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Opinião

Bolsonaro e Haddad estão no 2º Turno. Um deles governará um país cheio de medo

O que Bolsonaro e Haddad deveriam fazer para chegar ao Palácio do Planalto?

“Jamais houve na história, um período em que o medo fosse tão generalizado e alcançasse todas as áreas da nossa vida: medo do desemprego, medo da fome, medo da violência, medo do outro”.

A frase acima é de Milton Santos, geógrafo baiano com destacados trabalhos sobre a globalização nos anos 1990. Santos, falecido em 2001, ao 75 anos, parecia estar prevendo a atual conjuntura política e social por que atravessa o Brasil.

Ontem, 07, quase 150 milhões de brasileiros foram às urnas para escolher um novo presidente. Foram com um sentimento diferenciado do que geralmente nos tem feito cumprir com nossa obrigação constitucional. A maioria compareceu com um sentimento de ódio e/ou de vingança. Uma pequena parte estava alheia a isso, preferindo escolher candidatos que apresentaram propostas de mudança, de geração de emprego, enfim, que fizeram a política tradicional.

Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) foram os ungidos ao segundo turno e no final do mês um deles será escolhido presidente do Brasil para o quadriênio 2019/2022. Bolsonaro teve a maioria dos votos apresentando um discurso meio diferente do corriqueiro, nitidamente plagiado do presidente americano Donald Trump. A campanha inteligentíssima de Bolsonaro usou de forma eficiente o que há de mais moderno na comunicação de massa, as redes sociais e a imprensa alternativa. O marketing de Bolsonaro monitorava tópicos diariamente e viralizava a opinião do candidato a respeito destes – não sem antes saber o que os eleitores pensavam sobre o assunto. Isso foi feito com sucesso por Trump, que de azarão tornou-se presidente dos USA.

Já Haddad está no segundo turno graças à massa petista que idolatra Lula e dizia votar até em um poste se o ex-presidente assim pedisse. O petista terá que apresentar muito mais que o poder de transferência de Lula para tirar uma diferença de quase 18 milhões de votos que o separa de Bolsonaro. Tarefa hercúlea para um partido que vem perdendo espaço político ano após ano em virtude do envolvimento de suas principais lideranças na Operação Lava Jato e em outras ações pouco republicanas.

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O resultado da eleição presidencial de ontem mostrou um país totalmente dividido. Enquanto petistas foram às urnas acreditando que o partido fora prejudicado pelo judiciário brasileiro, vetor para o “golpe”, os eleitores de Bolsonaro votaram em cima de um discurso supostamente fascista, no qual eu discordo inteiramente, já que Bolsonaro na realidade tem muito pouco de fascista e seus longos anos no Congresso Nacional provam isso. Bolsonaro é democrata quando preciso, liberal quando lhe convém, e radical quando a prosopopeia lhe falta. Um terço dos eleitores preferiram escolher outros candidatos. Boa parte desse 1/3 teve medo dos dois e esta fobia deve prevalecer se a campanha para o segundo turno não for usada de forma diferente pelos que permanecem no jogo.

O país, e aí se juntam as três partes, está com medo generalizado como citado na frase que abre esse artigo. Ao eleito caberá o dever de unir um país dividido e impaciente. Ao eleito caberá o papel de estadista acima de tudo.

Bolsonaro, ou a campanha dele, realmente me surpreendeu. Espero que ele, se eleito, trate com a mesma inteligência demonstrada na campanha os problemas do país e fuja de discursos populistas e ações truculentas que só trariam mais instabilidade ao país.

Fernando Haddad, sem muito espaço pra crescer, deverá irremediavelmente assumir a culpa pelo que as administrações de Lula e Dilma transformaram esse país. Ele tem tentado mostrar o lado bom da gestão PT. É hora de assumir e se penitenciar pelo que de ruim o PT fez ao Brasil. Sem essa penitência será impossível reverter o atual cenário, já que Hadad e o PT dependem do perdão de uma nação cheia de mágoas.

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