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Deputado Wandenkolk inaugura movimento REAGE CARAJÁS contra a Mineradora Vale
“Ontem, em discurso na tribuna da Câmara Federal, o deputado Wandenkolk atacou a Mineradora Vale em razão da sua falta de responsabilidade social para com os municípios paraenses e iniciou o movimento “Reage Carajás” que promete abalar as estruturas da região. Confira, na íntegra, o que disse o deputado:
“Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, hoje retorno a esta tribuna para falar de uma contradição.
Na semana passada, estive visitando vários municípios, principalmente os do sul do Pará que completam aniversário em festas belíssimas, em razão de suas emancipações: Rondon do Pará, Xinguara, Rio Maria, Água Azul, enfim, vários municípios da região sul e sudeste daquele Estado. Estivemos também em Marabá, implantando a Câmara Técnica do Leite, e em São Félix, numa região emblemática do desenvolvimento agrícola sustentável.
Contando com várias lideranças, inclusive produtores ligados à agricultura familiar, buscamos alternativas no que diz respeito principalmente às regularizações fundiárias daquela área emblemática para o desenvolvimento do nosso Estado. Para que se tenha uma ideia o município de São Félix do Xingu, segundo o último cadastro, tem mais de 2 milhões de cabeças de nelore. Individualmente, a nível municipal, certamente é o maior produtor do Brasil, talvez seja o maior produtor de nelore do mundo. Contudo, o município vive um desconforto e um descompasso, principalmente, quanto à regularização fundiária.
Mas houve festa. Mostrou-se o povo ordeiro, trabalhador e determinado de toda aquela região, que acredita sempre, e cada vez mais, num futuro melhor.
E eis a contradição: temos na região a maior província mineral do planeta, a província mineral de Carajás, quase toda ela explorada pela Companhia Vale e as suas subsidiárias. Para que se tenha uma ideia do gigantismo da megaempresa, em 2012 auferiu um lucro líquido — num balanço feito por ela mesma — de mais de 40 bilhões de dólares. Enquanto isso, no entorno da província mineral de Carajás, convivemos com falta de salas de aula, saúde, hospitais, estradas, pontes, numa insegurança jurídica generalizada e a cada ano que passa, a Companhia Vale aufere maiores lucros, ficando cada vez mais rica, enquanto os nossos moradores, os nossos habitantes, a sociedade, de maneira geral, fica cada vez mais pobre.
Novamente, para que V.Exas. possam imaginar o tamanho do gigantismo dessa empresa, destaco que ela constrói uma segunda linha férrea, num valor que vai duplicar a exportação do minério, agora tirado de Canaã dos Carajás e levado diretamente para o Porto de Itaqui, no Maranhão, sem verticalizar qualquer grama desse minério em território paraense, levando a cadeia produtiva para a China e lá gerando emprego, quando deveria gerar empregos na nossa região.
Esse projeto deverá passar de 230 milhões de toneladas por ano do nosso minério de ferro. Cada vez mais rica e a nossa gente cada vez mais pobre.
Para culminar com tudo isso, o Governo Federal, vários Governos investiram naquela região, fizeram a Hidrelétrica de Tucuruí, fizeram as eclusas no valor de mais de 1,5 bilhão de reais e, num passe de mágica, sem que ninguém entendesse, retiraram os recursos da nossa hidrovia, retiraram recursos do PAC, sem qualquer justificativa técnica, política ou qualquer justificativa que pudesse convencer a nossa gente e fazê-la entender.
Nós convivemos, enfim, com essa contradição. Nós convivemos com o País rico, com uma região rica, mas de um povo pobre. O próprio jornal O Globo, mês passado, fez uma matéria interessantíssima mostrando as dificuldades de Marabá, que cresce a mais de 20%. A explosão demográfica de Marabá é maior que a média nacional, é um dos maiores crescimentos demográficos do Brasil. Nem por isso nós temos o direcionamento de políticas públicas que possam aliviar e, acima de tudo, minorar o sofrimento daquela gente.
Chegou a hora de reagirmos. Chegou a hora de dizer: basta. Chegou a hora de dizer: reaja, Carajás. Chegou a hora de dizer: este minério é nosso. Chegou a hora de dizer: esta conquista é nossa. Nós temos que fazer com que a própria mineradora traduza toda sua riqueza num espaço também de responsabilidade social e de política públicas para aquela região tão sofrida.
Estamos, a partir de hoje, inaugurando esse movimento, que nós consignamos agora, aqui no plenário da Câmara Federal, colocando como definitivamente um chamamento a toda a sociedade civil organizada, a todos aqueles que amam verdadeiramente e têm compromisso com aquela nossa região.
Reaja, Carajás! É chegada a hora, senão mais tarde vai ser tarde demais e nós não teremos mais condições de fazer nada. A cada dia, a companhia Vale leva do nosso território riquezas, dentro de seus vagões, seus trens, para o mundo todo e traz de lá para cá pobrezas, que são pessoas do Nordeste, amigos, parceiros, que não têm condições, e nós estamos lá de braços abertos para recebê-los. Mas a cada vez que essa leva de nordestinos, de migrantes, chega à nossa região, chega aos nossos Municípios, são necessárias mais salas de aula, leitos hospitalares, segurança pública,
Chegou a hora de o País reconhecer que nós já contribuímos muito para o enriquecimento do Brasil. Chegou a hora de o Brasil nos ajudar a desenvolver de maneira sustentável aquela região tão importante para o desenvolvimento não só do Pará mas do próprio Brasil de maneira geral.
Na próxima semana, no dia 28, mas remarcado para o dia 04 — apenas para V.Exas. terem uma ideia — 34 distritos se tornarão novos Municípios naquela região. Dentre esses, seis são do entorno de Marabá, uma migração realmente significativa, que, a cada dia, vem fazendo com que as prefeituras locais, principalmente os gestores municipais, tenham seriíssimos problemas na área de segurança nos seus condicionantes mais emergenciais, bem como nas áreas de saúde e de educação.
Agora mesmo, a Vale recebeu uma licença ambiental do IBAMA para fazer a segunda linha férrea que leva o Projeto S11D de Canaã dos Carajás até o Porto do Itaqui, e eu não vi nenhuma audiência pública. Lá, para se fazer um roçado de meio hectare temos que pedir licença para Deus e o mundo. A Vale vai atravessar 10 Municípios com essa linha férrea! Já teve licença concedida pelo IBAMA, ninguém participou de audiência pública, ninguém definiu os condicionantes para exploração dessa riqueza, do megaprojeto e fica por isso mesmo: atravessa, atropela.
Por isso que, a partir de hoje, estamos fazendo essa mobilização, com a realização de audiências públicas nesta Casa, em Marabá e em outros Municípios, eventos que vamos legitimar a partir deste momento.
Reage, Carajás! Afinal de contas somos de um país que se chama Pará.
Muito obrigado, Sr. Presidente. Muito obrigado, Sras. e Srs. Deputados.”
Produção da Vale caiu 3,5% no trimestre
A mineradora Vale divulgou ontem relatório que apontou, no primeiro trimestre redução de 3,5% na extração de seu principal produto, o minério de ferro, em relação a igual período do ano passado. Na comparação com o quarto trimestre, os 67,536 milhões de toneladas de minério produzidos representaram queda de 21%.
A empresa atribuiu o resultado a características específicas do período, como o alto índice de chuvas, a dificuldades na obtenção de licenças para lavra e outras questões ambientais.
A produção no complexo de Carajás, no Pará, sua principal fonte de extração de minério, foi de 21,711 milhões de toneladas, uma leve queda, de 0,5%, em relação ao início de 2012. A retração em Carajás foi acompanhada pela queda da produção nos sistemas Sudeste e Sul. As produções no sistema Centro-Oeste e na Samarco, por outro lado, cresceram no primeiro trimestre, na comparação com o mesmo período de 2012.
Resultados
R$ 5,6 bi foi o prejuízo da mineradora no último trimestre do ano passado; o primeiro desde 2002.
74,2% foi quanto caiu o lucro anual da empresa no ano passado.
Sinal de alerta?!
Segundo estudo apresentado ontem durante uma oficina sobre royalties com autoridades na área da mineração e tributação minerária pelo Secretário de Desenvolvimento de Parauapebas, o geólogo Heleno Costa (foto), com a atual nível de produção aplicado em Carajás só restariam 80 anos de minério de ferro nas minas de Carajás.
É preciso que a sociedade civil organizada e as autoridades municipais, estaduais e federais unam forças e comecem a pensar urgentemente em uma alternativa econômica e sustentável para o município de Parauapebas pós-Carajás!!!
Vale pede que minério de ferro produzido na Serra dos Carajás tenha procedência reconhecida
Vale pede que minério de ferro produzido em Carajás, no Pará, tenha procedência reconhecida. Objetivo é garantir valorização do insumo. Requerimento foi apresentado em dezembro ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi).

Inspirada no valor comercial que ganharam os vinhos do Vale dos Vinhedos, do Rio Grande do Sul, o queijo canastra e a cachaça de Salinas, de Minas Gerais, entre outros produtos com procedência reconhecida no país, a Vale quer incluir o minério de ferro de Carajás, no Pará, na mesma categoria. Pedido inusitado para uma commodity mineral (produto básico com preços cotados no exterior), o requerimento foi apresentado em dezembro ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). A empresa requer a denominação de origem da matéria-prima que será produzida a partir de 2016 no maior projeto de investimentos em curso da companhia, o S11D, orçado em US$ 19,49 bilhões.
Mais que um espécie de selo de qualidade, os registros de indicação geográfica têm funcionado como proteção e diferencial para melhor remuneração dos produtores de 33 itens já reconhecidos pelo Inpi no Brasil, a maioria alimentos e bebidas. Depois de aprovada, a ideia da gerente de Propriedade Intelectual da Vale, Denise Naimara, e de várias reuniões com os técnicos do instituto para montar um processo que tivesse chances de acolhimento, a mineradora se animou e decidiu estudar um novo pedido com idêntico teor para o minério de ferro de Minas Gerais, ainda sem data para ser colocado no papel. A companhia e o Inpi desconhecem que alguma iniciativa similar tenha sido tomada em qualquer parte do planeta para um produto comercializado na proporção de milhares de toneladas em estado bruto a partir do Brasil.
O registro para o S11D de Carajás será como a chancela de uma marca para o minério de qualidade excepcional dentro do portfólio da mineradora e que vai representar nova era para a mineração no Pará, segundo Luiz Mello, diretor do Instituto Tecnológico Vale (ITV), responsável pelo pedido. O cenário de aperto na concorrência internacional que a Vale enfrenta justifica a corrida para tentar diferenciar o seu produto. Na briga, se misturam ingredientes desafiadores como a queda de preços de minérios e metais no mundo e a necessidade de reduzir custos de produção, ante o crescimento menor da China, principal alavanca do consumo da matéria-prima, e a crise na Europa e nos Estados Unidos.
No pedido, a Vale sustenta uma identidade própria do minério do megaprojeto de Carajás, argumento que levou o Inpi a aprovar vinhos, cachaças, queijos, cafés, biscoito e o artesanato em estanho de São João Del-Rei , na Região Central de Minas. Até agora, são raros os produtos de reservas minerais no país que conseguiram entrar nesse grupo: as opalas e joias artesanais feitas da pedra no Piauí, as rochas usadas como revestimento na construção civil encontradas no Rio de Janeiro e o mármore de Cachoeiro de Itapemirim (ES). “Como qualquer produto, o mercado consumidor vai pagar o preço que considera justo, mas imaginamos que com uma denominação de origem fica mais fácil obter esse reconhecimento”, afirma Luiz Mello, do ITV.
PRESENTE DA NATUREZA Se o café do cerrado mineiro tem o seu registro de procedência em razão de condições de solo e clima que só a região oferece e os biscoitos de São Tiago, na Região Central de Minas, são fruto de uma tradição e identidade cultural da cidade, a Vale insiste nos fatores que distinguem o seu minério: uma composição química que dá ao material qualidade sem precedentes oferecida pela natureza, tornando diferenciado também o tratamento industrial para extração. “Pelas características químicas, é possível identificar a procedência desse minério com uma qualidade excepcional dada pela própria natureza. Por isso, o tratamento industrial tem impacto ambiental reduzido em consumo de água e energia e área de desmatamento, além do ganho de uma baixa emissão de dióxido de carbono”, afirma Luiz Mello.
O pedido é algo novo para os técnicos do Inpi, que não podem se pronunciar antes da avaliação dos requerimentos e do prazo que é dado para contestação dos interessados. As indicações geográficas, como propriedades intelectuais, remetem, em geral, a locais e produtos considerados bens coletivos, segundo Luiz Cláudio Dupin, coordenador de fomento e registro de indicações geográficas do instituto.
“Em 99% dos casos, avaliamos registros que se referem a um patrimônio dos produtores e de um determinado local”, afirma. A denominação de origem é concedida a produtos que têm características vinculadas ao meio geográfico em que ocorrem ou são produzidas, incluindo recursos naturais e humanos que propiciam uma qualidade especial. Na avaliação de Pedro Galdi, analista chefe da SLW Corretora, a tentativa da mineradora de dar uma marca ao minério é mais uma estratégia para aumentar o prêmio pago pelos clientes pela qualidade num mercado mundial que pode ainda demorar para entrar em ritmo de recuperação.
Jazidas mineiras na lista
Na Vale, a busca de registro para o minério de Carajás é entendida como o reconhecimento de um produto de qualidade Premium. Para um eventual pedido de denominação de origem do minério de ferro de Minas Gerais, há diversas possibilidades para estudo pela companhia, de acordo com Luiz Mello, do ITV.
Seguindo a linha do pedido relativo ao projeto S11D, a mineradora poderia tentar registro de procedência do minério do projeto Apolo, na região de Caeté, na Grande BH, que depende, ainda, delimitação de áreas de preservação na Serra do Gandarela. As opções relativas a outras reservas, como a de Itabira, lavradas há quase 70 anos, e Mariana, precisam ser analisadas do ponto de vista da mudança de qualidade das jazidas que entraram na era de exploração de minério mais pobre em ferro.
Se a escolha fosse, em tese, o Quadrilátero Ferrífero, toda a rica porção central do estado onde a atividade completou algo próximo de 300 anos, um título de propriedade intelectual já dependeria da união das diversas mineradores que atuam na região.
Fonte: em.com.br
Carajás/São Luís: estrada de ferro é liberada e trem volta a operar
A Assessoria de Imprensa da Vale informou há pouco que a interdição no Km 72 da Estrada de Ferro Carajás (EFC) que ocorria desde a manhã de manhã da terça-feira, 5/02 foi resolvida com os moradores do povoado de Outeiro dos Pires, localizado no município de Santa Rita (MA) às 21 horas de ontem. Devido a paralisação, somente ao longo do dia a Vale informará quando o Trem de Passageiros e o trem de cargas da EFC voltarão a operar.
Atualização às 10:20 horas
Nota Oficial divulgada pela Vale:
A Vale informa que a Estrada de Ferro Carajás (EFC) foi desbloqueada ontem, quinta-feira (7/02), por volta das 21h, no Km 72, no município de Santa Rita, após os manifestantes terem sido intimados da liminar de reintegração de posse deferida pela Juíza de Direito da Comarca de Santa Rita. A desocupação pelos manifestantes ocorreu de forma pacífica. As operações dos trens de carga já estão normalizadas. O trem de passageiros voltará a circular neste sábado (8/02), partindo da estação de São Luís, às 8h, com destino a Parauapebas (PA).
A EFC foi interrompida na última terça-feira, quando moradores do povoado de Outeiro dos Pires, localizado no município de Santa Rita ( MA) bloquearam o Km 72 da ferrovia. Durante todo o período da interdição, representantes da Vale estiveram reunidos com líderes comunitários para reiterar o compromisso firmado durante a reunião pública realizada em Santa Rita, no dia 13 de julho de 2012, na qual a Vale apresentou o projeto de expansão da EFC. Entre as obras previstas em Santa Rita, de acordo com o projeto apresentado, está a construção de um viaduto no Km 72. O projeto de expansão da EFC teve a sua licença de instalação (LI) concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) em 19 de novembro de 2012. A partir desta licença, a Vale obteve a autorização para iniciar as obras previstas no projeto.
A Vale reitera que mantém diálogo permanente com as comunidades localizadas nos territórios onde atua.
Presidente da CDL, Daniel Lopes, se manifesta sobre rompimento de contrato da Vale com a ATA Engenharia
A situação do desemprego pode se agravar ainda mais em Parauapebas por causa da Vale. Já vimos este filme antes. A mineradora acaba de romper um contrato com a empresa ATA Engenharia e devido à medida 1.050 trabalhadores, pais de famílias, foram demitidos. A ATA é uma empresa que compra bastante no comércio de Parauapebas e paga em dia suas contas, além de gerar emprego e renda.
Qual seria a verdadeira solução desse problema? Não seria hora de chamar o poder público de nossa cidade juntamente com Vale e a iniciativa privada e discutirmos este problema com mais profundidade?
Outros episódios semelhantes, com outras empresas já ocorreram no passado e com isto quem sai prejudicado é o comércio local, que muitas vezes leva golpe por falta de pagamentos. Esperamos que a Vale encontre uma solução e mantenha seus contratos com as empresas e não prejudique os trabalhadores e os lojistas de um modo geral.
Daniel Lopes
Presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Parauapebas
Carajás: Vale suspende contrato de parceira após ter título protestado e deixa 1.500 funcionários desempregados
A empresa ATA Engenharia, que presta serviços para a Mineradora Vale, está com suas atividades paralisadas em Carajás. A informação, não confirmada pela Vale, é de que a empresa teria protestado um título de R$30 milhões por falta de pagamento. Tal valor seria relativo a um imbróglio contratual que já perdura por oito meses sem que as partes chegassem a um consenso.
Em virtude do título protestado, a Vale teria suspendido o contrato com a ATA Engenharia, fato que teria provocado a paralisação de cerca de 1.050 funcionários lotados nos contratos em Carajás.
O Blogger contactou a Assessoria de Imprensa da Vale em Carajás solicitando uma posição da empresa sobre o fato.
Em nota, a Vale esclarece que não deixou de cumprir quaisquer compromissos ou obrigações contratuais e financeiras com a empresa Ata Engenharia e que foi surpreendida com a notificação da mesma informando da paralisação de suas atividades em Carajás.
A nota esclarece ainda que a Vale está analisando internamente as medidas a serem adotadas em relação a atitude tomada pela empresa Ata Engenharia que, segundo ela, contraria as disposições contratuais. A nota reitera que as relações comerciais da Vale mantidas com seus fornecedores em sua cadeia produtiva são orientadas pela responsabilidade econômica, social e ambiental.
Mineradoras aceleram seu avanço na Amazônia brasileira
Por John Lyons e Paul Kiernan para o The Wall Street Journal, de Belém
Gigantes da mineração como a Vale SA e a britânica Anglo American PLC estão se esforçando cada vez mais para extrair minerais da floresta amazônica brasileira, apostando alto numa das regiões mais remotas e de meio ambiente mais sensível do mundo.
Ao todo, as mineradoras vão investir cerca de US$ 24 bilhões entre 2012 e 2016 para aumentar a produção de minério de ferro, bauxita e outros metais encontrados na bacia do Amazonas, segundo o Instituto Brasileiro de Mineração. O Brasil já recebe hoje um quinto dos investimentos em mineração no mundo, e a Amazônia representa para muitos o maior potencial ainda inexplorado do país.
“A Amazônia será a nossa Califórnia”, disse Fernando Coura, presidente do Ibram.
A iniciativa das mineradoras na Amazônia se encaixa na estratégia mais ampla do governo brasileiro de aproveitar os recursos da floresta para impulsionar o crescimento econômico. A construção de hidrelétricas nos rios da Amazônia, a melhora das estradas que vão até municípios distantes e a expansão da rede de energia elétrica também são partes desse novo avanço sobre a Amazônia. Mudanças na lei e empréstimos do governo ajudarão a abrir caminho para mais minas na região.
Os ambientalistas receiam que o surto de desenvolvimento possa acelerar o desmatamento e pressionar as pequenas comunidades da região, com milhares de trabalhadores das minas sobrecarregando a infraestrutura e os serviços locais. Já os cientistas dizem que preservar aquela que é a maior floresta e o maior absorvedor de carbono do mundo é vital para o equilíbrio do clima do planeta e para a sobrevivência de cerca de um décimo das suas espécies.
Embora menos árvores precisem ser arrancadas para a mineração na Amazônia do que para outras atividades, como a pecuária, as estradas construídas para servir as minas podem acelerar o desmatamento ao facilitar, por exemplo, que madeireiros clandestinos acessem áreas remotas.
“As estradas são inimigas das árvores e as minas precisam de estradas”, diz Jared Hardner, que dá consultoria para mineradoras como a anglo-australiana Rio Tinto PLC, ajudando-as a diminuir o impacto ambiental dos seus projetos. “O problema da Amazônia é que uma rede de infraestrutura está sendo instalada cada vez mais dentro da floresta.”
Para complicar, alguns investidores dizem que as mineradoras escolheram a hora errada para deflagrar uma custosa procura pelos recursos da Amazônia. Depois de anos em alta, os preços do minério de ferro, da bauxita e de outros metais despencaram devido às incertezas relacionadas ao crescimento lento da China.
“O mercado não engole essa história de crescimento de longo prazo na mineração”, disse Felipe Gomes, analista da Price WaterhouseCoopers no Brasil.
Pessoas do setor como Coura, do Ibram, dizem que o mercado tem uma percepção “míope”. Já que pode levar dez anos para colocar uma mina em operação, as companhias precisam enxergar além dos ciclos do mercado, dizem executivos da mineração. Os preços do minério de ferro se recuperaram um pouco nos últimos meses e desenvolver minas de difícil acesso continua lucrativo. Da mesma forma, A bauxita, que é usada para fazer alumínio e existe em abundância na Amazônia, vai se manter lucrativa, dizem eles.
O maior projeto em andamento na Amazônia é de longe a ampliação de US$ 8,1 bilhões que a Vale está fazendo na sua mina de ferro de Carajás, no Pará, a qual já é a maior do mundo. Em 20 de novembro, a Vale, maior produtora de minério de ferro do mundo, recebeu uma licença ambiental para construir 800 quilômetros de ferrovias na Amazônia, incluindo duplicações e novos trechos, para fazer frente ao aumento da produção.
A Votorantim anunciou um investimento de R$ 5,6 bilhões numa nova mina de bauxita no Pará. Os desafios logísticos incluem transportar grande parte do metal em caminhões por cerca de 600 quilômetros de estradas às vezes difíceis, disseram executivos.
A Anglo American está estudando um projeto de níquel de US$ 4,7 bilhões que a empresa afirma ter potencial para aumentar consideravelmente a sua participação de mercado. Grupos de investimento da China e Coreia do Sul estão procurando possíveis jazidas, disseram autoridades brasileiras.
Enquanto isso, analistas do setor da mineração dizem que a companhia britânica pode ter até quatro possíveis candidatos à compra de uma mina de ferro no Amapá, entre eles a trader de commodities Glencore International PLC e a produtora de aço russa OAO Severstal.
A Norsk Hydro, gigante norueguesa do petróleo e da mineração, comprou os ativos de bauxita e alumínio da Vale em 2011, inclusive a terceira maior mina de bauxita do mundo, situada no Pará.
Mineração na Amazônia não é nenhuma novidade. Os depósitos da Vale na mina gigante de Carajás foram descobertos nos anos 60. Mas os investimentos atuais têm uma escala bem maior que antes. E a indústria deve fazer novos avanços, agora que está sendo criada uma lei para permitir a mineração em terras indígenas, hoje proibida.
A nova lei da mineração pode aumentar os conflitos que os projetos na Amazônia já causaram entre empresas e comunidades locais.
“O que preocupa são os projetos que estão entrando nas áreas mais sensíveis”, disse Valmir Ortega, diretor no Brasil da Conservation International, uma ONG ambiental. “Os antecedentes do Brasil no tratamento das populações locais da Amazônia não são encorajadores.”
Edio Lopes, deputado federal pelo PMDB de Roraima e redator do projeto de lei da mineração, disse ser um mito que “qualquer relação entre mineradoras e comunidades indígenas é absolutamente prejudicial e traz prostituição, alcoolismo e doenças”. Ele disse que as mineradoras têm hoje tecnologia suficiente para minimizar o impacto nas áreas sensíveis.
Executivos das empresas dizem que estão trabalhando para limitar os impactos ambientais. A americana Alcoa Inc. prometeu replantar a floresta na sua mina de bauxita de Juriti, no Pará, e seus gerentes moram no município para ver em primeira mão o impacto que a mina tem lá. Ainda assim, a Alcoa foi processada pela justiça estadual, que exigiu um controle mais rigoroso e um estudo mais abrangente do impacto da mina.
“Acredito que o nosso lado está hoje mais preparado para esse problema, mas ainda não temos todas as respostas”, disse Tito Martins, diretor-executivo da Votorantim, durante um painel de discussão numa conferência sobre mineração na Amazônia realizada em novembro.
Mineradora Vale ameaça patrimônio pré-histórico
No O Globo
Vale planeja destruir cavernas que.guardam evidências das primeiras ocupações humanas na região
Arqueólogos precisam escalar tortuosos caminhos da floresta tropical, por onde vagam onças e deslizam cobras, para chegar a um dos mais impressionantes sítios da Amazônia: um grupo de cavernas e abrigos de pedras que guardam segredos de seres humanos que viveram ali há mais de 8 mil anos.
Praticamente em qualquer outro lugar do mundo, essas cavernas seriam preservadas como um valioso recurso de conhecimento da história humana pré-histórica. Mas não neste remoto ponto da Amazônia, onde a Vale, a gigante brasileira da mineração, avança na expansão de um dos maiores complexos mineradores de ferro do mundo, um projeto que prevê a destruição de dezenas de cavernas preciosas, de acordo com especialistas.
As cavernas, com sua espetacular riqueza mineral, representam um dilema para o Brasil. A liga de ferro de Carajás, amplamente exportada para a China onde é usada para fazer aço, é crucial para as ambições brasileiras de reanimar uma economia modorrenta. Mas arqueólogos e outros pesquisadores ponderam que a ênfase em ganhos financeiros a curto prazo ameaça destruir janelas para o passado da região.
—Este é um momento crucial para aprendermos sobre a história humana da Amazônia e, por extensão, do povoamento das Américas — afirma o historiador Genival Crescêncio, do Pará. — Deveríamos preservar esse sítio único para a ciência, mas estamos destruindo-o para que os chineses abram novas fábricas de carros.
Especialistas dizem que as grutas de Carajás, que arqueólogos começaram a explorar nos anos 80, oferecem pistas de como foram os primeiros assentamentos humanos na maior floresta tropical do mundo, ajudando a montar o grande quebra-cabeça do povoamento das Américas.
Fragmentos de vasos de cerâmica e instrumentos feitos de ametista e quartzo estão entre os sinais de ocupação humana de milhares de anos de idade. Tais artefatos, junto com uma grande abundância de grutas e abrigos de rocha, tornam Carajás um dos locais mais importantes da Amazônia para o estudo dos povos pré-históricos.
Pesquisadores têm encontrado cada vez mais evidências de que muita gente viveu na região, o que antes era considerado impossível. Achava-se que a Amazônia era incapaz de ter sustentado sociedades grandes e sofisticadas. Mas novas descobertas revelam que a região pode ter abrigado vigorosos centros urbanos antes da chegada de Cristóvão Colombo.
Antes delas, as pessoas moravam nas grutas. Em estudos na caverna de Pedra Pintada, no Pará, similar às de Carajás, a arqueóloga americana Anna C. Roosevelt descobriu que caçadores-coletores já ocupavam a região de 10.900 a 11.200 anos atrás, na mesma época em que os americanos do norte estavam caçando mamutes, muito antes do que se imaginava.
Para alcançar as grutas de Carajás, pesquisadores precisam dirigir por horas em estradas esburacadas que cortam a floresta, antes de escalar escarpas das Montanhas Carajás, picos que se elevam sobre a mata. Araras voam sobre suas cabeças e morcegos circulam dentro das cavernas nas quais tribos encontravam abrigo.
A Vale planeja criar 30 mil empregos com a expansão da mineração de liga de ferro em Carajás, em um projeto de US$ 20 bilhões chamado Serra Sul, que já atrai milhares de migrantes para essa remota parte da Amazônia.
Para cumprir a legislação sobre sítios arqueológicos, os executivos da Vale dizem que a empresa contratou arqueólogos e espeleólogos para pesquisar as grutas — agrupadas ao redor da abertura da mina. A Vale adaptou a proposta de construção para preservar algumas das grutas. Embora a empresa reconheça que pelo menos 24 das grutas a serem destruídas são de “alta relevância” a Vale diz que pretende preservar cavernas em outra parte do Pará para compensar a perda.







