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Polícia de Manaus tem imagens do momento do assassinato do advogado Jakson Silva

imageO titular da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), Ivo Martins, afirmou que a polícia deve usar imagens do circuito de vigilância de uma casa para tentar identificar os suspeitos de assassinar o advogado Jakson Silva. A polícia também já tem imagens do taxi que conduziu o advogado do aeroporto Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, situado na Zona Oeste de Manaus, até a próximo a casa de uma amiga, onde ele teria desembarcado para comprar comida e tenta descobrir se o advogado foi seguido desde então.

Segundo o delegado, Jakson Silva teria ido a Manaus para o aniversário de uma amiga. O advogado voltaria ao Estado do Pará na quarta-feira (28).

Ele desembarcou em Manaus por volta de 22h30. Pegou um táxi e foi para a casa da amiga. Ele parou em um local antes para comprar comida. Antes de entrar na residência, ele foi atingido. A gente tem uma imagem de uma casa do lado, em que duas pessoas chegam ao local de moto por volta do horário descrito na denúncia (23h30). Em contrapartida, a gente tem um depoimento que coloca a motocicleta em outro local. Estamos confrontando as informações para ver qual das duas motos pode ser realmente aquela que participou do crime“, informou Ivo Martins.

O delegado informou ainda que a amiga do advogado e outas pessoas serão ouvidas ao longo desta semana.

O corpo do advogado Jakson Silva saiu de Manaus às 8h39 com destino a Parauapebas, onde será velado na sede da OAB local, localizada na Rua D, 137. O enterro está previsto para às 10 horas da terça-feira (27).  O avião fará ainda uma parada em Itaituba, no Pará, para abastecer e depois segue para Parauapebas.

A OAB-PA programou para hoje, 26, às 16h, uma grande manifestação em todas as subseções da Ordem no estado. Elas deverão promover caminhadas nos seus municípios em repúdio à onda de violência no estado e que já vitimou de morte oito advogados nos últimos quatro anos.

Com informações do G1-AM

Presidente da OAB em Parauapebas é assassinado em Manaus

Jakson SilvaÉ com pesar que informo a morte do advogado Jakson Souza e Silva, presidente da Subseção Parauapebas da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB –, ocorrida no final da noite deste sábado (24) em Manaus – Amazonas.

Segundo as primeiras informações de advogados que militam com Jakson em Parauapebas, ele estava em Manaus a trabalho quando teria sido abordado por dois meliantes em uma moto, não se sabe ao certo se para assaltá-lo e se houve reação do advogado, e estes lhe desferiram um único tiro de calibre 12 e se evadiram do local sem levar dinheiro, celular ou a pasta que carregava.

Jakson Silva foi socorrido por populares e levado a um hospital próximo, mas não resistiu ao ferimento.

A OAB Pará tenta, ainda neste domingo, a remoção do corpo do advogado para o município de Parauapebas, onde será velado e sepultado.

Jakson Silva, que era formado pela UFPA, deixa esposa e quatro filhos, o mais novo com apenas 18 meses de idade.

Em nota enviada por seu presidente, Thiago Carvalho de Pinho, a  Associação dos Procuradores do Município de Parauapebas – APMP lamentou profundamente o falecimento do Advogado e amigo Jakson de Sousa e Silva, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Subseção de Parauapebas/PA, e registra aqui as condolências à família enlutada, colocando-se à disposição para auxiliar naquilo que for necessário e possível.

Pará tem seis municípios entre os mais violentos do país

imageJovens que vivem em seis municípios paraenses estão no topo da lista de vulnerabilidade à violência, segundo estudo produzido pelo Ministério da Justiça em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Os dados do relatório de 2014, divulgados nesta semana, mostram que Altamira, Marabá, Parauapebas, Marituba, Ananindeua e Belém estão entre as 20 cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes que apresentam os mais altos Índices de Vulnerabilidade Juvenil à Violência (IVJV). De acordo com o levantamento, de 2007 para 2012 o índice de violência e desigualdade no Pará aumentou 1,3%.

Entre as capitais, Belém ocupa a segunda posição de maior vulnerabilidade de jovens à violência e às desigualdades. O índice mede a exposição da população entre 12 e 29 anos aos riscos de serem vítimas da violência a partir de variáveis que incluem estatísticas criminais, como indicadores de homicídios, e sociais, como a permanência na escola ou a inserção no mercado de trabalho.

De acordo com o estudo, levando-se em conta apenas os dez municípios brasileiros com mais altos índices (Cabo de Santo Agostinho/PE, Itaguaí/RJ, Altamira/PA, Marabá/PA, Luziânia/GO, Parauapebas/PA, Simões Filho/BA, Eunápolis/BA, Teixeira de Freitas/BA e Marituba/PA), em seis deles é o Indicador de Mortalidade por Homicídio que apresenta o valor mais alto dentre os indicadores que compõem o índice.

Este é o caso de Marituba. Para Altamira, Marabá e Parauapebas, o Indicador de Pobreza é o mais agravado.Considerando os 20 municípios com mais alto IVJV, em 12 deles a taxa de homicídios é o indicador mais elevado. Nesse contexto, nos 12 piores índices de homicídios está incluída a cidade de Ananindeua. Para Belém, pesa mais a vulnerabilidade ao Indicador de Pobreza.

Os dados do estudo indicam que há uma forte correlação entre vulnerabilidade juvenil à violência e território, na medida em que há diferenças regionais determinando melhores ou piores condições de vida para a população de adolescentes e jovens brasileiros.Os dados da pesquisa foram atualizados em 2014 para incluir a desigualdade racial, e o resultado foi que o risco de os adolescentes e jovens de 12 anos a 29 anos sofrerem violência aumenta quando esse fator é levado em conta.

No Brasil, os jovens negros têm 2,6 mais chances de morrer do que os brancos. A média se refere a 2012, último ano em que há dados consolidados, e mostra pequeno aumento em relação a cinco anos atrás. Em 2007, o risco nacional era 2,3. No caso do Pará, essa correlação é de 3,6 jovens negros com mais chances de morrer que brancos, inserindo o Estado paraense na 10ª posição no ranking de violência e desigualdade. A Paraíba está no topo do ranking. Lá, a chance de o jovem negro morrer violentamente, assassinado ou em acidentes de trânsito é 13,4 vezes maior do que a do jovem branco.

No Paraná, Estado com menor risco, a proporção é inversa, pois a taxa de homicídios de jovens brancos é um pouco maior que a de negros: 0,7. Valores mais próximos de 1 indicam maior proximidade entre os dois segmentos.

Fonte: Diário do Pará

Governo federal vai acompanhar apuração de matança em Belém

A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República incumbiu o Ouvidor Nacional dos Direitos Humanos, Bruno Renato Teixeira, de acompanhar as investigações das mortes de dez pessoas ocorridas na noite de ontem (4) e na madrugada de hoje (5) em Belém.

Em nota, a secretaria Informa estar em contato com as autoridades do estado do Pará e do Ministério da Justiça, para obter informações sobre a apuração do caso. As mortes são investigadas pela Divisão de Homicídios da Polícia Civil.

Na noite dessa terça-feira, o cabo Antônio Figueiredo, da Polícia Militar (PM), que não estava em serviço, foi morto a tiros no bairro Guamá. Na madrugada de hoje, nove pessoas foram assassinadas em bairros diferentes de Belém, depois de serem abordadas em vias públicas por pessoas em motos.

Só após os trabalhos de investigação e da perícia criminal, a polícia poderá dizer se existe vínculo entre os homicídios com a morte do policial. A Corregedoria-geral da PM investigará o possível envolvimento de policiais nas mortes.

Oito mortes são registradas em Belém após morte de policial militar (atualizado)

Uma noite de terror foi o que aconteceu em Belém durante a madrugada desta quarta-feira (05) depois que um policial militar (cabo Figueiredo, da Rotam), supostamente fora do seu horário de trabalho, foi morto no bairro do Guamá. Imediatamente houve uma convocação via redes sociais para procurar os executores do cabo e o resultado, segundo a PM, foram oito mortos nos bairros da Terra Firme, Marco, Jurunas, Guamá e Sideral. A divulgação de áudios convocando os policiais militares para entrarem na caçada e logo em seguida fotos dos supostos mortos  foram disseminadas nas redes sociais.

Os comentários dos internautas sobre o que estaria ocorrendo no Estado fez com que o assunto fosse um dos mais comentados do Twiiter durante a madrugada, entrando nos Trending Topics do Brasil. Imagens de corpos também foram postadas por internautas nas redes sociais.

Nota Oficial – Polícia Militar e Polícia Civil

De acordo com informações oficiais do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves foram registradas na noite desta terça-feira (04) oito mortes em Belém, sendo quatro no bairro Terra Firme, uma no Marco, uma no Guamá, uma no Jurunas e uma no Sideral.

No início da noite, o cabo da PM Antônio Figueiredo foi morto em circunstâncias ainda em investigação e não estava em serviço. Os comandos de policiamento da capital foram acionados para identificação e captura dos criminosos.

As vítimas aguardam identificação e as mortes ocorridas nesta noite estão sendo investigadas pela Divisão de Homicídios da Polícia Civil para verificar a existência de relação entre os diferentes casos.

O Comando Geral da Polícia Militar também acionou a Corregedoria da Corporação para apurar quaisquer denúncias relativas aos casos. Também determinou reforço das equipes através do Comando de Missões Especiais e do serviço de inteligência da Corporação.

O Comandante Geral da Polícia Militar, Coronel Daniel Mendes, também acionou o gabinete interinstitucional para monitoramento e controle da situação. Diante das informações desencontradas e sem qualquer fundamento espalhadas por redes sociais, o Sistema de Segurança Pública informa ainda que também irá apurar, através da Corregedoria e da Inteligência, não só os casos específicos dos homicídios, mas também os responsáveis pela disseminação e compartilhamentos de informações inverídicas que acabaram por gerar um ambiente de preocupação na população sem qualquer correspondência com a realidade. 

A polícia convocou uma coletiva de imprensa para a manhã desta quarta-feira para esclarecer as circunstâncias dos crimes.

Atualização às 10h30

Um PM que solicitou o anonimato postou há pouco a seguinte mensagem em grupo do WhatsApp:

Senhores e senhoras, bom dia! queria deixar aqui um esclarecimento sobre os fatos ocorridos para que não se tomem como verdade essas muitas notícias desencontradas pelas redes sociais e que não tomem um juízo de valor e saiam criticando ou crucificando pessoas ou instituições.

  1. O Policial que morreu não estava em serviço e nem fardado. Ele estava afastado de suas funções há alguns anos devido a um problema de saúde  (levou um tiro no joelho há alguns anos atrás e estava na junta de saúde);
  2. Ele já foi da COE e da Rotam, mas devido ao problema de saúde, estava agregado na junta regular de saúde, porém era muito bem quisto devido sua coragem e companheirismo com os demais policiais, segundo informações já prendeu e matou muitos vagabundos (ladrões e traficantes) em operações policiais;
  3. Ele trabalhava para si, com sistemas de vigilância patrimonial  (instalação de alarmes e câmeras de segurança);
  4. Era muito conhecido, temido e prometido pela vagabundagem  não só do Guamá e TF, mas de toda a Região Metropolitana de Belém;
  5. Tudo indica que o PM foi executado por pessoas ligadas ao tráfico de drogas.
  6. Além da morte do PM, foram confirmados mais 9 Homicídios em bairros diversos  num total de 10 homicídios só  em Belém, tendo ou não,  envolvimento com o caso (1 Guamá, 4 Terra Firme, 2 Jurunas, 01 marco, 01 Tapanã e 01 no Sideral);
  7. Nenhum policial militar fardado e em serviço trocou tiro, acertou ou matou algum envolvido;
  8. Existem indícios de execuções em todos os crimes, porém, de autoria desconhecida, pessoas em motos passavam e atiravam em locais conhecidos por se tratar de áreas críticas e pontos de drogas;
  9. Se houve policiais envolvidos nos crimes, eles estavam a paisana e fora de serviço e muito provavelmente que não trabalham na área do BPM;
  10. Todos os oficiais do 20º BPM foram convocados para fiscalizar o serviço nos bairros da jurisdição  (Guamá, Terra Firme, Cremação, Condor, Jurunas e Batista Campos ) junto com uma equipe  da Corregedoria da PM, não constatando nenhum abuso por parte dos policiais de serviço”.

Justiça anula julgamento que absolveu acusado de assassinato

justO Tribunal de Justiça do Pará anulou o julgamento que absolveu o agricultor José Rodrigues Moreira da acusação de envolvimento na morte, em 2011, do casal de extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo. O acusado teve a prisão decretada pela Justiça.

O julgamento foi em abril do ano passado, em Marabá, no sudeste do Pará, e revoltou setores ligados à luta pela terra no Estado. Moreira foi apontado como mandante do crime, fruto de uma disputa fundiária com o casal, mas acabou absolvido. A decisão que anulou o julgamento foi motivada por recurso movido por parentes das vítimas e pelo Ministério Público Estadual.

No recurso, as famílias alegaram que a decisão dos jurados contrariou as provas do processo. Foram mantidas, porém, as sentenças que condenaram outros dois acusados pelo crime, Lindonjonson Silva Rocha e Alberto Lopes do Nascimento, condenados a 42 anos e oito meses e a 45 anos de prisão, respectivamente. Os advogados dos parentes das vítimas querem agora que o novo julgamento ocorra em Belém, e não mais em Marabá, para evitar que os jurados sofram possíveis pressões de setores ligados a fazendeiros. “

Em uma cidade pequena como Marabá, ficam comprometidas as condições dos jurados para decidirem estes crimes”, disse José Batista Afonso, assistente da acusação, representante da família do casal morto, e advogado da Comissão Pastoral da Terra em Marabá. A defesa de José Rodrigues Moreira diz que a anulação do julgamento é “injusta”. “Ainda não fomos intimados mas, tão logo, vamos imediatamente recorrer da decisão, que consideramos injusta”, diz o advogado Wandergleisson Silva.

Em maio de 2011, os extrativistas de castanhas José Cláudio Ribeiro, 54, e Maria do Espírito Santo, 53, foram mortos a tiros quando passavam de moto por uma ponte na estrada de terra no assentamento onde viviam, em Nova Ipixuna, no Pará. Segundo a denúncia, a motivação do crime foi uma disputa pela posse de área rural dentro do assentamento Praialta-Piranheira. Os nomes do casal, que denunciavam madeireiros clandestinos, estavam na lista de pessoas ameaçadas de morte elaborada pela Comissão Pastoral da Terra.

A região é conhecida pela tensão fundiária e pela impunidade, e o caso teve repercussão internacional. A defesa das famílias do casal espera que o novo julgamento ocorra em 2015 se a defesa do acusado recorrer da decisão de anulação do julgamento, o caso pode se arrastar ainda mais.

Em Parauapebas, preso morre eletrocutado em cela da carceragem do bairro Rio Verde

PresosA Polícia Civil de Parauapebas investiga a morte de Clayton da Silva Chaves, um detento de 25 anos, custodiado desde a última sexta-feira (1°) na carceragem municipal. Ele era suspeito de tráfico de drogas e teria morrido após ser eletrocutado na madrugada de sábado (2).

O corpo de Cleiton da Silva Chaves, foi encontrado na noite de sábado, amarrado às grades da cela, que mesmo com capacidade para abrigar apenas 50 detentos, na noite do crime estava sendo ocupada por 74.

Clayton, que é natural de Parauapebas, já tinha passagem por aquela carceragem, mas, há dois meses e meio, havia sido liberado pela justiça. Notícias dão conta que o crime teve motivação passional, já que Cleiton estaria tendo um relacionamento amoroso com a companheira de outro detento, colega de cela.

Hoje (04) a carceragem do Rio Verde abriga 141 presos, quando deveria abrigar apenas 90.

Após o crime, na tarde do sábado, a direção da carceragem encaminhou 30 presos para Marabá. Eles deverão seguir ainda nesta segunda-feira para um presídio na capital do Estado. O delegado responsável pelo caso disse que os 74 presos da cela onde o fato se deu serão ouvidos em inquérito.

As 500 cidades mais perigosas do Brasil – versão 2014

No ano em que o Brasil registrou recorde de 56 mil assassinatos, Caracaraí, em Roraima, foi a cidade mais violenta do país. Veja o ranking dos municípios com os piores índices em 2012500 caideeas

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Justiça do Pará revê caso de assassinato de ambientalistas

Tribunal de Justiça julga apelação contra decisão que inocentou acusado de ser o mandante das mortes. Apelação visa anular julgamento para que caso seja revisto por um novo Júri, e que este venha a ser desaforado para Belém, há 500 quilômetros de Marabá, para evitar pressão sobre jurados e ameaças à testemunhas

Luta contra a impunidadeNessa terça-feira, 22, será julgado em Belém, pelo Tribunal de Justiça, a apelação do Ministério Público contra a decisão do Tribunal do Júri de Marabá que soltou o fazendeiro José Rodrigues, acusado de ser o mandante do assassinato das lideranças extrativistas e ambientalistas José Cláudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo, ocorrido em maio de 2011, em Nova Ipixuna, no interior do estado.

O Ministério Público do Estado e a assistência de acusação ingressaram com apelação para anular a decisão do tribunal do júri que absolveu o réu José Rodrigues. Segundo explica José Batista Afonso, advogado da Comissão Pastoral da Terra, assistente de acusação, o argumento principal “é que os jurados decidiram contrariando as provas existentes nos autos.”

Entre as provas que teriam sido ignoradas, há vestígios de DNA do irmão do acusado encontrado em um capuz, ao lado do local do crime, e diversas provas testemunhais que envolveriam José Rodrigues como mandante. Seu irmão, Lindonjonson Silva, foi condenado pelo crime de assassinato por encomenda, junto de Alberto Nascimento. Os jurados, por quatro votos contra três, decidiram que Rodrigues não teriam participado da empreitada criminosa. Após ser solto, o acusado voltou a viver no assentamento Praia Alta Piranheira. Laisa Santos Sampaio, irmã de Maria, ameaçada de morte pela família, passou a receber proteção federal.

Um dos pontos polêmicos do julgamento foi quando Rodrigues passou a chorar em seu depoimento e a proferir um culto evangélico – o que teria provocado emoção entre ao menos dois jurados, que se sensibilizaram pelas suas palavras ao dizer que havia pedido “perdão à Deus” e que não poderia ser separado de sua família.

Durante o julgamento, uma das testemunhas foi ameaçada de morte, e o juiz Murilo Lemos Simão, ao ler sua sentença, considerou que o casal assassinado teria “contribuído para o crime” em razão de seu “comportamento”.

Caso seja anulado o julgamento, o advogado da CPT, Batista, afirma que irão ingressar com o pedido de desaforamento, “para que o novo julgamento ocorra em Belém e não mais em Marabá. Caso o tribunal não acate nosso recurso recorreremos ao STJ”.

Familiares do casal assassinato estarão em Belém para acompanhar a decisão. Claudelice Santos, irmã de Zé Cláudio, diz esperar por Justiça: “Justiça pela anulação daquele primeiro julgamento imoral. Para nós, mataram ele de novo”.

Nesse ano, o judiciário paraense condenou, em duas situações, acusados de crimes simbólicos no violento sul do Pará. Em 30 de abril, o fazendeiro Décio José Barroso Nunes, o Delsão, foi culpado pelo crime de homicídio duplamente qualificado de José Dutra da Costa, o Dézinho, então presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rondon do Pará, em 2000, quando foi morto por pistoleiros, e condenado a 12 anos. Alguns dias depois, em 9 de maio, o julgamento da Chacina da Fazenda Princesa, que levou 29 anos para chegar ao Juri, condenou a 130 anos o fazendeiro Marlon Lopes Pidde, 65 anos, junto de seu capataz, Lourival Santos da Rocha, por participação na morte dos agricultores Manoel Barbosa da Costa, José Barbosa da Costa, Ezequiel Pereira da Costa, José Pereira de Oliveira e Francisco Oliveira da Silva.

Fonte: Carta Capital

Marlon Lopes Pidde, mandante da Chacina da Fazenda Princesa, vai a júri depois de 30 anos

Crime ocorrido em Marabá (PA) em 1985 chegou até à OEA em razão da lentidão da justiça brasileira.

Uma semana após a Justiça paraense condenar a 12 anos o fazendeiro acusado de ser o mandante do sindicalista José Dutra da Costa, o Dézinho, ocorrido em Rondon do Pará em novembro de 2000, novamente o estado tem chance de rever a brutalidade do passado e dar um passo adiante contra a impunidade: vai a júri, em Belém, no dia 8 de maio, o fazendeiro acusado de organizar o massacre que ficou conhecido como Chacina da Fazenda Princesa, ocorrido perto de Marabá, há três décadas.

Segundo informa a Comissão Pastoral da Terra: “Acontecerá também em Belém, o julgamento do Fazendeiro Marlon Pidde, acusado de uma chacina em sua fazenda (Princesa), onde cinco trabalhadores foram assassinados no ano de 1985. O caso ficou muito conhecido pela brutalidade das mortes. Os camponeses foram sequestrados, torturados, assassinados e seus corpos amarrados em pedras no fundo do Rio Itacaiúnas, próximo de Marabá. Quase 30 anos depois ocorrerá o julgamento do principal acusado. O Estado brasileiro também responde processo na OEA pela demora no julgamento do caso.”

O fazendeiro passou 20 anos foragido. Ele só foi preso, ano passado, porque tentou fugir do país. Segundo a CPT, o Ministério Público, tomou conhecimento de que Marlon encontrava-se na sede da Polícia Federal do Estado de São Paulo tentando tirar seu passaporte. O acusado pretendia empreender fuga do Brasil e se furtar do julgamento que deverá ser marcado nos próximos meses. Atendendo ao pedido do MP, o juiz decretou de imediato sua prisão preventiva. Antes, ele havia sido preso em 2006, pela Polícia Federal, enquanto residia em São Paulo, com nome falso. Ficou 4 anos e 8 meses preso até que, em agosto de 2011, o STJ mandou soltar Marlon alegando demora da Justiça Paraense em levá-lo a julgamento.

A morosidade da Justiça paraense é assustadora. Conforme informa a CPT, após a prisão, os advogados da CPT e da SPDDH (que atuam na assistência da acusação), em conjunto com o Ministério Público, ingressaram com Pedido de Desaforamento do julgamento para a comarca de Belém, em junho de 2007, mas o Tribunal só julgou o pedido em 2010 – levou 3 anos para julgar um recurso que deveria levar no máximo seis meses. Em seguida, a defesa de Marlon recorreu contra o desaforamento, e o novo recurso levou mais de um ano para uma simples manifestação. “Somando os dois prazos, o processo passou mais de 4 anos nos corredores do tribunal. Uma demora sem qualquer justificativa. Era o argumento que a defesa de Marlon esperava e precisava para pedir sua liberdade com fundamento no excesso de prazo de sua prisão.”

Se a Justiça foi fria e muito morosa até essa semana, os assassinos dos cinco trabalhadores foram cruéis. As torturas levaram mais de dois dias, antes de serem desferidos vários tiros. Os corpos mortos foram amarrados uns aos outros, e em pedras no fundo do rio. Crueldade semelhante dos pistoleiros que mataram Sebastião Pereira e seu filho Clésio, de apenas três anos, em Jacundá, ambos com um tiro na cabeça, na frente da família, na mesma época. Ou o pistoleiro que retirou o capacete de Zé Cláudio para, com uma faca de cozinha, cortar-lhe a orelha enquanto ainda respirava. Ou os seis tiros desferidos contra irmã Dorothy Stang, em Anapu, também por ali, na Transamazônica. Nesses crimes brutais não se trata apenas de eliminar aqueles que são empecilhos para se ganhar dinheiro destruindo a Amazônia, mas em praticar o crime com extrema crueldade e violência, para que sirvam de exemplo em um ambiente de terror.

A Amazônia brasileira é a região mais violenta do mundo contra ambientalistas, defensores do meio ambiente e contra quem luta pela reforma agrária, segundo um relatório recente da organização Global Witness. E o Pará, principalmente o Sul e Sudeste do Estado, os maiores focos de violência. A lista de assassinatos de lideranças políticas é longa, e praticamente toda marcada pela impunidade. “A impunidade é como uma licença para matar”, diz o advogado da Comissão Pastoral da Terra em Marabá, José Batista Afonso. Batista é um nome de destaque na defesa dos direitos humanos no Brasil, e ele coordena as investigações para tirar das gavetas e levar a julgamento os principais crimes que as autoridades locais tentam esquecer da lei, mas utilizar para produzir um clima de terror.

O terror no velho oeste da Amazônia opera de muitas formas, e é uma questão debatida na academia desde que a ditadura lançou mão do “grande saque” à região. Um grupo de geógrafos americanos utilizou a analogia de um “teatro da crueldade” para descrever o sul do Pará, “lugar da guerra pela terra e destruição da floresta” em um artigo publicado em uma das mais prestigiosas revistas científicas de geografia, o Annals of the Association of American Geographers, em 2011. A cultura do terror e o espaço da morte é como o antropólogo Michael Taussig descreve o ciclo da borracha e a colonização da Amazônia.

É possível imaginar que um empregador que manda sequestrar, torturar, matar e depois jogar no fundo de um rio, amarrado a pedras, os corpos de seus funcionários, não quisesse apenas livrar-se de uma dívida trabalhista. Era imperioso fazer uso da máxima violência, do terror. “O horror”, diz o capitão Kurtz, em Apocalipse Now, “é impossível descrever por palavras para aqueles que não sabem o que o horror significa”.

Em 24 de maio completam três anos do assassinato dos ambientalistas e extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva, em Nova Ipixuna, cem quilômetros de Marabá. Ano passado, dois pistoleiros foram condenados por uma “empreitada criminosa”, mas a empreitada ficou sem empreiteiro: o fazendeiro acusado de ordenar o crime foi solto, “escandalosamente absolvido pelo Tribunal do Júri em Marabá”, segundo informa a CPT. A família das vítimas espera justiça, e organiza uma grande manifestação, no dia da morte, para lembrar do casal. A manifestação vai ocorrer dentro do assentamento, como uma romaria, ato em memória do casal e trilha ecológica dentro da floresta que eles defendiam. A causa da morte foi a denúncia de compra ilegal de lotes dentro do assentamento e e o apoio a famílias extrativistas ameaçadas de expulsão. O Incra, além de não retomar a terra que o acusado de ser o mandante comprou ilegalmente, ainda o assentou no mesmo lote que causou o conflito.

As três décadas que passaram tornam a justiça tardia. Há inúmeros problemas na investigação, mas o principal fato é que o acusado, ao menos, vai a julgamento. E o júri irá decidir. Levar a julgamento os acusados é um primeiro passo para se mudar o ambiente de terror no campo no Brasil. Ano passado, 34 pessoas foram assassinadas, sendo 15 indígenas, de acordo com a Comissão Pastoral da Terra. Só na Amazônia, há 174 pessoas ameaçadas de morte, em conflitos políticos e ambientais cujo principal instrumento para acumulação de capital (a acumulação primitiva, como dizia Marx, que faz aniversário hoje), é o uso da violência e do terror. Não há desenvolvimento que seja sustentável se construído sobre corpos e sangue.

Fonte: Carta Capital