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Defesa Civil

Em Parauapebas, 2.300 famílias foram mapeadas em 15 áreas de risco

Há comunidades inteiras erguidas sobre terrenos com potencial iminente de deslizamento, assim como existem residências a menos de um metro da margem do Rio Parauapebas, suscetíveis a inundações.

É inverno. Difícil prever qual volume de chuvas, até maio de 2019, vai se abater sobre o município de Parauapebas, mas uma coisa é fato: elas sempre causam transtornos quando chegam. E a história está aí para comprovar. Relatórios técnicos do Serviço Geológico do Brasil (SGB) trazem um apanhado dos riscos geológicos no município e concluem: Parauapebas possui oito áreas associadas a eventos de deslizamentos e sete de inundação.

Esta é a consideração de um extenso levantamento realizado pela Divisão de Geologia Aplicada (Digeap), ligada ao SGB, a partir de informações repassadas pela Coordenadoria Municipal de Defesa Civil (Comdec) e que mostra que esta década ao menos 2.300 famílias ocuparam — e a maioria continua a ocupar — áreas onde, definitivamente, não deveriam habitar. A maioria dessas famílias teve de deixar suas casas às pressas, temporariamente, até a “poeira baixar”.

Diante de tanto sufoco, a Divisão de Geologia Aplicada recomenda que o poder público faça a remoção das famílias, a realocação para áreas fora do alcance da inundação e, após retirada, efetue a imediata demolição das moradias. A Digeap também orienta a implantação de políticas de controle urbano para evitar construções e ocupações em áreas de proteção permanente, como margens e leitos dos rios, e destaca a importância da implementação de campanhas de conscientização ambiental para o descarte adequado do lixo.

Veja quais as áreas de risco mapeadas em Parauapebas e nas quais o homem não deveria morar.

Bairros Riacho Doce e Primavera

A área corresponde à orla da cidade, que constitui a planície de inundação do Rio Parauapebas. Esta década, 198 famílias já foram afetadas pela subida das águas do rio e tiveram de ser retiradas do local.  Todos os anos, são registradas inundações sazonais, com tempo de duração de três dias. Em abril de 2006, a cota do nível do Rio Parauapebas atingiu a marca histórica de 11,6 metros, deixando toda a área debaixo d’água.

Bairro União

A borda do bairro é considerada área de risco alto, principalmente o perímetro localizado na planície de inundação do Rio Parauapebas, o qual entre janeiro e abril atinge suas maiores cotas. As cheias do Parauapebas já tiraram de casa 42 famílias e há imóveis com distância de menos de um metro do rio.

Bairro Cidade Nova

Uma parte do bairro corresponde à orla da cidade, que constitui área de planície de inundação do Rio Parauapebas. Esse perímetro é ocupado por 55 moradias cujas famílias têm sido afetadas por inundações sazonais, justamente por habitarem o local que se encontra em situação de risco alto para inundações.

Bairros Liberdade 1 e 2

Um total de 154 famílias ocupam a área de risco nas cercanias do Rio Parauapebas no complexo Liberdade e já foram afetadas pelas cheias esta década. O mais recente transtorno ocorreu no início de 2018. Todos os anos, os moradores são atingidos por inundações graduais e as famílias afetadas são remanejadas para abrigos temporários.

Bairro Novo Brasil

A área corresponde à planície de inundação do Igarapé Ilha do Coco, que é afluente da margem direita do Rio Parauapebas. É ocupada por 35 moradias que são afetadas por inundações sazonais e, portanto, encontram-se em situação de risco alto para inundações. Na área ocorre pontos com ocorrência de enxurrada.

Bairro Casas Populares

Parte da comunidade está assentada em área de alto risco a inundações periódicas pelo Igarapé Tamarindo (ou Rio Lajeado), que sofre com o aterramento e assoreamento provocado por ocupações regulares e irregulares na área de proteção do rio. Muitas casas encontram-se não só dentro da planície de inundação, mas também dentro do canal. São 42 famílias ao todo.

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Bairro Rio Verde

A área corresponde à planície de inundação do Igarapé Ilha do Coco, que esta década já desabrigou 36 famílias, afetadas por enchentes sazonais. Há casas a menos de um metro da margem do igarapé e que fazem lançamento de águas servidas e esgoto diretamente no canal.

Bairros Liberdade 1 e 2, Nova Vida 2 e morro do Saaep

O complexo, que se ergueu sobre um morro, é considerado área de alto risco a deslizamento de terra. A área possui de 30 a 40 graus e é composta por solo residual argilo-arenoso de fácil desagregação mecânica, ou seja, que pode desprender-se e “escorregar”. Algumas residências encontram-se em risco iminente e 586 famílias já foram contabilizadas esta década ocupando a área.

Bairro Maranhão

Na área, que é constituída por um morro, já houve histórico de deslizamento em 2012 e 2013. O topo da encosta é ocupado por casas muito próximas da margem e encontram-se em situação de risco muito alto de escorregamento ou desabamento.

Bairro Primavera

A área de morro do bairro possui alto risco a deslizamento de terra porque é composto por solo residual argilo-arenoso de fácil desagregação mecânica e é intensamente ocupado com construções encaixadas na encosta. Para piorar, ocorre lançamento de água servida e esgoto no talude. Um total de 55 famílias ocupam essa área de risco.

Bairro Palmares 1

Nas cercanias da Palmares 1, existe uma comunidade erguida sobre morros com cerca de 60 metros de altura e de declividade média em torno de 30 graus. As habitações são sustentadas predominantemente por material argiloso. O modelo de ocupação desordenada com lançamento de águas servidas diretamente na encosta potencializam escorregamentos.

Bairro Jardim América

A comunidade caracteriza-se por relevo em forma de colina, com pouca cobertura vegetal, sustentado por solos soltos. Como anualmente recebe grande quantidade de chuvas, o perímetro está suscetível a deslizamentos. São 50 famílias em casas de alvenaria e madeira que vivem em risco muito alto de serem atingidas por blocos ou deslizamentos de terra.

Bairro São Lucas

Área de risco alto a deslizamentos associados a um morro com declividade alta, acima de 30 graus, e que foi ocupado por 67 famílias, que potencializaram o risco fazendo cortes subverticais no talude para construção de casas e lançam água servida no solo.

Bairro Alto Bonito

Este setor corresponde à forma de relevo do tipo colinas com cerca de 30 metros de altura e foi intensamente ocupado no início desta década. Quase 700 famílias chegaram a ser registradas na área de risco, com predomínio de casas de madeira tanto na base como no topo da colina. Inclusive, uma escola municipal na base da colina chegou a ser construída.

Bairro Céu Azul

Este setor corresponde a uma pequena serra com aproximadamente 45 metros de altura sustentada por solo muito suscetível a erosão. A ocupação desordenada da serra potencializa risco alto a deslizamentos. Esta década, 228 famílias foram registradas ocupando a área de risco.

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