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Em Parauapebas, preso morre eletrocutado em cela da carceragem do bairro Rio Verde

PresosA Polícia Civil de Parauapebas investiga a morte de Clayton da Silva Chaves, um detento de 25 anos, custodiado desde a última sexta-feira (1°) na carceragem municipal. Ele era suspeito de tráfico de drogas e teria morrido após ser eletrocutado na madrugada de sábado (2).

O corpo de Cleiton da Silva Chaves, foi encontrado na noite de sábado, amarrado às grades da cela, que mesmo com capacidade para abrigar apenas 50 detentos, na noite do crime estava sendo ocupada por 74.

Clayton, que é natural de Parauapebas, já tinha passagem por aquela carceragem, mas, há dois meses e meio, havia sido liberado pela justiça. Notícias dão conta que o crime teve motivação passional, já que Cleiton estaria tendo um relacionamento amoroso com a companheira de outro detento, colega de cela.

Hoje (04) a carceragem do Rio Verde abriga 141 presos, quando deveria abrigar apenas 90.

Após o crime, na tarde do sábado, a direção da carceragem encaminhou 30 presos para Marabá. Eles deverão seguir ainda nesta segunda-feira para um presídio na capital do Estado. O delegado responsável pelo caso disse que os 74 presos da cela onde o fato se deu serão ouvidos em inquérito.

As 500 cidades mais perigosas do Brasil – versão 2014

No ano em que o Brasil registrou recorde de 56 mil assassinatos, Caracaraí, em Roraima, foi a cidade mais violenta do país. Veja o ranking dos municípios com os piores índices em 2012500 caideeas

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Justiça do Pará revê caso de assassinato de ambientalistas

Tribunal de Justiça julga apelação contra decisão que inocentou acusado de ser o mandante das mortes. Apelação visa anular julgamento para que caso seja revisto por um novo Júri, e que este venha a ser desaforado para Belém, há 500 quilômetros de Marabá, para evitar pressão sobre jurados e ameaças à testemunhas

Luta contra a impunidadeNessa terça-feira, 22, será julgado em Belém, pelo Tribunal de Justiça, a apelação do Ministério Público contra a decisão do Tribunal do Júri de Marabá que soltou o fazendeiro José Rodrigues, acusado de ser o mandante do assassinato das lideranças extrativistas e ambientalistas José Cláudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo, ocorrido em maio de 2011, em Nova Ipixuna, no interior do estado.

O Ministério Público do Estado e a assistência de acusação ingressaram com apelação para anular a decisão do tribunal do júri que absolveu o réu José Rodrigues. Segundo explica José Batista Afonso, advogado da Comissão Pastoral da Terra, assistente de acusação, o argumento principal “é que os jurados decidiram contrariando as provas existentes nos autos.”

Entre as provas que teriam sido ignoradas, há vestígios de DNA do irmão do acusado encontrado em um capuz, ao lado do local do crime, e diversas provas testemunhais que envolveriam José Rodrigues como mandante. Seu irmão, Lindonjonson Silva, foi condenado pelo crime de assassinato por encomenda, junto de Alberto Nascimento. Os jurados, por quatro votos contra três, decidiram que Rodrigues não teriam participado da empreitada criminosa. Após ser solto, o acusado voltou a viver no assentamento Praia Alta Piranheira. Laisa Santos Sampaio, irmã de Maria, ameaçada de morte pela família, passou a receber proteção federal.

Um dos pontos polêmicos do julgamento foi quando Rodrigues passou a chorar em seu depoimento e a proferir um culto evangélico – o que teria provocado emoção entre ao menos dois jurados, que se sensibilizaram pelas suas palavras ao dizer que havia pedido “perdão à Deus” e que não poderia ser separado de sua família.

Durante o julgamento, uma das testemunhas foi ameaçada de morte, e o juiz Murilo Lemos Simão, ao ler sua sentença, considerou que o casal assassinado teria “contribuído para o crime” em razão de seu “comportamento”.

Caso seja anulado o julgamento, o advogado da CPT, Batista, afirma que irão ingressar com o pedido de desaforamento, “para que o novo julgamento ocorra em Belém e não mais em Marabá. Caso o tribunal não acate nosso recurso recorreremos ao STJ”.

Familiares do casal assassinato estarão em Belém para acompanhar a decisão. Claudelice Santos, irmã de Zé Cláudio, diz esperar por Justiça: “Justiça pela anulação daquele primeiro julgamento imoral. Para nós, mataram ele de novo”.

Nesse ano, o judiciário paraense condenou, em duas situações, acusados de crimes simbólicos no violento sul do Pará. Em 30 de abril, o fazendeiro Décio José Barroso Nunes, o Delsão, foi culpado pelo crime de homicídio duplamente qualificado de José Dutra da Costa, o Dézinho, então presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rondon do Pará, em 2000, quando foi morto por pistoleiros, e condenado a 12 anos. Alguns dias depois, em 9 de maio, o julgamento da Chacina da Fazenda Princesa, que levou 29 anos para chegar ao Juri, condenou a 130 anos o fazendeiro Marlon Lopes Pidde, 65 anos, junto de seu capataz, Lourival Santos da Rocha, por participação na morte dos agricultores Manoel Barbosa da Costa, José Barbosa da Costa, Ezequiel Pereira da Costa, José Pereira de Oliveira e Francisco Oliveira da Silva.

Fonte: Carta Capital

Marlon Lopes Pidde, mandante da Chacina da Fazenda Princesa, vai a júri depois de 30 anos

Crime ocorrido em Marabá (PA) em 1985 chegou até à OEA em razão da lentidão da justiça brasileira.

Uma semana após a Justiça paraense condenar a 12 anos o fazendeiro acusado de ser o mandante do sindicalista José Dutra da Costa, o Dézinho, ocorrido em Rondon do Pará em novembro de 2000, novamente o estado tem chance de rever a brutalidade do passado e dar um passo adiante contra a impunidade: vai a júri, em Belém, no dia 8 de maio, o fazendeiro acusado de organizar o massacre que ficou conhecido como Chacina da Fazenda Princesa, ocorrido perto de Marabá, há três décadas.

Segundo informa a Comissão Pastoral da Terra: “Acontecerá também em Belém, o julgamento do Fazendeiro Marlon Pidde, acusado de uma chacina em sua fazenda (Princesa), onde cinco trabalhadores foram assassinados no ano de 1985. O caso ficou muito conhecido pela brutalidade das mortes. Os camponeses foram sequestrados, torturados, assassinados e seus corpos amarrados em pedras no fundo do Rio Itacaiúnas, próximo de Marabá. Quase 30 anos depois ocorrerá o julgamento do principal acusado. O Estado brasileiro também responde processo na OEA pela demora no julgamento do caso.”

O fazendeiro passou 20 anos foragido. Ele só foi preso, ano passado, porque tentou fugir do país. Segundo a CPT, o Ministério Público, tomou conhecimento de que Marlon encontrava-se na sede da Polícia Federal do Estado de São Paulo tentando tirar seu passaporte. O acusado pretendia empreender fuga do Brasil e se furtar do julgamento que deverá ser marcado nos próximos meses. Atendendo ao pedido do MP, o juiz decretou de imediato sua prisão preventiva. Antes, ele havia sido preso em 2006, pela Polícia Federal, enquanto residia em São Paulo, com nome falso. Ficou 4 anos e 8 meses preso até que, em agosto de 2011, o STJ mandou soltar Marlon alegando demora da Justiça Paraense em levá-lo a julgamento.

A morosidade da Justiça paraense é assustadora. Conforme informa a CPT, após a prisão, os advogados da CPT e da SPDDH (que atuam na assistência da acusação), em conjunto com o Ministério Público, ingressaram com Pedido de Desaforamento do julgamento para a comarca de Belém, em junho de 2007, mas o Tribunal só julgou o pedido em 2010 – levou 3 anos para julgar um recurso que deveria levar no máximo seis meses. Em seguida, a defesa de Marlon recorreu contra o desaforamento, e o novo recurso levou mais de um ano para uma simples manifestação. “Somando os dois prazos, o processo passou mais de 4 anos nos corredores do tribunal. Uma demora sem qualquer justificativa. Era o argumento que a defesa de Marlon esperava e precisava para pedir sua liberdade com fundamento no excesso de prazo de sua prisão.”

Se a Justiça foi fria e muito morosa até essa semana, os assassinos dos cinco trabalhadores foram cruéis. As torturas levaram mais de dois dias, antes de serem desferidos vários tiros. Os corpos mortos foram amarrados uns aos outros, e em pedras no fundo do rio. Crueldade semelhante dos pistoleiros que mataram Sebastião Pereira e seu filho Clésio, de apenas três anos, em Jacundá, ambos com um tiro na cabeça, na frente da família, na mesma época. Ou o pistoleiro que retirou o capacete de Zé Cláudio para, com uma faca de cozinha, cortar-lhe a orelha enquanto ainda respirava. Ou os seis tiros desferidos contra irmã Dorothy Stang, em Anapu, também por ali, na Transamazônica. Nesses crimes brutais não se trata apenas de eliminar aqueles que são empecilhos para se ganhar dinheiro destruindo a Amazônia, mas em praticar o crime com extrema crueldade e violência, para que sirvam de exemplo em um ambiente de terror.

A Amazônia brasileira é a região mais violenta do mundo contra ambientalistas, defensores do meio ambiente e contra quem luta pela reforma agrária, segundo um relatório recente da organização Global Witness. E o Pará, principalmente o Sul e Sudeste do Estado, os maiores focos de violência. A lista de assassinatos de lideranças políticas é longa, e praticamente toda marcada pela impunidade. “A impunidade é como uma licença para matar”, diz o advogado da Comissão Pastoral da Terra em Marabá, José Batista Afonso. Batista é um nome de destaque na defesa dos direitos humanos no Brasil, e ele coordena as investigações para tirar das gavetas e levar a julgamento os principais crimes que as autoridades locais tentam esquecer da lei, mas utilizar para produzir um clima de terror.

O terror no velho oeste da Amazônia opera de muitas formas, e é uma questão debatida na academia desde que a ditadura lançou mão do “grande saque” à região. Um grupo de geógrafos americanos utilizou a analogia de um “teatro da crueldade” para descrever o sul do Pará, “lugar da guerra pela terra e destruição da floresta” em um artigo publicado em uma das mais prestigiosas revistas científicas de geografia, o Annals of the Association of American Geographers, em 2011. A cultura do terror e o espaço da morte é como o antropólogo Michael Taussig descreve o ciclo da borracha e a colonização da Amazônia.

É possível imaginar que um empregador que manda sequestrar, torturar, matar e depois jogar no fundo de um rio, amarrado a pedras, os corpos de seus funcionários, não quisesse apenas livrar-se de uma dívida trabalhista. Era imperioso fazer uso da máxima violência, do terror. “O horror”, diz o capitão Kurtz, em Apocalipse Now, “é impossível descrever por palavras para aqueles que não sabem o que o horror significa”.

Em 24 de maio completam três anos do assassinato dos ambientalistas e extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva, em Nova Ipixuna, cem quilômetros de Marabá. Ano passado, dois pistoleiros foram condenados por uma “empreitada criminosa”, mas a empreitada ficou sem empreiteiro: o fazendeiro acusado de ordenar o crime foi solto, “escandalosamente absolvido pelo Tribunal do Júri em Marabá”, segundo informa a CPT. A família das vítimas espera justiça, e organiza uma grande manifestação, no dia da morte, para lembrar do casal. A manifestação vai ocorrer dentro do assentamento, como uma romaria, ato em memória do casal e trilha ecológica dentro da floresta que eles defendiam. A causa da morte foi a denúncia de compra ilegal de lotes dentro do assentamento e e o apoio a famílias extrativistas ameaçadas de expulsão. O Incra, além de não retomar a terra que o acusado de ser o mandante comprou ilegalmente, ainda o assentou no mesmo lote que causou o conflito.

As três décadas que passaram tornam a justiça tardia. Há inúmeros problemas na investigação, mas o principal fato é que o acusado, ao menos, vai a julgamento. E o júri irá decidir. Levar a julgamento os acusados é um primeiro passo para se mudar o ambiente de terror no campo no Brasil. Ano passado, 34 pessoas foram assassinadas, sendo 15 indígenas, de acordo com a Comissão Pastoral da Terra. Só na Amazônia, há 174 pessoas ameaçadas de morte, em conflitos políticos e ambientais cujo principal instrumento para acumulação de capital (a acumulação primitiva, como dizia Marx, que faz aniversário hoje), é o uso da violência e do terror. Não há desenvolvimento que seja sustentável se construído sobre corpos e sangue.

Fonte: Carta Capital

Acusado de ser o mandante do assassinato do sindicalista Dezinho vai a júri no próximo dia 29 em Belém

Décio José Barros NunesO fazendeiro e madeireiro Décio José Barroso Nunes, o Delsão (foto), acusado de ser o mandante principal do assassinato do sindicalista José Dutra da Costa, o Dezinho, crime ocorrido em Rondon do Pará no dia 21 de novembro de 2000, vai a júri popular no próximo dia 29, em Belém do Pará. O julgamento foi transferido da comarca do Rondon para a comarca de Belém, por decisão do Tribunal de Justiça, em razão do poder econômico e político de Delsão na região, o que poderia influenciar na decisão dos jurados.

Delsão, ao longo dos anos, se apropriou de quase 150 mil hectares de terra no município, onde possui inúmeras serrarias e fornos de fabricação de carvão. Quase totalidade das terras que ocupa, são terras públicas federais e estaduais, no entanto, nem o INCRA e nem o ITERPA tem adotado qualquer medida para a arrecadação dessas terras. Em sua atividade sindical na década de 90, Dezinho apoiou várias ocupações de famílias sem terra em fazendas próximas às fazendas de Delsão, denunciou a prática de trabalho escravo em suas fazendas e a apropriação ilegal de terras públicas por parte do fazendeiro e madeireiro.

No processo de investigação da morte de Dezinho, a polícia chegou a uma testemunha que era irmã de um dos principais pistoleiros de Delsão, de nome Pedro. Relatou a testemunha que, incomodado pela ação do sindicalista, Delsão teria encomendado o assassinato de Dezinho a Pedro, no entanto, o pistoleiro, antes da execução, comentou o fato com seu irmão. Ocorre que o irmão do pistoleiro conhecia Dezinho e fazia parte de um dos acampamentos de sem terra, organizado pelo sindicalista. Dezinho foi então avisado da empreitada criminosa. Poucos dias após, o pistoleiro Pedro foi assassinado em Rondon. Suspeita-se que, a razão de sua morte foi porque falou demais e sabia muito. A testemunha relatou ainda para a polícia que o pistoleiro Pedro praticou vários assassinatos em Rondon a mando de Delsão.

Poucos dias após o assassinato do pistoleiro Pedro, o Sindicalista foi assassinado por outro pistoleiro de nome Welingoton de Jesus Silva. Welington foi preso em flagrante por populares logo após o crime. Foi condenado a 27 anos de prisão, mas, autorizado a passar um feriado de final de ano em casa, nunca mais retornou para cumprir a pena. Os intermediários do crime Igoismar Mariano e Rogério Dias tiveram suas prisões decretadas mas nunca houve interesse da polícia em prendê-los. No ano passado, dois outros acusados de terem participação no crime foram julgados mas foram absolvidos.

Delsão, foi preso pela polícia logo após o crime mas foi colocado em liberdade dias depois por decisão de um desembargador do Tribunal de Justiça de Belém. À época, a decisão foi duramente criticada como uma demonstração de favorecimento ao fazendeiro. A preocupação dos familiares do Sindicalista Dezinho e das entidades sindicais e de direitos humanos que acompanham o caso é que o imenso poderio econômico e a forte influência política que o fazendeiro e madeireiro possui na região possa influenciar no resultado do julgamento a seu favor. Três dos principais promotores da capital que atuam no tribunal do júri se negaram a fazer a acusação do fazendeiro no julgamento do dia 29 alegando razão de foro íntimo. Apesar de tudo isso, os familiares e entidades acreditam quem a impunidade não irá prevalecer e que a JUSTIÇA será feita.

Marabá/Rondon, 24 de abril de 2014.

Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rondon do Pará.

Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Pará – FETAGRI.

Comissão Pastoral da Terra – CPT da diocese de Marabá.

Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos – SDDH.

Exclusivo: juiz de Parauapebas pronuncia três pela morte do delegado André Albuquerque

Delegado André AlbuquerqueO juiz de direito da 3ª Vara Penal de Parauapebas, Líbio Moura, emitiu hoje (23) sentença de pronúncia contra os réus Joel Bispo de Sousa ou dos Santos, Roni Moura
Eleutério e Vailton Pereira Evangelista. Eles são acusados de matar o delegado André Nunes Albuquerque (foto) em 03 de outubro de 2010, à época diretor da 20ª Seccional de Polícia de Parauapebas. O processo contra Marcos Maciel Gomes da Silva, também indiciado, está temporariamente suspenso.

O crime se deu no bairro Jardim América, quando o delegado, em companhia de outros agentes daquela Depol, se deslocou para o local com o objetivo de prender Joel Bispo, foragido do CRAMA em Marabá.  Segundo os autos, o delegado foi recebido a bala pelos quatro marginais que estavam na casa, sendo alvejando e vindo a falecer, tendo os assassinos abandonado imediatamente o local.

Segundo a pronúncia, os acusados deverão permanecer presos aguardando o julgamento. Segundo o juiz Líbio de Araújo Moura, não há ainda uma previsão para a data do julgamento, já que da decisão cabe recurso.

Confira aqui a íntegra da sentença.

ONU: 50 mil pessoas foram assassinadas no Brasil em 2012. Isto equivale a 10% dos homicídios no mundo

O Relatório Global sobre Homicídios 2013, lançado mundialmente nesta quinta-feira (10), pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), revela que, somente em 2012, foram registrados 50.108 homicídios no Brasil, número equivalente a pouco mais dos 10% dos assassinatos cometidos em todo o mundo, que foram 437 mil.  De acordo com o documento, o Brasil apresenta estabilidade no registro de homicídios dolosos, mas o país ainda integra o segundo grupo de países mais violentos do mundo. O cenário de estabilidade no plano nacional contrasta com as disparidades no nível subnacional.

Manifestação dos movimentos sociais em frente ao Fórum Cível de Marabá, no Pará, contra os assassinatos. Foto Mídia Ninja CC BY-SA

As taxas de homicídio declinaram nos estados do Rio de Janeiro (29%) e São Paulo (11%), mas cresceram no norte e nordeste do País, com destaque para a Paraíba, que registra um aumento de 150%, e Bahia, que contabiliza um aumento de 75% no número de homicídios nos últimos dois anos.O Estado de Pernambuco é uma exceção no Nordeste, com queda de 38.1% na taxa global de homicídios.

No Brasil, apesar da grande maioria das vítimas de homicídios serem do sexo masculino (90%), destaca-se no relatório o número significativo de mulheres que são assassinadas pelos seus parceiros ou familiares. O relatório conclui que muito precisa ser feito para prover os Estados de capacidades para efetivamente prevenir, investigar, denunciar e punir a violência doméstica e todas as formas de violência contra a mulher. A China, Coreia do Norte e o Japão registram os maiores índice de morte de mulheres (cerca de 52% das vítimas).

O abuso de álcool e outras drogas, e a disponibilidade de armas de fogo, são apontadas no estudo como determinantes nos padrões e prevalência da violência letal. O relatório destaca que qualquer política pública na área de prevenção aos homicídios apenas irá funcionar se os governos conseguirem direcionar estas ações para as vítimas e agressores potenciais.

Os países com as maiores taxas de homicídio, com mais de 30 para cada 100 mil habitantes, são Colômbia, Venezuela, Guatemala e África do Sul. O Brasil (25 homicídios para cada 100 mil habitantes) integra o rol do segundo grupo de países mais violentos, juntamente com o México, a Nigéria e o Congo, que registram de 20 a 30 homicídios para cada 100 mil habitantes.

A América do Sul é a terceira sub-região no mundo com os maiores índices de homicídio (23 a cada 100 mil/habitantes). Em primeiro lugar, está o Sudeste da África (com mais de 30 a cada 100 mil/habitantes) e, em segundo lugar, a América Central (26 a cada 100 mil/habitantes).

Os índices de homicídio na Colômbia estão em declínio desde 1996, mas ainda registram um patamar elevado. A Venezuela é o único país da América do Sul que apresenta um aumento significativo nas taxas de homicídio desde 1995. Os registros de homicídios na Argentina, Chile e Uruguai estão estabilizados, mas com baixos índices, aproximando-se dos cenários verificados nos países europeus.

O relatório destaca as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPS) como uma iniciativa determinante para a redução dos índices de homicídio em quase 80% no Rio de Janeiro entre 2008 e 2012. Em novembro de 2013, o estudo contabilizou 34 unidades em operação em 226 comunidades, beneficiando mais de 1,5 milhão de pessoas.

A América é o continente com maior incidência do uso de armas de fogo no cometimento dos homicídios (66%), seguida da Ásia e África (28%), Europa (13%) e Oceania (10%).

O continente americano também apresenta uma notável disparidade entre o total de homicídios cometidos e a condenação dos seus responsáveis, o que coloca em xeque a eficácia do sistema de justiça criminal no País. Apenas 24% dos crimes são solucionados. O número do efetivo policial é analisado de forma diretamente proporcional ao nível de resolução das investigações dos crimes cometidos. Na América, as mortes em presídios também são frequentes. As chances de homicídio entre presos é três vezes maior do que entre a população em geral.

“O UNODC vem trabalhando com o objetivo de oferecer uma referência mundial para os estudos na área de homicídio, o compartilhamento de técnicas de análises com especialistas e acordos de cooperação com os estados para o controle da criminalidade”, afirma Rafael Franzini, representante do Escritório do UNODC no Brasil e Cone Sul.

O foco do levantamento é o homicídio doloso, com uma detalhada analise considerando as diversas faces dos homicídios – relacionados a atividades criminosas, interpessoais ou sociopolíticas – as armas mais utilizadas nos crimes; a eficácia do sistema criminal de justiça na resolução dos casos; e as questões conceituais relativas ao homicídio, violência e conflito.

Saiba mais sobre o relatório em http://bit.ly/Q9j5yZ

Mais um advogado é assassinado no Pará

OAB protesta, e lembra que é o nono caso desde 2011

Na noite desta quinta-feira (3/4), George Antônio Machado foi mais uma vítima da violência contra advogados no Pará. Dois homens em uma moto o executaram a tiros e estão foragidos. George era carioca, casado, tinha 53 anos, dois filhos também advogados, e morava em Parauapebas. O crime ocorreu em Marabá, onde estão reunidos os presidentes das subseções da Ordem dos Advogados do Brasil.

De julho de 2011 até a data de hoje, foram assassinados naquele estado nove advogados.

O presidente da OAB, Marcus Vinicius Furtado Coêlho, divulgou a seguinte declaração:

“Mais uma barbaridade contra um colega advogado, nova crueldade que choca e indigna nossa classe e também a sociedade. A OAB exige que os órgãos de segurança elucidem rapidamente este e outros crimes, com punição exemplar dos envolvidos”.

Leonardo Accioly, presidente da Comissão Nacional de Defesa das Prerrogativas da OAB, também comentou o assassinato:

“É mais um crime que escancara a fragilidade institucional que o Pará atravessa. Quando se atinge o advogado, é um duro golpe na democracia e no direito à defesa. E é justamente por se tratar de um advogado que se presume um atentado em razão da profissão exercida. Trataremos do tema no Encontro Nacional de Prerrogativas, que se inicia no próximo dia 9 de abril”, adiantou.

O procurador Nacional de Defesa das Prerrogativas da OAB, José Luis Wagner, defendeu a hipótese de intervenção da União no estado:

“Este novo crime contra um colega impõe ao governo estadual que reconheça a necessidade de pedir ajuda federal para enfrentar a situação de violência desenfreada existente no Pará”, afirmou.

Recentemente, Marcus Vinicius Furtado Coêlho esteve no Pará, juntamente com a Comissão Nacional e a Procuradoria de Defesa das Prerrogativas. Na ocasião, foi discutida a questão da segurança pública no estado – em especial no tocante aos advogados – e propostas medidas em conjunto com o governo estadual.

Nota da OAB – Subseção Parauapebas

A Ordem dos Advogados do Brasil – OAB/PA Subseção de Parauapebas, Estado do Pará, vem a público manifestar em nome de toda a Ordem dos Advogados, o mais profundo pesar pelo falecimento do causídico George Antônio Machado, inscrito na OAB/PA 9.706, nesta quinta-feira (03/04/2014), vítima de homicídio, ao tempo em que presta condolências aos familiares, colegas e amigos enlutados pela irreparável perda.

Neste ato, declaro luto de 03 dias em homenagem aos dedicados serviços prestados à sociedade e á OAB de Marabá e Parauapebas-PA.

Deivid Benasor da Silva Barbosa
Vice Presidente da OAB/PA – Subseção de Parauapebas-PA.
Presidente em Exercício.

Nota de pesar APMP

É com imenso pesar e indignação que a Associação dos Procuradores do Município de Parauapebas – APMP – comunica o falecimento da Advogada e Procuradora do Município de Itaituba/PA, Leda Marta Lucyk dos Santos, 40 anos, ocorrido no dia 22 de fevereiro de 2014, no Município de Itaituba/PA. Ela foi encontrada morta na noite desse sábado em uma loja comercial de sua propriedade na área comercial daquele município. Além da procuradora, que também ocupava o cargo de diretora-tesoureira da subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Itaituba, foram encontradas mortas também sua filha, Hannah Estela, 10 anos, e sua funcionária, Taynara Siqueira.

Acrescentemos que além do fato de ser um triplo homicídio, há mais um agravante nesse caso que é o fato de todas as vítimas serem mulheres, dentre estas uma criança.

Não podemos ficar inertes frente a tal barbárie e devemos, juntos com outras entidades da sociedade civil organizada, lutar pela garantia de segurança para todos e cobrar das autoridades uma resposta rápida para elucidação e prisão do autor ou autores desse crime hediondo.

Ressaltamos que nos últimos anos vários advogados foram assassinados em nosso Estado e muitos casos estão sem solução até hoje.

A APMP é veementemente contra qualquer ato atentatório ao livre exercício da Advocacia, mormente quando praticados em detrimento de mulheres e crianças.

Os membros desta Associação estão de luto pela morte repentina a brutal de mais um militante da Advocacia no Estado do Pará, mas à disposição para lutarmos em defesa de nossa profissão e por mais segurança para o nosso Estado.

Por fim, desejamos muito força e coragem para os familiares das vítimas e que Deus conforte a todos por esse momento tal difícil.

THIAGO CARVALHO DE PINHO
Presidente da APMP

Comerciantes de Parauapebas fecharam as portas em protesto

 

As lojas da principal rua comercial  fecharam mais cedo, o empresário foi assassinado na última terça-feira, 4 enquanto trabalhava.Comerciantes de Parauapebas, no sudeste do Pará, fizeram um protesto na última quinta-feira (6) contra a morte de um colega da categoria. As lojas da principal rua comercial da cidade fecharam as portas mais cedo. Muitas exibiram faixas em sinal de luto pela morte de José Gilberto da Silva.

O empresário do ramo da construção civil foi assassinado na última terça-feira (4) enquanto trabalhava. Três homens armados invadiram a loja da família e anunciaram o assalto. Ele reagiu e foi atingido com um tiro na cabeça.

Um dos bandidos morreu em perseguição policial. Os outros dois ainda não foram capturados.

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