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Minério de Carajás vira marca registrada no mercado internacional

Alto teor de produto do Pará é misturado com o baixo teor de produto de Minas para virar o Brazilian Blend Fines, que já responde por 35% das vendas da Vale. Mineradora abre sorriso de orelha a orelha.

Sai de Parauapebas, Canaã dos Carajás e Curionópolis o minério de ferro mais valioso do mundo e que, ao ser misturado com o produto de Minas Gerais, vira o Brazilian Blend Fines (BRBF), um produto autônomo que já responde por 35% da carteira de vendas da mineradora multinacional Vale e é apreciadíssimo na China.

Durante recente bate-papo com funcionários da empresa na Malásia, o diretor global da cadeia de Ferrosos da Vale, Vagner Loyola, destacou que a mineradora desenvolveu um “blend” com qualidade acima do padrão, a partir da mistura entre o minério de Minas, de baixo teor, com o do Pará, de elevado teor — que chega a 66% de hematita.

“Hoje, mais da metade de nossa produção vai para o mercado chinês. Todos os investimentos feitos nos últimos dez anos em aumento de produção de minério de boa qualidade e na eficiência da cadeia logística foram para aumentar as vendas naquele mercado”, ressaltou Loyola, explicando que a demanda chinesa por minério de ferro cresceu a partir de 2003, apresentando um “boom” entre 2010 e 2012, mas se estabilizou desde 2014. E foi justamente a partir de 2014 que a Vale passou a produzir o BRBF, de olho na sinergia entre o produto de Carajás com a de suas minas de menor teor localizadas no sudeste do país.

Percurso transoceânico

Na prática, o minério de ferro de Carajás e de Minas é escoado em navios diferentes para o porto da Malásia, construído e operado pela Vale. Lá o produto é descarregado e feita a mistura na proporção correta para as siderúrgicas chinesas. Em seguida, o minério segue para os portos da China, onde é vendido. Há dois anos a Vale começou a processar o “blend” também em portos chineses. A mineradora contrata os portos que já existem e faz a mesma coisa que na Malásia. Na China, 16 terminais já fazem a mistura.

Veja também:  Minério paraense é negociado em cerca de 100 dólares a tonelada

Segundo Loyola, o produto foi tão bem-aceito pelas siderúrgicas chinesas que já consegue um bônus que varia de 3 a 6 dólares por tonelada em relação ao melhor minério australiano. O Blog do Zé Dudu apurou que, enquanto o minério de referência (teor de 62%) é vendido a 72 dólares a tonelada, o “blend” custa 75,80 dólares.

De olho no filão chinês, que demanda minério de alta qualidade para se adequar a políticas internas de combate à poluição, a Vale já visualiza as expansões da lavra nas serras Norte (abertura dos corpos de N1, N2 e N3, em Parauapebas), Sul (avanço da lavra no bloco C, em Canaã dos Carajás) e Leste (ampliação da capacidade de produção, em Curionópolis).

A expectativa da Vale é produzir 200 milhões de toneladas de minério de ferro este ano no Pará e outras 190 milhões de toneladas em Minas Gerais. Pela primeira vez, oficialmente, o Pará deve ultrapassar Minas na produção da commodity.

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