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Brasil

Jair Bolsonaro pede união a governadores eleitos para enfrentar os problemas do País

Vinte governadores eleitos e reeleitos compareceram. Do NE, apenas um. A maioria, de esquerda, se sentiu desconfortável pelo encontro ter sido organizado por governadores de direita

Em encontro na manhã desta quarta-feira (14) 20 governadores eleitos ouviram do presidente eleito Jair Bolsonaro um discurso marcado pelo tom da união nacional para o enfrentamento dos problemas do Brasil. “Vamos dividir o desafio com vocês. E os senhores podem dividir o desafio de vocês conosco”, prometeu. O presidente eleito disse que sua equipe está terminando de preparar reformas para apresentar ao Congresso e que algumas delas serão “amargas”, sem entrar em detalhes.

Pregando a união entre todos, independentemente dos partidos de cada um. Bolsonaro ressaltou que é preciso dar uma satisfação à população, que espera mudanças. Disse que fará o que for possível para atender aos apelos dos novos governadores, independentemente de coloração partidária. “Não interessa se o colega é do PT ou de outro partido, do DEM ou do meu PSL”, garantiu ele, que, em outro momento, afirmou que o partido de todos agora é o Brasil: “A partir desse momento não existe mais partido. Nosso partido é o Brasil.”

Ao chegar para o encontro, o governador eleito do Pará, Helder Barbalho (MDB), disse que os Estados devem fazer seu “dever de casa” para justificar o auxílio financeiro da União. “É necessário que os Estados possam ser mais eficientes nos gastos públicos. Possam compreender o fortalecimento do desenvolvimento das suas economias para ampliar a sua receita e a sua capacidade de investimento e otimizar a mão de obra para não inchar a folha. Isso deve ser visto de forma paralela com o pacto federativo”, afirmou.

“Todos devem trabalhar de forma conjunta. Se o Brasil não der certo, os Estados não darão certo. Se os Estados não tiverem capacidade de enfrentar os seus desafios a sobrecarga acabará recaindo sobre o governo federal. Portanto, é a hora de buscarmos caminhos conjuntos. Dissociar o governo federal dos governos estaduais é absolutamente um equívoco”, afirmou Helder.

Já Carlos Roberto Massa Júnior (PSD-PR) – Ratinho Jr. -, governador eleito do Paraná, falou sobre a importância de criar um ambiente favorável à aprovação das reformas no Congresso, como a da Previdência. “Todos nós temos a consciência da necessidade de fazer uma reforma da Previdência que acabe com as injustiças, que possa modernizar a Previdência. O mundo inteiro faz isso. A cada 30, 40 anos tem de ser repensar a Previdência e o Brasil tem de repensar a sua”.

“O presidente tem dito isso publicamente, que quer avançar nas reformas. Nós como governadores temos de colaborar a partir do ano que vem para que se crie esse ambiente para que o Congresso possa aprovar as reformas que são melhores para o país”, reafirmou Júnior.

Cada governador teve direito à palavra por seis minutos durante a reunião. Eles apresentaram questões prioritárias em seus estados e falaram sobre o fortalecimento do pacto federativo.

O encontro foi organizado pelos governadores eleitos de São Paulo, João Doria, dp Distrito Federal.  Ibaneis Rocha, e do Rio, Wilson Witzel.

Acompanhado pelos futuros minmistros Onyx Lorenzoni (Casa Civil), Paulo Guedes (Economia) e Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Bolsonaro explicou porque mudou de ideia após anunciar que iria fundir os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente numa única pasta e ressaltou que é preciso saber reconhecer os erros: “A virtude nossa é reconhecer e retroceder em algum momento”.

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Reformas

Em um discurso no fim do evento, Bolsonaro disse que a União e os estados vivem momento de dificuldade e que a equipe econômica de seu governo está concluindo propostas de reformas que devem ser apresentadas ao Congresso. Não citou, entretanto, a que reformas se referia.

“As reformas passam pela Câmara e pelo Senado e nós pedimos neste momento, os senhores têm realmente a perfeita noção do que tem que ser feito. Algumas medidas são um pouco amargas, mas nós não podemos tangenciar com a possibilidade de nos transformarmos naquilo que a Grécia passou, por exemplo”, afirmou Bolsonaro.

Esse foi o primeiro de outros encontros, informou o governador eleito João Doria. Um novo encontro em Brasília ficou marcado para o dia 12 de dezembro. Para essa próxima reunião serão convidados o juiz Sergio Moro, indicado para ocupar o Ministério da Justiça, e os presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli; do Superior Tribunal de Justiça (STJ), João Otávio de Noronha; do Tribunal de Contas da União (TCU), Raimundo Carreiro.

Apenas um do Nordeste

Os governadores eleitos em 2018 no Nordeste decidiram não participar da reunião e apenas o governador reeleito do Piauí, Wellington Dias (PT) os representou como porta-voz do grupo na reunião com Jair Bolsonaro. Desconfortáveis por o encontro ter sido organizado por três governadores de direita, apoiadores do presidente eleito, eles boicotaram a reunião.

Os governadores eleitos pelos estados do Nordeste pretendem debater propostas de atuação conjunta dos Estados. As principais pautas são segurança pública e a crise financeira enfrentada pelos governos estaduais.

Dos nove estados nordestinos, sete são governados por partidos da esquerda (PT, PCdoB e PSB). Entre eles, a interpretação é de que Doria tenta se firmar como liderança nacional ao organizar o encontro, ao lado de Ibaneis e Witzel. Um dos governadores diz que, se o encontro tivesse sido convocado por Bolsonaro, havia uma obrigação institucional de ir.

Wellington Dias (PT-PI) levou uma carta em nome dos governadores do Nordeste. O documento entregue ao presidente eleito Jair Bolsonaro pede cooperação da União para reduzir os índices de homicídios na região.

“Destacamos, inicialmente, a importância do trabalho em conjunto para a superação dos altos índices de violência registrados no Nordeste, ponto essencial para a melhoria da qualidade de vida. Do total de assassinatos registrados no Brasil, o Nordeste concentra 40,5% dos casos, em sua maioria, provocados por arma de fogo”, diz o documento. A carta cita ainda a necessidade de se reduzir o déficit da Previdência de uma forma que não penalize os mais pobres e as mulheres.

Wellington Dias é coordenador do Fórum dos Governadores do Nordeste. Ele pedirá a Bolsonaro uma reunião com os governadores eleitos da região. No próximo dia 21, o grupo se reúne para discutir as demandas que pretende levar ao presidente eleito.

Participaram também da reunião os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE).

Por Val-André Mutran – Correspondente em Brasília

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