibem a atração de negócios de ponta e de alta tecnologia, cujos empreendedores alegam o óbvio: falta mão de obra qualificada, do ponto de vista educacional, no Pará. Assim, o estado perde oportunidades de geração de emprego e renda.

Juventude

É altíssimo o percentual de jovens desocupados no Pará, segundo a Macroplan. A geração “nem-nem”, dos jovens que nem estudam nem trabalham, ganhou mais um “nem”: agora nem procuram mais emprego simplesmente por não ter, analisa a Macroplan. No Pará, 20% da juventude em idade de trabalhar está no ócio — em Santa Catarina, a taxa é 8,7%. Para piorar, até mesmo os jovens que buscam se ocupar com ensino superior enfrentam sérias dificuldades para concluir um curso de graduação no estado, razão pela qual o Pará é o terceiro com pior índice de diplomação: só 10,1% dos jovens concluem ensino superior por aqui. No Distrito Federal, o índice é de 38,6% e em São Paulo, 24,1%. Por essas e outras, o exército de jovens paraenses recrutados para o crime é assustador.

Saúde

A Macroplan confirma a expectativa de vida precária do paraense anunciada com exclusividade aqui no Blog (veja: Pará tem 7ª pior expectativa de vida do Brasil, aponta IBGE), a partir de números do IBGE. O Pará é o sétimo pior em esperança de sobrevivência, do nascimento à morte, e isso se deve à falta de políticas que possam melhorar a qualidade de vida da população, permitindo-lhe viver mais. A concentração de pestes e moléstias, erradicadas no século passado por outros estados, e a inércia do poder público contribuem para esse vexame. Um exemplo clássico são as doenças causadas pela falta de saneamento básico que assolam os quatro cantos do estado e coloca seus municípios entre os piores do país.

Veja também:  Cai produção das lavouras do Pará; arroz e feijão chegam a menor nível

Segurança

A quarta mais alta taxa de homicídios do país está no Pará, o que dispensa comentários sobre a sensação de segurança no estado. Por aqui, segundo a Macroplan, 51 pessoas são assassinadas em cada grupo de 100 mil habitantes. A taxa dobra para 102,7 por 100 mil quando considerados apenas os jovens, um verdadeiro absurdo e que torna o estado proporcionalmente mais letal que os países em guerra. E ainda há as mortes no trânsito, que sepultam 20,8 paraenses em cada 100 mil. É uma verdadeira balbúrdia que tem as pessoas entre 30 e 69 anos como vítimas preferenciais.

Infraestrutura de transporte

Há dois meses, o Blog divulgou um estudo da Confederação Nacional do Transporte (CNT) reportando a precariedade das estradas paraenses em primeira mão (veja: Pará tem a 3ª pior ligação rodoviária do Brasil). A situação vexatória virou indicador da Macroplan, que confirma o Pará como o estado brasileiro com a pior qualidade das rodovias. Nada de novidade até aqui, haja vista todos os paraenses saberem de cor que a infraestrutura e a logística do estado são dois gargalos ao desenvolvimento. O Pará concentra estradas que há meio século esperam asfaltamento completo, como a Transamazônica (BR-230), mas tudo não passa de falácias.

Infraestrutura de comunicações

O problema da logística no transporte se repete na área de comunicações. Talvez por isso, a população paraense é a quinta menos conectada do país, numa era totalmente digital. Apenas 52% da população do estado acessa internet com alguma regularidade. Além disso, as casas do Pará estão entre as mais desprovidas de itens como celular ou telefone fixo. Por detrás da péssima relação de acesso entre a população paraense e os bens tecnológicos está a precária distribuição de renda, em que muitos habitantes não têm sequer o que comer, menos ainda para comprar e ou consumir recursos digitais.

Institucional

Em torno de 77% dos processos estão pendentes na Justiça de 1ª Grau do Pará, segundo a Macroplan, o quinto maior congestionamento de casos judiciais entre as Unidades da Federação. A média nacional é de 75%. A justiça processual é lenta e segue a trilha do desenvolvimento do Pará, onde a justiça social está muito abaixo do ideal e se traveste de um fosso entre poucos muito ricos e muitos muito pobres desesperador. Para completar, o grau de transparência das instituições públicas no Pará também não é nota dez e não cumpre fidedignamente a Lei de Acesso à Informação (LAI), conforme aponta levantamento da Controladoria-Geral da União (CGU).

Condições de vida

Saneamento básico precário, moradias inadequadas, falta de banheiros nas casas. Tudo isso faz do Pará e seus municípios cenários que se assemelham ao de algumas partes paupérrimas da África. O rico estado, castigado por mazelas históricas, deve chegar a 2030 sem atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), sendo que a quarta pior situação geral é daqui. Atualmente, segundo a Macroplan, apenas 15,1% das residências possuem saneamento básico adequado. Em São Paulo, esse percentual chega a 94,9%. Para atormentar ainda mais a qualidade de vida da população, o Pará é o sexto que mais emite gás carbônico na atmosfera, com 34,5 toneladas por habitante, quatro vezes mais que o padrão mundial, de 7,5 toneladas.

Desenvolvimento econômico

O Pará é um estado rico em recursos naturais, que produz muita riqueza, ainda assim aquém de sua real capacidade. E tudo isso por fatores que são de raiz social, como a falta de qualificação de mão de obra, que afasta investidores. A divisão teórica das riquezas produzidas pelo estado pelo tamanho da população é muito baixa. Segundo a Macroplan, os efeitos deletérios de tudo isso são o desemprego e a informalidade. O Pará, aliás, é o segundo do Brasil em taxa de trabalhadores que até estão ocupados, mas sem vínculo formal de emprego: 56% estão nessa condição, gerando economia subterrânea e sendo algozes e vítimas de uma narrativa escrita sob a égide de precárias políticas de emprego e renda do estado.

Desenvolvimento social

Um paraense tem renda per capita média de R$ 716,12 por mês, segundo a Macroplan. É a terceira pior do país e uma vergonha para um estado tão rico. Em São Paulo, a renda média é de R$ 1.716,20. Para piorar, os 20% mais ricos ganham 18 vezes mais que os 20% mais pobres, um fosso social de difícil contorno, a não ser por medidas enérgicas de distribuição e geração de renda. Para piorar ainda mais, como divulgado ontem, aqui no Blog (veja: Pobreza aumenta e atinge 46% dos paraenses, mostra estudo do IBGE) e que também aparece no estudo da consultoria, a pobreza e a miséria estão prosperando Pará adentro. Talvez o maior desafio do futuro governador, entre tantas lástimas, será controlá-los. Só o tempo dirá se vai conseguir, e quando.

Comentários ( 4 )

  1. Quero ver os defensores do pior governador do Estado do Pará, o corrupto, cassado e criminoso jateve comentar esses índices alarmantes do nosso Estado há mais de duas décadas nas mãos do tucanalha jateve e sua quadrilha.Muitos até mesmo desse blog elogiavam até ontem o governo atual, mas tudo por uma boa verba de publicidade na qual o governador tucanalha jateve calava a boca dos blogueiros e jornalistas.E não me venha com esse papo furado de que os governantes abandoram o Estado.Se o único governo que realmente deveria ter melhorado esses indices que é o atual governador está desadministrando o Pará há mais de 20 anos?

  2. Quero ver aparecer nesse espaço algum defensor,deste que sem dúvida é o pior governador do Estado do Pará dos últimos tempos o corrupto e cassado Jateve e dua quadrilha,estes sim os maiores responsáveis por esse caos em que se encontra o Pará!

Deixe uma resposta