Category Archives: Serra Pelada

Serra Pelada: Em Assembleia, maioria aprova alteração no Estatuto Social da Coomigasp

Aconteceu ontem, dia 10 a grande Assembleia Geral Extraordinária – AGE da Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada – COOMIGASP, essa foi à primeira Assembleia Geral convocada pelo interventor judicial Marcos Alexandre Mendes desde que iniciou o processo de intervenção, em 11 de outubro de 2013.

age-07

De lá até aqui os trabalhos se concentraram em enxugar administrativamente a entidade e fazer uma minuciosa auditoria no quadro social para determinar quem realmente é sócio e estaria em dias com todas suas obrigações estatutárias.

A Assembleia geral deste domingo tinha como principal objetivo aprovar alterações consideradas como “fundamentais” tanto para o interventor, quanto para o promotor Hélio Rubens Pinho, que acompanha a Coomigasp desde o afastamento do ex-presidente Gessé Simão de Melo. Inclusive Dr. Hélio Rubens acompanhou a Assembleia de ontem até que se findassem a apuração da votação e disse que a aprovação das alterações no Estatuto “é o primeiro passo para profissionalização da entidade para que ela possa produzir como uma empresa idônea, e sendo, portanto uma cooperativa que possa dividir os lucros com seus cooperados”, disse o Dr. Hélio.

Para o promotor até o momento em que a cooperativa passou à intervenção ela apenas se servia dos cooperados, mas que o objetivo é que a entidade sirva aos cooperados: “Por isso se fez necessária à intervenção, bem como essas alterações no Estatuto Social”, completou.

Apesar de ser extremamente técnico e assumir sempre uma postura de gestor, Marcos Alexandre Mendes surpreendeu a sociedade garimpeira ao se portar de forma simples e se colocar a disposição para responder perguntas feitas pela sociedade: “Nunca tínhamos conseguido chegar tão perto dos presidentes da cooperativa e poder fazer perguntas sobre todos os assuntos e ser respondido na hora”, disse o garimpeiro Sebastião Pereira, Barto Cearense. As perguntas foram feitas depois que o interventor leu item por item que seria alterado no Estatuto Social e apresentou as justificativas do porque essas alterações se faziam necessárias.

age-01

Após leitura dos itens, a alteração no Estatuto Social foi colocada em votação por cédula em doze urnas distribuídas em dez sessões devidamente organizadas por ordem alfabética, o que agilizou o processo, apesar da contagem dos votos ter sido concluída às 19h00. Em nenhuma das 12 urnas o NÃO ganhou, e por 804 votos a favor e 326 contra, foram aprovadas as alterações no Estatuto Social da Coomigasp.

Marcos Alexandre encerrou dizendo que os próximos passos serão concluir a auditoria que está sendo feita na cooperativa, bem como fechar o quadro social para definir quantos serão os legítimos sócios e completou: “Outro fato importante é podermos acompanhar os trabalhos da montoeira e trabalhar agora para solução definitiva do projeto Serra Pelada, com a busca de um parceiro”, explicou Alexandre.

Para o interventor outro passo importante após a aprovação do Estatuo é ir junto ao Governo Federal em busca da liberação do dinheiro da Caixa Econômica: “É importante agora conseguir a liberação desse valor, seja para revestir em benefício direto do garimpeiro, em projetos sociais, ou ainda para operacionalizar o projeto Serra Pelada e fazer a operação da extração de ouro pela própria cooperativa”, finalizou Marcos Alexandre.

Reportagem: Wenderson Costa – Fotos: John Jessé

Serra Pelada: Colossus inicia processo de arbitragem contra a Coomigasp

download (5)A Colossus disse ontem (5) que está iniciando um processo de arbitragem contra a Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp). Segundo a mineradora, as ações da Coomigasp, que contesta uma série de acordos assinados para a joint venture da mina de ouro Serra Pelada, em Curionópolis, são inadimplentes e trazem danos para a empresa.

De acordo com comunicado ao mercado da Colossus, as contestações da Coomigasp não possuem mérito, pois a cooperativa se contradiz ao questionar a validade jurídica da joint venture e, simultaneamente, entrar com ação judicial para o cumprimento de cláusulas específicas do contrato.

A Colossus disse que as ações da Coomigasp não condizem com suas obrigações, previstas nas cláusulas 8.1 (e), 8.1 (f) e 8.f (g) do acordo de parceria. Segundo a mineradora, a falta de interesse do interventor de estabelecer um acordo fez com que a empresa optasse pelo processo de arbitragem.

“Nós acreditamos que as recentes ações da Coomigasp diminuíram a capacidade da Colossus de obter financiamento adicional e têm criado maiores desafios para Serra Pelada. Queremos trabalhar cooperativamente com a Coomigasp e acreditamos que a maioria dos membros da cooperativa não tem conhecimento de que as ações adotadas recentemente pelo interventor violam diretamente a joint venture”, afirmou John Frostiak, presidente do Conselho de Administração da Colossus.

Segundo ele, a Coomigasp foi comunicada várias vezes que um acordo permitiria que as partes voltassem a trabalhar juntas, como parceiras, visando avançar o desenvolvimento de Serra Pelada. “Até o momento, a Colossus investiu aproximadamente US$ 300 milhões no projeto Serra Pelada e nosso objetivo é garantir que essa mina seja desenvolvida para o benefício de ambas as partes”, afirmou Frostiak.

No mesmo comunicado, a Colossus afirmou que está trabalhando para concluir os resultados financeiros auditados referentes a 2013. A apresentação do relatório é necessária para que a Comissão de Valores Mobiliários de Ontário, no Canadá, libere a negociação de títulos da Colossus, suspensa em maio deste ano, após apresentação tardia dos resultados da mineradora.

Coomigasp
download (6)Para Marcos Alexandre, interventor da Coomigasp, esse processo de arbitragem impetrado pela Colossus não ganhará corpo, visto que é motivado por mentiras. O interventor afirmou ao Blog que várias foram as tentativas de estabelecer uma comunicação com a empresa canadense, todavia, o outro lado apenas impõe seus desejos por escrito. Ainda segundo o interventor, não há por parte da Colossus a construção de um acordo que altere as bases contratuais que foram assinadas pela diretoria deposta que garantiu 75% do ouro de Serra Pelada aos canadenses. Marcos Alexandre classificou a relação entre Colossus e Coomigasp como difícil, já que a empresa canadense insiste que a Coomigasp se posicione  de maneira submissa.

Marcos Alexandre insiste que a ação da Colossus contra a Coomigasp na Câmara de Arbitragem não tem qualquer fundamento legal e afirma que o staff jurídico da cooperativa já trabalha na defesa.

“Não é possível manter uma relação com um parceiro que sequer disponibiliza os dados geológicos da mina ao outro. Já solicitamos esses dados inúmeras vezes e a Colossus insiste em negar, Diante do fato chego a me perguntar se não há algo de muito errado nessa parceria, já que é negada tal informação”.

Marcos Alexandre afirmou ainda que todas as ações impetradas na justiça contra a Colossus visam reestabelecer os direitos de donos de Serra Pelada aos garimpeiros e que tais ações são respaldadas em fatos e dados que mostram os vícios contratuais  no acordo firmado entre as partes.  “Caso a Colossus tenha interesse em estabelecer uma parceria justa e transparente, a Coomigasp está à disposição e aberta ao diálogo”, concluiu o interventor.

COOMIGASP Autoriza empresa que irá fazer o beneficiamento da montoeira a realizar obras de infra estrutura

gggggggggggggggggg

Uma boa notícia para os quase 40 mil garimpeiros associados da Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada – COOMIGASP. Na última quinta-feira, 26 de junho, em cerimônia no Hotel Serra Leste, em Curionópolis, foi apresentada aos garimpeiros, imprensa e alguns convidados a GASP100, empresa que fará o beneficiamento da montoeira em Serra Pelada.

A GASP100 é uma SPE – Sociedade de Propósito Específico, que faz parte da empresa Brasil Século III Consultoria Ltda, que foi quem assinou o contrato com a COOMIGASP em fevereiro de 2013, aprovado após uma assembleia de garimpeiros realizada em Curionópolis. A SPE é um modelo de organização empresarial pelo qual se constitui uma nova empresa limitada com um objetivo específico, neste caso, a exploração do rejeito oriundo da cava de exploração do ouro na década de 80. Por ser uma empresa com características especiais, a torna mais segura e prática na relação entre as sócias nessa exploração.

O objetivo da reunião foi para prestar esclarecimentos às lideranças garimpeiras sobre a autorização para a GASP100 iniciar a instalação dos equipamentos e toda a infraestrutura necessária em Serra Pelada para a operação de beneficiamento da montoeira. “Inicialmente será feito um reconhecimento na área para que sejam iniciados os trabalhos de montagem dos equipamentos”, disse o presidente da SPE GASP100, Amaury Barros, na presença do interventor da cooperativa, Marcos Alexandre Mendes, e de cerca de 200 garimpeiros no auditório do Hotel Serra Leste.

O contrato determina o beneficiamento do material secundário, aquele formado pelos resíduos, sobras ou lama localizado nas áreas da “CAVA”, “Rio Grota Rica” e “Montoeira”, em Serra Pelada, pertencentes à COOMIGASP e abrangidas pelos Processos DNPM/850.424/1990 e 850.425/1990. O acordo prevê 44% de participação para a COOMIGASP, livre de quaisquer despesas.

O diretor da SPE, Amaury Barros, destacou ainda que o contrato da montoeira é moderno e que a COOMIGASP começa a viver uma nova realidade. “As cooperativas estão corretas em buscar uma gestão empresarial e soluções adequadas para exploração de ouro, platina, paládio e outros minérios em Serra Pelada, ao invés de ficarem só com um investidor. Com a gestão empresarial é possível atrair mais investidores e outras alternativas, buscando melhores resultados em favor dos cooperados. A SPE foi formada justamente para atrair estes investidores e o trabalho começa imediatamente”, disse.

De acordo com o interventor Marcos Alexandre Mendes houve um cuidado em revalidar esse contrato para não se repetir equívocos nos contratos comerciais de Serra Pelada. “Nosso objetivo é sempre resguardar os direitos dos garimpeiros, por isso foi necessário rever algumas etapas antes da liberação da atividade no local, como confirmar as licenças junto ao DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral) e SEMA (Secretaria de Estado de Meio Ambiente)”.

Além disso, todo esse trabalho que se inicia na montoeira será fiscalizado, desde o início, pela equipe técnica da COOMIGASP. “E quando iniciar de fato o processo de beneficiamento será selecionado um grupo de garimpeiros e este grupo será treinado para ajudar na fiscalização dos trabalhos. Dessa forma, mostramos transparência e faremos uma fiscalização compartilhada”, ressaltou o interventor.

Contas bancárias

Marcos Alexandre fez também uma avaliação positiva sobre sua administração à frente da cooperativa, desde outubro do ano passado, apresentando detalhes das ações de contenção de despesas realizadas até agora, e anunciou que em breve os garimpeiros vão abrir contas bancárias para receber os dividendos quando for iniciada a produção e a comercialização do ouro. “Cada um receberá sua participação diretamente na conta, sem intermediário”, disse o interventor, que assumiu a cooperativa por determinação da Justiça de Curionópolis, a pedido do Ministério Público do Estado do Pará.

De acordo com o MPE, “o objetivo da intervenção foi para que a COOMIGASP fosse gerida administrativamente de maneira profissional, intencionando ainda garantir a lisura, transparência e legitimidade nas eleições internas dos seus dirigentes, vislumbrando atingir seu objetivo precípuo, que é a distribuição dos lucros aos seus cooperados”.

Colossus

Em sua fala durante a apresentação da SPE, o interventor Marcos Alexandre voltou a criticar o contrato anteriormente firmado entre a cooperativa e Colossus, empresa canadense que explorava o projeto da mina e paralisou o projeto em dezembro do ano passado. Como já declarei para a imprensa, assim que assumi a COOMIGASP percebi os problemas com a Colossus, porque eu já vinha acompanhando a desvalorização das ações da empresa na Bolsa de Valores. Era previsível que se chegasse a esse ponto. Todo processo que inicia errado não chega até o fim, e assim foi a parceria entre COOMIGASP e Colossus”, afirmou.

              O interventor informou que o projeto está parado, mas há negociações em busca de novos investidores para a exploração do ouro de forma mecanizada em Serra Pelada. “Estamos buscando o melhor para os garimpeiros.  Com certeza, não será assinado nenhum contrato sem o conhecimento e aprovação dos Cooperados”, ressaltou Alexandre Mendes..

Fonte: Lima Rdodrigues

 

BS3 fará o beneficiamento da montoeira de Serra Pelada

O Interventor Judicial da COOMIGASP – Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada -, Marcos Alexandre Morais Mendes, anunciou  hoje que haverá solenidade de apresentação da empresa Brasil, Século III Consultoria Ltda, contratada para as atividades de produção de minerário secundário (Rejeito) do Projeto Serra Pelada.  Durante o evento, que acontecerá na próxima quinta-feira (26), às 15 horas, no Salão de recepções do Hotel Serra Leste, em Curionópolis, a Coomigasp fará a entrega formal da Autorização para início das atividades operacionais.

“Serra Pelada pode nunca entrar em operação”, diz presidente do Conselho de Administração da Colossus

O presidente do Conselho de Administração da Colossus Minerals, John Frostiak, disse que a mina de ouro Serra Pelada, no Pará, corre o risco de nunca entrar em operação. Os planos da mineradora eram iniciar a operação na mina entre o final de 2013 e o início deste ano.

serra_peladaFrostiak disse que a empresa tem procurado bancos, financiadores públicos e privados e outras mineradoras para obter empréstimos ou negociar a venda do ativo, mas não teve sucesso até o momento. No início do ano, mineradoras canadenses e da Ásia analisaram o projeto, tendo chegado a enviar representantes para visitar Serra Pelada, mas não houve propostas.

Uma pessoa com conhecimento do assunto disse que o maior risco é a falta de manutenção do que já foi feito. “Sem manutenção, o que já foi feito pode ser perdido em poucos meses”, disse a fonte, que preferiu não ser identificada.

Segundo Frostiak, que assumiu a presidência do Conselho há poucos meses, o projeto sofreu eventos não esperados. “Sucessivas falhas nos equipamentos de bombeamento e dos próprios poços de rebaixamento do lençol freático impediram a estabilização do lençol o que, consequentemente, não permitiu o desenvolvimento das rampas de acesso às zonas mineralizadas [onde está o ouro]. A combinação destes fatores atrasou o início da produção e aumentou os custos de operação.”

A demanda por recursos extras no ano passado questionou se a companhia seria capaz de começar a produzir ouro no prazo estimado. Em novembro, quando a Colossus anunciou que precisaria de mais dinheiro e que a produção seria adiada, a desconfiança do mercado se intensificou. Em seguida, veio o pedido de insolvência e um acordo de reestruturação que levou os credores a assumirem o comando da empresa.

A Coomigasp, cooperativa de ex-garimpeiros de Serra Pelada, entrou com processo na Justiça do Pará, em novembro do ano passado, para mudar o contrato. Em vez de ter direito a 25% da produção, contra 75% da Colossus, a cooperativa quer ficar com 49% e deixar 51% com os canadenses. A Coomigasp é sócia da Colossus na Serra Pelada Companhia de Desenvolvimento Mineral, empresa criada para o empreendimento.

“Com a Coomigasp questionando o contrato de parceria nenhum investidor virá para a mesa de negociação sabendo que existem incertezas relacionadas ao risco de atrasos prolongados e ao risco de seus investimentos sofrerem alterações significativas”, disse Frostiak.

O projeto de decreto legislativo 1407/2013, que pede a anulação da portaria do Ministério das Minas e Energia, que concedeu à Serra Pelada Companhia de Desenvolvimento Mineral o direito de lavrar ouro, paládio e platina, também está na Comissão de Constituição e Justiça. O texto foi aprovado por unanimidade em abril pela Comissão de Minas e Energia.

“Enquanto o contrato de parceria estiver sendo questionado pela Coomigasp e o interventor [que gere atualmente a cooperativa] e deputados insistirem no cancelamento da licença nada irá progredir. Há o risco do projeto nunca ser desenvolvido”, disse Frostiak.

Segundo o jornal Valor Econômico, a Colossus deixou de pagar as contas de energia elétrica para a Celpa, a companhia de energia do Pará. O débito estaria em cerca de R$ 700 mil. A Celpa ameaça cortar a energia se a conta não for paga até o fim do mês.

“Os esforços da companhia de obter financiamento ou de encontrar comprador para o ativo, o que resolveria a situação de Serra Pelada e essa questão particular [da dívida com a Celpa], estão sendo prejudicados pelos desafios relacionados à propriedade [aos percentuais da sociedade] e pelo projeto dos deputados”, afirmou Frostiak.

Com informações do jornal Valor Econômico.

Serra Pelada: projeto está parado e sem previsão de retomada

Por Lima Rodrigues

Após mais de três anos de trabalho na mina de Serra Pelada e com mais de R$ 500 milhões de reais investidos no projeto, agora tudo está parado e sem previsão de retomada devido à falência da empresa canadense Colossus, que tinha parceria com a Coomigasp, a Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada.

foto 12Desde outubro do ano passado, a Coomigasp está sob intervenção, por determinação da Justiça de Curionópolis (PA), a pedido do Ministério Público Estadual. O mandato do interventor Marcos Alexandre Mendes foi prorrogado por mais quatro meses. Em exclusiva, o interventor explica detalhes da situação do projeto da mina de Serra Pelada.

Como está hoje a situação do projeto da Mina de Serra Pelada?

O projeto continua parado, sem operação. A única atividade que está sendo realizada é o bombeamento do túnel. A nova controladora da Colossus, a financiadora Sandstorm, alega que não tem encontrado novos investidores, principalmente pela aprovação na Comissão de Minas e Energia, da Câmara Federal, da cassação do direito de lavra, e que sem novos aportes não há como retomar as operações.

Algumas galerias do túnel foram alagadas e para continuar o bombeamento é preciso recurso. Como serão conseguidas estas verbas para realizar este trabalho de bombeamento?

Caso a Colossus pare com o bombeamento, estamos buscando todas as alternativas junto às autoridades e órgãos competentes para mantermos a operação. Paralelo a isso, a intervenção buscou o poder judiciário, o qual concedeu uma liminar dando poderes à intervenção de ter o controle do bombeamento com recursos humanos e materiais fornecidos pela Colossus sob pena de multa pecuniária de R$ 100.000,00/dia chegando ao máximo de 1 milhão. A Colossus tem direito a recurso e a COOMIGASP aguarda o desenrolar dos fatos.

Estes alagamentos não prejudicam o andamento do projeto?

Sem o rebaixamento do nível freático não há como retomar as operações.

Está havendo dificuldade quanto à entrada de novos investidores no projeto da mina de Serra Pelada?

Sim, notadamente pela votação na Câmara Federal pela Comissão de Minas e Energia pedindo o cancelamento do decreto de lavra.

A anulação da concessão de lavra da joint-venture entre Colossus e Coomigasp em uma comissão da Câmara dos Deputados está prejudicando estas negociações para atrair novos investidores?

Sim, os investidores ficam temerosos em investir em um cenário de incertezas.

Em quanto tempo o senhor acha que um novo contrato será assinado com um novo grupo de investidores?

Não há previsão com o cenário atual, entretanto, as buscas por novos investidores continuam e não somente isso, estamos considerando todas as possibilidades, inclusive a de a própria cooperativa conduzir o projeto.

Neste novo contrato, a Coomigasp ficará com a metade ou continuará o que determinava o contrato anterior de 75% para a Colossus e 25% para a cooperativa?

A intervenção desde que assumiu tomou como uma das bandeiras principais a negociação pela retomada do percentual anterior. Mas, hoje a batalha se concentra em salvar o projeto, não medimos esforços para defender os interesses dos garimpeiros.

Quanto já foi investido no projeto e quanto mais são necessários para se chegar ao início da produção mineral?

Estima-se que já foi investido U$ 360.000,000,00 (trezentos e sessenta milhões de dólares) e falta ainda U$ 150.000.000,00 (cento e cinquenta milhões de dólares), considerando todo o passivo que existe na empresa, inclusive o trabalhista.

Há boatos de que cinco mil garimpeiros poderão invadir o pátio da Colossus em Serra Pelada. Quais as providências estão sendo tomadas pela Coomigasp?

Não acreditamos nessa possibilidade. O garimpeiro está ciente que precisamos passar uma imagem de união para conquistarmos novos investidores.

O seu mandato como interventor foi prorrogado por mais quatro meses. Neste período, o senhor acha que deixará a Coomigasp completamente sanada e o projeto em andamento sem nenhum problema?

As recomendações contidas em nosso mandado de posse em número de 10 (dez) estão em curso, ou concluídas, sendo que uma das mais importantes é a auditoria no cartório a fim de verificar a autenticidade dos documentos. Até meados de junho essa etapa estará concluída, com seu relatório final entregue ao MP, dessa forma conseguiremos fazer a atualização de dados e abertura de conta individual de cada cooperado, para que o mesmo possa receber o que lhe é de direito, quando do início da produção, sem intermediários de quaisquer espécies. Quanto à retomada das operações, não depende apenas da intervenção, tendo em vista a interrupção ocorrida desde dezembro de 2013, neste momento a prioridade é buscar recursos e possibilidades para o bombeamento não parar , enquanto se busca novas alternativas para a retomada do projeto.

Qual sua mensagem aos garimpeiros?

Sabemos que o garimpeiro tem uma grande ansiedade para que tudo se resolva, mas estamos falando de um projeto que consiste em uma parceria cheia de vícios. Trata-se de um projeto com um nível de complexidade alta. Para resolver o caso de Serra Pelada de forma correta, infelizmente é necessário tempo, se fosse para fazer como sempre tem sido feito, já teria uma solução, mas queremos fazer tudo de forma correta e transparente para que o garimpeiro não seja lesado. Portanto, pedimos confiança, união e credibilidade em nosso trabalho.

Serra Pelada: Sandstorm Gold é o novo acionista majoritário da Colossus

A Colossus Minerals concluiu, na quarta-feira (30), seu plano de reestruturação. A mineradora fez nova divisão de suas ações e títulos, tendo a Sandstorm como acionista majoritário, e reconstituiu seu Conselho de Administração. A empresa paralisou, oficialmente, o projeto de ouro e o colocou em manutenção.

A Colossus informou, hoje por meio de comunicado ao mercado, que o projeto Serra Pelada foi colocado em manutenção e todas as atividades foram interrompidas até que sejam resolvidos os imbróglios com a Coomigasp e com a Comissão de Minas e Energia.

Segundo a mineradora, a conclusão do plano de reestruturação converteu efetivamente todas as dívidas pendentes da companhia, assim como extinguiu o contrato de venda antecipada de ouro a preço fixo (metal stream) da Sandstorm em capital da Colossus. A companhia tem, a partir de agora, 52,6 milhões de ações e uma nota conversível de US$ 4 milhões.

O capital da empresa foi dividido em 51,2% para os detentores de títulos, 40,2% para a Sandstorm Gold, 6,9% de outros credores e 1,7% de acionistas públicos antigos.

Com a implementação do plano de reestruturação, o Conselho de Administração da Colossus passa a ter três nomes. John Frostiak permanece com presidente do Conselho da empresa, enquanto Tom Bruington e John Budreski foram nomeados como diretores.

Bruington é vice-presidente executivo da Sandstorm Gold, e Budreski, presidente e CEO da Morien Resources, companhia que trabalha com ativos de carvão no Canadá.

colossus_britadorDiante das acusações da Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp) e do Projeto de Decreto de Lei N° 1.407/13, que anula a concessão de lavra em Serra Pelada, a Colossus decidiu colocar o projeto no Pará em manutenção e interromper todas as atividades de mineração no site.

Segundo a mineradora canadense, representantes da empresa tiveram várias reuniões com a Coomigasp e o diálogo entre as partes foi “produtivo”. A Colossus disse acreditar que as ações legais que envolvem as empresas “complicam e impedem o desenvolvimento de Serra Pelada”.

A mineradora informou que tem conversado com diversos investidores para conseguir novos financiamentos. Entretanto, diz que a acusação legal feita pela Coomigasp impede que a Colossus consiga levantar novos fundos.

A companhia informou que a Comissão de Valores Mobiliários de Ontário emitiu em 29 de abril uma ordem temporária que suspende a negociação de títulos da Colossus, sob alegação da empresa ter “falhado nas exigências requisitadas pela lei de valores mobiliários de Ontário. Segundo a mineradora, os administradores trabalham para resolver esse problema.

Serra Pelada: CEO da Sandstorm, controladora da Colossus, afirma que sem investimento projeto não será retomado

Sem investidores não há como retomar a implantação do projeto Serra Pelada, disse o CEO da Sandstorm, Nolan Watson, em reunião com o interventor da Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp), Marcos Alexandre Mendes, no último dia 15. A canadense Sandstorm é a atual controladora da Colossus, sócia da Coomigasp no projeto de ouro em Curionópolis.

Acesso a mina subterrânea de Serra Pelada. Crédito: Colossus

Segundo informações da Coomigasp, Watson teria dito que sem novos investidores além de não ser possível a retomada das operações de Serra Pelada, a negociação sobre a revisão dos percentuais da divisão societária entre Coomigasp e Colossus também seria inviável. Apesar disso, o executivo afirmou que continuaria a buscar parceiros comerciais para a viabilização da operação.

Durante a reunião, Watson falou sobre as dificuldades em encontrar no Canadá novos investidores. Um dos motivos seria a aprovação da anulação da concessão de lavra da joint-venture entre Colossus e Coomigasp, em uma das comissões da Câmara dos Deputados no dia 11 de abril.

O executivo falou, ainda, sobre os atuais números da companhia, as dívidas existentes e a necessidade imediata de novo aporte para continuar o bombeamento da água que alagou algumas galerias.

marcos-alexandre2-300x223O interventor da Coomigasp, Marcos Alexandre, disse na reunião que não abre mão da discussão sobre o percentual que cabe aos cooperados no contrato inicial e que também continuará buscando parceiros comerciais para o projeto.

No contrato inicial entre cooperativa e empresa, foi estabelecido um percentual de 49% para a cooperativa e 51% para a empresa, mas posteriormente a porcentagem foi modificada para 25% cooperativa e 75% empresa, sem autorização dos garimpeiros.

O interventor exigiu, ainda, a entrega de todos os dados geológicos de posse da Sandstorm para que seja, pela primeira vez, realizada a análise pela Coomigasp, sem interferências, e assim os cooperados tenham a real dimensão do potencial de seu ativo mineral. De acordo com o interventor, a antiga diretoria da Colossus havia se negado a fornecer os dados.

“Quero dizer aos garimpeiros que as equipes técnica e jurídica da Coomigasp continuam atentas na defesa do patrimônio da cooperativa e que está aberto ao diálogo com o novo controlador da Colossus, mas, continuamos vigilantes e atentos para que os garimpeiros não sejam prejudicados e que a operação possa ser retomada o quanto antes”, afirmou o interventor.

A reunião aconteceu no hotel Radisson Maiorana, em Belém, e contou com as presenças do promotor Hélio Rubens, dos garimpeiros Edinaldo de Aguiar Soares, João Amaro Lepos e Etevaldo Arantes, que representavam os garimpeiros, do advogado da interventoria Ivaldo Marques Freitas Júnior, e do assessor técnico e gerente de produção da Coomigasp Francisco Carlos Lima.

Esse foi o segundo encontro entre representantes da Coomigasp e o CEO da Sandstorm. Nolan Watson esteve no Brasil no final de março para tratar do projeto Serra Pelada. Na primeira reunião o interventor apresentou as reivindicações da cooperativa e as condicionantes ambientais para a retomada do projeto. Watson havia prometido levar as propostas ao Canadá e dar a resposta na nova reunião, que aconteceu na semana passada. As informações são do blog oficial da Interventoria da Coomigasp.

Serra Pelada segue com futuro incerto

vistadoprojetoMais de quatro meses depois da paralisação das obras civis de implantação de uma mina subterrânea para extração de ouro, na qual foram gastos cerca de R$ 560 milhões, o antigo garimpo de Serra Pelada, no município de Curionópolis, segue com seu futuro indefinido. A única certeza que se tem até agora é quanto ao afastamento em caráter definitivo do grupo canadense Colossus Minerals Inc., que vinha tocando o projeto desde 2007 em sociedade com a Cooperativa dos Garimpeiros de Serra Pelada, a Coomigasp.

O contrato entre a Coomigasp e o grupo canadense, cujo braço recebeu no Brasil o nome de Colossus Geologia e Participações Ltda, deu origem à joint venture Serra Pelada Companhia de Desenvolvimento Mineral (SPCDM), empresa legalmente responsável pela implantação do empreendimento. No final do ano passado, quando entrou em processo de falência, a Colossus acumulava no Brasil um passivo avaliado em cerca de R$ 95 milhões, constituído basicamente de dívidas trabalhistas e débitos com fornecedores.

Para dar andamento ao projeto, concluindo as obras da etapa final de engenharia até chegar à fase de produção, a empresa, além de sanear suas finanças, precisaria investir ainda em torno de US$ 95 milhões, o equivalente a pouco mais de R$ 200 milhões. Ela não dispunha desse dinheiro, estava sem crédito junto ao sistema financeiro e ainda enfrentava problemas com o sócio, em face da disputa feroz de poder entre grupos e facções rivais que disputam com a Coomigasp a representação dos cerca de 38 mil garimpeiros que se julgam com direitos no antigo garimpo.

marcos-alexandre2-300x223Para restabelecer a ordem administrativa no empreendimento, depois do afastamento do grupo canadense, e tentar pacificar os ânimos, evitando os choques previsíveis entre grupos rivais, em disputas que historicamente ignoram os métodos pacíficos, a Justiça de Curionópolis decretou intervenção na Coomigasp em novembro do ano passado e designou como interventor o administrador de empresas Marcos Alexandre Mendes. O período de intervenção judicial terminou no dia 11 deste mês, mas foi prorrogado pelo juiz Danilo Fernandes até o próximo mês de agosto.

Marcos Alexandre participou esta semana, em Belém, de um demorado encontro realizado na sede do Ministério Público com os novos controladores da Colossus. Estes são, na verdade, os credores remanescentes do grupo canadense, investidores que aplicaram capital próprio no empreendimento e que agora assumem o seu controle, como garantia para os empréstimos concedidos. Segundo o interventor, os novos controladores fizeram uma apresentação dos gastos realizados e das dívidas ainda pendentes de pagamento.

Ao final, a conclusão foi de que há necessidade de se buscarem novos investidores para a retomada do projeto.

Fonte: Diário do Pará

Comissão de Minas e Energia da Câmara Federal anula concessão de lavra em Serra Pelada. Direitos de lavra deve voltar para a Coomigasp.

A Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados aprovou ontem (9), por unanimidade, o Projeto de Decreto Legislativo que anula a portaria de lavra concedida para uma joint venture formada pela Colossus e a Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp). No mesmo dia, a Justiça prorrogou por mais quatro meses a intervenção da Coomigasp.

Serra_Pelada_ColossusO Projeto de Decreto Legislativo N° 1.407/13 anula a Portaria Ministerial n° 514, que concedeu à empresa Serra Pelada Companhia de Desenvolvimento Mineral (SPCDM), a concessão para lavra de minério de ouro, paládio e platina do projeto Serra Pelada, no município de Curionópolis (PA).

Sem a concessão de lavra, o projeto que tem avanço de 95%, mas foi paralisado em dezembro, não poderá produzir. A Colossus, em crise financeira, demitiu empregados e busca investidores para concluir o empreendimento.

A SPCDM é uma joint venture entre a Coomigasp e a mineradora canadense Colossus Minerals. Segundo os autores do projeto, com a anulação dessa norma, os direitos sobre a mina retornam para a cooperativa.

“Consegui aprovar, hoje, na Comissão de Minas e Energia, um Projeto de Decreto Legislativo, que anula a Portaria de Lavra do Garimpo de Serra Pelada, que estava nas mãos da SPCDM para voltar às mãos da COOMIGASP, ou seja, com esta decisão, o garimpo de Serra Pelada volta para as mãos dos garimpeiros. Nós vamos continuar lutando para que na Comissão de Constituição e Justiça seja reafirmada a anulação dessa Portaria de Lavra”, disse o deputado Domingos Dutra (SDD-MA), um dos autores do projeto.

Assinam o texto os deputados Domingos Dutra (SDD-MA), Sebastião Bala Rocha (SDD-AP), Zé Geraldo (PT-PA), Wandenkolk Gonçalves (PSDB-PA) e Giovanni Queiroz (PDT-PA). O Projeto ainda será analisado pelas comissões de Constituição e Justiça e de Cidadania, antes de ser votado pelo Plenário.