DO BLOG DO JESO CARNEIRO

Fotos: Manuel Dutra

por Manuel Dutra (*)

A mineradora Vale recuperou a aeronave C-47 (na versão militar) ou DC-3 (na versão civil) estacionada no pátio externo do aeroporto de Carajás, como monumento aos pioneiros de há 35 anos que utilizaram aquele aparelho no primeiro pouso do alto da Serra Norte, terra dos índios Carajás, hoje distrito do município de Parauapebas.

No dia 4 de julho de 2008 este blog publicou reportagem minha, mostrando que o avião histórico estava em completo abandono, apodrecendo no sol e sob as freqüentes chuvas e os nevoeiros que, com freqüência, caem no alto daquele conjunto de serras do sudeste paraense.

Quem desejar comparar as fotos aqui publicadas em julho passado com estas que agora são postadas AQUI.

O avião está plenamente recuperado externamente (exceto, óbvio, a parte mecânica interna, pois o velho guerreiro dos ares não voa mais). O pátio foi também reconstruído, placas indicativas foram colocadas em volta. Uma beleza!

A empresa, a segunda maior mineradora do mundo, pode manter bens públicos em perfeita ordem, especialmente aqueles existentes dentro de seus domínios, entre outros, florestas naturais e terras indígenas. O faturamento da Vale é imenso e ela deve restituir um pouco da montanha de dinheiro que ganha com a exploração do subsolo que pertence a todos os brasileiros.

Em março passado, Lílian Moreira escreveu, na Revista Minérios e Minerales (edição 302), artigo sob o título “Serra Norte e Serra Sul, natureza generosa em dobro”.

Escreve a articulista: “Ter um projeto de ferro como Carajás nas mãos, uma verdadeira dádiva da natureza, já é um excelente negócio para qualquer mineradora. Pois a Companhia Vale do Rio Doce (Vale) tem o privilégio de contar em seu portfólio com o equivalente a duas Carajás atuais: Serra Norte, operando desde 1984, e Serra Sul, que entrará em produção em 2011 e no ano seguinte estará a plena carga, produzindo algo entre 100 e 120 milhões t/ano de minério de ferro. O custo do projeto é elevado – US$ 10,5 bilhões – o que o torna o maior empreendimento da Vale e talvez até do mundo nesse segmento”.

Como se vê, a Vale pode contribuir mais para com as comunidades onde atua. A empresa, aliás, jamais deveria ter sido vendida a particulares, mas isso foi parte do pacote das irresponsabilidades do governo FHC.

Na reportagem que publiquei em julho mostrava que, para ultrapassar o portão de entrada da Serra Norte, qualquer brasileiro era submetido a procedimentos idênticos à entrada num outro país. Isso desapareceu, pelo menos nada me exigiram semana passada, apenas anotaram a placa do táxi, ao pé da Serra e indagaram para onde íamos, no caso para o aeroporto. Fica bem melhor assim, caso contrário, o direito de ir-e-vir não teria sentido na Constituição.

Para entrar nas áreas das minas é compreensível a exigência de identificação. Mas não para ter acesso a um aeroporto administrado pela Infraero.

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