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Interventor da Coomigasp comanda visita às instalações da mina em Serra Pelada

imageNesta terça-feira, 12 de novembro de 2013, o interventor nomeado para a Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada – Coomigasp, Marcos Alexandre Mendes comanda uma visita às instalações da mina de Serra Pelada explorada pela Colossus.

Esta visita tem o objetivo de mostrar a todas as partes envolvidas neste processo como funciona o projeto de exploração e a produção dos minérios. Além disso, marca o início das atividades da equipe técnica, formada por um gerente de produção, um engenheiro de mina e um geólogo, que a partir desta data ficará responsável pelo acompanhamento de todo o processo de extração do minério.

O trabalho desta equipe técnica será o de fiscalizar o trabalho da Colossus na mina de forma especializada, já que até então os fiscais que faziam esse trabalho dentro do projeto eram, no máximo, técnicos de mineração. Agora, a Coomigasp contará com um grupo que realmente tem conhecimento do processo para validar as atividades, inclusive referente ao prazo que a Colossus está estipulando para o início da produção.

Participarão da visita:

- O interventor da Coomigasp Marcos Alexandre Mendes

- Representantes dos garimpeiros

- Promotor do Ministério Público do Estado, Franklin Jones

- Representante da OAB de Parauapebas, Dr. Jackson

- Defensor Público, David

- Equipe técnica da intervenção (gerente de produção, engenheiro de mina e geólogo).

Coomigasp: MP investiga desvio de R$50 milhões

Garimpeiros em frente à mina de Serra Pelada, no Pará (Foto: Reprodução/TV Liberal)O Ministério Público Federal do Pará apura irregularidades na Cooperativa de Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp).

De acordo com as investigações, mais de R$ 50 milhões que deveriam ter sido distribuídos para os garimpeiros ficaram nas mãos de ex-dirigentes da cooperativa. Cinco pessoas já foram denunciadas pelo MP.

O presidente da Coomigasp foi afastado do cargo e a cooperativa está sendo administrada por um interventor nomeado pela justiça. A empresa responsável pela exploração no local disse que está aberta para diálogos com o interventor.

A Coomigasp é a única cooperativa que recebeu do Governo Federal a autorização para explorar Serra Pelada. Há oito anos, os garimpeiros se juntaram a uma grande empresa de mineração, a Colossus, para fazer a exploração mecanizada do ouro. As obras estão em andamento e, pelo contrato, a Colossus repassa para a cooperativa mais de R$ 350 mil por mês, como uma espécie de adiantamento pela produção.

O repasse deve aumentar em 2014, quando começa a exploração: 25% de todo o ouro extraído será destinado aos garimpeiros. Este dinheiro deveria ser distribuído entre os quarenta mil cooperados mas, segundo o Ministério Público, isto não acontece. “De tanto que a gente trabalhou pra arrumar alguma coisa na vida, a oferecer a família da gente e ate essa data ninguém recebeu nada”, disse o garimpeiro José Castro.

As investigações começaram em 2012, quando os promotores tiveram acesso a um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), do Ministério da Fazenda. Segundo o MP, o documento revelou que a Colossus Mineração fazia os depósitos nas contas pessoais de ex-dirigentes da Coomigasp, e também de laranjas. Segundo os promotores, R$ 54 mil teriam sido desviados da cooperativa.

“Pelo relatório do COAF nós percebemos que o dinheiro era canalizado primeiro para a conta de diretores, e depois pulverizado. Além de haver saques na boca do caixa de até dois milhões de reais, o que é indicativo bem claro de lavagem de dinheiro”, disse o promotor Hélio Rubens.

Veja, na íntegra, a nota da Colossus Mineração:

- Anterior ao TAC assinado em 2012 entre MPE e Coomigasp que determinava que os depósitos fossem realizados em juízo, a Colossus Mineração tinha que por obrigação efetuar os repasses previstos em contrato. À época, a Coomigasp tinha todas as contas bancárias bloqueadas por diversos processos judiciais e solicitou formalmente à Colossus Mineração que os repasses fossem depositados em contas indicadas pela cooperativa.

- A Colossus Mineração não tem conhecimento da participação de seus colaboradores em desvio de dinheiro pertencente à cooperativa, e acrescenta que é auditada todos os anos por empresa reconhecida internacionalmente.

- A Colossus Mineração informa que o contrato é legítimo, obedece à legislação brasileira e foi referendado pelo Ministério de Minas e Energia. O acordo inicial, assinado em julho de 2007, definia a parceira de 51% para Colossus Mineração e 49% para a Coomigasp. Conforme o contrato original, os dois parceiros deveriam investir no projeto, mas a Coomigasp, mesmo tendo recursos disponíveis, optou por não investir. Para a cooperativa não ter seus percentuais diluídos e futuramente deixar de receber os lucros da operação, uma atualização contratual foi efetuada e referendada pelo Ministério de Minas e Energia.

- Em 2009, o contrato foi atualizado: os percentuais passaram a ser 75% Colossus Mineração e 25% Coomigasp. A cooperativa ficou desobrigada de qualquer investimento e a empresa assumiu toda a responsabilidade técnica e financeira pela implantação do projeto. Essas modificações acionárias foram aprovadas em assembleia geral da cooperativa realizada em 8 de novembro de 2009. A ata da assembleia geral que aprovou a alteração está registrada na Junta Comercial do Estado do Pará, a Jucepa.

- A Colossus Mineração também respeita a decisão da Justiça do Estado Pará referente à intervenção na Cooperativa de Garimpeiros de Serra Pelada (COOMIGASP) e está aberta ao diálogo com o interventor. A empresa vem defendendo publicamente a necessidade da criação de um mecanismo justo e transparente para a distribuição dos lucros provenientes de Serra Pelada entre os garimpeiros, quando o projeto entrar em operação.

Fonte: G1-PA

Comissão de deputados do PA, AM e AP visita o garimpo de Serra Pelada

Cooperativa de garimpeiros está sob intervenção da Justiça. Deputados devem abrir uma CPI para investigar R$ 50 milhões desviados.

Uma comissão de deputados federais do Pará, Maranhão e Amapá visitou o garimpo de Serra Pelada, localizado no município de Curionópolis, no sudeste paraense, na manhã da última terça-feira (22). Os parlamentares se reuniram com garimpeiros que fazem parte da Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp), que está sob intervenção da Justiça. A diretoria atual da cooperativa informou que a eleição que ocorreu em junho deste ano foi legitima.

Cerca de 2 mil garimpeiros participaram do encontro com os deputados que ouviram as reivindicações da categoria, que não concorda com a divisão dos lucros com a venda do ouro. O contrato entre a mineradora Colossus e a antiga diretoria da Coomigasp define que, quando a mina estiver produzindo, os garimpeiros terão direito a 25% dos lucros, e os outros 75% serão da empresa responsável pela exploração do ouro.

Segundo o deputado federal Arnaldo Jordy (PPS), o contrato terá que ser revisado. “Nós entendemos que isso é lesivo aos interesses daqueles que são os verdadeiros titulares do direito de lavra dado pela União, pela constituição brasileira, desde a década de 70. Então a primeira coisa que nós temos que fazer é revisar esse contrato”.

Os parlamentares informaram ainda que vão criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar onde foram aplicados cerca de R$ 50 milhões que teriam sido repassados para a Coomigasp pela mineradora Colossus desde 2007. Segundo denuncia feita ao Ministério Público Estadual (MPE), o dinheiro teria sido repassado a antigos diretores e pessoas sem qualquer ligação com a cooperativa.

Entrada da nova mina subterrânea de Serra Pelada, na localidade de mesmo nome na cidade de Curionópolis, sul do Pará.(Foto: Vianey Bentes/TVGlobo) (Foto: Vianey Bentes/TV Globo)
Entrada da mina subterrânea de Serra Pelada, em Curionópolis, sul do Pará.

Segundo o deputado federal, Domingos Dutra, a comitiva foi para a área de garimpo para evitar que se repita o que acontece em Eldorado dos Carajás. “Este clima de furto e de corrupção desenfreada envolvendo a empresa e envolvendo diretorias passadas da cooperativa está levando a um clima ruim e nós estamos aqui para evitar uma tragédia pior do que a de Eldorado dos Carajás”, alega.

Por causa das denúncias de irregularidades da cooperativa, a Justiça do Pará nomeou um interventor para a Coomigasp, que durante seis meses deverá organizar a cooperativa e realizar uma eleição para escolher uma nova diretoria.

O atual diretor da cooperativa alega que a medida não é necessária, já que foi eleito com mais de 80% dos votos dos garimpeiros. “Foi feita eleição secreta, não foi no oba-oba como acontecia na época passada. Tudo foi feito como manda o figurino do nosso estatuto, da lei do corporativismo e a nossa constituição”, explica Vitor Albarado.

Em nota, a mineradora Colossus informou que de 2007 até hoje foram repassados para as contas da Coomigasp cerca de R$ 50 milhões. Quanto ao acordo firmado com a cooperativa referente à divisão dos lucros com a venda do ouro a empresa esclarece que o contrato é legitimo.

A Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp) informa que os desvios de recursos citados pelo Ministério Público ocorreram durante a gestão da diretoria passada da cooperativa, e que os referidos diretores foram destituídos pela Justiça do Pará e estão sendo julgados em ação criminal. Segundo a associação, as denúncias não têm nenhuma relação com a atual diretoria da Coomigasp.

Ainda de acordo com a cooperativa, a gestão atual luta na justiça pelo direto de voltar ao comando da Coomigasp, após intervenção sofrida por ordem da Justiça no último dia 11 de outubro, e que é de total interesse da nova diretoria que as denúncias sejam apuradas e esclarecidas o mais rápido possível.

Entenda o caso
O juiz Danilo Alves Fernandes decidiu no último dia 11, em Curionópolis, no sudeste do Pará, nomear um interventor judicial para a Cooperativa dos Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp). De acordo com o processo, a decisão é justificada pela existência de fraudes na formação de dívida da Cooperativa, além de má gestão e desmandos administrativos por parte das diretorias.

Fonte: G1-PA – Foto : Vianey Bentes

“Nosso objetivo é sanear a Cooperativa”, diz interventor da Coomigasp

Alexandre Mendes, Nelson Medrado e Hélio Rubens
A Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp), no município de Curionópolis, entra em uma nova fase sob intervenção da Justiça do Estado do Pará. A meta do Ministério Público e do interventor nomeado pela justiça, Marcos Alexandre Mendes, é reorganizar a entidade e resgatar os verdadeiros direitos dos sofridos garimpeiros que atuaram na década de 1980 naquele que foi considerado o maior garimpo a céu aberto do mundo. “Esta intervenção vai ser um marco na história da Coomigasp. O objetivo maior é sanear a cooperativa por intermédio de uma administração rigorosa, com profissionais especializados, após uma implacável auditoria nas contas da cooperativa e cumprir as cláusulas do TAC (Termo de Ajuste de Conduta) assinado em 2012 pela diretoria afastada da cooperativa”, afirmou o interventor Alexandre Mendes, em entrevista coletiva concedida ao final da tarde da última terça-feira (15), no auditório do Fórum de Parauapebas.

Marcos Alexandre Mendes, interventor nomeado pela justiça na CoomigaspSegundo ele, “os garimpeiros aguardam tudo isto e o direito de pegar em algum dinheiro há 32 anos e agora o sonho está sendo renovado”. O interventor nomeado da Coomigasp é paraense de Marabá, tem 34 anos, a família dele mora em Curionópolis, é formado em Administração e especialista em Gestão Administrativa, tento atuado em diversas empresas de renome nacional e até em multinacionais. A partir de agora, Mendes irá administrar 2% da receita do garimpo. Os outros 98% serão repassados diretamente aos cooperados com depósitos em suas contas bancárias.

Desvio de R$ 50 milhões

A entrevista coletiva contou com as presenças do Procurador de Justiça, Nelson Medrado, e do Promotor de Justiça, Hélio Rubens, que, juntamente com os promotores Guilherme Chaves e Franklin Jones foram os responsáveis pelo pedido de intervenção na Cooperativa feito em ação civil pública ajuizado pelo Ministério Público do Estado do Pará.

“Constatamos um aumento exagerado de garimpeiros; carteiras de garimpeiros sendo vendidas no Pará e no Maranhão para que outras pessoas fossem beneficiadas no futuro a partir da exploração do ouro pela empresa Colossus em Serra Pelada; desvio de dinheiro que ultrapassa os R$ 50 milhões nos últimos cinco anos; e ainda os dois veículos de propriedade da cooperativa estão em busca e apreensão, pois eram usados em benefícios pessoais do presidente afastado da Cooperativa. Além disso, até hoje a Coomigasp não possui sede própria. Houve ainda muitas fraudes em ações trabalhistas com o único objetivo de lesar o dinheiro do verdadeiro garimpeiro”, afirmou o promotor Nelson Medrado.

O promotor Hélio Rubens informou que “será feito um levantamento rigoroso destas dívidas trabalhistas; pagar os verdadeiros credores e expurgar as ações fraudulentas”. Rubens disse ainda que “será feito um acordo entre a Colossus e as agências bancárias para que o dinheiro caia diretamente na conta aberta por cada garimpeiro que de fato tem direito a receber os dividendos oriundos da produção de ouro, paládio e platina em Serra Pelada”. E destacou que “as contas do interventor serão fiscalizadas também pelo Ministério Público e por garimpeiros indicados pelos dois grupos que brigam pela direção da cooperativa e também divulgadas na internet”. O promotor ainda acrescentou que “o trabalho de Alexandre Mendes será totalmente transparente para que garimpeiros e a sociedade em geral saibam o que está de fato acontecendo na Coomigasp”.

Novo modelo de administração

Os promotores anunciaram que a Cooperativa de Garimpeiros de Serra Pelada passará por um novo modelo de administração, que também se preocupará com a questão social em Serra Pelada. “Quando a coisa começa errado, se você não consertar acaba saindo dos trilhos. Por isso tomamos a iniciativa de pedir a intervenção na Coomigasp, que tem um histórico de verdadeiro caos social, além de atos de violência constantes entre os grupos que sempre brigaram pelo domínio da cooperativa”, destacou o promotor Medrado, acrescentando que “a meta é que a Coomigasp conviva de igual para igual com a Colossus”, a empresa canadense responsável pela exploração mineral em Serra Pelada. “A Coomigasp, dona área do garimpo, é tão rica quanto à Colossus”, frisou Medrado.

“Vamos acompanhar o trabalho do interventor visando sanear a Coomigasp, defender os direitos dos garimpeiros e garantir que o dinheiro da produção do ouro chegue com segurança no bolso dos verdadeiros garimpeiros. Após seis meses de intervenção, cujo prazo poderá ser renovado, se for o caso, será eleita uma nova diretoria pelos próprios garimpeiros, mas se utilizando um novo modelo de votação, sem ser este usado nos últimos anos pelos candidatos que cometiam até crime eleitoral pagando o transporte e dando alimentação para os garimpeiros votantes. As eleições serão descentralizadas e ocorrerão também nas regionais da cooperativa nos demais estados”, afirmou o promotor Hélio Rubens.

Entenda o caso

A intervenção na Coomigasp foi decretada na sexta-feira (11) pelo juiz Danilo Alves, de Curionópolis (PA), atendendo o pedido feito pelo Ministério Público Estadual. Segundo o MPE, “o objetivo é que a cooperativa seja profissionalmente e administrativamente gerida, intencionando ainda garantir a lisura, transparência e legitimidade nas eleições internas dos seus dirigentes, vislumbrando atingir seu objetivo precípuo, que é a distribuição dos lucros aos seus cooperados”.

No começo deste ano foi afastado da presidência da Coomigasp o então dirigente Gessé Simão, de Imperatriz (MA), acusado de desvio de recursos da cooperativa, entre outras irregularidades. Assumiu o diretor administrativo, Valder Falcão, que não conseguiu trabalhar porque um grupo de oposição invadiu algumas vezes o prédio da Coomigasp, que era localizado na Rua Pará, no centro de Curionópolis. Valder obteve mais de uma vez o aval da Justiça para retomar ao poder, mas não conseguiu administrar a cooperativa.

A oposição realizou uma assembleia em agosto deste ano – anulada pela justiça – e elegeu Vitor Alborado, de Belém, como presidente. Passadas algumas semanas, garimpeiros ligados ao grupo de oposição invadiram mais uma vez o prédio da Coomigasp e levaram documentos e equipamentos, que até hoje não foram recuperados totalmente.

“Ninguém sabia quem era o presidente da Coomigasp. O que se via eram brigas, confusões, mortes, incêndios e tudo de ruim acontecendo em Curionópolis e em Serra Pelada, sem que ninguém se entendesse, e a Coomigasp sendo obrigada a depositar o repasse mensal, em torno de R$ 300 mil, em uma conta judicial para que não houvesse mais desvio de dinheiro dos garimpeiros”, declarou, indignado, o promotor de Justiça, Hélio Rubens.

Fonte: ASCOM-COOMIGASP -  Fotos: Francesco Costa.

Serra Pelada: juiz de Curionópolis decreta intervenção na Coomigasp

Serra Pelada 5O juiz Danilo Alves, de Curionópolis, decretou na última sexta-feira (11) intervenção na Cooperativa de Mineração de Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp) em resposta ao pedido feito pelo Ministério Público Estadual. O objetivo da ação, segundo o MPE, é de que a “cooperativa seja profissionalmente e administrativamente gerida, intencionando ainda garantir a lisura, transparência e legitimidade nas eleições internas dos seus dirigentes, vislumbrando atingir seu objetivo precípuo, que é a distribuição dos lucros aos seus cooperados.”

O Ministério Público criou uma força-tarefa, composta por procuradores e promotores, dedicada única e exclusivamente ao caso. O órgão alega que esta é uma tentativa de fazer com que o dinheiro da produção do ouro, pela primeira vez na história de Curionópolis, chegue de fato nas mãos dos garimpeiros.

Segundo o promotor Hélio Rubens “a cooperativa recebeu milhões de reais e nunca repassou um centavo sequer para os cooperados” disse. Afirmou ainda que o caso requer muito cuidado e atenção, pois tem potencial para tornar-se uma tragédia, nas mesmas proporções que o massacre de Eldorado dos Carajás. A promotoria afirma também que a situação atual da Coomigasp é de “caos, resultando em vários episódios de distúrbios, violência, difamação, incêndios, invasão de prédios, situação que prejudica a paz social e econômica na região.”

O juiz Danilo Fernandes decidiu nomear um interventor judicial para a Coomigasp. Pelo período de seis meses, foi nomeado interventor o administrador Marcos Alexandre Mendes, profissional imparcial, que conhece a realidade da região e com vasta experiência de gestão em grandes empresas e projetos. Ele tem como objetivo gerir a cooperativa, fazendo cumprir as cláusulas de um Termo de Ajuste de Conduta assinado em 2012 pela direção afastada.

De acordo com o processo, a decisão é justificada pela existência de fraudes na formação de dívida da cooperativa, além de má gestão e desmandos administrativos por parte das diretorias. O processo tramita em segredo de Justiça.

A Coomigasp disse que vai recorrer da decisão. “Não sei baseado em quê ele decreta esta intervenção. Nós estamos a 90 dias da eleição, e passamos 81 dias sub judice, pois havia ações na justiça e tivemos de recorrer dessas decisões, e ganhamos. Por isso, não sei por que acham que têm direito de fazer uma intervenção em um período que não tivemos condições de fazer nada, pois todo o dinheiro da cooperativa está bloqueado. Não temos condições nem de contratar uma empresa para fazer uma auditoria, que é o que a gente quer. Isso é uma agressão para a comunidade garimpeira”, disse Vitor Alvarado, presidente da Coomigasp.

O deputado federal Wandenkolk Gonçalves (PSDB-PA), membro da Comissão de Minas e Energia, da Comissão Especial que analisa o novo Marco Regulatório da Mineração e presidente da comissão que conferiu aposentadoria especial aos garimpeiros, conhece de perto o problema e comentou o episódio. “É como eu sempre digo: a cada dia uma nova agonia. Eu acompanho esta luta dos garimpeiros há anos e vejo como é difícil. Só neste ano já tivemos a liminar do Tribunal de Justiça que impediu a nova diretoria, eleita democraticamente, de assumir os cargos e os conflitos entre a polícia e os garimpeiros.”

Wandenkolk ainda ressaltou que essas questões serão discutidas na audiência pública de semana que vem, a ser realizada em Marabá, a seu pedido na Comissão Especial que irá analisar o novo Marco Regulatório da Mineração. “Minha atuação é voltada para essa questão e eu venho aqui conclamar todos os setores da sociedade civil, bem como os garimpeiros, a comparecerem nessa audiência pública, pois será o momento certo de o Carajás se fazer ouvir e expor todas as mazelas que nos afligem quando falamos de mineração.” disse.

Coletiva
Marcos Alexandre Mendes, o interventor, concederá entrevista coletiva à imprensa hoje (15), às 16 horas no auditório do Fórum de Parauapebas, localizado na Rua C, na Cidade Nova, quando interventor e o Ministério Público falarão sobre a decisão e suas metas de ação para resolver os problemas da Coomigasp.

Serra Pelada, o filme.

Filme com Wagner Moura, Matheus Nachtergaele e Sophie Charlotte estreia prevista para outubro.

No ano de 1980, dois amigos deixam São Paulo em busca do sonho do ouro no maior garimpo a céu aberto do mundo, no Estado do Pará. Em meio a milhares de homens repletos de sonhos e ilusões, os dois veem a obsessão pela riqueza e pelo poder mudar radicalmente suas histórias. Um deles se torna um gângster, enquanto o outro deixa para trás os valores que sempre prezou.

O destino de Juliano (Juliano Cazarré) e Joaquim (Júlio Andrade) em meio à ganância e violência é o fio condutor da história de “Serra Pelada”, o filme que, por alguns dias, transformou radicalmente a rotina quase uma centena de mogianos, contratados como extras para as gravações das cenas do garimpo, que por medida de economia, foram feitas na área da Mineração Caravelas, no Distrito de Braz Cubas, em Mogi das Cruzes.

O resultado desse trabalho, filmado também em Curionópolis, no Pará, será lançado em circuito comercial nacional no próximo dia 18 de outubro. Será a oportunidade para os “artistas” mogianos se verem na telona e para se conhecer a história contada durante os 120 minutos do longa-metragem pelo diretor Heitor Dhalia (de “À Deriva” e “Cheiro de Ralo”), com a participação de artistas renomados, como Wagner Moura, Matheus Nachtergaele, Sophie Charlotte, além dos dois citados no início do texto.

Cercado de muita expectativa, “Serra Pelada” será mostrado, antes do lançamento, no Festival do Rio 2013, no dia 9 de outubro, para uma seleta plateia formada exclusivamente por críticos, jornalistas e convidados muito especiais, que ficarão encarregados de dar as primeiras opiniões sobre o filme. Parte do sucesso dependerá o resultado inicial dessas avaliações.

Fonte: Diário de Mogi

Curionópolis: ações Cívico-Sociais na Vila de Serra Pelada

imageNesta sexta-feira (13), o Exército, com apoio da Vale e da Prefeitura de Curionópolis, realizará Ações Cívico-Sociais na Vila de Serra Pelada. A comunidade local terá acesso a atendimento médico nas especialidades de Clínica Geral, Pediatria e Ginecologia, medicamentos gratuitos e palestras sobre saúde.

Também será disponibilizado atendimento odontológico, incluindo aplicação de flúor.

Os serviços serão realizados de 8h às 12h e de 13h30 às 16h30, na Escola Municipal Ângela Bezerra, que fica atrás da Casa do Professor e ao lado do Ginásio da Praça da Juventude. Serão distribuídas senhas a partir das 7h.

As Ações Cívico-Sociais ou ACISO são atividades realizadas pelo Exército Brasileiro para prover assistência e auxílio a comunidades, desenvolvendo o espírito cívico e comunitário dos cidadãos, no país ou no exterior, para resolver problemas imediatos e prementes.

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Decisão judicial assegura retorno às obras do projeto em Serra Pelada

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Serra Pelada 1983

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Serra Pelada 2009
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Serra Pelada 2012

A Colossus Mineração obteve decisão judicial que assegura a retomada das obras de implantação do projeto Serra Pelada Companhia de Desenvolvimento Mineral (SPCDM).

O juiz da Comarca de Curionópolis (PA) ampliou a liminar anterior que proibia ameaças à continuidade das obras do projeto – como vinha sendo anunciado publicamente na internet por grupos que incitavam a violência e a ocupação do projeto.

Na prática, a decisão, publicada na última sexta-feira 30/08, estende a multa diária de R$ 5 mil (cinco mil reais) a todos os cidadãos que estão sob orientação das lideranças. Um grupo de no máximo 200 pessoas permanece em áreas próximas ao projeto com o intuito de impedir seu pleno funcionamento.

“Os réus devem se abster da prática de quaisquer atos que importem na ameaça à posse da autora com relação à área de implantação minerária”, redigiu o juiz.

A decisão assegura o direito de ir e vir dos 1.500 profissionais diretos e indiretos que trabalham nas obras de implantação do projeto. As obras estão 85% concluídas.

Os prejuízos provocados pela paralisação do projeto da nova mina de Serra Pelada são de R$ 250 mil por dia, referentes principalmente aos custos com a manutenção da mão de obra e com fornecedores que participam da implantação do projeto – ambos impedidos de trabalhar.

A Polícia Militar do Pará permanece no local para garantir a ordem e o retorno da segurança à vila de Serra Pelada, onde residem cerca de sete mil moradores.

Fotos da manifestação ocorrida ontem em Serra Pelada que deixou sete feridos

A polícia impediu ontem, domingo (25), que cerca de 1.500 garimpeiros invadissem a mina de ouro que está sendo construída pela canadense Colossus, na região de Serra Pelada. Havia uma preocupação, por parte da direção da companhia, de que as obras fossem interditadas ontem pelos manifestantes e que a ação levasse a atos de violência.

Garimpeiros decidem invadir mina e entram em confronto com a PM

Segundo a diretora de comunicação da empresa, Rosana Entler, as obras só voltarão ao ritmo normal quando a polícia informar que o movimento dos garimpeiros estiver terminado. Hoje, segunda-feira, segundo ela, “para preservar a segurança dos nossos funcionários”, muitos dos 1.500 trabalhadores permanecerão em casa.

Garimpeiros decidem invadir mina e entram em confronto com a PM

No fim de semana, a ordem foi deixar apenas um número mínimo de funcionários no projeto. São 80 – entre os quais alguns canadenses. Segundo nota da empresa divulgado ontem, “a tentativa de invasão, anunciada de forma pública e antecipadamente” criou um clima de “coação” sob o qual “é impraticável haver diálogo”.

Garimpeiros decidem invadir mina e entram em confronto com a PM

Rosana disse que pelo que ouviu da Polícia Militar que estava no local da mina, um grupo de garimpeiros se reuniu à tarde na Vila de Serra Pelada — no município de Curionópolis — e seguiu em direção à entrada do projeto. “Pelo que me disseram, tanto policiais quanto funcionários nossos, os garimpeiros não chegaram à portaria, ficaram a uns 100, 200 metros e depois se dispersaram e se espalharam pela vila”.Garimpeiros decidem invadir mina e entram em confronto com a PM

Uma parte dos 52 mil garimpeiros associados à Coomigasp – Cooperativa dos Garimpeiros de Serra Pelada – está insatisfeita com a forma de distribuição do ouro que será produzido em Serra Pelada. Pelo acordo inicial, a Colossus teria 51% e os garimpeiros 49%, sendo que os investimentos seriam divididos meio a meio. Em 2010, com a anuência de uma Assembleia Geral realizada pelo então presidente Gessé Simão e da qual participaram mais de 20 mil garimpeiros, determinou que a empresa canadense teria 75% do ouro produzido, todavia a Colossus seria a única investidora financeira.

Garimpeiros decidem invadir mina e entram em confronto com a PM

Por volta das 16 horas de ontem alguns garimpeiros se exaltaram e tentaram invadir o Projeto. A Polícia Militar do Pará, que estava a postos para garantir a segurança, interveio e houve confronto.

Garimpeiros decidem invadir mina e entram em confronto com a PM

Pelo Menos sete pessoas ficaram feridas. Algumas delas foram encaminhadas para hospitais de Marabá, Parauapebas e Curionópolis.

Entre os feridos a bala está o presidente do Conselho Fiscal da Coomigasp, Amarildo Gonçalves. Ele foi atendido no Hospital municipal de Parauapebas.

É preciso analisar essa situação de Serra Pelada com muita atenção. Garimpeiros volta e meia são usados por políticos e alguns diretores da Cooperativa com o único objetivo de obterem um  ganho político ou financeiro.

Garimpeiros decidem invadir mina e entram em confronto com a PMO contrato da empresa canadense, mesmo parecendo imoral, foi homologado pela grande maioria dos garimpeiros e deve ser respeitado, já que, há época, a cooperativa não tinha como colaborar financeiramente nos investimentos, orçados pela mineradora em R$600 milhões.

Os mesmos garimpeiros que agora tentam interditar o projeto deveriam, a bem dos mais de 50 mil associados, manifestarem-se para que a justiça julgue os inúmeros processos que tramitam na justiça do Pará na tentativa de investigar verdadeiros saques ao erário da cooperativa. Dinheiro este que deveria ser usado em benefício dos associados.

Em 2012 a justiça afastou parte da diretoria, dando início a uma verdadeira guerra pela direção da Coomigasp, o que poderia também ser chamado de “corrida ao ouro”, já que as decisões tomadas pela direção da Coomigasp nem sempre beneficiam quem deveria, os garimpeiros.

Por outro lado, alguns ex-diretores da Coomigasp, que buscam na justiça o retorno alegam que esses 1.500 manifestantes não passam de massa de manobra, não representando os mais de 50 mil garimpeiros cadastrados na Cooperativa.

Acredito que o mais certo seria uma intervenção do Ministério de Minas e Energia em Serra Pelada, nomeando uma equipe isenta para gerir os recursos repassados pela empresa canadense. Se isso não for feito teremos que conviver rotineiramente com manifestações iguais as de ontem. Por sorte não houve vítima fatal, mas até quando será assim?

Fotos: Antônio Cícero

Nota da Colossus Mineração sobre a manifestação ocorrida neste domingo em Serra Pelada

A Colossus Mineração informa a sociedade que as forças policiais do Estado do Pará inibiram a tentativa de invasão ao projeto Serra Pelada Companhia de Desenvolvimento Mineral, ocorrida em Curionópolis (PA) neste domingo por volta de 15h.

A maioria dos manifestantes é de não residentes na comunidade de Serra Pelada e afastou-se do local do protesto. Até as 18h deste domingo, informações locais indicavam que não há um ponto de concentração dos manifestantes. Não há registro de vítimas.

A tentativa de invasão, anunciada de forma pública antecipadamente e fortalecida em audiência no último dia 16 de agosto, teve apoio parlamentar dos deputados federais Arnaldo Jordy (PPS) e Wandenkolk Gonçalves (PMDB). A organização foi feita por grupos garimpeiros não reconhecidos pela Justiça do Pará como dirigentes da cooperativa sócia do projeto.

É impraticável haver diálogo sob coação. A Colossus considera este formato de mobilização violenta como irresponsável, que em absolutamente nada contribui para um futuro de paz duradoura em Serra Pelada.

O projeto SPCDM alcançou 85% das obras de implantação, um investimento de R$ 600 milhões que emprega 1.500 profissionais diretos e indiretos – sendo 65% residentes de Serra Pelada.   

Forças policiais permanecem no local para devolver segurança à vila de Serra Pelada.