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Natureza

Onça flagrada “de boa” em condomínio de Belém é solta em Parauapebas

O felino mede 80 centímetros de altura, pesa 85 quilos e tem força suficiente para derrubar um homem com um simples tapa.

Já está circulando livre, leve e solta pela Floresta Nacional de Carajás a onça-pintada (“Panthera onca”) flagrada passeando num condomínio de luxo em Outeiro, distrito de Belém, há exato um mês. O maior felino das Américas foi capturado, sedado e encaminhado a Parauapebas, para ser solto na Flona de Carajás, um dos maiores “resorts” naturais de felinos de grande porte do país.

O agora guardião das jazidas intocadas de minério de ferro que se escondem na mata é um macho de cor preta (grosso modo, por excesso de melanina) e subespécie “onca”. Mede 80 centímetros de altura, pesa 85 quilos e tem força suficiente para derrubar um homem com um simples tapa. Cabe destacar que a onça-pintada da Amazônia, mesmo com esse porte avantajado, é menor que a subespécie que habita o Pantanal, a “palustris”, que pode chegar a 150 quilos. Onças amazônicas dificilmente ultrapassam 100 quilos na natureza.

Segundo pesquisadores do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) que estão monitorando o felino, por meio de sinais de um colar colocado no animal, a pantera já circulou 50 quilômetros na floresta, à procura de um lugar ideal para se fixar e que lhe proporcione a fartura de que necessita, como água, toca e presas.

Carajás é reino das onças

Carnívoro que ocupa o topo da cadeia alimentar e sem rival à altura no chão da América, a onça-pintada tem papel fundamental no equilíbrio dos ecossistemas, pois atua na regulação do tamanho populacional de outras espécies. Por disso, necessita de áreas extensas e com habitat de boa qualidade para sobreviver na natureza.

A maior radiografia sobre a onça-pintada no Brasil, o “Plano de Ação Nacional para a Conservação da Onça-Pintada”, de 2013, revela que as populações do jaguar fora da Amazônia e Pantanal são consideradas sob diferentes categorias de ameaça (de “em perigo” a “criticamente em perigo”). Devido a sua área, extensa, as populações de onças na Amazônia são seguramente superiores a 10 mil indivíduos maduros (há pesquisas que apontam mais de 50 mil), o que não a qualificaria para a categoria “vulnerável”.

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Ainda assim, a onça-pintada já desapareceu de várias partes do oeste do Maranhão e do leste do Pará, em razão do desmatamento e do avanço da agropecuária, condição em que leva a pior durante confronto com fazendeiros ao predar o gado.

Numa extensão de mata do tamanho da área urbana de Parauapebas, com cerca de 30 quilômetros quadrados, haveria — considerando-se para o cálculo do bioma Amazônia duas estimativas em florestas de terra firme — uma ou duas onças-pintadas, no máximo, enquanto na cidade em questão há 185 mil habitantes.

O estudo mostra que a Floresta Nacional de Carajás é um dos únicos lugares da Amazônia que ainda conseguiria abrigar o grande felino se submetido à pressão do desmatamento por 20 anos consecutivos. Atualmente, a população efetiva esperada de onças na região de Carajás é estimada em 155 indivíduos, com capacidade de reprodução e dispersão genética. A população total esperada pode se aproximar de 400. Carajás teria, assim, mais onças que as 250 estimadas para a Mata Atlântica inteira.

Perturbações ambientais diversas (mineração, caça, redução das populações de presas, proximidade humana e exploração madeireira, por exemplo) nas cercanias da Flona, que é um santuário preservado praticamente no meio do arco do desflorestamento, são o grande perigo para a fera, aponta o diagnóstico.

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