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Parauapebas

Jovens com deficiência mostram talento através da dança

Eles vão se apresentar durante espetáculo que será realizado neste fim de semana no Centro Cultural

Iniciativas para fazer com que a inclusão social vá do conceito à prática marcam de uma forma muito significativa a vida de pessoas com deficiência nas mais diversas áreas, inclusive nas artes. E nesse sentido, a dança vem proporcionando uma experiência única há seis jovens de Parauapebas. Todos são deficientes, uns já tiveram contato com a dança em determinado momento da vida, mas para a outros é a primeira vez.

É o caso de Beatriz Rocha. Ela é autista, diz que isso não a impede de executar os movimentos e se mostra bastante animada. “É uma alegria vir pra cá dançar. Eu deixo o celular em casa… WhatsApp e Facebook e venho. E quero que chegue o dia da apresentação para que as pessoas vejam a gente”, afirma ela, entusiasmada.

Quem está conduzindo os passos desse grupo é a professora de dança Kissy Ferreira. Ela é diretora de uma escola de dança em Parauapebas que vai muito além de ensinar técnicas a crianças e adultos. Busca oferecer bem estar por meio da arte. Kissy conta que sempre trabalhou com pessoas com deficiência. Mas, com uma turma formada exclusivamente com esse público, é a primeira vez.

“É um projeto pessoal e não sei dizer exatamente o momento em que surgiu essa iniciativa. Só sei que foi acontecendo! Um dia eu os vi desfilando num evento no shopping e, a partir dali, começamos a conversar com alguns pais e já pensar em fazer algo inclusivo através da dança”, relata Kissy.

Há cerca de cinco semanas eles já aprenderam duas coreografias e vão apresentá-las durante o espetáculo “As Quatro Estações” neste fim de semana promovido pela escola de dança. No sábado as apresentações iniciam às 20h e domingo será a partir das 18h, no Centro Cultural de Parauapebas, localizado no Bairro Apoena. Vale destacar que para entrar basta doar um brinquedo. Em uma das coreografias os jovens vão utilizar lenços coloridos que serão movimentados de acordo com a melodia da canção.

Simplesmente inspirador!

“Eu digo que eles já sabiam dançar e estou só lapidando esse talento. Eles aprendem muito rapidamente. Para se ter uma ideia, em um dia que ensaiamos eles aprenderam uma coreografia toda. Eles já se apresentaram numa escola particular aqui na cidade num momento cívico falando sobre inclusão. Foi um momento maravilhoso que deixou muitas pessoas emocionadas. E isso é ótimo porque é o momento de quebrar as barreiras e mostrar o que eles podem fazer”, avalia Kissy.

Quando perguntados se foi difícil aprender os passos, a resposta da turma foi unânime: não! A afirmativa gera reflexão quanto à superação dos limites. Afinal de contas, cada um tem os seus desafios e parece que aos poucos vão sendo superados. Um desses exemplos é a aluna Lurdes Vitória. Durante a conversa e com lágrimas ameaçando escorrer pelo rosto, ela nos contou o que sente. “Eu cheguei aqui não sabia de nada. Aí vi os passos e aprendi. Eu gosto muito de dançar”, conta Lurdes que é autista.

Os pais são presentes e acompanham os filhos a cada aula. Como dona Ivone Lira, mãe de Pedro, que nasceu com Síndrome de Down. Segundo ela, o filho é bastante envolvido e dedicado. “O Pedro gosta muito de dançar desde pequeno. Ele não parava um minuto sempre criando coreografias. É com grande satisfação que a gente vê esses meninos evoluírem dessa forma. Nós, pais, temos de aproveitar essa oportunidade porque é maravilhoso para formação deles. E a gente agradece muito porque esse trabalho está fazendo a diferença na vida deles”, reconhece dona Ivone.

“Dançar é uma coisa da qual eu nunca tinha participado e achei que seria difícil, mas, quando cheguei aqui foi diferente. Quando chega aqui parece que não acontece nada lá fora”, declara o aluno autista Vitor Manuel.

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