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Polícia Federal

Manganês extraído ilegalmente ia para o mercado internacional

Um dos operadores do esquema, preso hoje, era responsável por uma das maiores minas de manganês do País

Em coletiva na manhã desta terça-feira (6), o delegado regional de Investigação e Combate ao Crime Organizado, Rômulo Rodovalho, e o chefe da Delegacia de Polícia Federal em Marabá, Ricardo Viana, detalharam como começou a Operação Migrador, desencadeada hoje, como já noticiado pelo Blog do Zé Dudu. Rodovalho reafirmou que foram cumpridos 111 mandados judiciais em Curionópolis, Parauapebas, Marabá, Eldorado do Carajás, Salvador (BA) e Vila Velha (ES): 24 de prisão preventiva, 29 de busca e apreensão, 52 bloqueios de contas bancárias e sequestros de bens e seis ordens de suspensão de atividades de empresas investigadas.

“Foi desmantelada uma organização criminosa que fazia extração, comercialização e exportação de manganês na região de Curionópolis e Parauapebas. E isso está causando um grande desastre ambiental naquela região”, resumiu ele.

O delegado Viana lembrou que, em 2015, a PF realizou a Operação Buriti-Sereno e, na ocasião, foram apreendidos maquinários e minérios, mas ainda não havia o entendimento de como as coisas funcionavam. Porém, com as investigações, foi descoberta a existência de um grupo bastante articulado, com elevado pode econômico, para poder promover esse tipo de atividade.

Ele relatou que as investigações mostraram que há um grupo responsável pela extração do manganês, na região de Serra Pelada e outro grupo é responsável pelo beneficiamento. Disse que as pedras de manganês são bem grandes e precisam ser fracionadas para que possam ser comercializadas.

“Então é assim: tem o minério extraído e tem o minério beneficiado e aí tem outro problema: como fazer para que esse minério seja levado para o Sul do País ou exportado? Porque muito desse minério vai para a China, Singapura, Estados Unidos e para o México”, desatacou ele.

Explicou, então, o delegado que foram criadas empresas para que pudessem obter determinadas licenças e, assim, a partir dessas licenças, esse minério pudesse ser exportado.  Com o avanço das investigações, porém, foi descoberto que muito dessa documentação das empresas foi obtida de forma fraudulenta, inclusive, com falsificação de licenças de operação.

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“E tinha outra questão: eles extraiam manganês de determinada área para a qual não tinham autorização e “esquentavam” o minério com a autorização que havia sido emitida para a exploração em área diferente. Ou seja, nunca tiraram uma pedra da área para a qual foi emitida a licença”, salientou Viana.

Depois vem a questão do transporte e, nesse ponto, paralelamente, as investigações descobriram que havia uma cobrança sistemática de valores, por parte de servidores públicos, para que esse minério pudesse sair da região de Serra Pelada e Vila União e fosse até o Porto de Barcarena para que, de lá, chegasse a vários destinos internacionais.

“O prejuízo é de forma diversa, desde o minério extraído sem autorização, o minério extraído, em tese, com autorização, mas que não recolhe os tributos municipais, estaduais nem federais e os danos ambientais causados” destaca o delegado.

Segundo ele, uma das pessoas presas nesta terça-feira é responsável pela segunda ou terceira maior mina de manganês do País. “É muita coisa. O prejuízo alcança a casa dos R$ 87 milhões. A estrada de Serra Pelada, no final do dia, parecia a Avenida Paulista, tamanho o trânsito de caminhões. Essa ação foi imperativa, tínhamos de fazer, porque da forma como estava não dava para continuar. Muita gente ganhando muito dinheiro à custa de poucos”, enfatizou Ricardo Viana.

Ele lembrou ainda que, na semana passada, uma pessoa morreu, mostrando que a exploração é precária, feita sem técnica alguma, sem cuidado algum, “um desrespeito a qualquer tipo de norma de mineração ou de legislação de natureza ambiental”.

Por Eleuterio Gomes – Correspondente em Marabá

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