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Parauapebas

Moradores da APA do Gelado entram em pânico com ataques de onças

Felinos circulam entre as casas dos pequenos produtores, matam galinhas e bezerros e espalham o terror

Um grupo de moradores da tradicional comunidade Apinha (Área de Proteção Ambiental) do Gelado, no município de Parauapebas, procuram o ICMBIO (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), Vale e Secretaria Municipal de Meio Ambiente para relatar que estão preocupados com a constante movimentação e permanentes ataques de onças em suas propriedades, tendo elas matado dezenas de animais de criação que fazem parte de sua economia.

A Reportagem do Blog teve acesso ao documento protocolado por eles junto ao órgão ambiental. Além do medo das onças, nenhum deles quis que seus nomes figurassem nesta Reportagem, temendo algum tipo de represália.

Mas eles apresentaram cópia de um relatório minucioso feito no dia 22 de novembro último para a direção do ICMBIO, no qual mostraram várias fotos de seus animais mortos e relataram que as onças já atacaram e mataram bezerros e galinhas e apenas um desses pequenos produtores rurais já perdeu 96 galinhas e quatro bezerros.

Os produtores lembram que residem na região desde a década de 1980, antes mesmo da criação da área de reserva florestal, a antiga Colônia Jader Barbalho. “Mas nem mesmo naquela época, quando a floresta era praticamente intocada a gente não via tantas onças em nossas propriedades e nem ocorriam ataques como agora”, diz um dos moradores.

Ele mesmo lembra que as propriedades fazem divisa com a Barragem do Geladinho de um lado, a Barragem do Gelado de outro, e a Estrada de Ferro Carajás de outro.

Temendo por suas vidas e de seus filhos, eles mantiveram uma reunião entre si no dia 20 de novembro último na chamada Apinha I, para debater o avanço das onças sobre suas propriedades e nas redondezas de suas casas.

Lá, eles relataram que já encontraram, próximo as suas residências, onças-pretas e suçuaranas. Inclusive, um desses animais estava com coleira de monitoramento e presenciaram veículos de segurança patrimonial com antenas de rastreamento.

No documento, os moradores relatam que essa situação perdura há um bom tempo, mas se agravou recentemente e que já alertam o caso à segurança patrimonial da Vale e o próprio ICMBIO. As duas instituições disseram que tomariam providências, mas até agora nada foi feito.

Eles relembram que já houve um caso de morte de uma criança por ataque de onça no passado e que uma trabalhadora de uma empresa terceirizada da mineradora Vale foi ferida gravemente da mesma forma. “Estamos apreensivos e queremos uma ação imediata para resolver esse problema grave”, diz um dos moradores.

Veja também:  Força Nacional dará apoio nas ações de fiscalização do ICMBio no Pará

Procurado pela Reportagem do blog, Victor Garcia Neto, coordenador de Proteção do ICMBIO e chefe da Unidade de Conservação APA do Gelado, confirmou que o órgão foi procurado por moradores da região, mas que o caso de ataque de onças estaria restrito entre quatro a cinco propriedades (embora relato dos moradores apontam 11 propriedades), inclusive comendo bezerros desses produtores. “Estamos dentro de uma reserva federal e quem ocupa o território somos nós, seres humanos. Fizemos avaliação da quantidade de bezerros mortos na área em que as onças fizeram o ataque e descobrimos que ao longo de sete anos elas mataram 19 bezerros, um a cada quatro, seis meses”, disse.

Garcia explica, ainda que a onça é territorialista e que elas passaram a se localizar em uma área menor, em torno de cinco a seis propriedades. “É muito difícil que haja muitas onças concentradas em um pequeno território como o descrito pelos produtores, porque cada uma domina uma área de 90 a 105 km²”, explica.

Ele informou, ainda, que o ICMBIO entrou em contato com a Fundação Zoobotânica Vale, que tem expertise muito grande em capturar felinos vivos. A intenção é levá-las para um território bem distante de onde vivem os moradores da APA do Gelado, acima de 200 km². “Também fizemos contato com o Instituto Onça-Pintada, do Goiás, e Leandro Silveira, pesquisador nesta área, virá a Parauapebas ainda este mês para realizar um estudo sobre essa situação e ajudar na captura dos animais e sua retirada da área.

Paralelamente, o ICMBIO colocou uma armadilha parecida com jaula, com peças de carne para atrair as onças. Ainda esta semana, segundo Victor Garcia, o Instituto pretender realizar nova reunião com os moradores que relataram os casos de ataques de onças para reafirmar que o território é das onças, que não podem ser abatidas. “Vamos dizer a eles que não há riscos. Vamos levar cartilhas para orientar que não façam cercado do gado na borda da floresta, onde a onça ataca com mais facilidade. Sobre o ataque às galinhas, isso faz mais de dois anos, mas eles guardam os registros fotográficos e usam como se fosse atual.

A reportagem também procurou a Vale, por meio de sua assessoria de Imprensa, mas esta informou que a mineradora não vai se posicionar em relação a esse caso, já que a gestão da APA do Gelado é do ICMBio e que a empresa apenas presta apoio ao instituto.

Reportagem: Wagner Santos/Ulisses Pompeu

 

Comentários ( 3 )

  1. Se a onça vive em seu habitat natural, a Vale ao longo dos anos vem destruindo a floresta com a mineração e do outro lado pessoas foram residir no entorno da floresta. O obvio é que as onças, sem terem seu alimento, saiam para caçar.
    Lamentável mesmo é que elas não tenham de fato a proteção necessária.

  2. Tenho de concordar com os comentaristas Mozart [à exceção dos xingamentos]e “Salvem as onças”. Quem está no lugar errado são os moradores da APA. Os onças estão no lugar delas, elas é que tiveram o habitat invadido. Eles é que devem deixar os animais onde sempre estiveram. Salvem as onças!!!

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