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China mantém proibição a super navio da Vale

Reuters – A China irá permitir que apenas navios com capacidade até 250 mil toneladas de peso morto atraquem em seus portos a partir de 1º de julho, disse o Ministério do Transporte, banindo de vez os cargueiros gigantes da mineradora brasileira Vale, que já estavam proibidos de entrar nos portos do país desde janeiro de 2012.

Esta será o mais recente revés para a maior produtora de minério de ferro no mundo, que esperava que a China, seu principal comprador, retirasse a proibição colocada em prática para proteger os armadores nacionais.

imageA Vale investiu mais de US$ 2 bilhões para construir diversos navios de carga com 400 mil toneladas de peso morto, os chamados Valemax, para reduzir o custo de transporte para a China.

Os principais rivais da Vale, Rio Tinto e BHP Billiton, operam na Austrália e têm mais vantagem no custo do frete marítimo, que é mais curto.

A expansão dos portos chineses tem sido “irracional” e eles precisam reduzir a capacidade para atender a uma série de requerimentos, incluindo o limite de capacidade máxima de 250 mil toneladas para os navios atracados, disse o Ministério do Transporte em uma declaração publicada em seu website em 10 de fevereiro.

As novas regras vão entrar em vigor em 1º de julho, disse a nota, acrescentando que “cada autoridade portuária deverá orientar as empresas a reestruturarem os terminais de acordo com as regras de desenvolvimento de transporte marítimo de grande porte”.

Apesar de a proibição chinesa elevar os custos de frete da Vale, o uso dos cargueiros gigantes não é um problema porque eles podem atracar em outros portos, disse o diretor da consultoria de transporte marítimo Drewry Maritime Advisors, Jayendu Krishna.

“No esquema geral das coisas considerando a distribuição global de minério de ferro, as implicações em custo provavelmente não serão muito grandes”, disse ele.

Há atualmente 30 navios do tipo Valemax em operação, alguns de propriedade da Vale. A empresa afirmou no passado que perdia de US$ 2 a US$ 3 por tonelada em custos de frete devido à proibição chinesa.

Devido à proibição, a mineradora criou um terminal de transbordo nas Filipinas, em 2012, onde os Valemax transferem o minério para navios menores, que seguem rumo à China.

Governo arrecada 29,5% mais royalties da mineração em 2013

Segundo a Agência Estado, no ano passado o governo ampliou em quase 30% a arrecadação com a Compensação Financeira pela Exploração Mineral (Cfem), conhecido no jargão do setor como os royalties da mineração. Os cofres públicos registraram entrada de R$ 2,376 bilhões em 2013, de acordo com dados do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), ante R$ 1,834 bilhão registrado um ano antes.

imageO aumento da arrecadação com a Cfem ocorre em meio às discussões para mudança do Marco da Mineração, que tem entre as alterações previstas as alíquotas cobradas. Hoje, por exemplo, as alíquotas do imposto para o minério de ferro é de 2% sobre o faturamento líquido. O minério de ferro é o produto que mais contribui para a Cfem.

No novo código para o setor, que irá substituir o vigente desde 1967, o governo não definiu as alíquotas no texto que foi apresentado em junho e as deixou para serem fechadas via decreto. No entanto, o texto do marco foi alterado pela Comissão Especial criada para tratar do assunto, que já deixou clara a sua vontade de deixar o porcentual do imposto fechado. No caso do minério de ferro a alíquota passaria para 4% do faturamento bruto, por exemplo. A expectativa é de que o texto do marco seja votado pelo Congresso Nacional no início do ano, para que o mesmo entre em vigor em 2014.

A maior pagadora da Cfem é a Vale, maior mineradora do País. Em 2013, a companhia enfrentou alguns problemas para ampliar a sua produção, que deverá registrar queda em relação ao visto um ano antes. Se a meta da Vale de produção de minério de ferro foi alcançada no ano passado, o volume pode ter chegado a 306 milhões de toneladas, uma leve queda em relação ao ano prévio, quando a produção chegou a 319,96 milhões de toneladas.

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Fonte: DNPM

Juntos, em 2013, os 63 municípios mineradores paraenses arrecadaram R$519.213.988,91 em Cfem, ficando atrás apenas de Minas Gerais (R$768.595.286,88), onde 450 dos seus 853 municípios são mineradores.

No Pará, Parauapebas foi o município que levou a maior parte da Cfem. Sozinho, o município recebeu R$450.805.592,51 em 2013, seguido por Canaã dos Carajás (R$25.818.309,96), Marabá (R$12.763.712,63), Paragominas (R$10.057.707,99), Juriti (R$6.602.096,66), Oriximiná (R$5.053.552,23) e Ipixuna do Pará (R$4.442.267,72).

Para 2014 a Vale projeta que o volume de minério de ferro produzido chegará em 321 milhões de toneladas, sendo 312 milhões de toneladas de produção própria e 9 milhões de terceiros.

Preço do minério

A arrecadação da Cfem subiu no ano passado, mesmo com o preço do minério de ferro apresentando queda no acumulado do ano no mercado à vista (spot) de quase 7%. Apesar desse queda, quando se compara o preço do insumo no início de 2013 e no fim, os preços se mantiveram ao longo de todo ano em um patamar elevado. Em 2012, por exemplo, o preço da matéria-prima chegou a ficar abaixo de US$ 90 a tonelada, enquanto em 2013 o menor valor foi de US$ 110, considerando em ambos os casos o preço no mercado à vista.

Logística da Vale limita aumento de produção imediata em Carajás

Mesmo que a mineradora conseguisse resolver rapidamente questão com o governo brasileiro, aumento na produção ficaria limitado à capacidade de escoamento por ferrovia.

A expansão da produção de minério de ferro da Vale em Carajás, no Pará, depende do aumento de capacidade de logística, afirmaram em Londres nesta quinta-feira executivos da mineradora. Mesmo que a mineradora conseguisse resolver rapidamente a questão das suas atividades de mineração em áreas de cavernas com o governo brasileiro, o aumento na produção ficaria limitado à capacidade de escoamento do produto por ferrovia, afirmou o diretor de Estratégia e Ferrosos, José Carlos Martins.

A segunda maior mineradora do mundo tem projeto para elevar sua capacidade de logística na região, mas no momento a ferrovia de Carajás pode transportar até 128 milhões de toneladas por ano de minério, como lembrou o presidente da companhia, Murilo Ferreira, no mesmo evento que reuniu investidores e analistas de mercado.

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O relatório de produção da Vale, divulgado recentemente, informou que o começo de um dos projetos de expansão da Vale em Carajás neste último trimestre do ano poderá ser limitado devido à atual capacidade de transporte.

A expectativa era que o projeto, batizado de Adicional 40, porque deverá ter capacidade final de 40 milhões de toneladas de minério por ano, produzisse 5,2 milhões de toneladas no final deste ano, caso não houvesse restrição na logística.

A duplicação de seções adicionais da ferrovia poderá gradualmente aliviar tal restrição, informa o relatório.

O aproveitamento das minas da Serra Sul, também em Carajás, só será possível com um gigantesco projeto de logística de 11,58 bilhões de dólares que foi aprovado pelo Conselho da companhia. O projeto de Serra Sul, conhecido como S11D e com capacidade de produção de 90 milhões de toneladas, depende desses investimentos em infraestrutura.

A Vale espera concluir todo o projeto de logística em 2018, com a duplicação de aproximadamente 570 quilômetros da estrada de ferro, a construção de um ramal ferroviário com 101 quilômetros, a aquisição de vagões e locomotivas e expansões no terminal marítimo de Ponta da Madeira.

Além de Serra Sul e do projeto em “ramp up” para o adicional de 40 milhões de toneladas de minério, a Vale também traz em seu plano de investimentos o projeto Serra Leste, na mesma região, com capacidade estimada de 6 milhões de toneladas.

Localizada em plena floresta, a atividade de mineração em Carajás esbarra também em questões ambientais. Um dos principais pontos questionados pelos órgãos ambientais competentes é a mineração em áreas com ocorrência de cavernas. A Vale depende de licenciamento ambiental para algumas atividades.

Fonte: Reuters

S11D: ANTT autoriza obra do ramal ferroviário sudeste do Pará

A Agência Nacional de Transportes Terrestres – ANTT – autorizou a Estrada de ferro Carajás – EFC – da mineradora Vale, a executar obras do projeto ramal ferroviário sudeste do Pará. A informação está no Diário oficial da União desta segunda-feira (21).

O projeto faz parte do Corredor de Logística Norte, por onde será escoada a produção de minério de ferro do S11D, o maior projeto da história da Vale, previsto para entrar em operação no segundo semestre de 2016.

Os investimentos autorizados ficam limitados a R$1,483 bilhão.

Prestes a inaugurar uma “nova era”, Carajás completa amanhã 46 anos de descobrimento

Amanhã, completam-se 46 anos do descobrimento das jazidas de ferro de Carajás, no Pará. Em 31 de julho de 1967, o geólogo Breno Augusto dos Santos desceu de helicóptero em uma serra da região e, enquanto a aeronave era abastecida pelo piloto, começou a quebrar os primeiros blocos com seu martelo: “O pó marrom-avermelhado indicava que a crosta da clareira correspondia a uma “canga” de minério de ferro [canga é uma área rica em minério na superfície] “, escreveu Santos, 73 anos, ao relatar suas memórias sobre os primórdios de Carajás. A descoberta, inesperada, mudaria a história da Vale e do Brasil e colocaria, no mapa da mineração mundial, a Serra dos Carajás, nome cuja origem remete a antigos mapas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Quase cinco décadas depois, a Vale se prepara para dar um salto na produção de minério de ferro na região com base em novas tecnologias de extração e de beneficiamento no projeto batizado de S11D, na Serra Sul de Carajás. É uma área nova a ser explorada, uma vez que até agora a produção de minério se concentrou na Serra Norte. “Carajás vai inaugurar uma nova fase com a implantação do S11D”, disse Santos, em entrevista ao Valor. Ele visitou o projeto em maio e se surpreendeu com o que viu: “O mais impressionante é que a planta de beneficiamento está sendo construída a cerca de 45 quilômetros de distância [em relação à área da mina] e será transferida, em módulos, o maior com dimensão de 19 metros por 50 metros, por carretas especiais.”

No S11D, ou projeto Serra Sul, o minério será extraído do subsolo, coletado por escavadeiras e depositado em britadores móveis, que vão alimentar correias transportadoras que levarão o produto até a usina de beneficiamento. O sistema dispensa o uso de caminhões fora de estrada e reduz o consumo de diesel. Há ainda outras inovações como o fato de o processamento do minério não fazer uso de água, o que descarta barragens de rejeitos. Com isso, reduz a intervenção em ambientes nativos.

Natural de Olímpia (SP), Santos viveu 18 anos no Pará, onde inclusive ganhou o título de cidadão paraense. Hoje, morador de Niterói (RJ) tem visão crítica sobre a forma como se deu o desenvolvimento sócio-econômico da região de Carajás, onde, segundo ele, ainda existem poucas áreas preservadas graças à implantação do projeto de ferro pela Vale. Cita a Floresta Nacional de Carajás (Flonaca) e a Floresta Nacional Tapirapé-Aquiri (Flonata), além da reserva indígena dos Xicrins. “Em volta se desmatou tudo, margem de rio, topo de serra.”

Segundo Santos, quando se fez o projeto de Carajás, em pleno regime da ditadura militar [1964-1985], com governo centralizado, se perdeu oportunidade de fazer um zoneamento ambiental para orientar a ocupação na região de Carajás. “Prevaleceu o faroeste americano, na base da bala, de quem chegasse primeiro.” Ele também entende que houve incompetência do Brasil de aproveitar a riqueza de Carajás para desenvolver melhor a região agregando tecnologia para aumentar o valor do ferro: “Se Carajás fosse na China, na Coreia ou na Alemanha, de lá estariam saindo automóveis, locomotivas ou computadores.” “Mas essa não é uma função da Vale.”

Para Santos, Carajás continuará a ser uma reserva ímpar: “Dificilmente haverá um negócio mineral no mundo tão bom quanto o ferro de Carajás porque a qualidade é tão excepcional e o minério tão simples de ser explorado, que a margem se torna maior do que qualquer outra jazida.” E previu: “A Vale [com o S11D] vai se tornar cada vez mais imbatível no minério de ferro. Se o preço cair, Carajás não fecha porque tem robustez, custo de produção baixo, qualidade [alto teor de ferro] e logística excepcional”, afirmou.

Na visão dele, antes mesmo de ser uma empresa de mineração, a Vale é uma companhia de logística. “A Vale é ótima em pegar jazida de ferro de excepcional qualidade, usar grandes equipamentos e levar por trem até navios. E é imbatível em jogar esse minério do outro lado do mundo de maneira competitiva, mas em mineração ainda pode aprender alguma coisa.” Santos disse que a empresa aprendeu a trabalhar com minério relativamente fácil, mas agora, até pela tendência de exaustão de jazidas em Minas Gerais, começou a investir no beneficiamento de minério tipo itabirito duro, mais pobre. Segundo ele, a Vale precisa se aculturar em outros bens minerais e cita o exemplo dos metais: “A Vale tem uma equipe excepcional que está aprendendo a trabalhar com cobre”.

O projeto S11D recebeu este mês do Ibama a última licença ambiental que faltava, liberando a Vale para levar o projeto adiante. A previsão é que entre em operação em 2017, com investimentos de US$ 19,5 bilhões, e capacidade de produzir 90 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. Quando o S11D estiver em plena operação, a produção total de minério de ferro da Vale no Pará vai atingir 230 milhões de toneladas por ano.

Questionado se no futuro novas frentes de exploração poderiam ser abertas pela Vale na Serra Sul de Carajás, Santos perguntou: “Interessa à Vale e ao país fazer isso?” Na visão dele, é importante que o minério de ferro de Carajás seja explorado com uma visão de longo prazo, sem a pressão do novo marco regulatório que tramita no Congresso Nacional. Em 2012, Carajás produziu 106,7 milhões de toneladas de ferro.

Quando Carajás foi descoberta, a Vale era a maior empresa do Brasil e produzia 10 milhões de toneladas de minério de ferro por ano em Minas Gerais, algo como 3% das 320 milhões de toneladas extraídas pela mineradora no ano passado. Apesar de a descoberta ter ocorrido no fim dos anos de 1960, Carajás só entrou em operação em 1985, há 28 anos. Mas a riqueza dessa província mineral já era atestada, na ocasião, por personagens importantes, como o então primeiro-ministro da China, Zhao Ziyang.

Em novembro de 1985, Zhao visitou a Serra dos Carajás, um complexo de cristas e chapadas que se elevam a uma altitude de 660 metros acima do nível do mar, e, segundo a lenda, teria expressado sua surpresa com aquelas reservas: “Seus antepassados devem ter agradado a Deus para que Ele lhes tenha dado tanto.” O relato consta do livro sobre os 70 anos da Vale, publicado em 2012.

Na década de 1970, levantamentos geológicos indicaram a existência de cerca de 18 bilhões de toneladas de minério em Carajás com teor médio de 66,1% de ferro. Mas Santos acredita que com o detalhamento da pesquisa os recursos possam ser “sensivelmente” maiores porque os primeiros levantamentos não incluíam o itabirito duro. Os recursos estão concentrados em quatro jazidas principais, chamadas de N1, N4 e N5, na Serra Norte, e S11, na Serra Sul. O S11D é um bloco dentro do corpo (área) denominado S11, cujo potencial mineral é de 10 bilhões de toneladas de ferro, sendo 2,78 bilhões de toneladas no bloco D.

Nessas quase três décadas de operação, as jazidas de ferro de Carajás se consolidaram pelo seu baixo custo de produção. E também garantiram lugar como fonte de suprimento de qualidade para a indústria siderúrgica mundial. Essa primeira fase, com a exploração de minas de ferro no lado norte da serra, continua e ainda tem muitas reservas a serem exploradas, segundo Santos, cuja vida se mistura à de Carajás. “É como um filho, inclusive no meu testamento está escrito que, quando morrer, minhas cinzas serão jogadas em Carajás se a Vale e o Ibama deixarem, já que se trata de uma reserva natural.”

Na época do descobrimento das jazidas de ferro, Santos estava desempregado e apresentou currículo ao geólogo americano Gene Tolbert, que havia sido seu professor na Universidade de São Paulo, onde se graduou como geólogo em 1963. “Ainda hoje me considero um capataz da geologia que sempre tive sorte de trabalhar com uma boa equipe e construímos sonhos e ideais que se transformaram em realidade.” Funcionário da Vale por 27 anos, Santos entrou na empresa como gerente na Amazônia e se aposentou como presidente da Rio Doce Geologia e Mineração (Docegeo), responsável pelo programa de exploração geológica da mineradora. Em 2003, a Docegeo foi extinta e a equipe de geólogos absorvida pela Vale. Ele também foi secretário de Minas e Metalurgia do Ministério de Minas e Energia entre 1994 e 1995.

Quando Santos submeteu seu currículo a Tolbert, o ex-professor começava um programa de exploração geológica conduzido pela Companhia Meridional de Mineração, filial brasileira da United States Steel (USS), então a maior siderúrgica do mundo, cujo objetivo era encontrar reservas de manganês, insumo usado na produção de aço.

Contratado, Santos seguiu em 1967 para o Pará, onde um ano antes uma subsidiária da Union Carbide havia descoberto jazida de manganês perto de Marabá, na Serra do Sereno, para uso na produção das pilhas Eveready. A Serra do Sereno fica a cerca de 15 quilômetros de uma das jazidas de ferro de Carajás, mas, apesar da proximidade, ainda não havia sido descoberto nem ouro nem ferro no local. Aos 27 anos, Santos tornou-se chefe de uma equipe de campo da Cia. Meridional de Mineração, que chegou a ter 250 homens trabalhando com apoio de helicópteros na Serra dos Carajás.

Tolbert, o chefe do projeto, temia que se sua equipe ficasse em Marabá (PA), pois as informações sobre o projeto poderiam vazar para os geólogos concorrentes da Union Carbide. Assim, Santos seguiu para Altamira, no interior do Estado, mas a Union Carbide desconfiou do movimento e se antecipou e alugou uma casa onde a equipe de Santos pretendia se instalar. Havia a opção de seguir para São Félix do Xingu, na época uma vila com mil habitantes e uma só rua que servia também de pista de pouso. “Me neguei a ir para lá pois havia muitas pessoas com lepra e tuberculose.”

Informado por pilotos, Santos ficou sabendo que havia pistas de pouso ao longo do rio Xingu. Em julho de 1967, escolheu um seringal na ilha de São Francisco para montar uma base. O improviso com que sua equipe trabalhava faz Santos compará-la ao “incrível exército de Brancaleone”, em referência ao filme de Mário Monicelli, que narra a saga de um atrapalhado grupo de soldados que tenta conquistar o reino dos sonhos na Europa medieval.

Após sobrevoos de helicóptero na serra comprovou-se que as clareiras eram todas iguais. “Era tudo ferro”, diz o geólogo.

Naqueles dias, a equipe recebeu fotos aéreas de um programa do governo brasileiro que tornar-se disponíveis. As imagens mostravam grandes clareiras na floresta. Pelas fotos se percebeu também que era preciso mudar de acampamento para ficar mais próximo das áreas favoráveis à busca de manganês.

Em meados de julho de 1967, houve a decisão de mudar a base para uma aldeia dos índios Xicrins, no rio Cateté. Ao descer, a equipe soube que havia uma pista recém construída em um castanhal existente na confluência do igarapé Cinzento com o rio Itacaiúnas. “O Castanhal do Cinzento foi o trampolim para entrar em Carajás.”

A partir dali, começaram voos de reconhecimento. Foi em um deles, em 31 de julho de 1967, que Santos e o piloto José Aguiar pousaram para abastecer o helicóptero na clareira de uma serra, batizada pelo geólogo como Serra Arqueada e que assim passou a ser conhecida. Ao coletar o material, Santos verificou que se tratava de minério de ferro e se perguntou se as demais clareiras da região também seriam do mesmo mineral, o que poderia constituir um dos maiores depósitos de ferro do mundo. Mas seria impossível que depósitos tão grandiosos, aflorantes na superfície, ainda não tivessem sido descobertos, quando o homem já se preparava para pousar na lua, relembrou Santos em um artigo.

Informado por telefone da presença de ferro, Tolbert minimizou a descoberta e recomendou seguir com a busca de manganês. Mas a continuidade dos sobrevoos de helicóptero comprovaram que as clareiras eram iguais. “Era tudo ferro”, disse Santos. Finalmente Tolbert visitou as jazidas e constatou sua grandeza. Segundo Santos, seu chefe teria ficado contrariado, pois entendeu que era um negócio grande demais para a United States Steel. Mesmo assim, a empresa encaminhou 32 requerimentos de pesquisa ao Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) com cinco mil hectares cada um, o que perfazia área de 160 mil hectares. Embora a US Steel tivesse o direito preferencial para pesquisar as jazidas, suas pretensões de fazer a exploração sozinha não foram bem-vistas pelo governo brasileiro.

O DNPM manteve paralisado até 1969 o processo de concessões de alvarás na região. Foi quando o governo negociou a participação da Vale, como sócia majoritária, em projeto de pesquisa mineral abrangendo os 160 mil de hectares. Foi criada a Amazônia Mineração (AMZA), joint venture na qual a Vale tinha 51% e a US Steel, 49%. Caberia à AMZA implantar o Projeto Ferro Carajás.

Em junho de 1977, após divergências entre os sócios, a US Steel saiu do projeto recebendo indenização de US$ 50 milhões. Assim, a Vale tornou-se a única acionista da AMZA, embora na época ainda considerasse Carajás como “uma aventura distante”. De lá pra cá, a empresa transformou a descoberta de Santos em uma realidade que agora promete novamente se transformar. (Valor Econômico)

Vale obtém licença de instalação para o projeto S11D

A Vale informa que obteve a licença ambiental de instalação (LI) para o projeto de minério de ferro Carajás S11D, o projeto de classe mundial de maior qualidade e menor custo da indústria global. Com a emissão da LI, o Conselho de Administração da Vale aprovou o programa completo de S11D, composto por mina, plantas de processamento, capacidade ferroviária e porto.  

A LI foi emitida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e faz parte da segunda fase de licenciamento do projeto S11D, autorizando o início das obras de construção da usina.

S11D é o maior projeto da história da Vale e também o maior da indústria de minério de ferro, constituindo-se em importante alavanca de criação de valor, crescimento da capacidade de produção e da manutenção da liderança da Vale no mercado global em termos de volume, custo e qualidade. 

Alto potencial de criação de valor

O capex total de S11D é de US$ 19,671 bilhões, tendo como base taxa de câmbio de R$ 2,00/ US$, e compreende o desenvolvimento da mina e planta de processamento (US$ 8,089 bilhões) e logística (US$ 11,582 bilhões).

O projeto tem capacidade nominal de 90 milhões de toneladas métricas anuais (Mtpa) de minério de ferro com reservas provadas e prováveis de 4,240 bilhões de toneladas métricas com um teor médio de ferro de 66,7%, baixas impurezas e cash cost (mina, planta, ferrovia e porto depois de royalties) de US$ 15,00 por tonelada métrica (baseada em taxa de câmbio de R$ 2,00/ US$). O start-up de S11D é esperado para 2S16 e atingirá sua capacidade nominal de produção em 2018.

O CLN S11D aumentará nossa capacidade logística para 230 Mtpa e compreende a construção de um ramal ferroviário, duplicação de seções da ferrovia, terminal ferroviário e investimentos em instalações portuárias. O start-up ocorrerá a partir do 1S15 até 2S18. O capex de CLN S11D inclui investimentos em logística US$ 10,363 bilhões, US$ 1,036 bilhão em equipamento rodante e US$ 183 milhões transferidos do CLN 150 para o CLN S11D.

O projeto S11D estabelecerá base para a construção ao longo do tempo de novas plataformas de criação de valor mediante desenvolvimento de projetos brownfield de baixo custo de investimento, dando sustentação à manutenção no longo prazo da liderança da Vale no mercado global de minério de ferro.

Status da execução

A engenharia do projeto está praticamente completa e os pacotes de equipamentos e serviços para todo o programa (S11D e CLN S11D) está 23% contratado e 45% a contratar com proposta firme. Ao fim de maio de 2013, o S11D estava com 44% de evolução física na minha e usina de processamento como resultado da nossa estratégia de construir módulos remotamente. O CLN S11D estava com 8% de avanço físico.

Até maio de 2013, nós já executamos US$ 2,736 bilhões. O capex será realizado até o fim do ramp-up em 2018, apesar da maior concentração esperada durante 2014-2016.

Inovação tecnológica e sustentabilidade

Consistentemente com o objetivo de criação de valor sustentável no longo prazo, desenvolvemos soluções tecnológicas voltadas para a preservação do meio ambiente, com a utilização mais eficiente dos recursos naturais e diminuição da emissão de poluentes.

Com a aplicação do conceito de mineração sem caminhões, os caminhões fora-de-estrada serão substituídos por uma estrutura composta escavadeiras e britadores móveis que irão extrair o minério de ferro e alimentar correias transportadoras que farão o transporte até a usina de beneficiamento.

O processamento do minério de ferro a partir da umidade natural (sem acréscimo de água) é outra tecnologia que mitigará os impactos ambientais. Essa técnica elimina a geração de rejeitos com o máximo de aproveitamento do minério, pois as partículas mais finas, que seriam eliminadas no processo convencional, misturam-se ao produto final.

Quando estiverem operacionais a mina e a usina do S11D produzirão com economia de 93% e 77%, respectivamente, no consumo de água e combustível, possibilitando a redução de 50% na emissão de gases de efeito estufa, quando comparado aos métodos convencionais.  O processamento a seco permitirá também a redução do consumo de energia elétrica em 18 mil MW ao ano e a eliminação do uso de barragem de rejeito, minimizando a intervenção em ambientes nativos.

Os benefícios para a indústria do aço

O minério de ferro de alta qualidade de Carajás apresenta menores custos operacionais e valor em uso superior para a indústria do aço, pois implica em maior produtividade e menor consumo de combustível e emissões de carbono, o que magnifica a sensibilidade da demanda global à expansão da produção do metal e contribui para a sustentabilidade ao longo da cadeia produtiva. Ao mesmo tempo, com o empobrecimento progressivo da qualidade do minério de ferro no mundo, a demanda por minérios de alta qualidade tende a crescer para o atendimento das crescentes necessidades de blending, o que a torna menos sensível aos efeitos de recessões econômicas.

O aumento de produção de minério de ferro de alta qualidade está em linha com a estratégia da Vale de crescimento e criação de valor sustentável baseado numa plataforma de ativos de classe mundial, gestão ativa de portfólio e disciplina na alocação de capital.

Sinal de alerta?!

imageSegundo estudo apresentado ontem durante uma oficina sobre royalties com autoridades na área da mineração e tributação minerária pelo Secretário de Desenvolvimento de Parauapebas, o geólogo Heleno Costa (foto),  com a atual nível de produção aplicado em Carajás só restariam 80 anos de minério de ferro nas minas de Carajás.

É preciso que a sociedade civil organizada e as autoridades municipais, estaduais e federais unam forças e comecem a pensar urgentemente em uma alternativa econômica e sustentável para o município de Parauapebas pós-Carajás!!!

Vale prioriza projeto no Pará para recuperar participação de mercado

O diretor de finanças e relações com investidores da Vale, Luciano Siani, afirmou que a prioridade absoluta da companhia é o desenvolvimento do projeto S11D, de minério de ferro, no Pará, que permitirá, segundo ele, a colocação da produção no porto a um custo de US$ 15 por tonelada.

Siani ressaltou que, com o S11D, a Vale vai recuperar participação de mercado global em minério de ferro.

“Perdemos market share por não conseguirmos crescer produção”, disse em teleconferência com analistas sobre os resultados do terceiro trimestre. “A partir de 2017, com entrada de Serra Sul, podemos esperar o crescimento da Vale no seu principal mercado, que é o minério de ferro”, acrescentou.

Além disso, outro projeto citado por Siani como prioritário foi Moatize, em Moçambique, para produção de carvão. De acordo com ele, os problemas para aumentar a produção de Moatize hoje estão restritos à logística, sem percalços na operação da mina.

De acordo com o executivo, a Vale vai procurar, sempre que possível, parcerias para o desenvolvimento de projetos. “Vamos buscar de forma mais ampla que no passado”, disse.

Siani afirmou também que a companhia está reavaliando todos os seus negócios na área de metais base, que inclui níquel e cobre.

O objetivo é manter a operação de ativos que agreguem mais valor à produção da empresa. Siani destacou fechamento da mina de Frood, no Canadá, que operava há mais de cem anos e produzia, atualmente, um minério com baixo teor de níquel. “Ativos que não estão adicionando valor serão desinvestidos”, afirmou. ( ANJF )

Produção de minério de ferro da Vale cai 4,5%

A Vale informou, nesta quarta-feira, que a sua produção de minério de ferro no terceiro trimestre do ano somou 83,926 milhões de toneladas, o que representou uma queda de 4,5% em relação ao registrado no mesmo período de 2011. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior houve um incremento de 4,2% nos volumes. Essa produção considera 100% da produção da Samarco, empresa na qual a Vale é sócia.

Ainda no trimestre passado, Carajás foi responsável por 27,635 milhões de toneladas do volume total, ou 32,9% do registrado no período. A produção de Carajás recuou 10,5% em relação ao terceiro trimestre de 2011.

Sobre a performance em Carajás, a companhia explicou que a empresa enfrentou problemas relacionados com o licenciamento ambiental, o que levou a mineradora a “persistir na mineração de cavas mais antigas, o que resultou em menor produtividade, menor teor de Fe e custos mais elevados”.

Considerando os primeiros nove meses do ano a produção de minério pela Vale atingiu 234,462 milhões de toneladas, um recuo de 2,2% em relação ao registrado no mesmo intervalo de 2011. Já a produção de pelotas pela mineradora somou 14,461 milhões de toneladas, aumento de 1,6% na comparação anual e de 1,4% na trimestral.

No acumulado do ano até setembro, o volume atingiu 41,409 milhões de toneladas, aumento de 3,8% ante mesmo período do ano anterior.

A Vale destacou que está direcionando uma parcela adicional da produção de minério de ferro para a ampliação da oferta de sinter feed, reduzindo, dessa forma, a oferta de pellet feed, conforme já divulgado ao mercado. “Esta decisão está alinhada ao comportamento cíclico da demanda da indústria do aço por matérias-primas, que aumenta o consumo de sinter feed e diminui a utilização de pelotas de alto forno nesta fase do ciclo”, lembrou a empresa em seu relatório de produção.

No segmento de metais básicos, a Vale informou que a produção de níquel no período entre julho e setembro somou 49 mil toneladas, recuo de 15,7% ante o terceiro trimestre de 2011 e queda de 19,8% em relação ao trimestre imediatamente anterior. No ano, a produção somou 173 mil toneladas métricas, estável em relação a 2011. Já a produção de cobre caiu 19,9% em relação ao mesmo período de 2011, para 68 mil toneladas. Ante o trimestre anterior o recuo foi de 3,6%. No ano até setembro, a produção chegou em 211 mil toneladas métricas, queda de 3% na comparação anual.

Fonte: R7

Serra dos Carajás pode sumir em 80 anos

O trem de Carajás é o maior do mundo. Todos os dias ele faz 24 viagens de ida e volta entre a mina de Carajás, no coração do Pará, e o porto da Ponta da Madeira, no litoral do Maranhão. Daqui a 80 anos talvez não servirá mais para nada, pois a Serra de Carajás poderá ser totalmente consumida.

O trem percorre quase 900 quilômetros em cada viagem, com duração de 18 horas. Sua passagem por qualquer ponto demora quatro minutos. Ele tem quatro quilômetros de comprimento. Cada trem, com 300 vagões de 80 toneladas, arrasta 24 mil toneladas. Ao final de um dia transporta 576 mil toneladas do melhor minério de ferro do mundo, com pureza de mais de 65% de hematita, sem igual na crosta terrestre. É o equivalente à carga de 17 mil caminhões pesados

Essa carga diária vale quase 60 milhões de dólares quando chega ao seu destino. Dos 100 milhões de toneladas que Carajás produziu (exportando quase tudo) no ano passado, 80% tomaram a direção da Ásia: 60% para a China e 20% para o Japão.

O minério de ferro se tornou o principal item da pauta de exportação recorde do Brasil. Só Carajás permitiu o ingresso de quase US$ 9 bilhões líquidos no caixa do Banco Central no ano passado (e há ainda outros minérios cada vez mais importantes em Carajás: níquel, cobre e manganês).

A ex-estatal Companhia Vale do Rio Doce, que explora a mina, se tornou a maior empresa privada do Brasil, do continente e a segunda maior mineradora do mundo. É responsável por 10% da balança comercial brasileira. A maior parcela da sua receita vai ser extraída cada vez mais de Carajás. Ainda nesta década a produção de minério de ferro estará mais do que duplicada.

O incremento do ritmo de produção de Carajás é um dos processos mais impressionantes da história contemporânea do Brasil. A grande província levou 15 anos para produzir os primeiros 500 milhões de toneladas de minério de ferro. Outros 500 milhões foram alcançados nos sete anos seguintes %u2014 em menos da metade do período anterior, portanto.

Esse mesmo volume foi registrado nos últimos cinco anos. E com a entrada em operação da nova mina, ao sul da atual, a produção de 500 milhões de toneladas será batida a cada três anos. Significa dizer que antes da metade desta década a produção acumulada de Carajás chegará a dois bilhões de toneladas.

A jazida é de 18 bilhões de toneladas, do minério top ao menos rico. No ritmo máximo inicialmente previsto, de 25 milhões de toneladas, levaria quase 800 anos para ser esgotada. Na intensidade que terá a partir de 2017, quando a duplicação estará feita, a melhor concentração do minério mais usado pelo homem só durará mais 80 anos. Não haverá mais Carajás quando o século XXII estiver começando*. Grande parte desse ferro terá sido transformada em construções e produtos na China, que tem um terço da produção siderúrgica mundial. Ou, quem sabe, ainda estará guardada em seu território para uso futuro.

Essa empreitada de escala mundial adquirirá uma dimensão sem igual na história do aproveitamento de um recurso natural no Brasil. Para haver a duplicação, já em fase de execução, aos trens em operação, equivalentes a 17 mil caminhões diários, terão que ser acrescidos o equivalente a 37 mil caminhões diários. No total, trens que substituem 54 mil caminhões trafegando todos os dias, para dar uma ideia mais visualizável pelo cidadão brasileiro em sua civilização ainda rodoviária.

Para que Carajás atinja a escala de 230 milhões de toneladas por ano, a Vale precisará investir 40 bilhões de reais, sendo R$ 16,5 bilhões na mina e R$ 23,5 bilhões na logística, da qual o principal item é a duplicação da ferrovia, pela qual circula o maior trem de carga do mundo.

No dia 30 de julho as obras de duplicação da ferrovia foram interrompidas por decisão liminar de um juiz federal do Maranhão. No dia 13 de setembro o presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região suspendeu os efeitos da decisão e as obras prosseguiram.

Em 30 dias de paralisação a Vale disse ter perdido 40 milhões de reais e foi sobrestado um financiamento de R$ 3,9 bilhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Esse seria o prejuízo já criado, mas muitos outros surgiriam se a medida fosse mantida, obrigando a demissões, corte de investimentos e muitas outras repercussões, inclusive internacionais.

O movimento pendular de suspensão e reativação de grandes obras pela justiça já é um acidente de percurso desses projetos, por seus impactos locais. No caso, estão em questão os interesses de remanescentes de índios, os Awa Guajá, e de 86 comunidades quilombolas estabelecidos às margens da ferrovia.

O juiz federal Ricardo Macieira ficou convencido pelos argumentos de entidades que representam esses grupos de que é preciso recomeçar o processo de licenciamento desde o início para que índios e quilombolas sejam ouvidos e digam se concordam com a obra. Enquanto isso não ocorrer, a duplicação da ferrovia não poderia prosseguir.

A Vale conseguiu demonstrar ao desembargador federal Mário César Ribeiro que a duplicação é apenas a interligação de pátios de estacionamento que já existem, nos quais os trens aguardam para retornar ao trilho principal, sem expandir a faixa de domínio da ferrovia, em operação desde 1985; que o processo de licenciamento, iniciado em 2004, percorreu todos os caminhos administrativos e está enquadrado na legislação;e que os próprios quilombolas fizeram um acordo em juízo que lhes garante os direitos de acompanhar as obras e se protegerem.

O debate e as medidas pró e contra a obra poderão prosseguir, mas nem tocarão na questão principal: o Brasil aceita a decisão da Vale de acelerar ao máximo a extração do minério de Carajás e esgotar a mais preciosa jazida de ferro do mundo em um século?

Fonte: Lúcio Flávio Pinto