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Mobilidade Urbana

Acidentes fatais atingem menor número da década na capital do minério

Entre 1989 e 2017, trânsito sepultou 755 pessoas em Parauapebas. Atualmente, mesmo com população maior, número de óbitos caiu e é menos da metade do ano de pico, em 2013, por exemplo.

Boa notícia para a segurança do trânsito no município de Parauapebas: o número de acidentes fatais diminuiu consideravelmente esta década, principalmente na comparação com o período de pico, registrado em 2013. Dados levantados com exclusividade pelo Blog do Zé Dudu junto ao Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, mostram que os números oficiais preliminares de 2017 são o menor desde 2008.

Para o levantamento, o Blog levantou toda a série histórica de óbitos envolvendo acidentes de trânsito no município, registrados como tais tanto pela “causa” na Classificação Internacional de Doenças (CID) 10, que passou a valer desde 1996, quanto pela “causa” na CID 9, que vigorou de 1979 a 1995. O Blog também considerou os óbitos por lugar de ocorrência, que se diferem das mortes por lugar de residência — isso porque nem todo acidentado que faleceu em Parauapebas acidentou-se, de fato, em neste município.

A partir dessa metodologia, Parauapebas contabiliza desde a sua instalação oficial, em 1º de janeiro de 1989, 755 mortes no trânsito até 31 de dezembro de 2017. Se fossem levadas em consideração as mortes por lugar de residência, o total de óbitos saltaria, por exemplo, para 889, mas, como já explicado, nem todas as vítimas se envolveram em acidentes no município. Muitas vieram de Canaã dos Carajás, Curionópolis, Eldorado do Carajás e faleceram em Parauapebas.

População e frota aceleram

Wanterlor Bandeira (foto), titular da Secretaria Municipal de Segurança Institucional (Semsi), à qual está vinculado o Departamento Municipal de Trânsito e Transporte (DMTT), lembrou ao Blog que o trânsito de Parauapebas foi municipalizado em 2003. Em 2005, o prefeito Darci Lermen, em seu primeiro ano de mandato no governo, anunciou concurso público para seleção da primeira geração de agentes de trânsito e transporte. Em 27 de março de 2016, os aprovados foram nomeados e, a partir de então, o tráfego, sobretudo no perímetro urbano, ganhou ares de modernidade, com a implantação de diversos semáforos pela cidade, tornando Parauapebas a cidade do interior amazônico com o maior número de sinais de trânsito.

“O desafio de organizar a mobilidade urbana por aqui sempre foi atípico, haja vista o crescimento populacional, acelerado para além da média. Em 2003, por exemplo, quando o trânsito foi municipalizado, Parauapebas tinha 81.428 habitantes estimados e aumentou para 95.225, apenas três anos após, quando ganhou os primeiros agentes de trânsito. Em 2010, por ocasião do recenseamento geral realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população atingiu 153.908 habitantes e daí para atualmente já são 202.882 moradores”, diz Wanterlor Bandeira.

Ainda assim, observa Bandeira, “tão intenso quanto a dinâmica populacional foi o crescimento da frota, que disparou de 7.103 veículos em 2003, segundo o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), para 12.641 em 2006 e encerrou 2017 com 85.519 unidades em circulação, o quinto maior volume do Pará, superado apenas por Belém, Ananindeua, Marabá e Santarém.  Isso, por si, já se impõe como desafio: organizar o crescimento do fluxo natural de pessoas e de veículos, sobretudo as motocicletas, cujo número disparou nesse período e que são, reconhecidamente, as vilãs dos acidentes de trânsito”, pontua o titular da Semsi. “Em paralelo, precisamos trabalhar em ações educativas e de fiscalização visando à redução do número de sinistros fatais, o que temos conseguido fazer com sucesso”, complementa.

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Freando a mortalidade

Ações integradas de fiscalização humana, com agentes de trânsito nas ruas, e tecnológicas, por meio de sinalização e radares, garantiram em 2017 a estabilidade do número de acidentes fatais ocorridos em Parauapebas. Na série histórica levantada pelo Blog do Zé Dudu, ano passado foram registrados 35 óbitos, mesmo volume de 2016 e o menor desde 2008.

Parauapebas apresentou um pico de mortes no trânsito em 2013, quando foram contabilizadas 79 fatalidades. Um ano antes, em 2012, foram registradas 67, e um ano depois, em 2014, outras 67. Toda essa balbúrdia acontecia no frenesi do período de maior desenvolvimento econômico do município, quando suas população e frota eram menores que atualmente.

“Em 2013, o trânsito de Parauapebas matou 125% a mais que em 2017. Ora, quando observamos os números de cinco anos atrás, vemos que tínhamos 35 mil moradores a menos e 30 mil veículos a menos, também. E o número de sinistros de cinco anos atrás é imensamente maior que o de hoje”, contextualiza o chefe da Segurança Institucional. “Por isso, é visível como conseguimos reduzir significativamente a ocorrência de tragédias e temos nos empenhado para zerar as estatísticas”, comemora Wanterlor Bandeira.

Em 2003, ano da municipalização do trânsito, foram contabilizadas 34 vítimas de acidentes mortais em Parauapebas. Proporcionalmente, em cada grupo de 2.395 pessoas, uma morreu envolvida em acidente de transporte. Em 2006, os óbitos caíram levemente para 32 registros, um para 2.976 moradores. Em 2017, com população mais que dobrada, a possibilidade de o trânsito fazer uma vítima diminuiu sensivelmente: uma para cada grupo de 5.782 pessoas.

“Você consegue perceber que a cidade cresceu bastante, já é uma cidade média, agitada, mas que a densidade de notícias de mortes no trânsito se tornou mais esparsa porque, realmente, não estão ocorrendo como outrora”, destaca Bandeira, contemporizando que dez anos atrás, com a cidade metade do que é hoje, ocorria um acidente fatal e todo mundo conseguia identificar rapidamente quem era a vítima. “Hoje, graças a Deus, diminuímos a incidência dos acidentes na prática. Reconhecemos que eles ainda ocorrem, mas não com a frequência de antes, quando vivíamos em praticamente uma guerra no trânsito.”

De acordo com o Ministério da Saúde, em 1989, o trânsito local sepultou cinco pessoas. O ano com menos óbitos foi 1990 — apenas um. Esta década, 422 cidadãos perderam a vida em Parauapebas em decorrência de acidentes. “A jornada de zerar as mortes no trânsito é longa. Dos desafios, esse é o maior. Mas se cada um fizer sua parte, usando capacete [para motociclistas], cinto de segurança [para condutores de veículos], não conduzindo veículo sob efeito de álcool e respeitando a sinalização [tanto condutores quanto pedestres], certamente otimizaremos o nível de civilidade em nosso fluxo e eliminaremos os sinistros”, conclui o secretário.

Fonte: Ministério da Saúde, 2018.

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