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Alerta: minério de ferro brasileiro registra menor preço dos últimos 4 anos

O preço médio do minério de ferro exportado pelo Brasil, até a quarta semana deste mês, foi de US$ 66,4 dólares por tonelada. É o menor valor desde os US$ 52,3 registrados em março de 2010, quando a economia se recuperava de uma crise financeira global de 2009. Os dados foram divulgados ontem (25) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

tabela-minerio-de-ferroNo acumulado do ano, o valor do minério de ferro exportado pelo Brasil teve queda de cerca de 35%, segundo dados do MDIC. O preço da commodity tem sido pressionado com um aumento expressivo da oferta global neste ano.

O preço do minério de ferro no mercado à vista teve queda de 0,3%, ou US$ 0,30, e ficou em US$ 88,90 a tonelada ontem (25), de acordo com o índice de preços elaborado pela The Steel Index, que considera recebimento no porto de Tianjin, na China, onde a umidade do minério de ferro, com 62% Fe, varia de 8% a 10% do peso total.

Segundo a Reuters, a queda foi impulsionada pelas grandes mineradoras globais, entre elas a Vale, que elevou a oferta na tentativa de tirar os pequenos produtores do mercado.

A Vale aposta em um crescimento menor da oferta no segundo semestre deste ano, segundo avaliação do diretor-executivo de Ferrosos e Estratégia, José Carlos Martins, feita em 31 de julho, durante comentários dos resultados trimestrais.

De acordo com Martins, a oferta global de minério de ferro vai crescer cerca de 50 milhões de toneladas no segundo semestre, ante um aumento de 90 milhões de toneladas registrado nos seis primeiros meses deste ano.

No mês passado, o preço da tonelada exportada do minério de ferro foi de US$ 70,1, queda de 21,9% em relação aos US$ 89,8 por tonelada de julho de 2013, com a cotação global da commodity sendo pressionada por uma maior oferta do produto.

O faturamento com as exportações de minério de ferro, principal produto da pauta de vendas externas do Brasil, foi de US$ 2,18 bilhões em julho, frente aos R$ 2,66 bilhões do mesmo mês de 2013, segundo dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) no início deste mês.

Com informações da agência Reuters.

CFEM em baixa. Exportação de minério de ferro em alta.

Mina de CarajásDados do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) mostram que o Brasil arrecadou R$ 912,15 milhões em Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) no primeiro semestre deste ano, uma queda de 29,4% em relação aos R$ 1,29 bilhão arrecadados nos primeiros seis meses de 2013.

O Pará foi o segundo maior arrecadador de CFEM, com R$ 285,23 milhões nos seis primeiros meses de 2014. O valor representa uma queda de 47,5% na comparação com o primeiro semestre de 2013, quando foram arrecadados R$ 543,20 milhões. No mês de junho, o Pará arrecadou R$ 31,98 milhões, cerca de 2,6% a mais do que os R$ 31,17 milhões do mesmo mês em 2013.

O produto que mais gerou receita no primeiro semestre de 2014 foi o minério de ferro, responsável pela arrecadação de R$ 145,54 milhões. Em segundo lugar entre os maiores produtos arrecadadores de CFEM está o cobre, com cerca de R$ 25,91 milhões.

Minério de Ferro
Em contrapartida, segundo dados divulgados ontem (01) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as exportações de minério de ferro do Brasil somaram 29,55 milhões de toneladas em junho deste ano, uma alta de 11,7% em relação aos 26,1 milhões de toneladas de junho de 2013. Na relação com o mês de maio, quando foram exportadas 30,7 milhões de toneladas, houve queda de 3,8% se comparada ao mês anterior.

Geólogo que descobriu as jazidas de Carajás palestrará em Parauapebas na quinta (22)

Breno dos SantosAproveitando a vinda do geólogo Breno Augusto dos Santos, que descobriu a primeira jazida de minério de ferro na Serra dos Carajás, em 1967, a Secretaria Municipal de Cultural de Parauapebas – Secult -, através do Museu Municipal de Parauapebas, o convidou para ministrar uma palestra ao cidadãos parauapebenses com o tema: “Carajás: um caso histórico. A palestra realizar-se-á no auditório do Centro Universitário de Parauapebas (CEUP), na quinta-feira, 22, às 19h, quando serão contados detalhes da grande descoberta que culminou com a criação da cidade de Parauapebas.

A palestra será aberta à comunidade e contará com a presença de autoridades, estudantes e população em geral. Em função do evento, Breno dos Santos receberá o título de Cidadão de Parauapebas.

Breno dos Santos está em Parauapebas desenvolvendo um trabalho profissional, mas aceitou o pedido do Secretário Municipal de Cultura, Fernando Veras, para participar de alguns eventos, inclusive, como é um dos intermediadores da construção do Museu de Parauapebas, fará parte da mesa quando será anunciada oficialmente a conquista da área para construção dessa tão esperada obra.

Geólogo em Carajás -1967Histórico
Em um voo de helicóptero, o geólogo Breno dos Santos, então funcionário da US Steel, foi obrigado a fazer um pouso de emergência em uma clareira na região. Mas aquela clareira não era proposital, eles haviam pousado em uma “canga” – uma região onde o minério de ferro está tão rente à superfície que a vegetação não consegue crescer de forma normal. O geólogo, durante o voo, havia notado diversas clareiras como aquela pela região, o que não é nada comum. Pronto. Estava descoberta a maior reserva de minério de ferro do mundo, fato que mudaria, em alguns anos, mudaria a história do Brasil, do Pará e de Parauapebas.

Por Luís Bezerra – Secult

Preço do minério de ferro no 2º semestre pode ser o pior desde 2012

O preço do minério de ferro pode chegar a menos de US$ 100 por tonelada pela primeira vez desde 2012. A queda nos preços ocorre no momento em que a crescente oferta global impulsiona o crescimento do excedente de oferta do mercado transoceânico, e o crescimento da demanda na China perde força. A previsão é de especialistas de mercado de diferentes empresas do mundo todo.

pilha_de_minério_de_ferroO excesso de oferta do mercado transoceânico vai subir para 79 milhões de toneladas neste ano, segundo previsão da Morgan Stanley. Já o banco Standard Chartered prevê um excedente de 136 milhões de toneladas. Os estoques nos portos chineses alcançaram um recorde de 110,1 milhões de toneladas na semana passada, cerca de 27% a mais em relação ao ano passado, segundo dados do Shanghai Steelhome Information Technology.

Os embarques de minério na China bateram recorde e chegaram a 820 milhões de toneladas no ano passado, segundo a China Iron & Steel Association. No primeiro trimestre de 2014, a importação no país asiático cresceu cerca de 19%, para 222 milhões de toneladas, de acordo com dados de 10 de abril.

“A expectativa é que a produção de aço bruto da China chegue a 1,1 bilhão de toneladas em 2025. Nosso panorama é para um forte crescimento na demanda de aço para os próximos dez anos”, disse Michiel Hovers, vice-presidente de marketing da BHP Billiton.

O minério com 62% de ferro entre a Tianjin teve uma queda de 21% em 2014, para US$ 106 por tonelada, segundo dados do The Steel Index. O preço de referência (benchmark price) em março deste ano caiu para US$ 104,70, o pior desde outubro de 2012.

Segundo a Morgan Stanley, preços inferiores a US$ 105 podem impulsionar a compra de minério de fora da China, mas é improvável que ocorra uma queda significante inferior a US$ 100. O preço da tonelada de minério de ferro na China estava US$ 20,34 mais caro do que a média global na semana passada. Em 30 de abril, a diferença de preço chegou a US$ 20,94, a maior defasagem em seis semanas.

A economia chinesa enfrenta seu pior momento de expansão desde 1990. Segundo previsão da Bloomberg, a economia do país asiático deve expandir 7,3% em 2014 à medida que o governo reduz o crédito.

“Nós apontamos o risco de que os elevados estoques nos portos chineses podem levar a um novo ciclo de diminuição dos estoques (destocking), levando a uma pressão adicional nos preços à vista. O preço da tonelada do minério de ferro ficará inferior a US$ 100 no quarto trimestre deste ano por algum tempo”, disse Christian lelong, analista do Goldman Sachs.

Fonte: NMB

Arrecadação da CFEM cai quase 40%

O Brasil arrecadou R$ 138,84 milhões em Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), durante o mês de abril de 2014, uma queda de 31,05% em relação ao arrecadado no mesmo mês de 2013, quando o valor chegou a R$ 201,46 milhões. No acumulado de janeiro a abril a queda é ainda maior, 39,69%. Os primeiros quatro meses de 2014 arrecadaram R$ 625,747 milhões, enquanto que, no mesmo período do ano passado, o valor chegou a R$ 1,037 bilhão.

dnpm_sede_bsbMinas Gerais foi novamente o Estado campeão de arrecadação, com R$ 63,85 milhões em abril deste ano, segundo dados divulgados no site do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). No acumulado de janeiro a abril, o valor foi R$ 292,85 milhões.

Na comparação anual, Minas Gerais sofreu uma queda de 55% na arrecadação do mês de abril, já que no mesmo período em 2013, o Estado recolheu R$ 141,79 milhões de CFEM. Nos quatro primeiros meses do ano, a queda foi de 35,27%, já que em 2013, o valor arrecadado de janeiro a abril em Minas Gerais foi de R$ 452,46 milhões.

Pará
O Pará foi o segundo maior arrecadador de CFEM, com R$ 44,79 milhões em abril e R$ 206,17 milhões nos primeiros quatro meses de 2014. Na contra mão da tendência de quedas, a arrecadação do Pará aumentou nas comparações anuais. Em abril de 2014 houve um aumento de 33,47% e nos quatro primeiros meses do ano, de 59,29%.

O produto que mais gerou receita foi o minério de ferro, que foi responsável pela arrecadação de R$ 426,96 milhões de janeiro a abril deste ano. Só no mês de abril, ele foi responsável pela arrecadação de R$ 89,90 milhões.

Em segundo lugar entre os maiores produtos arrecadadores de CFEM está o cobre, que gerou receita de R$ 9,87 milhões em abril deste ano e R$ 32,10 milhões no acumulado dos quatro primeiros meses de 2014.

China mantém proibição a super navio da Vale

Reuters – A China irá permitir que apenas navios com capacidade até 250 mil toneladas de peso morto atraquem em seus portos a partir de 1º de julho, disse o Ministério do Transporte, banindo de vez os cargueiros gigantes da mineradora brasileira Vale, que já estavam proibidos de entrar nos portos do país desde janeiro de 2012.

Esta será o mais recente revés para a maior produtora de minério de ferro no mundo, que esperava que a China, seu principal comprador, retirasse a proibição colocada em prática para proteger os armadores nacionais.

imageA Vale investiu mais de US$ 2 bilhões para construir diversos navios de carga com 400 mil toneladas de peso morto, os chamados Valemax, para reduzir o custo de transporte para a China.

Os principais rivais da Vale, Rio Tinto e BHP Billiton, operam na Austrália e têm mais vantagem no custo do frete marítimo, que é mais curto.

A expansão dos portos chineses tem sido “irracional” e eles precisam reduzir a capacidade para atender a uma série de requerimentos, incluindo o limite de capacidade máxima de 250 mil toneladas para os navios atracados, disse o Ministério do Transporte em uma declaração publicada em seu website em 10 de fevereiro.

As novas regras vão entrar em vigor em 1º de julho, disse a nota, acrescentando que “cada autoridade portuária deverá orientar as empresas a reestruturarem os terminais de acordo com as regras de desenvolvimento de transporte marítimo de grande porte”.

Apesar de a proibição chinesa elevar os custos de frete da Vale, o uso dos cargueiros gigantes não é um problema porque eles podem atracar em outros portos, disse o diretor da consultoria de transporte marítimo Drewry Maritime Advisors, Jayendu Krishna.

“No esquema geral das coisas considerando a distribuição global de minério de ferro, as implicações em custo provavelmente não serão muito grandes”, disse ele.

Há atualmente 30 navios do tipo Valemax em operação, alguns de propriedade da Vale. A empresa afirmou no passado que perdia de US$ 2 a US$ 3 por tonelada em custos de frete devido à proibição chinesa.

Devido à proibição, a mineradora criou um terminal de transbordo nas Filipinas, em 2012, onde os Valemax transferem o minério para navios menores, que seguem rumo à China.

Governo arrecada 29,5% mais royalties da mineração em 2013

Segundo a Agência Estado, no ano passado o governo ampliou em quase 30% a arrecadação com a Compensação Financeira pela Exploração Mineral (Cfem), conhecido no jargão do setor como os royalties da mineração. Os cofres públicos registraram entrada de R$ 2,376 bilhões em 2013, de acordo com dados do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), ante R$ 1,834 bilhão registrado um ano antes.

imageO aumento da arrecadação com a Cfem ocorre em meio às discussões para mudança do Marco da Mineração, que tem entre as alterações previstas as alíquotas cobradas. Hoje, por exemplo, as alíquotas do imposto para o minério de ferro é de 2% sobre o faturamento líquido. O minério de ferro é o produto que mais contribui para a Cfem.

No novo código para o setor, que irá substituir o vigente desde 1967, o governo não definiu as alíquotas no texto que foi apresentado em junho e as deixou para serem fechadas via decreto. No entanto, o texto do marco foi alterado pela Comissão Especial criada para tratar do assunto, que já deixou clara a sua vontade de deixar o porcentual do imposto fechado. No caso do minério de ferro a alíquota passaria para 4% do faturamento bruto, por exemplo. A expectativa é de que o texto do marco seja votado pelo Congresso Nacional no início do ano, para que o mesmo entre em vigor em 2014.

A maior pagadora da Cfem é a Vale, maior mineradora do País. Em 2013, a companhia enfrentou alguns problemas para ampliar a sua produção, que deverá registrar queda em relação ao visto um ano antes. Se a meta da Vale de produção de minério de ferro foi alcançada no ano passado, o volume pode ter chegado a 306 milhões de toneladas, uma leve queda em relação ao ano prévio, quando a produção chegou a 319,96 milhões de toneladas.

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Fonte: DNPM

Juntos, em 2013, os 63 municípios mineradores paraenses arrecadaram R$519.213.988,91 em Cfem, ficando atrás apenas de Minas Gerais (R$768.595.286,88), onde 450 dos seus 853 municípios são mineradores.

No Pará, Parauapebas foi o município que levou a maior parte da Cfem. Sozinho, o município recebeu R$450.805.592,51 em 2013, seguido por Canaã dos Carajás (R$25.818.309,96), Marabá (R$12.763.712,63), Paragominas (R$10.057.707,99), Juriti (R$6.602.096,66), Oriximiná (R$5.053.552,23) e Ipixuna do Pará (R$4.442.267,72).

Para 2014 a Vale projeta que o volume de minério de ferro produzido chegará em 321 milhões de toneladas, sendo 312 milhões de toneladas de produção própria e 9 milhões de terceiros.

Preço do minério

A arrecadação da Cfem subiu no ano passado, mesmo com o preço do minério de ferro apresentando queda no acumulado do ano no mercado à vista (spot) de quase 7%. Apesar desse queda, quando se compara o preço do insumo no início de 2013 e no fim, os preços se mantiveram ao longo de todo ano em um patamar elevado. Em 2012, por exemplo, o preço da matéria-prima chegou a ficar abaixo de US$ 90 a tonelada, enquanto em 2013 o menor valor foi de US$ 110, considerando em ambos os casos o preço no mercado à vista.

Logística da Vale limita aumento de produção imediata em Carajás

Mesmo que a mineradora conseguisse resolver rapidamente questão com o governo brasileiro, aumento na produção ficaria limitado à capacidade de escoamento por ferrovia.

A expansão da produção de minério de ferro da Vale em Carajás, no Pará, depende do aumento de capacidade de logística, afirmaram em Londres nesta quinta-feira executivos da mineradora. Mesmo que a mineradora conseguisse resolver rapidamente a questão das suas atividades de mineração em áreas de cavernas com o governo brasileiro, o aumento na produção ficaria limitado à capacidade de escoamento do produto por ferrovia, afirmou o diretor de Estratégia e Ferrosos, José Carlos Martins.

A segunda maior mineradora do mundo tem projeto para elevar sua capacidade de logística na região, mas no momento a ferrovia de Carajás pode transportar até 128 milhões de toneladas por ano de minério, como lembrou o presidente da companhia, Murilo Ferreira, no mesmo evento que reuniu investidores e analistas de mercado.

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O relatório de produção da Vale, divulgado recentemente, informou que o começo de um dos projetos de expansão da Vale em Carajás neste último trimestre do ano poderá ser limitado devido à atual capacidade de transporte.

A expectativa era que o projeto, batizado de Adicional 40, porque deverá ter capacidade final de 40 milhões de toneladas de minério por ano, produzisse 5,2 milhões de toneladas no final deste ano, caso não houvesse restrição na logística.

A duplicação de seções adicionais da ferrovia poderá gradualmente aliviar tal restrição, informa o relatório.

O aproveitamento das minas da Serra Sul, também em Carajás, só será possível com um gigantesco projeto de logística de 11,58 bilhões de dólares que foi aprovado pelo Conselho da companhia. O projeto de Serra Sul, conhecido como S11D e com capacidade de produção de 90 milhões de toneladas, depende desses investimentos em infraestrutura.

A Vale espera concluir todo o projeto de logística em 2018, com a duplicação de aproximadamente 570 quilômetros da estrada de ferro, a construção de um ramal ferroviário com 101 quilômetros, a aquisição de vagões e locomotivas e expansões no terminal marítimo de Ponta da Madeira.

Além de Serra Sul e do projeto em “ramp up” para o adicional de 40 milhões de toneladas de minério, a Vale também traz em seu plano de investimentos o projeto Serra Leste, na mesma região, com capacidade estimada de 6 milhões de toneladas.

Localizada em plena floresta, a atividade de mineração em Carajás esbarra também em questões ambientais. Um dos principais pontos questionados pelos órgãos ambientais competentes é a mineração em áreas com ocorrência de cavernas. A Vale depende de licenciamento ambiental para algumas atividades.

Fonte: Reuters

S11D: ANTT autoriza obra do ramal ferroviário sudeste do Pará

A Agência Nacional de Transportes Terrestres – ANTT – autorizou a Estrada de ferro Carajás – EFC – da mineradora Vale, a executar obras do projeto ramal ferroviário sudeste do Pará. A informação está no Diário oficial da União desta segunda-feira (21).

O projeto faz parte do Corredor de Logística Norte, por onde será escoada a produção de minério de ferro do S11D, o maior projeto da história da Vale, previsto para entrar em operação no segundo semestre de 2016.

Os investimentos autorizados ficam limitados a R$1,483 bilhão.

Prestes a inaugurar uma “nova era”, Carajás completa amanhã 46 anos de descobrimento

Amanhã, completam-se 46 anos do descobrimento das jazidas de ferro de Carajás, no Pará. Em 31 de julho de 1967, o geólogo Breno Augusto dos Santos desceu de helicóptero em uma serra da região e, enquanto a aeronave era abastecida pelo piloto, começou a quebrar os primeiros blocos com seu martelo: “O pó marrom-avermelhado indicava que a crosta da clareira correspondia a uma “canga” de minério de ferro [canga é uma área rica em minério na superfície] “, escreveu Santos, 73 anos, ao relatar suas memórias sobre os primórdios de Carajás. A descoberta, inesperada, mudaria a história da Vale e do Brasil e colocaria, no mapa da mineração mundial, a Serra dos Carajás, nome cuja origem remete a antigos mapas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Quase cinco décadas depois, a Vale se prepara para dar um salto na produção de minério de ferro na região com base em novas tecnologias de extração e de beneficiamento no projeto batizado de S11D, na Serra Sul de Carajás. É uma área nova a ser explorada, uma vez que até agora a produção de minério se concentrou na Serra Norte. “Carajás vai inaugurar uma nova fase com a implantação do S11D”, disse Santos, em entrevista ao Valor. Ele visitou o projeto em maio e se surpreendeu com o que viu: “O mais impressionante é que a planta de beneficiamento está sendo construída a cerca de 45 quilômetros de distância [em relação à área da mina] e será transferida, em módulos, o maior com dimensão de 19 metros por 50 metros, por carretas especiais.”

No S11D, ou projeto Serra Sul, o minério será extraído do subsolo, coletado por escavadeiras e depositado em britadores móveis, que vão alimentar correias transportadoras que levarão o produto até a usina de beneficiamento. O sistema dispensa o uso de caminhões fora de estrada e reduz o consumo de diesel. Há ainda outras inovações como o fato de o processamento do minério não fazer uso de água, o que descarta barragens de rejeitos. Com isso, reduz a intervenção em ambientes nativos.

Natural de Olímpia (SP), Santos viveu 18 anos no Pará, onde inclusive ganhou o título de cidadão paraense. Hoje, morador de Niterói (RJ) tem visão crítica sobre a forma como se deu o desenvolvimento sócio-econômico da região de Carajás, onde, segundo ele, ainda existem poucas áreas preservadas graças à implantação do projeto de ferro pela Vale. Cita a Floresta Nacional de Carajás (Flonaca) e a Floresta Nacional Tapirapé-Aquiri (Flonata), além da reserva indígena dos Xicrins. “Em volta se desmatou tudo, margem de rio, topo de serra.”

Segundo Santos, quando se fez o projeto de Carajás, em pleno regime da ditadura militar [1964-1985], com governo centralizado, se perdeu oportunidade de fazer um zoneamento ambiental para orientar a ocupação na região de Carajás. “Prevaleceu o faroeste americano, na base da bala, de quem chegasse primeiro.” Ele também entende que houve incompetência do Brasil de aproveitar a riqueza de Carajás para desenvolver melhor a região agregando tecnologia para aumentar o valor do ferro: “Se Carajás fosse na China, na Coreia ou na Alemanha, de lá estariam saindo automóveis, locomotivas ou computadores.” “Mas essa não é uma função da Vale.”

Para Santos, Carajás continuará a ser uma reserva ímpar: “Dificilmente haverá um negócio mineral no mundo tão bom quanto o ferro de Carajás porque a qualidade é tão excepcional e o minério tão simples de ser explorado, que a margem se torna maior do que qualquer outra jazida.” E previu: “A Vale [com o S11D] vai se tornar cada vez mais imbatível no minério de ferro. Se o preço cair, Carajás não fecha porque tem robustez, custo de produção baixo, qualidade [alto teor de ferro] e logística excepcional”, afirmou.

Na visão dele, antes mesmo de ser uma empresa de mineração, a Vale é uma companhia de logística. “A Vale é ótima em pegar jazida de ferro de excepcional qualidade, usar grandes equipamentos e levar por trem até navios. E é imbatível em jogar esse minério do outro lado do mundo de maneira competitiva, mas em mineração ainda pode aprender alguma coisa.” Santos disse que a empresa aprendeu a trabalhar com minério relativamente fácil, mas agora, até pela tendência de exaustão de jazidas em Minas Gerais, começou a investir no beneficiamento de minério tipo itabirito duro, mais pobre. Segundo ele, a Vale precisa se aculturar em outros bens minerais e cita o exemplo dos metais: “A Vale tem uma equipe excepcional que está aprendendo a trabalhar com cobre”.

O projeto S11D recebeu este mês do Ibama a última licença ambiental que faltava, liberando a Vale para levar o projeto adiante. A previsão é que entre em operação em 2017, com investimentos de US$ 19,5 bilhões, e capacidade de produzir 90 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. Quando o S11D estiver em plena operação, a produção total de minério de ferro da Vale no Pará vai atingir 230 milhões de toneladas por ano.

Questionado se no futuro novas frentes de exploração poderiam ser abertas pela Vale na Serra Sul de Carajás, Santos perguntou: “Interessa à Vale e ao país fazer isso?” Na visão dele, é importante que o minério de ferro de Carajás seja explorado com uma visão de longo prazo, sem a pressão do novo marco regulatório que tramita no Congresso Nacional. Em 2012, Carajás produziu 106,7 milhões de toneladas de ferro.

Quando Carajás foi descoberta, a Vale era a maior empresa do Brasil e produzia 10 milhões de toneladas de minério de ferro por ano em Minas Gerais, algo como 3% das 320 milhões de toneladas extraídas pela mineradora no ano passado. Apesar de a descoberta ter ocorrido no fim dos anos de 1960, Carajás só entrou em operação em 1985, há 28 anos. Mas a riqueza dessa província mineral já era atestada, na ocasião, por personagens importantes, como o então primeiro-ministro da China, Zhao Ziyang.

Em novembro de 1985, Zhao visitou a Serra dos Carajás, um complexo de cristas e chapadas que se elevam a uma altitude de 660 metros acima do nível do mar, e, segundo a lenda, teria expressado sua surpresa com aquelas reservas: “Seus antepassados devem ter agradado a Deus para que Ele lhes tenha dado tanto.” O relato consta do livro sobre os 70 anos da Vale, publicado em 2012.

Na década de 1970, levantamentos geológicos indicaram a existência de cerca de 18 bilhões de toneladas de minério em Carajás com teor médio de 66,1% de ferro. Mas Santos acredita que com o detalhamento da pesquisa os recursos possam ser “sensivelmente” maiores porque os primeiros levantamentos não incluíam o itabirito duro. Os recursos estão concentrados em quatro jazidas principais, chamadas de N1, N4 e N5, na Serra Norte, e S11, na Serra Sul. O S11D é um bloco dentro do corpo (área) denominado S11, cujo potencial mineral é de 10 bilhões de toneladas de ferro, sendo 2,78 bilhões de toneladas no bloco D.

Nessas quase três décadas de operação, as jazidas de ferro de Carajás se consolidaram pelo seu baixo custo de produção. E também garantiram lugar como fonte de suprimento de qualidade para a indústria siderúrgica mundial. Essa primeira fase, com a exploração de minas de ferro no lado norte da serra, continua e ainda tem muitas reservas a serem exploradas, segundo Santos, cuja vida se mistura à de Carajás. “É como um filho, inclusive no meu testamento está escrito que, quando morrer, minhas cinzas serão jogadas em Carajás se a Vale e o Ibama deixarem, já que se trata de uma reserva natural.”

Na época do descobrimento das jazidas de ferro, Santos estava desempregado e apresentou currículo ao geólogo americano Gene Tolbert, que havia sido seu professor na Universidade de São Paulo, onde se graduou como geólogo em 1963. “Ainda hoje me considero um capataz da geologia que sempre tive sorte de trabalhar com uma boa equipe e construímos sonhos e ideais que se transformaram em realidade.” Funcionário da Vale por 27 anos, Santos entrou na empresa como gerente na Amazônia e se aposentou como presidente da Rio Doce Geologia e Mineração (Docegeo), responsável pelo programa de exploração geológica da mineradora. Em 2003, a Docegeo foi extinta e a equipe de geólogos absorvida pela Vale. Ele também foi secretário de Minas e Metalurgia do Ministério de Minas e Energia entre 1994 e 1995.

Quando Santos submeteu seu currículo a Tolbert, o ex-professor começava um programa de exploração geológica conduzido pela Companhia Meridional de Mineração, filial brasileira da United States Steel (USS), então a maior siderúrgica do mundo, cujo objetivo era encontrar reservas de manganês, insumo usado na produção de aço.

Contratado, Santos seguiu em 1967 para o Pará, onde um ano antes uma subsidiária da Union Carbide havia descoberto jazida de manganês perto de Marabá, na Serra do Sereno, para uso na produção das pilhas Eveready. A Serra do Sereno fica a cerca de 15 quilômetros de uma das jazidas de ferro de Carajás, mas, apesar da proximidade, ainda não havia sido descoberto nem ouro nem ferro no local. Aos 27 anos, Santos tornou-se chefe de uma equipe de campo da Cia. Meridional de Mineração, que chegou a ter 250 homens trabalhando com apoio de helicópteros na Serra dos Carajás.

Tolbert, o chefe do projeto, temia que se sua equipe ficasse em Marabá (PA), pois as informações sobre o projeto poderiam vazar para os geólogos concorrentes da Union Carbide. Assim, Santos seguiu para Altamira, no interior do Estado, mas a Union Carbide desconfiou do movimento e se antecipou e alugou uma casa onde a equipe de Santos pretendia se instalar. Havia a opção de seguir para São Félix do Xingu, na época uma vila com mil habitantes e uma só rua que servia também de pista de pouso. “Me neguei a ir para lá pois havia muitas pessoas com lepra e tuberculose.”

Informado por pilotos, Santos ficou sabendo que havia pistas de pouso ao longo do rio Xingu. Em julho de 1967, escolheu um seringal na ilha de São Francisco para montar uma base. O improviso com que sua equipe trabalhava faz Santos compará-la ao “incrível exército de Brancaleone”, em referência ao filme de Mário Monicelli, que narra a saga de um atrapalhado grupo de soldados que tenta conquistar o reino dos sonhos na Europa medieval.

Após sobrevoos de helicóptero na serra comprovou-se que as clareiras eram todas iguais. “Era tudo ferro”, diz o geólogo.

Naqueles dias, a equipe recebeu fotos aéreas de um programa do governo brasileiro que tornar-se disponíveis. As imagens mostravam grandes clareiras na floresta. Pelas fotos se percebeu também que era preciso mudar de acampamento para ficar mais próximo das áreas favoráveis à busca de manganês.

Em meados de julho de 1967, houve a decisão de mudar a base para uma aldeia dos índios Xicrins, no rio Cateté. Ao descer, a equipe soube que havia uma pista recém construída em um castanhal existente na confluência do igarapé Cinzento com o rio Itacaiúnas. “O Castanhal do Cinzento foi o trampolim para entrar em Carajás.”

A partir dali, começaram voos de reconhecimento. Foi em um deles, em 31 de julho de 1967, que Santos e o piloto José Aguiar pousaram para abastecer o helicóptero na clareira de uma serra, batizada pelo geólogo como Serra Arqueada e que assim passou a ser conhecida. Ao coletar o material, Santos verificou que se tratava de minério de ferro e se perguntou se as demais clareiras da região também seriam do mesmo mineral, o que poderia constituir um dos maiores depósitos de ferro do mundo. Mas seria impossível que depósitos tão grandiosos, aflorantes na superfície, ainda não tivessem sido descobertos, quando o homem já se preparava para pousar na lua, relembrou Santos em um artigo.

Informado por telefone da presença de ferro, Tolbert minimizou a descoberta e recomendou seguir com a busca de manganês. Mas a continuidade dos sobrevoos de helicóptero comprovaram que as clareiras eram iguais. “Era tudo ferro”, disse Santos. Finalmente Tolbert visitou as jazidas e constatou sua grandeza. Segundo Santos, seu chefe teria ficado contrariado, pois entendeu que era um negócio grande demais para a United States Steel. Mesmo assim, a empresa encaminhou 32 requerimentos de pesquisa ao Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) com cinco mil hectares cada um, o que perfazia área de 160 mil hectares. Embora a US Steel tivesse o direito preferencial para pesquisar as jazidas, suas pretensões de fazer a exploração sozinha não foram bem-vistas pelo governo brasileiro.

O DNPM manteve paralisado até 1969 o processo de concessões de alvarás na região. Foi quando o governo negociou a participação da Vale, como sócia majoritária, em projeto de pesquisa mineral abrangendo os 160 mil de hectares. Foi criada a Amazônia Mineração (AMZA), joint venture na qual a Vale tinha 51% e a US Steel, 49%. Caberia à AMZA implantar o Projeto Ferro Carajás.

Em junho de 1977, após divergências entre os sócios, a US Steel saiu do projeto recebendo indenização de US$ 50 milhões. Assim, a Vale tornou-se a única acionista da AMZA, embora na época ainda considerasse Carajás como “uma aventura distante”. De lá pra cá, a empresa transformou a descoberta de Santos em uma realidade que agora promete novamente se transformar. (Valor Econômico)